quarta-feira, 10 de novembro de 2010

SOBRE A PARTICIPAÇÃO DO PT NO FUTURO GOVERNO RICARDO COUTINHO

Setores do PT, impulsionados pela eleição de Ricardo Coutinho, não esperaram nem o anúncio da vitória ricardista para começar a defender a participação do partido no futuro governo do ex-prefeito de João Pessoa.

Qualquer cidadão de bom-senso que escute essa proposta, e não tenha acompanhado as disputas dentro e fora do PT durante os últimos dois anos, pode considerá-la com naturalidade, afinal ele certamente não veria problema em membros do PT comporen um governo liderado por outro partido de esquerda, o PSB.

A não ser que fique sabendo, antes de emitir qualquer juízo de valor sobre a proposta, que o partido não apenas apoiou, mas compôs a chapa derrotada nas últimas eleições, e que a chapa vitoriosa ao governo foi formada por adversários nacionais do PT e da presidente eleita, Dilma Rousseff.

Não apenas isso: que a campanha do "socialista" foi casada, especialmente no interior, com a do candidato do PSDB à presidência, José Serra, a tal ponto que as votações dos dois serem quase idênticas no principal reduto tucano nessa eleição, Campina Grande, ao ponto do Diário de Pernambuco nomear a cidade de "A ilha tucana no interior do Nordeste" (clique aqui).

E é exatamente o tratamento de "ilha" que a até então minoria do PT deu e quer continuar dando ao PT e à Paraíba. É como se o estado fosse um Brasil à parte e as alianças partidárias não significassem absolutamente nada por aqui.

É como se participar de uma campanha ao lado do DEM, o partido da velha direita e em vias de extinção no Brasil, e do PSDB, o partido da "nova direita", fosse um detalhe inexpressivo. Mais grave ainda é defender que o PT participe de um governo ao lado dessas forças, como se governar fosse algo tão "neutro" que não implicasse escolhas orientadas por objetivos com claras repercussões sociais. Lula que o diga.

Ora, é mais do que legítimo que PSDB e DEM reivindiquem seu quinhão no futuro governo, e um quinhão significativo. Afinal eles não apenas deram suporte à campanha ricardista interior à fora, como fornecerão os votos na Assembléia Legislativa para dar "governabilidade" ao futuro governo.

Seria um contra-senso imaginar que Ricardo Coutinho se elegeu com a direita e agora vai governar com a esquerda, principalmente com uma esquerda sem expressão política e, mais ainda, eleitoral, além de dividida, como é o PT hoje.

Vejam o caso da nova CPMF. Enquanto os deputados petistas se escondem desse debate necessário, os representantes do DEM e do PSDB paraibanos já apontam suas bazucas para a proposta, querendo, claro, adiantar o tom de como será a batida do bumbo nos próximos 4 anos. (Na próxima postagem, tratarei de defender a criação de um tributo para ajudar a financiar a saúde pública).

Ou seja, essas contradições inelimináveis da política nacional se expressarão com força no interior do futuro governo de Ricardo Coutinho. Mas não só elas. O modo de governar estará em jogo, especialmente se Ricardo quiser levar à frente para dar sentido à idéia "republicana" tão propalada pelo candidato do PSB durante a campanha. Enfim, nós veremos na prática se republicanismo e cassismo combinam.

Por fim, cabe um último registro. Se for formada uma maioria no interior do diretório regional do PT a favor da participação no governo, teremos demonstrada a verdadeira "vocação" do PT paraibano: o governismo, a oportunismo, a corrida por cargos independente do bloco político a que o partido pertença.

Seria a negação não apenas de um projeto partidário, mas de um projeto de poder. Essa "maioria" do PT seria reduzida e desmoralizada a um agrupamento que flutua ao sabor das circunstâncias e deixaria finalmente claro que a opção pelo apoio ao governo de Ricardo Coutinho teve a mesma justificativa do apoio que ela concedeu para aprovar o apoio a José Maranhão: cargos.

É preciso encontrar pontos para a construção do consenso no interior do PT, fundamento de qualquer projeto partidário, mas os primeiros são esses: o respeito às decisões das instâncias partidárias, o reconhecimento de que há uma conexão entre o projeto nacional e o estadual e, por fim, a conseqüência em relação às decisões tomadas.

Afinal, o PT não foi derrotado para ficar no governo. Defender o contrário é jogar o PT na vala-comum que orienta a ação dos partidos tradicionais no Brasil. E a história do PT não merece que façam isso com ele.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

O PT NA PARAÍBA: RAZÕES PARA MAIS UM FRACASSO ELEITORAL

Enquanto o PT comemorava unido em todo o Brasil a histórica vitória conquistada no último domingo com a eleição de Dilma Rousseff, aqui na Paraíba o partido encerrava sua participação no processo eleitoral da mesma maneira que começou: dividido e enfraquecido.

Dois PTs esboçavam atitudes diferentes para o mesmo resultado. Ou melhor, a minoria partidária comemorou a derrota do próprio partido a que pertence, como se a vitória do adversário do PT fosse também uma vitória sua, como se o PT não fizesse parte da chapa derrotada, como se existissem mesmo "dois" PTs a lutar por projetos políticos distintos.

Não, meus companheiros, não existem dois PT. Existe um único PT, o PT da maioria, o PT legitimado pelas resoluções partidárias oriundas dessa maioria, o PT que torna os vários PTs que existem nele um só partido. Foi assim que o PT ajudou a criar no Brasil uma nova tradição de organização partidária, que faz dele o partido mais democrático do país, e que fez dele o maior partido brasileiro, o único partido de esquerda verdadeiramente de massas.

Foi essa prática democrática que me levou ao PT 14 anos atrás. Impressionava-me sempre como um partido com suas acirradas disputas internas conseguia continuar crescendo. Desde muito jovem, acompanhei a trajetória e as mutações do PT. Do esquerdismo que marcou o partido por quase toda a década de 80, passando pela confusão programática dos primeiros anos da hegemonia neoliberal, até tornar-se o partido de esquerda maduro que é hoje, cujo projeto de nação também foi amadurecendo com ele, especialmente durante o governo Lula, o PT conseguiu construir uma hegemonia política que o permite comandar um projeto de mudanças com a amplitude que consegue congregar o centro e a centro-direita, e muitas personalidades tidas como conservadoras, a exemplo de Sarney e Collor.

Finalmente, desde João Goulart - e agora com uma sólida base social que permite ao PT enfrentar, além dos embates eleitorais, um debate político e ideológico que tenderá a se acirrar cada vez mais nos próximos anos - temos uma frente ampla que foi pacientemente construída durante o governo Lula e que é dirigida por um núcleo de partidos à esquerda. Enfrentamos, especialmente nessa última campanha, o reacionarismo de uma elite que sempre foi incapaz de pensar com alguma generosidade no Brasil e no bem-estar do seu povo. Enfrentamos e vencemos mais uma vez.

Cabe agora uma questão capital: como o PT conseguiu construir essa hegemonia política? Como o PT deixou de ser um partido que habitava a periferia da política brasileira para se tornar o maior partido brasileiro, não só elegendo em 3 eleições seguidas o/a presidente do Brasil, mas também a maior bancada na Câmara dos Deputados? Uns, mais apressados, dirão: foi a política de alianças, que permitiu ao PT dirigir-se a setores mais amplos do eleitorado brasileiro. É verdade. Mas antes disso, antes que o PT conseguisse se delinear como alternativa política e eleitoral, o PT se construiu como força partidária, cujo envolvimento e dedicação de sua militância fez e faz do PT o partido de referência no Brasil e, talvez, o único partido - à exceção do PCdoB e dos partidos de origem trotskistas - que possa ser tido enquanto tal.

Debatemos acaloradamente, e muitas vezes de maneira pública, nossas divergências internas. Aprendemos a não ter medo da polêmica e a cultivá-la como fundamento de nossa democracia interna. Expomos nossas entranhas para que todos vejam nossas divisões. A direita antes se alegrava com isso, mas depois aprendeu que o PT debate, diverge, mas se une.

Isso até 2010 na Paraíba. Antes, tivemos movimentos marginais de questionamento à orientação partidária, mas não nas proporções e com a força que foi observada em 2010. Uma parte considerável de militantes, dirigentes partidários e parlamentares, não apenas simplesmente desconheceu a posição oficial do PT, como trabalhou abertamente contra ela.

Vou evitar entrar no mérito da divergência que motivou essa pendenga. Creio que minha opinião já é do conhecimento dos que costumam freqüentar este blog. Considero que esse debate não é mais importante, sendo mesmo irrelevante se quisermos fazer um balanço sério sobre o PT e seu futuro político na Paraíba.

Vou me ater, portanto, àquilo que considero ser a razão mais importante que tornou o PT o grande partido que ele é: a sua unidade, a sua democracia interna e o respeito, portanto, às decisões da maioria, que foram expressas e legitimadas formalmente e politicamente por todas as instâncias partidárias.

A começar pela realização do PED, que elegeu a direção atual do PT tendo como foco o debate sobre as alianças, passando pela decisão por amplíssima maioria do Encontro Estadual do partido e, por fim, pela legitimidade conferida pela Direção Nacional do PT à decisão de não apenas apoiar, mas PARTICIPAR da chapa de José Maranhão.

Não se trata de discutir o direito à divergência, mas de respeitar os companheiros de partido que dedicam parte do seu tempo, em alguns casos, todo o seu tempo, à construção do partido. Mais do que isso. Trata-se de um dever estatutário (artigo XIV do estatuto do PT, que determina a todo filiado "acatar e cumprir as decisões partidárias"), que torna o mais simples filiado igual ao presidente Lula.

Mais do que isso. O respeito ao partido e suas decisões derivam da compreensão de que o PT é maior e mais importante do que qualquer personalidade política que milite em seus quadros. Por quê? Porque o PT é um partido cujo valor se encontrar não na força individual de cada filiado, mas na força de suas idéias e na ação organizada de sua militância.

Lula seria a liderança que passará para a história do país não fosse o PT? Ricardo Coutinho seria algo além de presidente do Sindicado dos Farmacêuticos de João Pessoa não fosse o PT? Luiz Couto seria além de padre e professor da UFPB não fosse o PT? Esse foi um partido construído pelos de baixo, por aqueles que não teriam espaço no jogo político oligárquico.

Foi o PT quem deu a dimensão política que tem Ricardo Coutinho e que o permitiu tornar-se a liderança incontestável que ele é hoje, mas talvez seja ele, Ricardo, o maior exemplo do personalismo, do individualismo que vê no partido um mero sustentáculo aos seus objetivos particulares. Um filiado cujo agrupamento político ainda hoje atende pela alcunha de "Coletivo Ricardo Coutinho" dá a exata dimensão e confirma a personalidade política que ele é. E Luiz Couto mais do que ninguém sabe disso, não é mesmo?

Mas, mais uma vez, não se trata de Ricardo Coutinho, que, com suas características, fez muito bem em procurar seu caminho fora do PT. Ou de José Maranhão. Trata-se de reconhecer que a grandeza de cada militante ou filiado depende da grandeza e da importância do partido. E que isso só é possível quando seus filiados, desde o mais simples ao que ocupa o cargo de maior relevância, estão dispostos a respeitar as decisões das instâncias partidárias. É isso que evita que o PT se torne um partido de caciques, que não estão sujeitos às decisões da maioria e se sentem acima delas.

E não me venham dizer que o PT é assim em todo o Brasil porque não é. Para demonstrar isso, eu cito o exemplo da eleição de 2002 no Rio Grande do Sul, quando Olívio Dutra, então governador, perdeu as prévias internas e não conseguiu a vaga para tentar a reeleição. Um governador. E qual foi a atitude de Dutra? Agiu de maneira mesquinha tentando evitar a vitória de quem o impediu de concorrer? Onde está Olívio Dutra hoje? A última vez que o vi, ele estava novamente ao lado de Tasso Genro, festejando a dupla vitória conquista no Rio Grande do Sul.

Olívio Dutra não pediu licença (licença!) de suas obrigações estatutárias para agir contra o partido e a favor dos seus adversários, nem subiu em seus palanques para ser vaiado quando pedia voto para sua candidata a presidente. Olívio Dutra não preferiu a companhia de inimigos históricos do PT e do presidente Lula, mas perfilou ao lado dos seus companheiros que com ele sempre construíram o PT e com eles se elegeu governador.

É disso que se trata. De generosidade política, de postura democrática, de respeito à maioria e às instâncias partidárias, de respeito ao partido que deu vida e permitiu que legítimos projetos políticos e eleitorais individuais e de grupo se tornassem viáveis.

O resultado disso é o desempenho medíocre que o PT conseguiu nas urnas neste ano. Desde 1994, o PT não supera a marca dos 3 deputados estaduais. E desde 1998, permanece com apenas 1 deputado federal, de uma representação de 12. Se o PT tivesse agido de maneira unitária, colocando em primeiro lugar os objetivos eleitorais e seu projeto político, talvez tivesse conseguido não apenas ampliar suas bancadas na Assembléia e na Câmara, mas ter conquistado uma das vagas para o Senado, como a campanha mostrou ser possível.

A continuar nessa disputa autofágica, o PT tende a continuar sendo o que ele é há muito tempo na Paraíba: linha auxiliar de outros partidos. Mas, para superar seus impasses, precede antes de tudo avaliar as posturas de cada grupo durante o processo eleitoral. Jogar para debaixo do tapete essas questões apenas ajuda a corroborar práticas que enfraquecem a unidade interna do PT. E a sua força política.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Mensagens de ódio e preconceito social.

Os registros abaixo compõem uma seleção do que jovens da nossa elite "branca" e "separarista", como gosta de defini-la Paulo Henrique Amorim, pensam não apenas dos "nordestinos", mas do povo brasileiro. Afinal, só quem votou em Dilma foram analfabetos e pessoas que dependem do Estado para sobreviver?

Não custa lembrar que Dilma teve quase 50% dos votos do Rio Grande do Sul, teve 46% dos votos dos paulistas, mais d 60% dos votos dos mineiros e cariocas. Eu recebi muitas mensagens durante os 8 anos de Lula, de filhos da elite nordestina que pensam como os filhos da elite sulista e que compunham um quadro aterrador do preconceito social latente, doido para se liberar sem amarras na impessoalidade do internet e do Twitter.

Nós vamos enfrentar essa gente nos próximos 4 anos anos. É ela quem vai querer transformar o Brasil numa Venezuela. E nós vamos vencer, de novo. Porque o povo sabe com quem está lidando. Afinal, quem o emprega nas empresas e nas residenciais, onde esse ódio é destilado cotidianamente em estado bruto?

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

CRESCIMENTO DE MARINA SILVA E VOTO ANTIMARANHISTA DEFINIRAM ELEIÇÃO NA PARAÍBA

Já analisei aqui a derrota sofrida por José Maranhão no primeiro turno quando tudo levava a crer que ele venceria a disputa (clique aqui). Além dos aspectos arrolados, um dado adicional deve ser levado em consideração: o gigantesco deslocamento de eleitores que ocorreu nos dias que antecederam a realização do primeiro turno da eleição presidencial: eleitores indecisos e eleitores que votavam em Dilma Rousseff e passaram a optar por Marina Silva.

Esse deslocamento pode explicar as súbitas alterações nas tendências verificadas nas eleições estaduais e que acabaram por prejudicar candidatos que "colaram" suas campanhas na de Dilma Rousseff, a principal vítima da campanha de difamação orquestrada no submundo da internet pela campanha de José Serra.

Isso aconteceu, por exemplo, no Paraná, onde até uma semana do primeiro turno, Osmar Dias, do PDT, empatara com Beto Richa, depois de ter conseguido tirar a grande diferença que os separava antes da campanha na TV se iniciar; em Santa Catarina ocorreu a mesma coisa, e, nesse caso, o beneficiário foi o candidato do Dem, Raimundo Colombo, que via os candidatos, especialmente Ideli Salvati, do PT, avançarem nas pesquisas. Em São Paulo ocorreu fenômeno semelhante: o crescimento da candidatura de Aluisio Mercadante, do PT, até os últimos dias da campanha primeiro turno, aproximou todos os outros candidatos dos percentuais de Geraldo Alckmin tornando a realização do segundo turno bastante provável. Entretanto, nenhum desses prognósticos se confirmou nas urnas, o que acabou por beneficiar os candidatos do PSDB e DEM.

Vejam abaixo um quadro com o resultados da últimas pesquisas do IBOPE no Paraná, Santa Catarina e São Paulo. (clique na imagem para ampliar)

Então, o que ocorreu para que essas tendências não fossem consolidadas nas urnas? O único fato político de relevância foi o crescimento de Marina Silva sobre parte do eleitorado que resolveu acreditar na campanha de difamação realizada contra Dilma Rousseff durante todo o primeiro turno e que se tornou avassaladora nos últimos 15 dias de campanha.

E, como eu disse, essa mudança acabou prejudicando em alguns estados candidatos que colaram sua campanha na campanha de Dilma, como aconteceu também na Paraíba.

Aqui, acrescente-se o fato da dubiedade do candidato a governador oposicionista, Ricardo Coutinho, em relação às eleições presidenciais. Filiado a um partido que compôs a aliança nacional em apoio à Dilma Rousseff, o PSB, e chancelado pela minoria do PT que deu claro exemplo para o partido e para a sociedade de infidelidade partidária, Coutinho pôde se beneficiar do voto do eleitor de Dilma, sem nunca ter pedido publicamente um voto sequer para ela; com apoio do PSDB, do DEM e do PPS na Paraíba, partidos da base de José Serra, transitou livremente no meio do eleitorado conservador e, especialmente em Campina Grande, colou sua campanha na do candidato tucano.

Na reta final, vislumbrando o crescimento de Marina Silva, fez o seu grupo de apoio pedir votos e fazer boca de urna para a candidata que foi linha auxiliar de José Serra e viabilizou o segundo turno.

Ou seja, Coutinho, que atirou para todos os lados, ajudado pela dubiedade que marcou o seu discurso e pela falta de coerência na política de alianças, soube colher os frutos nos diversos pomares da política nacional.

Enfim, a maioria do eleitorado acabou por chancelar o que, retoricamente, ela mais dizia rejeitar na política. Enquanto José Maranhão manteve-se fiel ao lulismo, tanto por acreditar que poderia obter as vantagens eleitorais do apoio à candidata do presidente Lula, cujo favoritismo no Nordeste era incontestável, quanto pelo apoio que foi construído por uma lealdade de 8 anos no Congresso Nacional e no interior do PMDB.

Na reta final, Maranhão foi, por isso, tragado pelo crescimento de Marina Silva. Nesse sentido, o candidato do PMDB perdeu dos dois lados: por ser fiel ao PT, Dilma e Lula, e, no segundo turno, por ter contra si um candidato que tinha apoio de todos os lados, especialmente e, num aparente paradoxo, de gente muito próxima de Dilma.

Se tem algo que saiu desmoralizado nessas eleições na Paraíba foi a lealdade política. Se serve de consolo, Maranhão pode continuar dizendo, sem poder ser desmentido, que sua trajetória sempre foi marcada pela fidelidade às suas idéias e aos seus aliados. O contrário nem sempre foi verdadeiro.

Mas, esse aspecto (as eleições presidenciais na Paraíba) foi de menor importância para justificar a derrota maranhista. O fato do atual governador postular pela quarta vez governar a Paraíba certamente interferiu na escolha política dos eleitores, aliás, com alguma razão, há de se reconhecer.

E isso nada tem a ver com o julgamento da trajetória ou das administrações maranhistas. Qualquer político que ocupe por muito e num curto espaço de tempo cargos administrativos de relevância tende à saturação de sua liderança. Cabe a ele o reconhecimento disso, como faz Lula ao afirmar que não pretende disputar novas eleições, mesmo que ele tenha saído do governo com mais de 80% de aprovação.

Maranhão teve essa oportunidade ao voltar o governo e eleger um sucessor que continuasse tanto sua obra administrativa quanto sua obra política. Maranhão teve essa oportunidade, mas faltou-lhe generosidade política.

Ninguém tem dúvida, por exemplo, que se fosse Veneziano Vital o candidato, o resultado dessas eleições certamente teria sido outro. Mesmo a ausência de Veneziano na vice foi decisiva para o resultado em Campina Grande, que mais uma vez foi determinante no primeiro turno.

Assim, a indicação de José Maranhão acabou se encaixando perfeitamente na estratégia de Ricardo Coutinho, que dependia fortemente de um oponente que permitisse a junção "geopolítica" do eleitorado pessoense com o campinense, fato central da estratégia cassista-ricardista.

Foi a indicação de José Maranhão que permitiu que Ricardo Coutinho recuperasse o eleitorado perdido por conta da aliança como Cássio Cunha Lima. Coutinho soube explorar muito bem, especialmente entre os mais jovens, muito mais suscetíveis a julgar as coisas e a política pelas aparências, o desgaste natural da liderança de José Maranhão. Também ajudou o estilo do atual governador, que, ao que parece, nunca se acostumou com o desafio de lidar com a TV, a não ser na reta final, quando já era tarde.

No finalzinho de março, eu registrei aqui neste blog. (clique aqui)

Mas, além dessa força desproporcional que será demonstrada ao longo dos próximos meses até o início da campanha (...) José Maranhão precisará apresentar um novo discurso ao eleitor, principalmente o motivo que o convença a votar para que ele, atual governador, tenha direito a mais um mandato.

Não tenho dúvidas de que esse será o principal embate, em termos de discurso, que poderá reproduzir o acirramento das duas últimas eleições. Nesse sentido, a questão é saber se o eleitor estará aberto à mudança - e saturado das lideranças tradicionais, - ou se manterá distância, na hora da escolha, da observação das características individuais e históricas de cada candidato, optando por manter, em termos de lideranças políticas, as coisas como estão.

Por outro lado, a grande incógnita será o comportamento do eleitorado dos dois maiores colégios eleitorais, João Pessoa e Campina Grande. No caso do primeiro, se ele converterá em voto no candidato oposicionista (Ricardo Coutinho) a boa avaliação que ele faz da administração pessoense; no caso do segundo, se o eleitor campinense reproduzirá a rejeição a José Maranhão que permitiu estabelecer uma diferença que foi a principal responsável pela vitória de Cássio Cunha Lima nos dois últimos pleitos.

Enfim, das hipóteses levantadas acima, foram confirmadas apenas as que beneficiavam Ricardo Coutinho. E isso por conta dos erros de avaliação da coordenação de campanha maranhista, que subestimou o verdadeiro embate que se desenvolvia nas eleições paraibanas, imaginando que apenas o controle da máquina era o que determinava o resultado das disputas políticas na Paraíba.

Eles subestimaram um fato óbvio, que chamamos a atenção muitas vezes neste blog. As 20 maiores cidades da Paraíba comportam mais da metade do eleitorado do estado. Ou seja, temos um eleitorado cada vez mais urbano, que tem mais acesso à informação, que é cada vez mais exigente.

E foi exatamente esse eleitor que garantiu o segundo turno das eleições. Um eleitor que votou no "novo" o que, no Nordeste, significou em quase todos os estados votar mais "à esquerda".

Volto novamente a citar este blog: "Eu tenho insistindo: é um erro subestimar a virada à esquerda que o eleitorado nordestino deu depois que Lula assumiu o governo. E esse dado, acredito eu, não é conjuntural, ele expressa a urbanização da sociedade nordestina" (Clique aqui).

Esse alerta eu fiz para José Maranhão quando se debatia a indicação da vice na chapa do PMDB, quando pareciam óbvios os esforço de excluir o PT da chapa. Para Maranhão, o apoio do PT, ao que parece, significou apenas o acréscimo do tempo de TV e o vínculo eleitoral com Dilma e Lula. Ele subestimou, portanto, o contraponto à esquerda que Rodrigo Soares poderia fazer a Ricardo Coutinho, cobrando-lhe coerência à aliança nacional que se reproduzia em todo o Nordeste, à exceção da Paraíba, em apoio à Dilma Rousseff.

Enfim, Maranhão se recusou a politizar o debate eleitoral, acreditando nos marqueteiros e nos discursos insossos que eles produzem e que anulam a política do embate político. Se Maranhão tivesse enfrentando o debate real que dividiu o Brasil nas eleições de 2010 teria neutralizado parte do tal discurso de renovação que fez Ricardo. Preferiu se apresentar como um gerente e deu no que deu.

Sem a análise desses fenômenos fica realmente difícil entender o que aconteceu na eleição da Paraíba que permitiu a vitória de Ricardo Coutinho. Isso vale para o futuro governo do ex-prefeito de João Pessoa. A Paraíba não é João Pessoa. É mais complexa, mais desigual e mais pobre.

E, para completar, no segundo turno, preferiu o desespero do apelo ao preconceito religioso, coisa que Serra tentou utilizar contra Dilma na disputa presidencial, tentando vincular Coutinho às "forças ocultas". Esse foi um fato da campanha, que eu critiquei aqui mesmo neste blog (clique aqui).

Comentei com um amigo maranhista assim que vi os panfletos apócrifos: "Esse é um recurso de quem está desesperado". Era o que parecia. Maranhão não precisava disso. Quando ele enfrentou seu oponente politicamente, como ele fez no último debate do segundo turno, na TV Cabo Branco, ele saiu-se bem. Aquele deveria ter sido tom de toda a campanha.

Quando ele viu isso, já era tarde demais.

Depois, eu volto com uma análise do PT e da esquerda nessas eleições.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

ZÉ DIRCEU MASSACRA O RODA-VIVA TUCANO

José Serra escolheu José Dirceu como seu alvo preferido para atingir Dilma Rousseff. Tentou reforçar a satanização que fez a grande imprensa contra o ex-ministro chefe de Lula e grande articulador de sua vitória em 2002. Por isso, o PIG não perdoa Dirceu e, se depender dele, José Dirceu arderá no inferno para a eternidade.

Acompanhe a entrevista abaixo e tire suas próprias conclusões sobre a cumpabilidade de José Dirceu, não por acaso escolhido pela TV Cultura, que pertence ao Governo de São Paulo, para dar a primeira entrtevista. Acabou sendo outro tiro no pé. Veja por que.







segunda-feira, 1 de novembro de 2010

DILMA VENCEU O ÓDIO, O PRECONCEITO, A MENTIRA E A “NOVA DIREITA” BRASILEIRA.

Que ninguém tenha um só lampejo de dúvida do tamanho da vitória de Dilma Rousseff. E dos adversários que, mais uma vez, foram derrotados ontem. Dilma venceu a "santa aliança" direitista que se fez em torno de José Serra e que reuniu não apenas a velha direita, representada pelo DEM, mas o PSDB, agora travestindo as vestes da direita pós-moderna, "Tea Party", cuja inspiração são os métodos usados para tentar impedir a eleição de Barack Obama e continua a fazer um oposição ao mandato do "primeiro" Presidente negro dos EUA.

Uma direita eletrônica, organizada, que usa especialmente a internet para, de forma fragmentária, ou seja, propagar o medo, a mentira e a desesperança não ao conjunto dos eleitores, mas aos segmentos dele. Tenta reforçar os preconceitos já existentes e estimula que os latentes se venham à tona. É uma nova forma de obscurantismo que expressa o grau de despolitização do debate político atual na sociedade. Para vencê-lo, só o debate político, só o tratamento claro das diferenças que dividem os adversários e seus projetos.

Ontem, soubemos também medir o tamanho da liderança de Lula. Foi ele o grande vitorioso, seja porque levou à vitória uma candidata até bem pouco tempo era desconhecida para a amplíssima maioria do povo brasileiro, tendo começado sua campanha com mirrados 3% e a encerrado ontem com 56%, montada numa montanha de 55.752.092 votos. Nada mal para quem nunca participou de uma eleição.

Mais do que transferir seu prestígio e seus votos (quem disse que não se transfere votos no Brasil?), Lula soube antecipar, e com razão, o debate que se prenunciaria durante a campanha e conduziria o Brasil para uma inevitável polarização de projetos. E a estratégia de Lula, que conseguiu afastar Ciro Gomes da disputa, não deu inteiramente certo por conta de Marina Silva, que cumpriu, e muito bem, o papel de linha auxiliar dessa nova direita, e levou a disputa para o segundo turno.

Mas, deixa Marina com seus sonhos em paz, por enquanto. Ela voltará, em 2014, agora para ajudar Aécio Neves. No final das contas, assim como aconteceu em 2006, o segundo turno serviu tanto para demarcar com clareza as diferenças de projeto, como para mostrar a horrenda face da nova direita, cheia de ódio e preconceitos. Foi o insosso embate entre "gerentes", essa criação conservadora da marketagem, que permitiu o crescimento de Marina (e de Ricardo, aqui na Paraíba). Quando as reais diferenças entre os candidatos não ficam claras para o eleitor, tudo vira a mesma coisa. Quer campo mais fértil para o conservadorismo?

Provavelmente, a política no Brasil nunca mais será a mesma daqui em diante. O confronto que tomou conta de toda a América Latina chegou ao Brasil e tende a se aprofundar nos próximos anos. E não adiantará fugir dele que já foi provocado e continuará sendo estimulado pela nova direita durante a campanha. Senão, Dilma não governará. Especialmente, porque o governo de Dilma precisará enfrentar os gargalos na economia.

Mas, pensemos nisso no futuro próximo. Por hora, temos é que comemorar!

PS. Quanto eu tiver ânimo e disposição, eu comento aqui o resultado da eleição na Paraíba, ou seja, a ressurreição do cassismo e o fim do ciclo político do maranhismo.

domingo, 31 de outubro de 2010

MARANHÃO CRESCEU NA RETA FINAL. A QUESTÃO AGORA É SABER SE FOI UM CRESCIMENTO TARDIO OU SE FOI NA HORA CERTA.

No domingo em que se realizou o primeiro turno, escrevi uma mensagem em resposta ao amigo e colega, Derval Golzio, que se encontra na Espanha e me pedia informações sobre a eleição na Paraíba. Escrevi-lhe brevemente que acreditava ainda na vitória de José Maranhão, mas que, se ainda houvesse mais uma semana de campanha, Ricardo Coutinho viraria o jogo.

Virou, mas não venceu, e o jogo foi para prorrogação. Empurrado pela euforia da surpreendente virada no primeiro turno, Coutinho continuou recolhendo os votos do impulso provocado pela reação dos últimos 15 dias de campanha antes de 3 de outubro e, diante da expectativa de poder gerada, chegou a amealhar uma vantagem de 12 pontos, segundo a primeira pesquisa do IBOPE realizada há 15 dias. Infelizmente, outras pesquisas não foram feitas para contrapormos os resultados aferidos por esse instituto que se notabilizou por erros históricos.

Maranhão se recuperou do golpe e reorganizou suas forças. Assumiu a ofensiva. Colocou o bloco na rua, jogando fora o salto alto. Dividiu a responsabilidade de sua vitória ou de sua derrota com lideranças do PMDB e de outros partidos aliados. No primeiro turno, o salto alto e as campanhas proporcionais tomaram conta das ações, e a campanha de José Maranhão foi praticamente abandonada.

E todos, claro, tiveram a exata medida, do desastre político que seria uma derrota para os planos de curto, médio e longo prazo, a começar pelo Prefeito de Campina Grande, Veneziano Vital. Todos perderiam. E todos foram a campo para colocar, a serviço da eleição de José Maranhão, a formidável estrutura do PMDB e fazer campanha como eles sabem fazer, conquistando voto a voto, casa a casa.

No campo mais geral da disputa, Maranhão propôs a "PEC-300" aos policiais, um nicho eleitoral de mais 60 mil votos, tendo em vista a votação do Major Fábio. Esses votos, em razão do acirramento tradicional que divide a Paraíba, foram certamente decisivos para a vitória de Coutinho no primeiro turno. Rubens Nóbrega, em sua coluna de hoje, calcula um eleitorado de 45 mil (as famílias de policiais militares, civis, bombeiros e agente penitenciários).

Digamos que Maranhão consiga reverter 15 mil votos desse contingente. São 15 mil votos que serão abstraídos do espólio ricardista e acrescidos ao maranhista, perfazendo 30 mil votos. Considerado estaticamente os resultados do primeiro turno, só com essa manobra Maranhão tiraria a diferença do primeiro turno (8 mil) e ainda abriria 20 mil votos de frente. Um deslocamento formidável de eleitores que pode ter sido decisivo, inclusive, para definir o resultado das duas últimas eleições em favor de Cassio Cunha Lima.

Entrou também em cena o Caboclo Girassol ricardista, que, por mais que Coutinho tenha tentando passar a imagem de que foi coroinha na infância e é hoje um ardoroso cristão (ele falou sempre "cristão" e não católico, faltando apenas rezar um pai-nosso no guia eleitoral. Mesmo assim, ele tende a perder votos no meio evangélico.

Noutra frente, Maranhão azeitou-se nos debates, onde foi formando um estilo próprio, mais à vontade, e dominando aos poucos e nos seus limites o desempenho frente às câmeras, até vencer de maneira expressiva o último debate. Esse acontecimento pode ter sido decisivo no meio de certo de tipo de eleitor que torcia o nariz para Maranhão mas, principalmente, entre os eleitores indecisos.

E, por fim, veio o escândalo da Fazenda Cuiá, que pôs abaixo e em definitivo a aura de honestidade ricardista.

Hoje, é visível o avanço maranhista, inclusive e principalmente no principal reduto ricardista, que é João Pessoa. No primeiro turno, Coutinho abriu uma diferença de 75 mil votos, que correspondeu a quase 21% (59,5% a 38,6%). Considerando ser correta a hipótese de crescimento maranhista na capital, e que o candidato do PMDB tenha avançado sobre, digamos, 10 mil eleitores que sufragaram o nome do candidato do cassismo no primeiro turno (mais ou menos 5% deles), então, teríamos uma redução da diferença para 55 mil votos, caindo no total em 20 mil. Se o mesmo acontecer em Campina, Patos, Sousa e Cajazeiras, e Maranhão mantiver a mesma proporção de votos nas pequenas cidades, seria anulado o efeito dos apoios de Prefeitos conquistados por Ricardo Coutinho após o primeiro turno, reconduzindo então a disputa para o acirramento final, e mantendo a tradição dos últimos confrontos eleitorais na Paraíba

Ou seja, Maranhão reagiu. Se não foi uma reação tardia, pode ter sido no momento certo, quando fica difícil para o adversário organizar uma contra-ofensiva. Com a divulgação da última pesquisa do IBOPE, a história do primeiro turno pode se repetir, agora com a inversão de papéis. É bom lembrar que, no primeiro turno, o IBOPE apontou vitória de Maranhão por 5 pontos percentuais e Ricardo vendeu.

Em 2006, apontara também a vitória de Cássio já no primeiro, e a de Maranhão no segundo. E os resultados não se confirmaram. Ou seja, se essa tradição do IBOPE for seguida, Coutinho pode começar a se preocupar. Excluindo os erros do IBOPE, o mais importante a constatar é a tendência. Enquanto Ricardo perde votos na reta final, Maranhão avança e chega no dia da eleição com o seu ânimo e o de seus apoiadores em alta.

Vamos ver.

sábado, 30 de outubro de 2010

PORQUE VOTAR DILMA. PORQUE VOTAR JOSÉ MARANHÃO

Amanhã, quando os brasileiros de todas as origens sociais e regiões do país saírem de suas casas para votar não estarão apenas escolhendo uma nova presidente para o Brasil.

Estarão escolhendo o destino de um país. Estarão votando pela continuidade ou não do projeto de nação iniciado pelo Presidente Luís Inácio Lula da Silva.

Votarão se querem que a política externa do Brasil continue reafirmando a sua soberania e independência ou se querem que o Brasil volte a ajoelhar-se diante do Império Americano,

Votarão se querem ver continuar a ampliação da participação dos salários na renda nacional ou se querem a volta o arrocho. Se querem que o Brasil continue distribuir a renda nacional ou se desejam que o país e sua riqueza seja construída apenas para os ricos.

Amanhã, todos nós iremos votar se queremos ver continuar a expansão do ensino universitário que, nos últimos anos, dobrou o número de vagas nas universidades, ou se voltaremos a ter redução de investimentos, sucateamento e greves. E se continuarão as criações de Escolas Técnicas, que se espalham hoje por todo o país.

Amanhã, decidiremos se os estudantes pobres continuarão a ter acesso ao ensino universitário, através do Prouni e das cotas sociais no ensino público, ou se eles deixarão de ter oportunidades de ascensão social.

Votaremos se desejamos continuar a ver a redução da miséria e da pobreza extrema no Brasil, até extingui-las, ou se querem vê-las voltar a aumentar.

Amanhã, nós saberemos se essa luta do povo brasileiro, que foi a luta de gerações e gerações, que foi de Vargas, de Prestes, de Jango, de João Amazonas, de Celso Furtado, de Florestan Fernandes, de Darcy Ribeiro, de Maria da Conceição Tavares, de Lula e de tantos outros, conhecidos e anônimos lutadores, muitos dos quais mortos, que ousaram lutar para conquistar essa utopia de tornar o Brasil um país mais justo e mais soberano.

No Domingo, sairemos de casa e votaremos se desejamos que a Petrobrás explore a gigantesca jazida de petróleo que existe no Pré-Sal em benefício dos brasileiros ou das multinacionais do petróleo.

Amanhã, o Brasil vai optar por um Brasil para muitos ou por um Brasil para poucos.

O Brasil da liberdade, O Brasil da igualdade, do respeito aos direitos humanos, das minorias.

O Brasil da tolerância religiosa, do Estado laico, o Brasil que ama seu país e quer vê-lo grande, sujeito ativo no concerto das grandes nações.

O Brasil que cresce com seu povo, o Brasil da autonomia, que valoriza seus professores e cientistas, suas universidades.

Ou se vai optar pelo Brasil das elites, do preconceito social, da intolerância, do fascismo social, do conservadorismo, da arrogância, do servilismo que, como disse Chico Buarque, fala grosso com a Bolívia e fino com o Império Americano.

O povo brasileiro saberá amanhã votar não apenas em Dilma, mas em seu favor, em benefício do seu futuro e das futuras gerações de brasileiros que nascerão num Brasil melhor, muito melhor. Esse voto que daremos amanhã será por todos aqueles que, no passado e no presente, souberam cultivar a esperança e nunca se deixaram levar nem pelo oportunismo nem pelo medo.

Amanhã, quando olharmos para o calendário e vermos que é dia 31, então saberemos: é dia de votar 13, é dia de votar DILMA.

PORQUE VOTAR JOSÉ MARANHÃO

Amanhã, a Paraíba terá duas escolhas a fazer. Paraibanos de todas as cidades, de João Pessoa, de Campina Grande, de Patos e de todo o Sertão, de todas as cidades do Brejo, do Curimataú e do Cariri terão a oportunidade de escolher se a Paraíba ressuscita o passado ou se aposta definitivamente no futuro.

Amanhã, os paraibanos vão escolher se apostam no "novo" pelo novo, ou se acreditam e confiam na consistência de uma trajetória.

Amanhã, a Paraíba olhará para si e escolherá se respalda quem se alia com antigos inimigos e o vale-tudo na política para chegar ao poder ou se acredita na lealdade e no respeito aos aliados e nas idéias e projetos que os unem.

Quando sairmos de casa para votar amanhã escolheremos entre aquele que fecha hospitais e não valoriza os PSFs, ou se votaremos em quem constrói hospitais por todos o estado, equipando-os e tornando a saúde um serviço acessível a todos.

Votaremos em quem pensa pequeno, no curto prazo, ou em quem tem visão de futuro. Em quem foi contra a Transposição do Rio São Francisco, ou em quem a apoiou.

Em quem critica a construção de adutoras ou em quem tem um plano de integração dos mananciais da Paraíba, criando segurança hídrica para o seu povo e criando condições para o desenvolvimento econômico do estado.

Amanhã, resolveremos se vamos olhar apenas para o nosso quintal, desconhecendo a grande aliança nacional em apoio ao projeto que os partidos que sustentam Lula e Dilma constroem no Brasil ou se apostamos no atraso, no conservadorismo, nas alianças espúrias com os inimigos do povo e da soberania nacional.

Amanhã, na urna, quando apertamos o 13, saberemos que, em seguida, temos também que apertar o 15. Por Lula, por Dilma, pela Paraíba.

MENTIRA TEM PERNAS CURTAS: ESCUTE ABAIXO RICARDO DEFENDENDO A LEGALIZAÇÃO DAS DROGAS

Quando perguntado por José Maranhão no último debate da TV Cabo Branco sobre se ele continuava a favor da legalização das drogas, como afirmara no passado, Ricardo Coutinho assegurou de maneira contundente que nunca defendeu essa posição.

A pergunta de José Maranhão não surgiu do nada. Ela se baseia em declarações do próprio candidato do PSB, feitas ainda quando era deputado estadual. Quem quiser ouvir com os próprio ouvidos, escute o áudio abaixo. Ele está postado no Youtube para que quiser escutar. E depois escute de novo. E de novo.

A MENTIRA TEM PERNAS CURTAS.


Fazenda Cuiá: Leia a coluna de Rubens Nóbrega de hoje

Inindenizável, por Rubens Nóbrega

O mais grave no Caso Cuiá não é o preço acintosamente superfaturado da desapropriação, no valor total de R$ 10,7 milhões, de uma área que valeria no máximo R$ 2,3 milhões, conforme laudo de equipe de corretores credenciados pelo Conselho da categoria, o Creci.

O mais grave no Escândalo do Cuiá não é a velocidade supersônica com que o imóvel foi desapropriado e pago: o contrato assinado no dia 26 de agosto, os R$ 10,7 milhões empenhados no dia 31 daquele mês e o pagamento das duas parcelas nos dias 1º e 22 de setembro.

O mais grave no Negócio do Cuiá não é a estranhíssima (ou nem tanto assim) antecipação do pagamento da segunda parcela (no valor de R$ 5,396 milhões) do dia 1º deste mês (conforme previa o contrato) para o dia 22 de mês de setembro, como mostrei ontem.

O mais grave na Transação do Cuiá não é a avaliação de araque feita pela equipe de avaliadores da Secretaria de Planejamento da Prefeitura da Capital, que sequer foi ao local e muito provavelmente só conhece a área virtualmente, através de fotografias e mapas da Internet.

O mais grave na História do Cuiá é que foram subtraídos quase R$ 11 milhões dos cofres públicos para se pagar indenização por algo inindenizável, porque a área desapropriada é uma área de preservação permanente, na qual o proprietário e seu ninguém podem mexer.

O que a PMJP fez no Cuiá equivale ao governo federal desapropriar e pagar por um pedaço da Floresta Amazônica. Por essas e outras que envolvem o caso, espero que o Ministério Público vá à Justiça não só para desmanchar esse absurdo como para pedir o dinheiro de volta.

Tudo isso, claro, sem prejuízo de o MP ajuizar outras ações que responsabilizem penal e civilmente quem for encontrado em culpa nesse imbroglio que a cada dia expõe indícios cada vez mais fortes de envolvimento de agentes públicos em atos que favorecem flagrantemente interesses privados com o dinheiro do povo.

Fundamentação jurídica competente e qualificada é o que não falta. Basta seguir, por exemplo, os ensinamentos do ministro Antônio Herman V. Benjamin, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), uma das maiores autoridades do mundo em Direito Ambiental, já citado pela coluna.

Sobre o assunto, encontrei na web belíssimo artigo do jurista intitulado 'Desapropriação, reserva florestal legal e áreas de preservação permanente'. Vale muito a pena ler com atenção o que ele diz na conclusão do seu trabalho, que transcrevo com o maior gosto após os asteriscos.

* * *

Em síntese parece-me que, diante dos argumentos acima expostos, as APPs (áreas de proteção permanente) e a Reserva Florestal Legal não são indenizáveis, nos termos do regime jurídico vigente no Brasil.

Inicialmente, não pode o proprietário acionar o Poder Público pleiteando indenização pelo fato de ter o uso e gozo de sua propriedade limitados pela só exigência de manutenção das APPs e Reserva Florestal Legal.

Tal vedação decorre não apenas do fato de terem sido ambas instituídas por lei de 1965 (prescrição), como ainda porque as duas, mesmo somadas, não inviabilizam o exercício do direito de propriedade no restante do imóvel.

Finalmente, no âmbito de desapropriação, direta ou indireta, da integralidade do bem, é descabido incluir na indenização a ser paga pelo imóvel o valor das APPs e da Reserva Florestal Legal, já que se caracterizam como limites internos ao direito de propriedade.

Conseqüentemente, o cálculo da indenização devida, ao ser reconhecida a desapropriação da totalidade do imóvel, deve descontar a área das APPs e da Reserva Florestal Legal.

Sobre o que ele escreve nos dois últimos parágrafos de sua 'Conclusão', dá para inferir o seguinte: mesmo que a PMJP tivesse desapropriado toda a antiga Fazenda Cuiá (que tem 135 hectares e há onze anos foi comprada a herdeiros por R$ 800 mil), do pagamento da indenização o governo mujnicipal teria que deduzir os 43 hectares que correspondem, justamente, à área de proteção permanente do imóvel.

Resumindo: a Prefeitura pagou, justa e precisamente, pelo que não precisava pagar, o que torna ainda mais escandaloso esse caso que a atual administração não explica, não esclarece e nada informa. Prefere, antes, tentar desqualificar a denúncia e os denunciantes, apesar da força dos fatos e das provas já divulgados.

Fechando, cabe lembrar que o ministro Herman Benjamin, para nosso orgulho e e maior satisfação, é paraibano de Catolé do Rocha e, mais do que fera em Direito Ambiental, é um ambientalista convicto, além de vice-presidente da Fundação Beradero, entidade da qual nosso talentoso Chico César é o presidente.

Como se fosse pouco, Benjamin foi Procurador de Justiça em São Paulo, onde coordenou o Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça do Meio Ambiente do Estado, e professor de Direito Ambiental na University of Texas School of Law at Austin (EUA).

No Telaarana, mais uma da PMJP

O blog do jornalista e professor Derval Golzio (telaarana.blogspot.com) divulgou ontem "cópias dos documentos que comprovam outra irregularidade do então secretário de Planejamento, Luciano Agra, na gestão do socialista Ricardo Coutinho. Trata-se de liberação do loteamento Vale Verde, em Zona Especial de Preservação (ZEP), localizado no bairro de José Américo".

"Estes mesmos documentos já foram utilizados como referência para denúncia publicada pelo jornalista Rubens Nóbrega, em 27 de fevereiro deste ano. A Zep loteada fazia parte de um importante ecossistema responsável pela manutenção de mata ciliar do Riacho Laranjeiras, que separa parte dos bairros do José Américo e Mangabeira. Com o loteamento, a mata que protegia o riacho foi completamente devastada, o que poderá causar o seu assoreamento e até mesmo a sua extinção", adverte o blogueiro.

Visite o Telaarana, leia o texto do Professor Derval e dê uma checada nos documentos. É tão grave quanto o Cuiá, tenha certeza.


Para ir ao blog de Derval Golzio, clique aqui ou acesse através do link disponibilizado aí do lado direito entre os meus "blogs preferidos". Vale a pena.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

SE DEBATE GANHA ELEIÇÃO, JOSÉ MARANHÃO JÁ PODE COMEMORAR

No debate, Maranhão encurralou Ricardo Coutinho.
O caso da Fazenda Cuiá fará estragos na reta final

Acabei de assistir ao debate entre os candidatos a governador realizado pela TV Cabo Branco. E o que eu vi foi um surpreendentemente tranqüilo José Maranhão confrontando um Ricardo Coutinho que mostrou uma agressividade além da conta que acabou por transparecer nervosismo.

Se nos outros debates foi impossível determinar um vencedor, no de hoje eu não tenho dúvidas em afirmar que José Maranhão pode cantar uma vitória que, se não foi por nocaute, foi por uma ampla margem de pontos.

Em termos formais, como eu já adiantei, Ricardo Coutinho pareceu pouco à vontade e parece ter pesado ele entrar em campo como "favorito".

Não sei se isso se deve aos efeitos de pesquisas para consumo interno, mas o nervosismo ricardista contrastou visivelmente com a serenidade demonstrada por José Maranhão, que foi combativo, mas sem mostrar arrogância.

Ricardo, por outro lado, cometeu o erro que os marqueteiros mais temem em um debate: não soube dosar o tom ácido das críticas, mostrando-se agressivo, e, diante das críticas, não soube demonstrar a humildade necessária do debatedor, parecendo às vezes debochar do adversário.

Entretanto, o que é mais relevante foi o conteúdo do debate. Vamos aos melhores momentos.

Logo na primeira pergunta, sobre segurança pública, Maranhão encaixou um direto no Mago: por que ele tinha orientado sua bancada a se retirar da votação da "PEC-300" paraibana? Ricardo se fez de desentendido e falou do apoio que ele (e todo mundo) deu à PEC-300 que tramita no Congresso. Quanto à da Paraíba, disse que, se tudo estiver nos conformes da lei, ele pagará caso eleito.

Esse detalhe (legalidade) foi o subterfúgio para dizer que ele (ou um laranja) vai contestar na justiça a lei aprovada pela Assembléia. Maranhão ironizou a resposta, dizendo que o que todos ouviram foi pura tergiversação e que faltou Ricardo responder à pergunta sobre a retirada da bancada. A saída do Mago foi dizer que não tinha bancada na assembléia (quá, quá quá!). Maranhão 1 x 0 Ricardo

Em seguida, Coutinho tentou uma pegadinha. Num tom indisfarçadamente de superioridade, pediu que José Maranhão citasse 3 obras do seu governo realizadas com recursos próprios, como se só ele tivesse essa prerrogativa moral. Na resposta, Maranhão não apenas citou as 3 obras pedidas (3 estradas ligando municípios do interior), mas adentrou na discussão a respeito da necessária integração entre as diversas esferas de governo.

Ricardo, talvez surpreso com a tranqüilidade e o domínio do assunto demonstrado pelo adversário, tentou debochar da resposta e das obras citadas – o que não deve ter agradado em nada os habitantes das cidades beneficiadas. Na tréplica, Maranhão usou o recurso da humildade e foi didático. "Ora, você me pediu para citar 3 obras e eu citei".

E contra-atacou chamando a atenção para um fato contundente: enquanto Ricardo citava um rosário de obras feitas em sua administração de 6 anos, Maranhão só estava à frente do governo por 1 ano e 8 meses. No final, arrematatou com firmeza , depois de citar o fechamento de hospitais e a falta de médicos nos PSFs: "sua administração na saúde de João Pessoa foi um DESASTRE! UM DE-SAS-TRE!". A ênfase passou segurança. Maranhão 2 x 0 Ricardo.

Numa questão que pretendia enfatizar uma superficial diferenciação "republicana" entre os dois candidato (a construção de um aeroporto em Arararuna) só teve um único problema: a especialidade e o hobby de Maranhão é a aviação.

Por mais que se possa fazer alguma inferência pejorativa com a construção (uso particular de um serviço que poucos tem acesso), Maranhão afirmou o que tinha que afirmar. Aeroportos estavam sendo construídos em outras partes também, o que lhe rendeu a oportunidade de citar o importante exemplo de Cajazeiras.

O problema para Ricardo foi demonstrar certo desprezo, e talvez até certo desconhecimento pelas cidades de médio porte, e por Araruna e Região em particular, sem comprovar com dados o uso privado do aeroporto. Como eu disse, devido ao conhecimento de Maranhão nesse campo, e diante da resposta segura e fundamentada, Maranhão conseguiu passar ileso pela armadilha.

Por fim, os temas mais esperados. Primeiro, o caso dos panfletos apócrifos. A negativa enfática de Maranhão mostrou convicção que, nesses casos, é o que vale para formar opinião sobre o desempenho dos candidatos em debates. Lembrem-se que se trata de acusações cuja origem é de parte interessadíssima, e o eleitor sebe disse. O candidato do PMDB fez referência à sua trajetória e disse que não podia ser responsabilizado, sem provas, pela distribuição dos panfletos.

Citou que nada foi encontrado no helicóptero apreendido, à pedido da justiça, pela PF. Na réplica, Ricardo, mais uma vez surpreso, teve que apelar para o recurso do apelo à auto-acusação, pedindo a Maranhão que ele assumisse o delito. Na tréplica, Maranhão chegou a sugerir que a distribuição pode ter sido feita pela pelos adversários para prejudicá-lo, citando um veículo da coligação ricardista que fora apreendido na tarde de hoje com esses mesmos panfletos.

Maranhão ainda encaixou questionamentos da vida pregressa de Ricardo Coutinho ainda quando era do PT (o caso que lhe rendeu uma suspensão do partido e, mais recentemente, no PSB, por conta da falsificação de uma ata!). Enfim, nessa questão que se afigurava uma arma de Coutinho, a minha impressão é que Maranhão conseguiu neutralizá-la ao negar enfaticamente, sem parecer cínico, e partir para a ofensiva.

A outra pergunta, agora feita por Maranhão e essa de caráter decisivo para o debate, foi sobre a Fazenda Cuiá. Ricardo, demonstrando a gravidade e a verossimilhança da acusação, fugiu do assunto. Ele não justificou em nenhum momento a operação – a compra de uma área de preservação ambiental avaliada pelo CREA em 2,5 milhões que foi vendida pela prefeitura no mês de setembro por quase 11 milhões! E em duas parcelas pagas dentro do mesmo mês! Ou seja, com claros indícios de sobre-avaliação.

A saída, velha conhecida dos que estão acossados e emparedados, foi fugir da questão atirando ao fazer referência a um contrato do Superintendente do IPEP com sua clínica particular. Na réplica, Maranhão começou respondendo que o contrato citado tinha sido realizado ainda na gestão anterior, de Cássio Cunha Lima (ai!) e que, quando o atual superintendente assumiu, o contrato fora desfeito. Depois, citou mais detalhes da transação.

Ricardo sentiu o baque e fez como Serra: entregou o pescoço do atual prefeito, Luciano Agra. Primeiro, disse que o contrato havia sido assinado na gestão atual; depois, sugeriu que Maranhão perguntasse ao próprio Agra, e não a ele, sobre a transação. Agra deve ter adorado ser jogado às feras como ele foi hoje à noite.

Nesse episódio, ficaram claras duas coisas: 1) Ricardo perdeu definitivamente a aura de honestidade que ele tanto cultivou; 2) Ricardo não pensa duas vezes em abandonar um aliado quando os seus interesses estão em jogo. Ele sequer mostrou-se indignado, como seria normal em alguém que estava sendo acusado de malversação do dinheiro público, mesmo que indiretamente.

Acredito que mesmo o mais ricardista entre os eleitores ricardistas, aquele bem intencionado, viu nisso também, assim como o Ministério Público, indícios de um grande caso de corrupção. Essa semente da desconfiança pode germinar daqui para domingo.

Na questão da Fazenda Cuiá só não foi registrado um nocaute porque Ricardo foi tartufo o suficiente para deixar transparecer que aquilo não era com ele, apesar de ficar óbvio que sua escapada era outra maneira de confessar sua culpa. Enfim, quem assistiu ao debate saiu mínimo com a pulga atrás da orelha e, principalmente, viu desmorronar de vez o mito de que José Maranhão é despreparado. Maranhão 3 X 0 Ricardo.

Ou seja, Maranhão venceu o debate por larga margem.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

ÁGUA: PATOS E A PARAÍBA FAZEM JUSTIÇA AO QUE MARANHÃO JÁ FEZ PELO ESTADO?

Sistema Adutor Coremas-Sabugi:
melhor distribuição da água acumulada na Paraíba

A cidade de Patos completou essa semana 107 anos. Nela vivi até os 16 anos, quando me mudei com minha família para João Pessoa, em 1983. As secas intermitentes naquele Sertão caloroso e calorento me fizeram, desde muito cedo, aprender o significado da expressão "racionamento". Eram tempos difíceis, em que tínhamos que armazenar água para usá-la nos dias em que torneiras e chuveiros secavam.

Essa situação piorou depois que me mudei para João Pessoa. Os racionamentos passaram a ser quase que anuais e, a cada ano, e dependendo da intensidade da seca, mais dias o município ficava sem água. Até o fim dos anos 90 e nos primeiros anos do novo milênio, não era incomum a população patoense enfrentar 3 dias de racionamento por semana.

O impacto social desses acontecimentos é de uma amplitude cuja aferição é difícil medir, especialmente para os mais pobres, e só quem conviveu diretamente com eles pode entender a sua dimensão.

Além de tudo, tem o impacto econômico. Qual cidade consegue atrair investimentos econômicos se não há segurança de que o empresário contará com água, a mais elementar das condições que um município deve oferecer aos seus cidadãos?

Enfim, a cidade de Patos, cuja população hoje supera os 100.000 habitantes e vive incrustada em pleno semi-árido, não teria futuro se o problema do abastecimento d'água não fosse resolvido. Com a população aumentando, chegaria o dia em que não haveria mais como atendê-la.

Pois bem. Esse problema que se agravava a cada ano foi solucionado no ano de 2002 depois da construção do Sistema Adutor Coremas-Sabugi, que transposta água numa extensão de 270 km entre a Barragem de Coremas e a cidade de Santa Luzia, passando por Patos e mais 15 cidades daquela região. Uma obra que não é de pedra e cal, mas que tem, e continua tendo, um alcance social e econômico vital para os meus conterrâneos e familiares que ainda lá vivem. Desde então, nunca mais ouvi falar em racionamento de água em Patos.

Junto com Sistema Adutor Coremas-Sabugi, vários outros foram construídos por todo o estado, iniciando a criação de um sistema único de integração de bacias da Paraíba que permitirá o aproveitamento do potencial hídrico do estado e uma melhor distribuição de suas águas.

Esse exemplo pode mostrar bem uma característica importante dos governos Maranhão, e que certamente o diferencia do pragmatismo que vislumbra apenas o curto prazo que sempre foi a marca do cassismo: a visão de futuro, estratégica sobre o papel do Estado no desenvolvimento econômico, visão herdada da juventude nos quadros do varguismo.

José Maranhão deixará esse legado para a Paraíba, tendo iniciado em seus governos um trabalho essencial para o futuro do nosso povo, se é que um dia esse trabalho será concluído.

E o "campeão" de votos, Cássio Cunha Lima? Como será ele lembrado na posteridade? Qual a herança para o povo paraibano e campinense ele deixará, a não ser sua ficha corrida de delitos contra a administração pública? Deixará as relíquias dos cheques da FAC, dos dinheiros que ainda voam por aí, do familismo, do patrimonialismo?

Patos nunca soube reconhecer o papel de José Maranhão para solucionar o mais grave problema que a cidade enfrentou nas últimas décadas e cuja resolução foi decisiva para apontar novas e boas perspectivas para a cidade.

Mas ainda está em tempo.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

PANFLETOS ANUNCIAM O CASAMENTO RICARDO-SERRA NA PARAÍBA. A FESTA É SÓ PARA DEMO-TUCANOS!

Ricardo-Serra, um casamento de conveniências: tudo isso mostra
bem o papel de Ricardo nessa eleição e até onde ele pode ir para vencê-la


Quem tinha alguma dúvida, agora pode abandoná-las ou viver de ilusões. Ou então, assuma que o que vale mesmo é o quintal, a paróquia, e que as alianças políticas não valem nada e não dizem nada de um candidato.

E olha que alguns leitores (ricardistas) me recriminam pela defesa que eu faço da coerência política nas alianças! São dilmistas no plano nacional e aqui na Paraíba contentam-se com um candidato que anda de braços dados com demo-tucanos, encoleirado pelo cassismo.

Para Ricardo Coutinho, tanto faz Dilma ou Serra, contanto que ele se eleja. Se vence Serra, ele tem o "padrinho" Cássio para lhe dar suporte. Se vence Dilma, ele conta com Eduardo Campos, que desde já empareda Lula e o PT. Deputados federais e senadores da Paraíba para apoiarem a sucessora de Lula que é bom, nada.

Os panfletos acima começaram a ser distribuídos na Paraíba. É o PSDB fazendo campanha para os seus candidatos. A campanha de Ricardo Coutinho foi definitivamente engolida pela de Serra. Dilma só para os dilmistas. E olhe lá!

Com essa, Ricardo diz sem pestanejar: quem vota em Ricardo, vota também em SERRA...

ATENÇÃO PARA OS DESTAQUES INSERIDOS NA IMAGEM ACIMA. ELES MOSTRAM QUE SE TRATA DE UM MATERIAL DE RESPONSABILIDADE DA COLIGAÇÃO RICARDISTA. É, PORTANTO, OFICIAL.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

PMDB NACIONAL, LEIA-SE MICHEL TEMER E CIA., DEVE ENTRAR EM CAMPO PARA TRAZER LULA À PARAÍBA

Que ninguém subestime a eventual presença de Lula no comício final de José Maranhão. Ela pode definir uma eleição que se encaminha para um acirramento cuja diferença será próxima da que tivemos no primeiro turno. Para um lado ou para o outro.

Maranhão, ao que parece, conseguiu re-mobilizar a poderosa estrutura do PMDB e as lideranças aliadas. Ao invés de desânimo, o que se vê é uma disputa encarniçada pelos votos por parte dos maranhistas. Estive em Patos e o que se diz por lá que, para o prefeito Nabor Wanderley, é uma questão de honra vencer a eleição na Capital do Sertão.

O mesmo empenho é visível em Veneziano Vital. Ele sabe, e o eleitorado que o elegeu prefeito e quer vê-lo governador deve ter consciência disso, que a vitória de Ricardo Coutinho tornará esse projeto muito mais difícil em 2014.

Além disso, Maranhão tem conseguido avançar sobre o eleitorado de Ricardo Coutinho em João Pessoa. Por exemplo, tem tido algum efeito a campanha que alguns segmentos religiosos tem feito ao associar Coutinho a práticas satânicas. Não que eu concorde com isso, pois incute preconceitos religiosos que Dilma Rousseff foi vítima nessa campanha, especialmente contra a Umbanda.

Vou arriscar uma entrada nesse terreno pantanoso ao revelar de público que considero haver verossimilhança no caso do tal "Caboclo Girassol" e na associação de imagens da campanha do ex-prefeito com as da entidade religiosa. Até hoje, eu não havia entendido direito a escolha do girassol como a marca ricardista. Mao Tsé Tung? Diante das semelhanças sou mais propenso a acreditar na força da superstição, bastante comum no meio político. Serra, por exemplo, costuma consultar-se com astrólogos.

Além disso, não esqueçamos da tradição da miscigenação cultural e religiosa que é a marca do nosso povo. Quantas vezes eu mesmo não fui levado quando criança para ser "rezado" por minha mãe, uma católica com algum fervor? Renegar isso e ficar se benzendo a todo instante e recitando ao fim de cada frase um "graças a Deus" pode soar cínico, especialmente para os que conhecem o candidato do PSB mais de perto. O fato é que um segmento, não sei se expressivo, começa a olhar o candidato do PSB com os olhos da desconfiança. E isso pode resultar na perda de alguns votos preciosos.

Outro tento marcado pelo candidato do PMDB foi a proposta de aumento para os policiais, um segmento até então avesso a José Maranhão e que foi a base quase que exclusiva dos 68 mil votos conquistados pelo deputado federal Major Fábio. E a proposta deixou Coutinho num mato-sem-cachorro: se a proposta for aprovada, Maranhão colherá os frutos eleitorais da iniciativa; se não, Ricardo será responsabilizado pela não aprovação. E a atitude dos deputados ricardistas na assembléia não deixam margem para dúvida: os policiais só conquistarão a PEC-300 na Paraíba com a eleição de José Maranhão.

Além disso, a presença de José Maranhão nos debates fez desmoronar o mito do seu "despreparo" o que, convenhamos, sempre foi uma piada por se tratar de um político com a experiência que o ex-governador tem. Nesse campo, não existe mais o argumento para não se votar no candidato do PMDB e do presidente Lula na Paraíba, como eu escutei de muitas bocas. Pelo contrário. Em alguns debates, Ricardo Coutinho pareceu acuado.

Enfim, o resultado do segundo turno promete novas e intensas emoções. E é exatamente por isso que se reveste de caráter estratégico a vinda de Lula à Paraíba. Se o PSB usa o prestígio de Eduardo Campos e dos irmãos Cid e Ciro Gomes, Maranhão tem ao seu lado o peso do PMDB em todo o país e de sua base de governadores e parlamentares na Câmara e no Senado. Quantos deputados e senadores elegeu o PSB na última eleição?

A chantagem ("Se Dilma ou Lula forem à Paraíba eu lavo as mãos em Pernambuco") não pode prevalecer. Os partidos tem seus candidatos, e o do PT na Paraíba chama-se José Maranhão. E o adversário está do outro lado da trincheira, junto com os inimigos de Dilma e Lula.

Não é apenas uma questão política. É uma questão de justiça.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

AFINAL, QUEM FAZ CAMPANHA PARA DILMA NA PARAÍBA? CIRO GOMES E EDUARDO CAMPOS?

Até Mônica Serra já veio fazer campanha para Ricardo na Paraíba.

Considero um erro da campanha de Dilma Rousseff evitar vir à Paraíba para apoiar José Maranhão. O resultado disso é que quase não se vê mais campanha organizada para a petista no estado. À exceção do PT e do PCdoB, pouco se fala na candidata de Lula e a campanha de Serra cresce a olhos vistos. Diante da pressão do PSB nacional (Ciro e Cid Gomes e Eduardo Campos), que impede a vinda de Lula à Paraíba, Maranhão se sente abandonado e não faz a campanha de Dilma. Pelo menos não com o entusiasmo e envolvimento que fez no primeiro turno.

Por outro lado, Ricardo Coutinho, por conveniência eleitoral, além de não pedir um voto sequer para Dilma, deixar correr solta a campanha de Serra em todo o estado. Faz jogo duplo porque quer o apoio dos eleitores de Dilma e de Serra.

Estive em Patos na sexta e no sábado passados. Lá, o Comitê de Ricardo é também o comitê de Serra. Os cabos-eleitorais pedem votos para os dois, e Ricardo Coutinho e Serra estão casadinhos em todo o estado, à exceção de João Pessoa. Aqui, isso também existe, mas com menos força. No resto do estado, PSDB e DEM comandam a campanha do "socialista" Ricardo, especialmente em Campina Grande, onde no primeiro turno Serra ficou em primeiro, Marina em segundo e Dilma ocupou um terceiro lugar! É bom não esquecer que o PSB de João Pessoa fez boca de urna para Marina no primeiro turno. E o agradecimento veio agora no segundo turno com a declaração de apoio da verde-laranja ao socialista-demo-tucano da Paraíba.

O PSDB em ação: Alguém tem dúvida qual o palanque de Serra na Paraíba?

Ou seja, a campanha de Dilma, para beneficiar o PSB, dá um tiro no próprio pé. Isso abriu espaço até para que o Senador Cícero Lucena resolvesse apoiar o candidato do PMDB abertamente, talvez até mesmo com a concordância de Serra. Isso, entretanto, não pode ser lido como um acordo, pois é notório o apoio do tucano a José Maranhão desde o primeiro turno em razão de suas divergências inconciliáveis com Ricardo Coutinho. Entretanto, a postura da campanha de Dilma abre espaço para que os serristas ampliem a presença do candidato do PSDB em todos os palanques. Para quem não tinha nenhum palanque, Serra já está mais do que no lucro. Enquanto isso, a candidata do PT fica restrita à campanha de petistas e apoiadores sem partido.

Ainda há tempo para mudar essa situação. Basta Lula anunciar sua vinda à Paraíba para o comício de encerramento da campanha de José Maranhão. Ou então, a coordenação da campanha de Dilma deve pedir a Eduardo Campos e Ciro Gomes para que venham fazer campanha na Paraíba, já que eles impedem a vinda de Dilma enquanto o candidato do PSB não move uma palha nem pede um voto para a campanha a candidata do presidente Lula.

José de Abreu: "Serra não concluiu nem o mandato de presidente da UNE"

No vídeo abaixo, numa entrevista ao Cloaca News, o ator José de Abreu comenta as atitudes de José Serra quando foi presidente da UNE, em 1964. Entre outras coisa, Abreu revela que Serra foi o único presidente da UNE que fugiu do Brasil depois do golpe militar, abandonando o posto da mais organizada e importante organização da sociedade civil daqueles anos.

Enfim, Serra é o covarde que não tem coragem de defender nem a própria mulher. Aliás, onde foi parar Mônica Serra neste segundo turno?

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sexta-feira, 22 de outubro de 2010

QUEM É QUEM NA ELEIÇÃO DA PARAÍBA

Recebi hoje por e-mail contundente questionamento de um eleitor ricardista a respeito de meu voto em José Maranhão. Como resposta, escrevi o texto que segue abaixo e que compartilho com os leitores deste blog. Preservo o nome do interlocutor, a quem eu conheço. Como tantos outros, embarcou no discurso de "renovação" e de questionamento ao "coronelismo" que Ricardo Coutinho faz nessa campanha, mas o candidato do PSB nem sempre pensou assim.

Há 4 anos atrás, na eleição para governador, enquanto Coutinho subia no palanque e aparecia na TV pedindo votos para José Maranhão, e há 2, na eleição para prefeito, ocorria o contrário, ninguém, nem muito menos Coutinho, lembrou desse detalhe. Nas duas eleições anteriores, Cássio estava aonde? Onde sempre esteve: na e com a direita.

O argumento do meu interlocutor é o mesmo de sempre. Se Lula tem o apoio de outras forças mais conservadoras, por que Ricardo Coutinho não pode? Eis a minha resposta.


Vou repetir o que já escrevi por aqui. A diferença fundamental entre a aliança que fez Lula e que fez Ricardo Coutinho nessa eleição de 2010 é que a força hegemônica no governo Lula é a esquerda (PSB, PCdoB, PDT, lideradas pelo PT), enquanto na Paraíba a força política hegemônica é a coligação majoritária do PSDB e do DEM, partidos que contam com expressiva base parlamentar, ao contrário do PSB de Ricardo Coutinho.

E onde estão o DEM e o PSDB no plano nacional? Isso para mim não é um "detalhe", como fazem crer Ricardo Coutinho e muitos ricardistas. Ao contrário, é um fator determinante para a minha escolha. Esse dado é ineliminável da análise: Ricardo está com o que há de pior na política nacional, a direita mais conservadora que se revela exemplarmente nesta campanha, enquanto Maranhão apóia Lula desde o início do seu governo e o PMDB será força política e parlamentar decisiva que dará suporte às batalhas do futuro governo Dilma, a começar pelo Pré-Sal.

Eu nunca disse que Maranhão é de esquerda. Nunca. Mas, disso eu tenho plena convicção: ele não é de direita e não faz um governo de direita. Maranhão talvez seja, no Brasil de hoje, o único sobrevivente da geração de políticos pré-64, da qual fizeram parte Leonel Brizola e Miguel Arraes, sem a mesma filiação ideológica, é obvio, mas com o mesmo sentimento nacionalista que contaminou e orientou a ação política de boa parte da juventude difusamente de esquerda daqueles anos. Dessa geração é também Antônio Mariz. Mariz em 1964 era do PSB. José Maranhão, ainda muito jovem, filiou-se ao PTB e permaneceu na oposição à ditadura.

Por que um jovem do interior da Paraíba, filho de uma "oligarquia", escolheria o PTB? Existia, naqueles anos, uma demarcação de forças muito nítida e que marcou a política antes do golpe de 1964: o varguismo. Depois da morte de Vargas, em 1954, mesmo os comunistas passaram a engrossar as fileiras políticas do varguismo.

Há uma semelhança muito grande daqueles anos com os que vivemos atualmente: a UDN ressuscita no PSDB e do DEM através do discurso moralista, claramente golpista e farsante (veja Serra querendo ser o Carlos Lacerda do atentado da Rua Toneleros, só que com Carlos Lacerda foram balas de verdade, com Serra são "bolinhas de papel"); a mesma imprensa (O Globo, Estadão, Folha) age como braço do conservadorismo entreguista; e a Igreja Católica conservadora, numa aliança hoje com pastores evangélicos sem escrúpulos, tentam reeditar as campanhas reacionárias da velha TFP (Tradição, Família e Propriedade), que criaram o medo na classe média e conduziram ao golpe.

O governo Lula é um governo de união nacional contra as forças entreguistas, como se dizia antes de 1964. Esse é o mais importante divisor de águas da política brasileira, hoje. Querer fugir dele é colocar esse confronto aberto, que, aliás, não acontece apenas no Brasil, para debaixo do tapete.

Nas duas ocasiões, é fundamental perguntar: de que lado ficou José Maranhão? Isso para mim é o que determina minha posição, e que é muito mais relevante do que essa fraseologia oca contra o "coronelismo", termos que caberiam perfeitamente e de maneira mais justa em Cássio Cunha Lima, que age quando está no governo como se fosse o mais legítimo "dono do poder".

Os ternos engomados, as gravatas reluzentes, o sorriso fácil, a retórica cheia de clichês e vazia de conteúdo, não impedem que se veja o coronel-eletrônico que está por trás dessa aparência "moderna". Ricardo só mostrou que não tem consistência política e ideológica, e que está disposto a tudo para conquistar o governo. Para governar com quem? Onde está o PT? Onde está o PCdoB?

O cassismo ao que parece se constituiu como uma força pluripartidária, pelo visto. Ela se encontra em todos os partidos: no PT, com muita força, e no PCdoB. Os ricardistas de "esquerda" de hoje, excetuando-se os do "coletivo", são na realidade cassistas, apaixonados não se sabe exatamente pelo quê.

Ricardo Coutinho acreditou no fim da política e no das diferenças entre esquerda e direita. Tornou-se, por isso, prisioneiro da direita.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

SERRA AGREDIDO! CUIDADO COM BOLINHAS DE PAPEL! ELAS PODEM LEVAR VOCÊ PARA O HOSPITAL

O candidato do PSDB, José Serra, partiu para o desespero. Veja no vídeo abaixo o "objeto pesado" que o atingiu na cabeça. A violência foi tal que o candidato deve ter perdido a capacidade de sentir dor, porque apenas olhou de lado. Ao ver o que o atingiu, Serra rodopiou e quase caiu. Sentiu o golpe criminoso.

Até hoje eu não sabia o poder que tinha uma bolinha de papel. Por isso, recomendei ao meu filho de 6 anos evitar essa brincadeira, pois ele pode ir parar no hospital caso seja atingido na cabeça. Acrescentei ainda, para dar-lhe medo, que se isso acontecer ele será obrigado a fazer uma tomografia computadorizada. Evitei explicar do que se trata para ele pensar que é algo como ir ao dentista.

Por precaução, já coloquei tudo que possa servir para produzir as assassinas bolinhas de papel (livros, cadernos, papel de impressora) numa altura que meu filho não possa alcançar. Minha outra filha de 2 anos não sabe ainda fazer bolinhas de papel, o que me alivia um pouco. Mas eu tomei uma decisão para o seu bem: ela jamais saberá como fazer uma bolinha de papel.

Veja abaixo o mal que elas podem fazer a um candidato a presidente em desespero.

Para uma descrição detalhada do vídeo, vá ao Conversa Afiada clicando aqui

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

DILMA E LULA, NÃO ABANDONEM JOSÉ MARANHÃO. RICARDO ESTÁ COM SERRA!

Candidaturas de Serra e Ricardo estão casadas. Só falta assinar o papel

O segundo turno das eleições na Paraíba tem servido, entre outras coisas, para demarcar com precisão o campo político de cada candidato a governador na correlação de forças nacional. Ricardo Coutinho está cada vez mais nos braços da direita, do cassismo, de tucanos e demos que organizam uma sórdida campanha que se origina no submundo da política. José Maranhão continua com Dilma e Lula, e pode se dizer abandonado na hora mais importante da disputa.

Tudo bem que, do ponto de vista estratégico, é necessário concentrar esforços nos grandes centros. Mas Dilma e Lula estiveram na semana passado no Piauí, que tem 2.263.834 eleitores, enquanto a Paraíba abriga 2.738.313, ou seja, quase 500.000 eleitores a mais.

No Piauí, o candidato que mereceu o prestígio da presença de Dilma e Lula e que une todos os setores que, nacionalmente, apóiam a continuidade do projeto liderado pelo PT, é Wilson Nunes Martins, do PSB.

Martins uniu num só palanque, como acontece em todo o Nordeste, à exceção da Paraíba, a base de apoio ao governo Lula, inclusive o PMDB, para enfrentar no primeiro e segundo turnos o candidato demo-tucano Silvio Mendes, do PSDB.

Logo após o primeiro turno, numa entrevista que concedi ao lado do cientista político Ítalo Fittipaldi, também professor da UFPB, disse que achava improvável a vinda de Dilma e Lula à Paraíba no segundo turno para apoiar José Maranhão, em razão do fortalecimento do PSB, especialmente no Nordeste, depois das reeeleições de Eduardo Gomes, em Pernambuco, e Cid Gomes, no Ceará, e da presença de Ciro Gomes na coordenação de campanha nacional da campanha de Dilma. São eles que pressionam para que Dilma e Lula abandonem José Maranhão no meio do caminho.

Essa atitude apenas fragiliza a candidatura de Dilma na Paraíba. Porque José Maranhão reage e evita pedir votos para Dilma, como fez ostensivamente no primeiro turno.

Enquanto Ricardo Coutinho permite que seu palanque seja dominado por apoiadores de José Serra, como Cássio Cunha Lima e o arquinimigo de Lula, Efraim Moraes – aliás, não poderia ser diferente, já que Coutinho está cercado de lideranças do PSDB e do DEM e depende delas para seu projeto eleitoral e dependerá mais ainda para governar, caso eleito.

Assim, não é apenas um ato questionável abandonar um aliado de 8 anos em benefício de outro que sequer cita o nome da candidata de Lula em sua campanha. Isso é também um grave erro político.

Por quê? Porque os eleitores ricardistas, em sua amplíssima maioria, são também eleitores de José Serra (vejam o que aconteceu em Campina Grande, quando Dilma ficou em terceiro lugar e Ricardo Coutinho – ao lado de Cássio Cunha Lima e Efraim Moraes – saiu consagrado das urnas na cidade).

Aqui em João Pessoa, Coutinho e o PSB deram uma forcinha à Marina Silva, fazendo boca-de-urna para a candidata "verde" (ou laranja) e ajudando a viabilizar o segundo turno, portanto, ajudando indiretamente ao candidato tucano José Serra.

Por isso, a constatação torna-se inevitável. Com origem na esquerda, Ricardo Coutinho moveu-se com rapidez para a direita. Começou com uma aliança espúria com o PSDB e o DEM, partidos que hoje formam a fina-flor do reacionarismo brasileiro.

Tentam a todo custo impedir a continuidade da obra iniciada por Lula na base da sordidez, misturando política e religião, incentivando preconceitos, usando a mentira e a calhordice como arma eleitoral.

Que ninguém duvide: em meio a essa guerra, o espólio que o PSDB disputa está ligado ao Pré-Sal e à maneira como serão distribuídos os recursos obtidos com a extração do petróleo. Pretendem privatizar as imensas jazidas que pertencem ao Brasil e ao seu povo.

É a forma de apropriação e distribuição dessa riqueza que está em jogo hoje no segundo turno presidencial. Mas, não só isso.

Quando formos às urnas em 31 de outubro estaremos decidindo a continuidade de um novo projeto de desenvolvimento, que reúne amplas forças sociais e políticas, à exceção do grande empresariado, do agro-negócio, dos tucanos e demos.

Vamos escolher se desejamos a consolidação e aprofundamento desse modelo, ou se veremos retornar à hegemonia tucana e tudo que ela representou para a economia nacional e para o povo brasileiro.

Portanto, quem vota em Dilma não vota em Ricardo Coutinho. Como ele ajudará ao futuro governo Dilma no congresso? Pedindo apoio a Efraim Filho? Ruy Carneiro? Romero Rodrigues? Cássio Cunha Lima?

Ricardo está comprometido até a medula com o PSDB e Dem. Aceitar seu jogo-duplo (ele diz – ainda diz? – que vota em Dilma, e na campanha deixa o apoio a Serra correr solto) é aceitar como legítimo o oportunismo eleitoral de quem certamente não vê diferenças entre Lula e o PSDB.

Não permita que essa farsa prospere. Existe muita coisa em jogo para crermos nos indivíduos. A pior coisa da política é acreditar no messianismo, nos super-políticos que prescindem dos partidos e dos apoios. Eles não existem, são uma farsa que, por vezes, viram tragédia, como foi Collor de Mello. E Collor era o "novo", a "mudança". Serra agora é a "competência", o "republicanismo" contra a república sindicalista de Lula. Ricardo Coutinho quer juntar os dois em sua personalidade messiânica e individualista.

Nosso desafio é apostar no futuro. José Maranhão e o PMDB dão suporte a esse projeto, do qual a Paraíba inevitavelmente faz parte. Por isso, um apelo a Lula e Dilma: precisamos dos seus apoios para derrotar o candidato do DEM e dos tucanos. A Paraíba os espera ansiosa e de braços abertos.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

O DILEMA DO PRISIONEIRO: COMO RICARDO PRETENDE MUDAR COM A BASE PARLAMENTAR DO DEM E DO PSDB?

Ricardo Coutinho não cansa de falar em "governo da mudança", aproveitando-se do desgaste natural de José Maranhão num ambiente de grande renovação que se estabeleceu no Nordeste. Fala agora "republicanizar" o Estado, o que deve significar o estabelecimento de um novo conteúdo (impessoal) às relações entre o governo, seus servidores e a sociedade.

Na Assembléia, o quadro não é muito alvissareiro para que a Paraíba seja de vez uma "república".


A força de Ricardo Coutinho dentro de sua coligação (PSB-PSDB-DEM) foi tão limitada que ele sequer conseguiu eleger um único deputado estadual – Urquiza, o seu chefe de gabinete desde os tempos imemoriais da vereança, conseguiu menos de 15 mil votos e pontuou uma sexta suplência. Para federal, Edvaldo Rosas conseguiu uma segunda suplência com 33 mil votos (35 mil votos atrás do primeiro suplente, Major Fábio).


Assim, é mais do que improvável que Ricardo Coutinho consiga "republicanizar" o Governo da Paraíba com o apoio político que, se eleito, deverá ter, especialmente na Assembléia. Como eu disse, Coutinho não conseguiu eleger um deputado sequer que possa ser considerado um "ricardista".
Vejam com que Ricardo contará na Câmara para "republicanizar" a Paraíba (clique nas imagens para ampliar)

Agora os deputados que farão parte da bancada do futuro governo Ricardo Coutinho, em caso de eleição.

E observem que estão incluídos entre os estaduais "ricardistas" João Gonçalves e Ricardo Marcelo, que apoiaram José Maranhão no primeiro turno. Ou seja, Coutinho é hoje minoritário na Assembléia e, caso eleito, terá que "ralar" para conseguir maioria na Assembléia. Como ele conseguirá isso? Acertou que respondeu "republicanizando" o Estado! Todos os deputados aderentes farão isso pela causa "republicana" e renunciarão à indicação de parentes e aderentes.

Cássio Cunha Lima e Efraim Moraes, num rasgo de emocionante altruísmo e desinteresse, deixarão Ricardo Coutinho montar o seu governo "republicano". Evitarão colocar a faca no pescoço do Mago e nada reivindicarão. Deixarão bondosamente que o republicano governador fique livre para evitar a Cunhalimização do novo governo.

Ricardo é prisioneiro dessa base política, cuja ação é tão dependente do Estado quanto morcegos dependem de sangue para viver. Quando chegar a hora de montar o governo, diante de um governador sem base parlamentar sólida – mais ainda, sem aliados históricos entre eles, – não restará outra alternativa, para que Coutinho governe, que não reproduzir os velhos esquemas, loteando o governo e fazendo da administração pública um extensão dos negócios e interesses familiares.

Em tempo 1: Ontem, em Guarabira, num comício de Ricardo Coutinho, Cássio Cunha Lima discursou efusivamente a favor de José Serra e foi ovacionado pelos cabos eleitorais. Luiz Couto, ao defender Dilma, levou uma sonora vaia. O candidato do PSB permaneceu impassível, "neutro", depois de ter pedido votos para Marina Silva no primeiro turno em João Pessoa.

Enfim, Ricardo, como se previa, foi "engolido" pelos tucanos e demos. Já faz parte da turma. E faz jogo duplo: diz que vota em Dilma, mas no palanque faz campanha para Serra.

Cássio falando em Guarabira. Você vê alguma bandeira de Dilma? E de Serra?