sexta-feira, 28 de maio de 2010

O PT será a força decisiva na eleição para governador da Paraíba. Por isso, indicará o vice

Vou logo avisando que nessa postagem não tentaremos fazer previsões, mas apenas indicações políticas, especialmente de ordem eleitoral, cuja explicitação me fazem acreditar que o PT indicará o candidato a vice-governador na chapa de José Maranhão. Vamos a elas.

Num embate cujo adversário principal do governador José Maranhão tem origem na esquerda e vai tentar se apresentar com "novidade" política, em contraposição ao que Cássio Cunha Lima – vejam só! – tem chamado de "atraso", qual a melhor maneira do candidato à reeleição do PMDB se contrapor a esse discurso?

Excluindo o PT e com uma chapa onde os candidatos sejam, predominantemente, vinculados a grupos tradicionais da Paraíba, José Maranhão, com essa opção, estará apenas ajudando a corroborar o discurso ricardista. Mesmo que Coutinho esteja aliado não só, vamos chamar assim, ao tradicionalismo mais legítimo da política paraibana (as famílias Cunha Lima e Moraes), mas também ao conservadorismo que elas representam, o que são coisas distintas. (Em próxima postagem, vamos explorar essa distinção).

José Maranhão, com a ausência do PT na chapa, não poderá atacar Coutinho pela esquerda, perdendo a legitimidade que tem hoje o atual governador por conta da aliança com os partidos que compõem esse campo. Quem tem moral política para atacar as alianças de Ricardo Coutinho?

Por isso, não acredito que apenas o apoio dos partidos de esquerda a Maranhão, caso esse apoio se confirme mesmo com a ausência de um candidato de esquerda na chapa majoritária, seja suficiente para oferecer essa legitimidade ao discurso maranhista no futuro embate. E não estou afirmando aqui que o que vai nortear esse embate será o confronto "esquerda" e "direita". Esse confronto tentará ser estabelecido de maneira menos sutil, entre o "velho" e o "novo".

Por que Ricardo Coutinho pode hoje fazer esse discurso? Não apenas por conta de sua idade (com quase 50 anos. ele não é tão novo assim, não é mesmo?), mas pela "novidade política" com a qual ele tentará vincular sua candidatura. E esse não um dado artificial da realidade, por mais questionável que seja ele.

Mesmo que há quase 20 anos seja detentor de mandatos eletivos (vereador, deputado estadual e prefeito), o ex-prefeito de João Pessoa compõe a nova geração de políticos que ascenderam após a ditadura, e que incorporou as "inovações" discursivas de uma esquerda pós queda do Muro de Berlim: orçamento democrático, desenvolvimento local, apoio às minorias, etc., idéias que cabem tanto na cartilha dessa "nova esquerda" quanto na do Banco Mundial.

Algum repórter, para fazer um teste, poderia perguntar ao candidato do PSB o que ele, por exemplo, acha de reforma agrária e se ele pretende implementar algum projeto nesse âmbito que altere de maneira drástica a estrutura fundiária na Paraíba. Os Ribeiros, entre outros grupos que hoje o apóiam, certamente ficarão atentos à reposta do candidato.

Coutinho certamente tratará de questões cosméticas, como por exemplo, implantação de um "orçamento democrático", que, da maneira como foi implantado em João Pessoa, exclui mais de 95% das verbas orçamentárias do controle "participativo", bem como quase toda a população pessoense. Como eu já disse por aqui, o tal "orçamento democrático" é apenas uma maneira de envolver parte pequeníssima da população na definição das obras prioritárias para sua comunidade. Além de tudo, o vereador é quase que totalmente marginalizado nesse processo. Enquanto isso, o grosso das verbas fica sob o controle do prefeito.

Entretanto, como eu também já escrevi neste blog, não convém ao atual governador subestimar nem o candidato Ricardo Coutinho, cuja tenacidade o levou aonde ele se encontra hoje, nem muito menos esse espírito de mudança, que é observável cada vez mais, especialmente no Nordeste.

Na nossa região, são raros os candidatos hoje fora do arco de apoio lulista – excetuando-se talvez o Rio Grande do Norte – que estão A frente nas pesquisas e tem alguma chance de vencer a eleição para governador. Não foi por acaso, portanto, que Cássio Cunha Lima optou por uma aliança com Ricardo Coutinho. Ele não desejava ir para o isolamento que representaria a candidatura tucana de Cícero Lucena, o que colocaria em risco sua própria eleição para o Senado.

Porque, se o desconhecimento do que era ser de esquerda conduzia antes a um preconceito, especialmente entre os mais pobres, com o governo Lula ser de esquerda ganhou um novo componente, certamente fluído, mas não menos verdadeiro, que a vincula a preocupações com os mais pobres. Não foi à toa que José Serra se disse de esquerda. Certamente, essa declaração do candidato do PSDB não caiu do céu e deve ser ressonância de alguma pesquisa qualitativa de sua campanha. Esses candidatos não falam nada que não seja por orientação de manqueteiro.

Ricardo Coutinho cometeu vários erros até agora e o mais importante deles foi vincular sua eleição a uma aliança com o conservadorismo paraibano. Outro erro importante, decorrente desse primeiro, foi não ter dado a devida importância à aliança com o PT, tendo Coutinho contribuído, eu diria de maneira decisiva, pare derrotar Luís Couto, quando tornou público, ainda durante a campanha que elegeu a atual direção do PT, seus acordos com Efraim Moraes e Cássio Cunha Lima.

Enquanto Luis Couto afirmava que essa aliança não existia, Ricardo Coutinho dava mostras públicas de que ela era uma realidade. Coutinho, na sua pressa desesperada de fechar um acordo com o cassismo e o Dem, desprezava com isso o apoio do PT. Reconhecido o erro depois de derrotado na disputa interna petista, os esforços atuais do ricardismo são dirigidos hoje, e de maneira pública, para dividir o PT e tem o objetivo de pelo menos criar confusão no eleitorado ao afirmar que o partido está "dividido" e parte dele apóia o candidato do PSB. Logo Coutinho, que abandonou o PT há 7 anos depois de ter se servido do partido para alcançar seus objetivos, agora intenta fragilizar ainda mais seu ex-partido estimulando a sua divisão interna.

E ter o PT na chapa majoritária é tão importante para a candidatura de Ricardo Coutinho hoje que o próprio Efraim Moraes já declarou que abriria mão de sua candidatura ao Senado caso o PT aderisse à coligação ricardista. Os Ribeiros já afirmaram o mesmo.

Pois bem. Se José Maranhão resolver prescindir de ter o PT em sua chapa, ao fazer isso ele vai oferecer de bandeja ao adversário o reforço do discurso de que sua chapa é mais do que continuidade, é reprodução, sem tirar nem por, do tradicionalismo político paraibano.

Maranhão já cometeu o erro de permitir especulações a respeito da possibilidade do PT vir a ser excluído de sua chapa. Ninguém menos que o próprio sobrinho do governador já fez afirmações na prática contrárias à participação do PT na chapa majoritária, tendo recebido em seguida uma resposta zangada do Secretário do PT, Josenilton Feitosa, o que revela a tensão interna que vive o PT na atualidade. E não é para menos. Não bastassem os ataques dos adversários internos, a atual direção do PT tem de conviver ainda com os ataques de potenciais aliados externos.

O governador talvez não tenha percebido a real dimensão do trunfo eleitoral que representa o apoio do PT à sua reeleição. Fragilizar o PT apenas ajuda aos seus adversários. Não tê-lo na vice mais ainda, pois dilui o apoio do partido e reforça a dispersão do apoio que já existe à chapa oposicionista.

Já afirmei neste blog que José Maranhão deve, nesta eleição, deixar claro para o eleitor que sua candidatura aponta para o futuro, e o primeiro momento é, sem dúvida, na sua composição de sua chapa. Com um vice do PT, Maranhão deixará claro, entre outras coisas, que o partido é e será uma força importante nas definições a respeito do futuro do estado, seja em termos de um novo projeto de desenvolvimento, especialmente se Dilma Rousseff vencer a eleição presidencial, seja em termos do reforço do papel de suas lideranças na condução futura desse projeto.

José Maranhão não deve imaginar que basta a máquina do governo para viabilizar sua reeleição, o que tem lhe permitido reunir um amplo arco de apoios. Mas, é bom salientar, como já fiz aqui, que essa eleição pode ter uma característica diferente dos outros embates. 2010 envolverá um candidato com origem e discurso distintos dos candidatos que até hoje disputaram com chances de vitória as eleições na Paraíba, e numa conjuntura, diga-se de passagem, amplamente favorável a esse candidato não fosse as alianças que ele fez.

É esse o principal flanco aberto pelo candidato do PSB: suas alianças eleitorais que podem descaracterizar seu discurso. E quem tem legitimidade política para criticá-lo a não ser o PT como principal partido da esquerda paraibana e brasileira? Então, comparado com o que o PT representa, qual a relevância de um Wellington Roberto, ou mesmo Daniela Ribeiro?

Além de tudo isso, tem participação de Lula e Dilma Rousseff no palanque maranhista. Dilma até pode subir no palanque ao lado de Ricardo Coutinho – desde que negociada a não participação de candidatos da oposição, – afinal, ela é candidata de uma frente de partidos, entre eles o partido de Ricardo Coutinho, o PSB, que num grande gesto retirou a candidatura de Ciro Gomes em nome da continuidade do projeto de mudança comandado por Lula.

Entretanto, o mesmo não se pode dizer de Lula. O presidente, não sendo candidato, participará da campanha como cidadão e filiado ao PT, e como tal não se sentirá obrigado a subir no palanque de candidatos que não tenham o apoio do seu partido, especialmente se nele estiver o PSDB e o Dem. E, caso o PT esteja na chapa maranhista, Lula não poderá negar o apoio a José Maranhão, que o apoiou nas duas ocasiões em que ele se elegeu, além de ter dado importante apoio durante o seu governo. Sem o PT tudo isso fica muito mais difícil

Por isso, acredito que o PT indicará o vice. E acredito nisso porque, além de acreditar na força política que é o PT e no que ele representa, acredito na inteligência do governador.

EM TEMPO: A pesquisa do IBOPE divulgada nesta sexta à noite confirma a liderança de José Maranhão (48% a 36%) com 12% de diferença. O resultado merece uma comedida comemoração por parte dos maranhistas. Cautela seria o mais recomendável. A permanecer essa diferença até o início da campanha na TV, teremos um embate que promete muitas emoções, afinal uma diferença de 12% não é tão expressiva assim (vide o que aconteceu nas pequisas presidenciais). O dado que mais chamou a atenção foi a derrota de Ricardo Coutinho em seu terreiro, João Pessoa. A aliança "geopolítica" pelo jeito esqueceu de ser combinada com o eleitor. Pois, o único fato a explicar a dianteira maranhista na capital é, sem dúvida, a aliança de Ricardo Coutinho com o cassismo (e agora com Efraim Moraes). Como vínhamos afirmando até agora. Acredito que isso reforça ainda mais o argumento da postagem acima.

terça-feira, 25 de maio de 2010

RICARDO COUTINHO E LAMPEDUSA: MUDAR PARA DEIXAR AS COISAS COMO ESTÃO

Há meses, o mundo - e o submundo - da política paraibana debate qual será o destino do PT nas eleições 2010 na Paraíba. Um debate inútil desde quando Rodrigo Soares elegeu-se presidente do PT. Quando o último voto foi colocado nas urnas do PED (Processo de Eleições Dietas), realizado no final do ano passado para eleger a nova direção do PT paraibano, o destino do PT foi definido com a eleição não apenas de um novo presidente, mas de uma sólida maioria que vem reafirmando, a cada oportunidade em que é chamada a decidir, a linha de apoio ao projeto de reeleição do governador José Maranhão. E com um candidato do PT na vice.

Desse debate, tornaram-se comuns especulações a respeito da possibilidade do PT romper com o PMDB e aderir ao projeto cassista-ricardista. Na esteira disso, o deputado federal Luís Couto é sempre chamado a dar declarações quando surgem boatos de que ele pode vir a ser candidato na chapa majoritária governista. E Luís Couto, ao agradar esses segmentos da imprensa tranqüilizados com a manutenção do seu afastamento do PMDB, aprofunda o buraco que ele cava para si próprio.

Ricardo Coutinho e Lampedusa: mudar para deixar as coisas como estão

Portanto, em relação às especulações a respeito da possibilidade do PT vir apoiar Ricardo Coutinho eu afirmaria, com convicção, que as chances de que isso possa acontecer são próximas de Zero. A não ser que degringolassem as negociações do PT com o PMDB para a constituição de uma aliança nacional para presidente, que é o suporte principal contra as investidas do PSB para reverter a posição do PT na Paraíba.

Mas, mesmo que isso viesse a acontecer, o mais provável é que o PMDB paraibano mantivesse a posição de apoio ao PT para presidente, como aconteceu nas duas últimas eleições, apoio que, em nenhuma das vezes, foi rejeitado pela ala petista-ricardista, muito pelo contrário. O apoio de José Maranhão foi saudado como avanço, diferentemente da de Cássio Cunha Lima, que preferiu nas duas vezes marchar ao lado dos adversários do projeto de poder petista.

Aliás, essa mesma ala liderada por Luís Couto foi quem inviabilizou a candidatura a prefeito de Ricardo Coutinho em 2000, segundo as palavras do próprio ex-prefeito de João Pessoa à época.

E tudo isso, segundo Coutinho, por conta de uma proposta de casamento que o grupo de Luís Couto e Júlio Rafael ("Judas" Rafael, lembram?) receberam do próprio Cássio Cunha Lima, que que começaria como um namoro nas disputas para a prefeitura de Campina Grande naquele mesmo ano de 2000, quando o PT indicou Cozete Barbosa para ocupar a vaga de vice na chapa cassista, e terminaria em núpcias na eleição seguinte, em 2002, quando os paraibanos elegeriam um novo governador.

E, ironia das ironias, o pomo da discórdia que levou à renúncia de Coutinho à condição de candidato a prefeito foi exatamente a indicação de Walter Aguiar como candidato a vice, indicação feita pelo grupo de Luís Couto. O mesmo Walter Aguiar que foi anunciado dias atrás como o coordenador do programa de governo do hoje candidato pelo PSB, Ricardo Coutinho. O mesmo Walter Aguiar que continua filiado ao PT.

Isso tanto é uma prova de como a política dá mesmo muitas voltas como do quanto Ricardo Coutinho despreza e desrespeita os partidos e suas direções. Nisso, ele foi mais uma vez aluno aplicado do cassismo.

Mas, tudo isso pode indicar algo mais. Que o canto de sereia cassista, apesar de senil, parece ainda muito sedutor para algumas pessoas. Tanto que Luís Couto caminha, às cegas e enfeitiçado, no convés de um navio em noite de tempestade. E sem preocupar-se em cair no mar revolto.

O canto inebriante salpica-lhe doces notas nos ouvidos de padre e Couto não resiste à tentação. Repete Adão no Paraíso. E a mesma maçã que lhe é oferecida hoje é a mesma que já foi oferecida a Ricardo Coutinho dois anos atrás, e pela qual o ex-prefeito de João Pessoa abandonou tanto seu paraíso político como seu futuro promissor. Em breve, viverá em meio aor mortais comuns, como Adão preferiu viver, sobrevivendo com o suor do próprio rosto.

Não só Luís Couto poderia ter recusado a maçã, como poderia estar ancorado com seu navio em terra firme, com o PT unido em torno dele e, de quebra, com o apoio de Lula, Dilma e José Maranhão, para iniciar uma tranqüila viagem rumo ao Senado. Ao contrário, Couto prefere a lengalenga cassista-ricardista a apostar no futuro, onde o PT poderia ter seu lugar conquistado, assim como acontece hoje em todo o Nordeste.

De maneira diversa, prefere a companhia pouco recomendável de Efraim Moraes e do Dem, e recusa a de antigos companheiros que o ajudaram a conquistar os mandatos de deputado que até hoje conquistou, honrando com sua atuação as tradições do PT e as bandeiras da esquerda.

Luís Couto e seu grupo não perceberam ainda que a candidatura de Ricardo Coutinho é a expressão mais legítima da máxima que Tomasi de Lampedusa imortalizou através dos seus personagens, o Príncipe de Salinas e Tancredi, seu sobrinho, em diálogo imortalizado nas páginas de O Leopardo: "Para que as coisas permaneçam iguais, é preciso que tudo mude". Tancredi havia aderido às tropas do republicano Giuseppi Garibaldi, que lutava pela República e pela unificação italiana, sendo, portanto, expressão de modernidade, do novo. O Príncipe de Salinas mantinha-se aferrado às tradições aritocráticas da dominação familiar. Convencido de que a mudança era inevitável, o Prícipe adere à nova ordem para mantê-la conservadora.

Só com a vitória de Ricardo Coutinho os Cunha Lima continuarão a ser o que eles sempre foram: um grupo familiar disposto a tornar o Estado e suas instituições a extensão dos seus interesses familiares (a Prefeitura de Campina Grande, o Governo do Estado, a Assembléia Legislativa, o TCE); só assim, um político como Efraim Moraes, esse sim, o atraso em pessoa, pode ter esperanças de retornar ao Senado para promover mais 8 anos de uma oposição conservadora ao governo do PT. Ao invés de contribuir para inanição de um grupo que é expressão do que Ricardo Coutinho diz combater, alia-se a ele para torná-lo mais longevo ainda.

É por esse motivo entre outros que o PT não marchará com o candidato do PSB ao governo, porque essa é uma questão que transcende os acordos "por cima", como preferiria Ricardo Coutinho, para continuar sendo fiel à máxima de Lampedusa. Enquanto o Brasil caminha para mudança, isolando os conservadores e o conservadorismo no canto onde os despojos da política, vez por outra, são colocados, na Paraíba aqueles que poderiam representar o avanço preferem a companhia da direita.

Companhia que mesmo o candidato que a representa nacionalmente (José Serra) tenta dela se afastar, afirmando ser de "esquerda". E qual não foi a intençao de Cássio Cunha Lima ao aproximar-se de Ricardo Coutinho que não limpar-lhe a imagem, dando a ela uma nova coloração, menos conservadora. O problema é que enquanto o sujo se limpa, o limpo se suja. Se Cunha Lima ganha um pouco de Coutinho, Coutinho ganha muito de Cunha Lima. Inevitável.

No Brasil da "modernização conservadora" promovida sempre pelas elites, mudanças sem povo, realizada em acordos cujos objetivos sempre foram mudar para deixar tudo do mesmo jeito, é preciso avançar mais na Paraíba. É preciso romper com os entraves políticos do conservadorismo. E o primeiro passo é derrotar Cássio Cunha Lima e Efraim Moraes. Mesmo que Ricardo Coutinho, de lambuja, seja derrotado. Afinal, como se diz por aí, é impossível fazer uma omelete sem quebrar os ovos.

Na próxima postagem, argumentarei porque acho que o PT vai indicar o cargo de vice na chapa de José Maranhão. Para a decepção das novas e velhas viúvas do cassismo.

domingo, 23 de maio de 2010

Os interesses dos impérios e os nossos

Mino Carta, o editor da revista Carta Capital, e que editou também as maiores revistas brasileiras, conhece bem a nossa mídia. E conhece por dentro. Hoje, a Carta Capital é uma das poucas revistas que assumem o perfil de independência em relação ao governo Lula, apesar de que, para muitos, trata-se de apoio. Para estes, isso depois que Lula tornou-se presidente, imprensa tem que ser do contra. Independente do projeto que esse governo represente.

E eles provam isso mostrando os anúncios do governo e das estatais nas páginas da Carta Capital. Engraçado. Os mesmos anúncios pululam nas páginas da Veja, Época e IstoÉ e nem por isso alguém desconfia do seu oposicionismo em estado bruto. E Carta Capital é o exemplo a denotar a postura democrática na distribuição dos recursos da propaganda governamental, algo que já tratamos por aqui (clique aqui) e que, ao lado do seu golpismo latente e do seu preconceito contra os pobres, vem a ser um dos motivos principais do engajamento da grande imprensa contra Lula. Se Dilma Rousseff vencer, é provável que muitas dessas empresas quebram.

Mas, de situação ou de oposição, vale o registro do editorial da última edição de Carta Capital, saída da inteligência sempre brilhante de Mino Carta. Vale a pena por demonstrar o quanto a posição dessa grande imprensa, agora no caso da ação da diplomacia brasileira no Irã, é entreguista, para usar um termo "fora de moda" e, como diria Celso Furtado, antipovo.

Os interesses dos impérios e os nossos


Ao ler os jornalões na manhã de segunda 17, dos editoriais aos textos ditos jornalísticos, sem omitir as colunas, sobretudo as de O Globo, me atrevi a perguntar aos meus perplexos botões se Lula não seria um agente, ocidental e duplo, a serviço do Irã. Limitaram-se a responder soturnamente com uma frase de Raymundo Faoro: “A elite brasileira é entreguista”.

Entendi a mensagem. A elite brasileira aceita com impávida resignação o papel reservado ao País há quase um século, de súdito do Império. Antes, foi de outros. Súdito por séculos, embora graúdo por causa de suas dimensões e infindas potencialidades, destacado dentro do quintal latino-americano. Mas subordinado, sempre e sempre, às vontades do mais forte.

Para citar eventos recentíssimos, me vem à mente a foto de Fernando Henrique Cardoso, postado dois degraus abaixo de Bill Clinton, que lhe apoia as mãos enormes sobre os ombros, em sinal de tolerante proteção e imponência inescapável. O americano sorri, condescendente. O brasileiro gargalha. O presidente que atrelou o Brasil ao mando neoliberal e o quebrou três vezes revela um misto de lisonja e encantamento servil. A alegria de ser notado. Admitido no clube dos senhores, por um escasso instante.

Não pretendo aqui celebrar o êxito da missão de Lula e Erdogan. Sei apenas que em país nenhum do mundo democrático um presidente disposto a buscar o caminho da paz não contaria, ao menos, com o respeito da mídia. Aqui não. Em perfeita sintonia, o jornalismo pátrio enxerga no presidente da República, um ex-metalúrgico que ousou demais, o surfista do exibicionismo, o devoto da autopromoção a beirar o ridículo. Falamos, porém, é do chefe do Estado e do governo do Brasil. Do nosso país. E a esperança da mídia é que se enrede em equívocos e desatinos.

Não há entidade, instituição, setor, capaz de representar de forma mais eficaz a elite brasileira do que a nossa mídia. Desta nata, creme do creme, ela é, de resto, o rosto explícito. E a elite brasileira fica a cada dia mais anacrônica, como a Igreja do papa Ratzinger. Recusa-se a entender que o tempo passa, ou melhor, galopa. Tudo muda, ainda que nem sempre a galope. No entanto, o partido da mídia nativa insiste nos vezos de antanho, e se arma, compacto, diante daquilo que considera risco comum. Agora, contra a continuidade de Lula por meio de Dilma.

Imaginemos o que teriam estampado os jornalões se na manhã da segunda 17, em lugar de Lula, o presidente FHC tivesse passado por Teerã? Ele, ou, se quiserem, uma neoudenista qualquer? Verifiquem os leitores as reações midiáticas à fala de Marta Suplicy a respeito de Fernando Gabeira, um dos sequestradores do embaixador dos Estados Unidos em 1969. Disse a ex-prefeita de São Paulo: por que só falam da “ex-guerrilheira” Dilma, e não dele, o sequestrador?

A pergunta é cabível, conquanto Gabeira tenha se bandeado para o outro lado enquanto Dilma está longe de se envergonhar do seu passado de resistência à ditadura, disposta a aderir a uma luta armada da qual, de fato, nunca participou ao vivo. Nada disso impede que a chamem de guerrilheira, quando não terrorista. Quanto a Gabeira, Marta não teria lhe atribuído o papel exato que de fato desempenhou, mas no sequestro esteve tão envolvido a ponto de alugar o apartamento onde o sequestrado ficaria aprisionado. E com os demais implicados foi desterrado pela ditadura.

Por que não catalogá-lo, como se faz com Dilma? Ocorre que o candidato ao governo do Rio de Janeiro perpetrou outra adesão. Ficou na oposição a Lula, primeiro alvo antes de sua candidata. Cabe outro pensamento: em qual país do mundo democrático a mídia se afinaria em torno de uma posição única ao atirar contra um único alvo? Só no Brasil, onde os profissionais do jornalismo chamam os patrões de colegas.

Até que ponto o fenômeno atual repete outros tantos do passado, ou, quem sabe, acrescenta uma pedra à construção do monumento? A verificar, no decorrer do período. Vale, contudo, anotar o comportamento dos jornalões em relação às pesquisas eleitorais. Os números do Vox Populi e da Sensus, a exibirem, na melhor das hipóteses para os neoudenistas, um empate técnico entre candidatos, somem das manchetes para ganhar algum modesto recanto das páginas internas.

Recôndito espaço. Ao mesmo tempo Lula, pela enésima vez, é condenado sem apelação ao praticar uma política exterior independente em relação aos interesses do Império.

Recomenda-se cuidado: a apelação vitoriosa ameaça vir das urnas.

sábado, 22 de maio de 2010

Datafoha ajusta seus números à realidade: Dilma empata com José Serra

A pesquisa Datafolha divulgada hoje mostra um empate entre Dilma Rousseff e José Serra - pronto, as viúvas de FHC não tem mais o que dizer para contestar os resultados de outros institutos que há mais de um mês mostravam essa realidade! No Datafolha, Rousseff subiu 7 pontos e José Serra caiu 5. Ambos tem agora 37%. O programa do PT foi mesmo devastador! Para sorte da Folha, ele antecede a realização da pesquisa e "justifica" a mudança no quadro eleitoral.

A grande questão que se apresentava entre os analistas de pesquisas mais independentes era quando Datafolha e Ibope finalmente "ajustariam" seus números à realidade observada nas ruas e no sentimento dos eleitores. Alguns falavam que apenas quando a eleição se aproximasse, esses institutos, como sempre fizeram, iriam expressando em suas pesquisas o que de fato pensava o eleitor.

Não que consideremos apenas corretas as pesquisas que favorecem a candidata do presidente Lula. A questão não é essa e nunca foi. Analisar pesquisas há mais de 4 meses da eleição é mera conjectura. Mas, no caso da atual disputa, é necessário considerar fatos que influenciarão inevitalmente o proceso.

Primeiro, a avaliação de um governo que é aprovado por mais ou menos 80% dos brasileiros; segundo, o ambiente econômico favorável que não apenas tende a ser mantido mas ampliado até o fim do ano; e, por fim, as alianças políticas nacionais e regionais em torno da candidata governista que darão a ela um imenso suporte político e eleitoral. Esses dados tornam, inquestionavelmente, Dilma Rousseff favorita na eleição.

O grande oponente da candidata do PT não vem a ser nem mesmo o principal candidato da oposição, José Serra, um candidato sem discurso e, o que fica cada vez mais claro a cada entrevista que ele concede, sem o "preparo" que foi tão propalado sobre ele. O grande oponente de Dilma Rousseff é, na realidade, a grande imprensa, engajada até a alma no projeto eleitoral tucano. É ela que ainda sustenta os números de José Serra. Sem ela, provavelmente José Serra nem candidato seria.

E é esse fato que coloca sob suspeitas as pesquisas eleitorais, tanto do Ibope quanto do Datafolha. Sendo seus patrocinadores essa grande imprensa engajada, como conferir credibilidade aos resultados de suas pesquisas?

Por isso, a pesquisa do Datafolha é um mero ajuste à situaçao eleitoral. Cotinuar brigando com a realidade tornaria essa imprensa menos confiável do que ela já é. Entretanto, a pesquisa do Datafolha divulgada hoje ainda representa um esforço para manter a expectativa de vitória de Serra, sugerindo um empate (Vox Populi e Sensus observaram a esperada virada de Dilma durante essa semana).

O "ajuste" pode indicar o início de uma nova fase na disputa eleitoral com o recrudescimento do embate, o que ensejará um engajamento ainda maior da grande imprensa. E então virão os dossiês. Entrará em cena a política do tudo-ou-nada, provavelmente depois da copa. Em juho, os subterrâneos da política brasileira ficarão animados pelas sombras tucanas da mentira e das armações que essa mídia fará subir à superfície quando a copa passar.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Pensamento Múltiplo completa 1 ano e ganha cara nova

Hoje, completa um ano que este blog entrou no ar. 365 dias depois ainda estamos aqui. Nem eu esperava por isso, porque não é fácil. Para quem tem outras atividades mais importantes - é como orgulhoso professor da UFPB que eu ganho minha vida - manter um blog atualizado, o que quase sempre não conseguimos, é um desafio e tanto.


Por isso, optamos por fazer do pensamento múltiplo um blog de análise, de debate, de polêmica, o que tem me levado à uma exposição pública que muitos, especialmente os mais próximos, consideram desnecessária. Talvez eles tenham razão, mas, pelo menos nesse ponto, eu nunca consegui mudar. Sempre foi assim e, pelo visto, sempre será assim. Acostumei-me a ter lado nos grandes temas nacionais, pois sempre é esse o viés com que observo as questões da política e da economia nacionais. Esperando sempre que seja o lado que permita a transformação da vida da maioria dos brasileiros. Diferente de muitos que preferem a sombra do silêncio e da omissão, para se darem bem com todos os lados (à esquerda e à direita). O mundo deve ser mesmo dos mais "espertos", como se diz por aí.


Por fim, quero agradecer aos leitores que acessam cotidianamente este blog. Em 1 ano, segundo o contador mais antigo do blog, foram mais de 15,609 páginas vistas até o momento, o que dá uma média mais de 1.300 por mês. Se dividirmos pelo número de postagens inserida (91), termos então uma média de 171 acessos por postagem. Mais 3 registros especiais: aos seguidores do blog, ao Portal Correio, que quando "linka" o blog os acessos se multiplicam, sendo ele, sem dúvida, o grande responsável pelo aumento da nossa "audiência" e, por fim, a Rubens Nóbrega que permitiu, com a deferência do seu convite, que isso acontecesse.


No mais, vamos tentar continuar por aqui. Analisando, debatendo, polemizando. Fazendo o que eu gosto e considero necessário.

E agora, Ricardo? É ao lado de gente como Efrain Morais que você quer mudar a Paraíba?

Depois de ter contratado 52 funcionários-fantasmas, todos devidamente lotados no gabinete do senador pela Paraíba, Efrain Moraes (DEM) até maio de 2009, veio à tona no início desta semana um outro escândalo para a coleção do senador paraibano. Agora, duas irmãs foram contratadas pelo gabinete do senador. Detalhe: excluída uma "bolsa" de R$ 100,00, as irmãs nunca receberam os valores que constavam nos contra-cheques (quase 4 mil reais). Nem sequer elas sabiam dos contratos. Nessa, convenhamos, Efrain Moraes se superou.

Indicação do vice na chapa do PSB: jogo de cena e de cartas marcadas?

Enviei o comentário abaixo para Rubens Nóbrega e ele publicou em sua coluna. Como o tema continua atual, transformo o referido texto nesta postagem.

A "disputa" atual entre Ricardo Coutinho, que diz querer Daniela Ribeiro, e Cássio Cunha Lima, que quer seu tio Ivandro, pela vice é blefe, um ardil para ir empurrando a decisão até o último momento para impedir que o PP saia em busca de outro ninho.

Eles aprenderam com o caso Armando Abílio e resolveram não dar argumentos para que o PP pule fora do barco. Por que Ricardo Coutinho não fez circular àquela época que preferia Carlos Dunga? Porque acreditavam que Armando Abílio não teria coragem de enfrentar um partido cujas principais lideranças eram cassistas, e que ele tinha ido longe demais no apoio ao candidato do PSB. Então, pagaram para ver.

Agora, eles ensaiam essa disputa, onde o candidato a governador revela sua preferência, mas antecipa de antemão que nada será decidido agora. Já Cunha Lima e os cassistas fincam pé em Ivandro, dando a entender que estão esticando a corda. E estão mesmo. Ora, todo mundo sabe que Ricardo Coutinho é refém de Cássio Cunha Lima. Se o ex-governador retirar-lhe o apoio pouco sobrará a Coutinho além do seu coletivo. Esse é o custo adicional pelo apoio formal do PSDB e pela desgastante retirada da candidatura de Cícero Lucena.

Portanto, indicar a vice para Cássio não é só uma questão eleitoral, é também uma questão de autoridade. Na mesa com Ricardo, o trunfo é paus. Ricardo Coutinho quer passar a idéia de que tem uma carta na manga, talvez uma rainha (Daniela), mas está mesmo de mãos vazias.

Isso nós vamos ver quando ambos baixarem suas cartas na mesa na hora da decisão. E então veremos que todas as fichas estarão com Cássio Cunha Lima. E Ricardo Coutinho terá sido só mise en scène para o público externo. E para Daniele Ribeiro, principalmente.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Entrevista de Dilma: “Sou a candidata de um projeto que mudou o modelo de desenvolvimento econômico deste país”


Quem tinha alguma dúvida sobre as qualidades de Dilma Rousseff como candidata tirou ontem durante a entrevista que ela concedeu à Rádio CBN. Dominando números e conceitos, Dilma soube, com elegância, se livrar de todas as armadilhas colocadas para ela ao longo da entrevista, sendo o ponto alto o embate com Mirian Leitão, que foi dessa vez tratada com respeito, mas colocada no seu devido lugar.

Primeiro, Dilma ressaltou as vitórias da política externa brasileira, enfatizando a capacidade de diálogo de Lula, seja no G-20, durante a crise financeira de 2008-2009, quando Lula propôs corajosamente a regulação dos mercados financeiros; seja durante a Conferência de Copenhague, quando o Brasil foi sujeito ativo ao propor uma audaciosa política de redução da emissão de gases poluentes, deixando as grande potências que apostaram no impasse de calças na mão; seja na América Latina, quando o Brasil foi decisivo para manter a estabilidade política da região; e agora, no "Oriente Médio", quando o Brasil atuou para evitar o isolamento do Irã e esvaziar as intenções belicistas dos EUA na resolução do conflito.

Depois veio Lucia Hipólito, que de cordeirinho para José Serra, tentou ir logo para ofensiva contra Dilma Rousseff ao insinuar terem sido as Agências Reguladora politizadas e esvaziadas. Dilma foi firme ao discordar de Hipólito, especialmente ao reafirmar que essas agências, como sempre defenderam os tucanos, não podiam substituir o Estado, seja para planejar os setores da economia nacionais em que elas atuam, seja para para evitar o controle absoluto dos interesses do mercado sobre os da sociedade.

Foi por esse flanco aberto que Dilma, com esperteza, abriu caminho para discutir o que ela entendia por um Estado mais eficiente. Contra as insinuações de aparelhamento, Rousseff defendeu um Estado que preste serviços de melhor qualidade através da valorização dos servidores mais qualificados. Entre os vários exemplos dados, destaque-se a educação, que, segundo ela, sem um professor bem remunerado e permanentemente qualificado, não é possível uma educação de qualidade. Contra a noção de qualidade dos tucanos, ela citou o exemplo do Ministério das Minas e Energia que, quando assumiu sua direção em 2003, havia a proporção de 1 engenheiro para 10 motoristas.

Assim, para Dilma, a questão não é ter mais ou menos funcionário, mas ter funcionários qualificados para prestarem um serviço público de qualidade. Nas palavras dela: o Estado precisa de mais engenheiros, mais técnicos, mais professores, e menos auxiliares de serviços gerais. Isso significou mudar a relação técnica que existia dentro do Estado brasileiro. E isso acontecia antes – mais uma estocada nos tucanos – porque o Brasil passou mais de uma década sem investir na melhoria do serviço público.

Dilma também criticou a falsa oposição que o governo tucano e a grande imprensa tentou estabelecer entre universidade e ensino básico. A qualidade de um, enfatizou Dilma, depende da qualidade do outro. O ensino básico forma melhor os futuros alunos das universidades, enquanto que estas, entre outras coisas, formam os professores para o ensino básico.

A candidata do PT também foi corajosa o suficiente para questionar tanto a necessidade de uma nova reforma da previdência, como continuam a pregar as viúvas do tucananto neoliberal. Dilma defendeu reformas tópicas e sistemáticas, sem a necessidade de uma nova e mais ampla reforma previdenciária. Por exemplo, quando constatar-se o aumenta do tempo de vida médio da população brasileira. Mas, sempre através de um diálogo transparente e claro. Dilma Rousseff quanto chegou mesmo a contestar a existência de um déficit previdenciário. Para ela, excluídos os gastos que não se destinam a aposentadoria daqueles que financiaram a previdência, não há déficit. Nesse ponto, ela revela uma mudança significativa na análise dessa questão, que foi o principal argumento para defender a reforma da previdência de 2004.

Como eu disse, o ponto alto da entrevista foi o embate com Mirian Leitão, que começou nos termos abaixo:

MIRIAM LEITÃO – A senhora nunca apoiou políticas que garantiram a estabilidade da moeda. Por exemplo, controle de gastos. Quando Antônio Palocci e Paulo Bernardo propuseram reduzir e zerar o déficit público, a senhora considerou a idéia rudimentar. E eles estavam certos [coitados de Palocci e Bernando!], porque de lá para cá a dívida pública bruta subiu de 1.2 trilhão para 2.2 trilhões. Agora, a senhora tem defendido a estabilidade da moeda, políticas restritivas fiscais e monetárias. Quando é que a senhora mudou de idéia, porque eu perdi essa parte?

Dilma começou por explicar o que ela entendia por ajuste de longo prazo, até que chegou no ponto crucial:

DILMA ROUSSEFF - Eu não posso prever um plano de ajuste fiscal de longo prazo quando o PIB começa mais alto e acaba mais baixo. É o inverso (...) Porque o próprio plano de ajuste fiscal é um fator de elevação do nível de crescimento da economia...
[Para Miriam Leitão, o importante é economizar para pagar os banqueiros]

MIRIAM LEITÃO - Ministra, a minha pergunta não está sendo respondida!

DILMA ROUSSEFF - Eu estou tentando, Mirian. Estou fazendo o melhor dos meus esforços para te responder...

Mirian lançou a casca de banana e queria que Dilma caísse de todo jeito. Ou seja, ela começou afirmando que Dilma era contra as políticas de restrição orçamentária que garantissem a estabilidade da moeda, para insinuar que Rousseff não tinha preocupações com a inflação. Eles estão em busca de um discurso. Como Dilma discordou do argumento e justificou numa linha que desmontava a visão recessiva de restrição do gasto público, sem preservar o crescimento econômico que Miriam Leitão e os tucanos sempre defenderam, Mirian Leitão tentou subir nas tamancas. Com isso, a candidata do PT armou o golpe final.

E começou com o exemplo do PAC. Nesse caso, segundo Dilma, o governo trabalhou com metas de superávit primário, de queda do déficit nominal, e de taxa de juros, numa perspectiva de longo prazo, algo que não existe no manual neoliberal de Mirian Leitão e dos tucanos, que só vêem o aqui e o agora dos lucros do capital rentista. Dilma comprovou que a dívida pública caíra no governo Lula na relação com o PIB, desmascarando assim a tentativa de Leitão de tentar atribuir à candidata de Lula a pecha de "gastadora". Dilma Rousseff só esqueceu de comparar o gasto público nos governos FHC e Lula. Teria sido a pá de cal!

Para esclarecer o debate que vem em seguida, a dívida bruta refere-se à dívida total do setor público, incluindo as 3 esferas de governo. A dívida líquida compõe a dívida bruta menos os créditos que os governos tem a receber. Da mesma maneira que a dívida externa. Descontados os créditos no exterior e as reservas cambiais, o Brasil não tem mais hoje dívida externa. Ao contrário, o país é credor externo. Mas, para confundir, Leitão insistiu apenas no volume da dívida bruta. Vejam como Dilma coloca Mirian Leitão no bolso.

MIRIAM LEITÃO: Ministra, os números mostram o contrário. A dívida pública cresceu…


DILMA ROUSSEFF
: É isso. Houve queda sistemática do déficit fiscal. É isso que é ajuste fiscal de longo prazo… Você está falando da bruta.

MIRIAM LEITÃO:
A bruta que é a mais importante.


DILMA ROUSSEFF:
Então, vamos discutir porque a dívida bruta cresceu…

MIRIAM LEITÃO:
Deixa eu terminar minha pergunta. O governo Lula, a partir do momento que a senhora assume, e o ministro Palocci sai, começa a aumentar muito os gastos públicos. A senhora estava errada quando atropelou a proposta do ministro Palocci?

DILMA ROUSSEFF:
Me desculpa, Míriam. Você está falando uma coisa que não é correta.

MIRIAM LEITÃO:
Por que não é correta?

DILMA ROUSSEFF:
O momento (em) que nós fizemos o maior superávit primário, tão grande que nós podemos constituir o fundo soberano, foi em 2008. Você está errada no que se refere a números. Além disso, você falou em dívida bruta, sabe por que cresceu? Quanto a nossa dívida líquida você concorda que é cadente, não? Nós fizemos um pequeno desvio diante da crise [de 2008-2009], muito necessário para a gente poder sair da crise sem grandes consequências. Aliás, o Brasil tem um dos menores déficits nominais, uma das menores dívidas/PIB, que é a relação dívida líquida sobre PIB.

MIRIAM LEITÃO:
A senhora estava errada quando atropelou o ministro Palocci, a minha pergunta inicial
?

DILMA ROUSSEFF:
Só um pouquinho, me desculpa, eu acho que você está errada no conceito. Não houve essa questão. Nós temos perseguido cada vez mais, aprimorado a nossa política de ajuste de longo prazo. Tanto é assim que, no caso da dívida bruta, as razões pelas quais ela cresce são o fato de a gente ter construído US$ 250 bilhões em reservas. Você sabe tão bem quanto eu que, se eu quiser reduzir a dívida, as reservas têm liquidez imediata, o compulsório que nós liberamos foi de US$ 100 bilhões. O Banco Central liberou US$ 100 bilhões para os bancos e, ao fazê-lo, isso foi diante da crise. E por fim liberamos US$ 180 bilhões para o BNDES, um pouco menos do que isso, a título de garantir empréstimo e investimento de longo prazo e impedir que as empresas brasileiras tivessem menos oferta de crédito. Então, não se pode discutir dívida bruta no Brasil sem dizer por que ela aconteceu. Senão, é como lançar plumas ao vento. Eu digo que a dívida bruta subiu e não digo porque ela é, por exemplo, completamente diferente da dívida bruta da Grécia, que está quebrando. Nós não estamos quebrando, estamos cada dia mais robustos. Agora, o que é importante entender, você está pegando uma discussão de 2005 (...) Sabe como fizemos? Colocamos o investimento na ordem do dia, mantivemos talvez nessa trajetória a maior queda nos últimos tempos da dívida líquida sobre PIB, e do déficit nominal. Fomos interrompidos pela crise? Fomos. Para sairmos, tivemos que reduzir de 3,6%, 3,3% o superávit primário, para 2,1%. Este ano, estamos repondo. A mesma coisa houve também no déficit nominal. Nós estávamos numa trajetória de queda do endividamento. Acho que a grande conquista fiscal do Brasil foi desindexar a dívida externa brasileira das moedas externas. Foi altamente relevante.

A intenção de Mirian Leitão era apregoar para os setores do mercado financeiro que a capacidade do Brasil de pagar suas dívidas está se diluindo por conta desse suposto crescimento da dívida pública no Brasil.


Cobrar, portanto, de Lula e Dilma as responsabilidades com a dívida pública que, segundo demonstrou a candidata do PT, está caindo em relação ao PIB, usando, inclusive, dados capciosos, é uma falácia.


Lula e a maioria dos brasileiros concordam. Dilma passou no primeiro teste com louvor.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

José Serra não é mais o candidato tucano. É o candidato camaleão

A semana do candidato a presidente do PSDB-DEM, José Serra, começou com uma sacrificante entrevista para a Rádio CBN na segunda, às 8 da manhã. Como todos sabem, José Serra é notívago e costuma trocar as madrugadas pelas manhãs, o que o leva a acordar sempre mais tarde do que a maioria dos mortais comuns. Bom, isso é pra quem pode, é coisa para quem pertence a massa cheirosa do nosso país.

Na referida entrevista, ficou óbvio o esforço do candidato de, primeiro, não confrontar Lula e o seu governo – afinal, Serra é ou não o candidato da oposição? – e, segundo, afastar-se da pecha de neoliberal. Serra chegou mesmo a defender um "Estado musculoso". Sinal dos novos tempos ou um candidato acuado e sem discurso?


A entrevista, em primeiro lugar, pode ser definida, como disse Paulo Henrique Amorin, como uma série de levantadas para as cortadas de José Serra. Pensem num bando de entrevistadores cordeirinhos. Nenhuma objeção, nenhuma interrupção no raciocínio do candidato, nenhuma réplica mais crítica que tentasse, pelo menos, indicar alguma contradição nas respostas do candidato que, afinal, foram muitas. Mirian Leitão, por ser inoportuna com o novo perfil que José Serra quer emprestar à sua candidatura, chegou mesmo a ser espinafrada ao vivo. E ninguém a defendeu.


Quando, por exemplo, no início da entrevista, Lúcia Hipólito perguntou sobre como seria a relação de um improvável governo Serra com o movimento sindical, cujas principais centrais apóiam Dilma Rousseff, José Serra tentou demonstrar que, quando governador de São Paulo, tivera uma relação harmoniosa com as centrais, especialmente a CUT. Diante da abundância de fatos amplamente conhecidos para demonstrar ser essa afirmação no mínimo questionável, instada à réplica, Hipólito apenas balbuciou: "Não, está bem, está bem". Se fosse com Dilma Rousseff...


Depois, veio a pergunta a respeito da entrevista que Lula concedeu no domingo passado ao jornal espanhol El País, quando afirmou, entre outras coisas, que achava que não haveria chances do "PT perder as eleições" (Na entrevista, Lula justificou essa opinião). Ao invés de ironizar um presumível "salto alto" de Lula, Serra fugiu mais uma vez do confronto. Perguntado o que ele achava do que dissera Lula, Serra devolveu com uma nova pergunta:


- E o que mais ele disse?


O repórter não entendeu e passou a fazer referência a outras passagens da entrevista. Não era isso que Serra queria. E continuou:


- Ele disse uma outra coisa também importante..."


Heródoto Babeiro, o entrevistador, quis então saber que coisa tão importante era essa. E Serra não se fez de rogado:
- Ele [Lula] disse que qualquer um que ganhar não vai haver nada de anormal no Brasil. Literalmente. O que é uma afirmação importante, porque há um certo jogo quase que de terrorismo em dizer: 'não, se não ganha a candidata do Lula vai dar problema etc. e tal.'

José Serra, pelo jeito, reconhece que está nas mãos de Lula. E - que diria! - a opinião de Lula de que Dilma Rousseff não perderá a eleição não tem importância diante da declaração de que José Serra não representará o fim de sua obra. O problema é que Lula não é Serra nem o PIG. Ele não usa a política do medo para mostrar o passado que Serra representa. Só basta comparar. E dizer a verdade. José Serra estava olhando para o espelho e provavelmente estava lembrando de sua própria campanha, em 2002, quando tentou espalhar o medo contra o favoritismo de Lula. Lembram Regina Duarte no programa do PSDB? O vídeo abaixo vai refrescar a nossa memória.




Uma novidade: Serra agora se considera de esquerda...

Uma outra novidade desse entrevista é que o Brasil descobriu durante essa entrevista que José Serra agora é de esquerda. Diante da pergunta: "O senhor é um candidato de esquerda?" Serra, sem nenhum constrangimento, assim respondeu:

- Do ponto de vista da análise convencional do que é ser direita e esquerda eu diria que sim.

Surpreso, o entrevistador emendou: "O que é que o senhor entende por ser de esquerda?" E, não bastasse a surpresa da declaração de que o candidato do PSDB e do DEM se considerava de esquerda, mais surpreendentemente ainda foi a consideração a respeito do porquê ele assim se considerava.

... E defensor da intervenção estatal na economia, do desenvolvimento nacional e da justiça social

- Sou de esquerda porque defendo um projeto de desenvolvimento nacional pro Brasil. De repente passou a ser uma heresia falar-se em projeto de desenvolvimento, em ativismo governamental. Eu defendo um Estado forte, não obeso, mas musculoso, no sentido de ter capacidade para ativar nosso desenvolvimento, os mecanismos de justiça social. E vou estar sempre comprometido até o fundo da alma com dois setores da nossa população, que são os trabalhadores e os desamparados.

Quando eu escutei tentei redobrar a atenção para saber se era mesmo José Serra, ex-ministro do de FHC e hoje a maior liderança do PSDB quem falava. Por um momento, imaginei estar escutando outro candidato. Mas não. Era Serra mesmo.

E para confirmar isso, em seguida, provavelmente aqueles que estavam ouvindo a entrevista talvez nunca tenham presenciado tamanha agressividade, tamanho desprezo, tamanha descortesia para com um jornalista. Não, não foi com Paulo Henrique Amorim, nem com Luiz Nassif, nem muito menos com Franklin Martins. Foi com ninguém mais ninguém menos que Mirian Leitão, a voz do mercado financeiro e, portanto, a voz do PSDB. Fiz questão de transcrever abaixo esse rico diálogo, que fala por si só do quanto incomoda a Serra a identificação com o neoliberalismo.

Mirian Leitão começa:

MÍRIAM LEITÃO: Bom, A grande dúvida na economia é se o senhor vai respeitar a autonomia do Banco Central. O senador Sérgio Guerra já disse que o senhor mudaria a política cambial e monetária, depois tentou se explicar, mas ficou essa dúvida no ar. A dúvida também é por declarações suas feitas no passado e por declarações feitas agora também. A sensação que se tem é que, se por acaso o senhor for eleito, vai ser também o presidente do BC. Queria saber isso...

JOSÉ SERRA: Isso é braçadeira, né?

MÍRIAM LEITÃO: Ahn?

JOSÉ SERRA: É brincadeira que eu, eleito presidente da República, vou ser presidente do BC. É preciso não me conhecer. Quem faz um rumor assim é (por) falta de assunto, desejo de criar outros problemas.

MÍRIAM LEITÃO: O senhor respeitará a autonomia do BC?

JOSÉ SERRA: A questão dos juros, a questão do câmbio… Ninguém, em sã consciência, pode defender a posição de que, quando há condições para baixar a taxa de juros, o BC não abaixa, (e que isso) está certo. Isso não significa infalibilidade. A questão do tripé famoso que veio do governo passado que, se não me engano, fui eu até que apelidei de tripé (câmbio flutuante, responsabilidade fiscal e meta de inflação) veio para ficar. Não baixar os juros num contexto em que não tinha inflação simplesmente foi um erro. As pessoas que conhecem melhor, mesmo dentro do mercado financeiro, sabem disso. Agora, se alguém se assusta porque eu acho que a taxa de juros deve cair quando a inflação está caindo, quando tem quase deflação, é porque tem uma posição muito surpreendente do ponto de vista dos interesses do Brasil. Por outro lado, a mesa da economia brasileira, que estava no chão, eu ajudei a erguer. Todo mundo que me conhece sabe que eu não vou virar a mesa coisa nenhuma.

MÍRIAM LEITÃO: Mas a dúvida é exatamente esta. Quando o senhor fala que foi um erro do BC, se por acaso o senhor for presidente da República...

JOSÉ SERRA: Espera um pouquinho!

MÍRIAM LEITÃO: Deixa eu completar a minha pergunta.

JOSÉ SERRA: Espera um pouquinho! O Banco Central não é a Santa Sé! Você acha isso, sinceramente, que o Banco Central nunca erra? Tenha paciência!

MÍRIAM LEITÃO: Governador, deixa eu fazer a minha pergunta...

JOSÉ SERRA: Agora, quem acha que o Banco Central erra é contra dar condições de autonomia e trabalho ao Banco Central? Claro que não. Agora, de repente, monta-se um grupo que é acima do bem e do mal, que é o dono da verdade… e qualquer criticazinha já vem algum jornalista, já vem o outro, e ficam nervosinhos por causa disso. Não é assim. Eu conheço economia, sou responsável, fundamento todas as coisas que penso a esse respeito. E, a esse propósito, você e o pessoal do sistema financeiro podem ficar absolutamente tranquilos que não vai ter nenhuma virada de mesa.

MÍRIAM LEITÃO: Governador, deixa eu fazer a minha pergunta que eu não consegui completar. A questão não é se o BC é infalível; ninguém é. Mas se o senhor, quando se deparar com um erro do BC, caso seja presidente, ficará apenas com sua opinião ou vai interferir. A questão não é a taxa de juros.

JOSÉ SERRA: Imagina, Míriam, o que é isso? Mas que bobagem! O que você está dizendo, você vai me perdoar, é uma grande bobagem! Você vê o BC errando e fala: Não, eu não posso falar porque são sacerdotes. Eles têm algum talento, alguma coisa divina, mesmo sem terem sido eleitos, alguma coisa divina, alguma coisa secreta tal que você não pode nem falar: Ó, pessoal, vocês estão errados. Tenha paciência!

E então o próprio candidato encerra a participação de Mirian Leitão, que continuava do outro lado da linha: "Vamos adiante?", disse Serra. E o apresentador, meio perplexo, obedece a ordem: "Vamos..."

José Serra é mesmo o dono do PIG.

Sobre essa questão, é importante registrar aqui que se tem um setor no governo Lula que não avançou foi a política monetária, especialmente por conta da manutenção da autonomia de fato do Copom (Comitê de Política Monetária), cujos membros, como disse Serra, continuam sendo sacerdotes dos quais ninguém pode discordar. Nem mesmo o presidente, o que é um absurdo antidemocrático sem tamanho. Um grupo de tecnocratas ligados ao mercado financeiro com autonomia para determinar a política de juros de uma nação inteira, ou seja, a remuneração que o próprio capital rentista extrai do Estado, em detrimento dos investimentos produtivos.

Entretanto, é bom também lembrar, que talvez José Serra tenha sido a única liderança do PSDB, pelo menos publicamente, a expressar essa opinião nos últimos 20 anos. Desde então e até hoje, a questão da autonomia do Banco Central foi o dogma mais persistente e pernicioso para a economia nacional pois é ela a principal responsável pela principal herança maldita que FHC deixou para Lula e os brasileiros, que é da dívida pública. Dogma, diga-se de passagem, criado pelo próprio PSDB durante o governo FHC (que José Serra fez parte) e defendido ardorosamente pela grande imprensa e mantido mesmo após a falência desse modelo no ano passado. Não é a primeira vez que Mirian Leitão exprimiu essa opinião, mas é foi a primeira vez que José Serra ou qualquer outro membro do PSDB se posicionou contra ela.

E José Serra faz isso porque tem certeza que contará com, no mínimo, o silêncio da grande imprensa para defender o que defendeu, mesmo contra as suas convicções, como realmente aconteceu. Porque foi essa imprensa quem forjou e deu suporte a um "consenso" em torno desse tema, não abrindo espaço para um debate nacional consistente. Lembram como José Alencar, o vice de Lula, foi tratado por essa mesma imprensa quando criticava os persistentes aumentos de juros? O próprio Lula, mesmo defendendo a queda dos juros, preferia não se pronunciar para não sofrer as críticas que Alencar esteve sempre exposto.

Há dias atrás, por exemplo, o Copom determinou um aumento injustificado de 1% na taxa de juros do país. Só esse aumento deve provocar um gasto adicional para o Estado, através do aumento da dívida pública, de mais de 10 bilhões de reais. O que se viu foi um silêncio total e um defesa velada da decisão do Copom. Muito diferente do tratamento dado, por exemplo, ao aumento dado aos aposentados, denunciado como aumento dos "gastos públicos".

Quem sempre criticou essa política no Brasil? A esquerda que, mesmo no poder, não teve forças suficientes para derrubá-la. Já o PSDB de Serra não só a implantou, como fez de sua existência um dogma. Pelo menos o candidato do PSDB ajuda a romper esse cerco e debater a questão de maneira franca e aberta, já que o PIG não vai criticá-lo, seja qual for a posição que ele tomar na campanha, sabendo que é tudo discurso para ajudar a elegê-lo.

A estratégia de Serra, ao que parece, é criticar o PT e sua candidata pela esquerda para fugir da pecha que engoliu a candidatura de Geraldo Alckmin em 2006. Portanto, ele não tem para onde correr. Se ficar, o bicho pega; se correr o bicho come!

Só falta agora Serra dizer que é o candidato de Lula!

Para ver e ouvir José Serra espinafrando Mirian Leitão clique no vídeo abaixo.


quinta-feira, 13 de maio de 2010

terça-feira, 11 de maio de 2010

PT na majoritária: desafio é evitar predomínio conservador na chapa maranhista


A renúncia de Luciano Cartaxo pode ter ajudado na solução do impasse que ameaçava se estender até a última hora das convenções partidárias. Com o veto do governador José Maranhão ao nome indicado pelo PT para ocupar a vaga de vice-governador na chapa que será por ele liderada, e sem forças suficientes para impor sua indicação, as lideranças do PT tem agora o desafio de evitar o desastre político que seria o partido não participar da chapa majoritária, o que ratificaria a idéia de que o PT na Paraíba não tem projeto de poder, sendo mera força auxiliar, seja do PSB seja do PMDB.

Nesse sentido, os dois desafios mais urgentes do PT paraibano são: criar as bases para reunificar o partido (no curto prazo, extirpar o "fogo amigo") e evitar que a chapa maranhista seja predominantemente conservadora. Vamos a essa discussão.

Luis Couto estimula a divisão interna do PT

Para começar, vale ressaltar aqui os esforços do atual presidente do partido, Rodrigo Soares, que, com a força limitada de um partido dividido e tendo que encontrar o necessário equilíbrio político, se esforça tanto para evitar o isolamento do partido quanto para tornar o PT administrável, mesmo sob o fogo cruzado dos adversários internos e externos. Soares, pode-se dizer, tem tido uma verdadeira paciência de Jó para não responder à altura as provocações que vem, principalmente, do deputado federal Luis Couto e de seu agrupamento, cuja atitude pouco política e marcada claramente pelo ressentimento, tem apenas ajudado a aprofundar mais ainda as dificuldades que vive o PT hoje, tudo isso num momento chave de sua história.

O PT e a esquerda tem a responsabilidade de vencer as eleições, ao lado dos seus aliados nacionais – que por sinal são os mesmos aqui da Paraíba, à exceção do PSB, que se aliou aos adversários de Lula, de Dilma Rousseff e do PT – para evitar o imenso retrocesso político, social e econômico que seria a vitória de José Serra e do PSDB na eleição presidencial. Por isso, não se sustenta a verdadeira cruzada que o padre Luis Couto está envolvido, não apenas contra Rodrigo Soares, mas contra a política e os interesses estratégicos nacionais do PT.

Enquanto Luís Couto não reconhecer que a política que ele e seu grupo defendem foi derrotada na eleição interna que escolheu a direção atual do PT, ele continuará a perder tanto apoio interno quanto externo, afinal, não custa lembrar, a política do agrupamento vitorioso não só foi ratificada, mas ampliada em termos de apoio político no último encontro estadual do PT. Enquanto Luis Couto prega verdadeiramente num deserto, só sendo ouvido pela imprensa que, especialmente a cassista, amplifica suas opiniões visando enfraquecer mais ainda o PT, os filiados do partido só tem uma idéia na cabeça: eleger Dilma Rousseff e derrotar os adversários de Lula, na Paraíba e no Brasil.

E enquanto Luis Couto exerce obsessivamente o papel de estimular a divisão interna, está cada vez mais claro para os petistas qual é o verdadeiro embate político em 2010, e que o candidato do PSB, com sua guinada à direita, ao contrário de representar o "novo", é o desaguadouro do que há de mais atrasado em termos políticos na Paraíba. Collor, não custa lembrar, era a "encarnação" do novo em 1989, e Brizola, a esquerda a ser batida no início da campanha, o "velho" (então, quem era "novo" e quem era "velho" em 1989? Quem é "novo" e quem é "velho" em 2010, na Paraíba?). Cássio sempre foi a promessa jovem da política paraibana, entretanto jamais houve governo tão conservador e patrimonialista como o seu na Paraíba.

Por isso, antes de mais nada, Luis Couto deveria manter aquilo que é uma marca de sua história pessoal, que é de generosidade política, e subordinar seus objetivos individuais e de grupo a um projeto cuja vitória terá repercussões não apenas no Brasil, mas na geopolítica mundial, e especialmente da América Latina. Aqueles que desejam continuar construindo uma alternativa internacional à influência dos Estados Unidos e da Europa precisam que o PT vença a eleição.

Mais do que isso. Espera-se de um ardoroso defensor dos direitos humanos uma atitude de respeito à democracia e à vontade da maioria. Luis Couto tem todo o direito de não ser candidato ao Senado na chapa do PMDB, nem mesmo pode ser obrigado a subir em seu palanque, mas, em respeito à decisão de um partido que ele presidia há menos de 6 meses atrás, exige-se pelo menos o silêncio, ao contrários dos constantes ataques públicos, especialmente contra o atual presidente do PT, Rodrigo Soares, que até o início de 2009 foi um fiel aliado e apoiador.

Afinal, o principal desafio de Soares é conduzir o partido para que 2010 seja um ano vitorioso para o PT. E isso começa pela escolha dos aliados. E, sinceramente, nesse campo não havia alternativas desde que Ricardo Coutinho preferiu a companhia do PSDB e do Dem, rejeitando a possibilidade de uma candidatura de centro-esquerda, tornando-se a aliança com o PMDB o único caminho, não só porque o partido indicará o candidato a vice na chapa de Dilma Rousseff, como um petista ocupava e ocupa o cargo de vice-governador.

Por outro lado, numa campanha polarizada como será a de 2010, não haverá espaço para meio-termo e a polarização acabará se impondo na Paraíba. E o PT, mais do que qualquer outro partido, tem um lado nessa disputa. Afinal, se Serra é PSDB, e o PSDB é Ricardo Coutinho, Dilma é PT e o PT na Paraíba é José Maranhão. Então, para qualquer petista que preze sua fidelidade ao partido e ao projeto do PT, não há dúvida nessa escolha.

Mesmo que o candidato do PSB se esforce para deixar claro que a desistência de Cícero Lucena não fez parte de um gran acuerdo nacional com a direção nacional do PSDB. Seja como for, na Paraíba, mesmo que José Serra, pelo menos publicamente, não tenha o apoio de Ricardo Coutinho, o inverso será plenamente verdadeiro: Ricardo Coutinho é o candidato de José Serra, e ele jamais vai rejeitar essa condição, porque Ricardo Coutinho quer ser o depositário dos votos serristas e dilmistas ao mesmo tempo. Até nisso Coutinho segue os passos do seu padrinho Cássio Cunha Lima. Da mesma maneira que, sem nenhum escrúpulo, o ex-governador tucano estimulou a organização de palanques Lula-Cássio em 2002 e 2006, abandonando à própria sorte "companheiros" de partido (o próprio José Serra, em 2002, e Geraldo Alckimin, em 2006).

Pois é isso que vai ocorrer, tudo ao sabor das conveniências eleitorais dos Cunha Lima e de Ricardo Coutinho. Enquanto Ricardo Coutinho abrirá o palanque Dilma Rousseff-Ricardo Coutinho para abrigar os petistas entranhados em "sua" administração municipal e os petistas cassistas de hoje e sempre, dando a sua candidatura tinturas de esquerda para inseri-lo na verdadeira polarização que ocorrerá em 2010, Cássio Cunha Lima cuidará de montar palanques José Serra-Ricardo Coutinho, colocando na lapela do tucano um girassol e tentando trazer para Coutinho os despojos serristas.

Enfim, laranja será a cor da moda do tucanato brasileiro na Paraíba, o que é uma conveniência, pois, como todos sabemos, tucanos adoram laranjas.

Desafio do PT é evitar predomínio conservador da chapa maranhista

A renúncia à condição de candidato a vice-governador de Luciano Cartaxo abriu espaço para um debate franco e aberto das alternativas. Já expressei neste blog o que penso sobre o fato, ou seja, que o PT deveria privilegiar a disputa para o Senado que, aliás, era o projeto original de todo o partido antes de José Maranhão assumir o governo, e criando as condições tanto para ampliar a base de apoio de esquerda a Lula no Senado, como projetar lideranças do PT para os futuros embates eleitorais no estado.

E Luis Couto era e é um dos nomes de projeção que tem o PT para a disputa, contando com o apoio inclusive da direção estadual do PT, como deixou claro à imprensa o presidente estadual do PT, Rodrigo Soares. Entretanto, Couto faz questão de não deixar uma fresta sequer da janela aberta. A cada declaração de apoio à sua candidatura, o deputado federal do PT responde com uma enxurrada de críticas a José Maranhão e ao PT. Ele só tem olhos para Ricardo Coutinho, Cássio Cunha Lima e Efraim Moraes. Infelizmente.

Também já fiz referência aqui à força ascendente do atual presidente do PT e deputado estadual, Rodrigo Soares. Soares, que já tinha um nome projetado no estado pela atuação como deputado, ampliou significativamente a influência do seu nome depois que se tornou presidente estadual do PT. Prova disso é sua campanha a deputado federal que se consolida a cada dia, ajudada ainda pela postura intransigente de Luis Couto, seu principal concorrente dentro e fora do PT. Soares, por conta dessas qualidades eleitorais, acrescidas das qualidades políticas de agregador e bom negociador, além de sua juventude, seria um nome alternativo ao de Luis Couto e daria ao eleitorado uma alternativa de centro-esquerda. Entretanto, a existência até agora de nomes com precedência sobre o de Soares (como o de Luciano Cartaxo, para vice, e Luis Couto, para o Senado), ampliou a ojeriza ao risco que o impede hoje de partir para uma ação política mais ousada.

Ao que parece, restará ao PT continuar reivindicando o espaço de vice-governador na chapa maranhista. E isso deve ser feito agora não apenas para preservar o espaço conquistado pelo partido, mas para evitar o predomínio conservador numa chapa que terá como principal oponente um político com origens na esquerda e no próprio PT. Sem o PT, a vaga de vice seria ocupara, provavelmente, pelo deputado federal do PR, Wellington Roberto, que completaria a chapa com o próprio José Maranhão e os candidatos ao Senado, Vital do Rego Filho e Wilson Santiago.

Convenhamos, um belo presente para Ricardo Coutinho, pois isso enfraqueceria perigosamente, por conta da ausência do PT, os vínculos eleitorais de José Maranhão com Lula e Dilma Rousseff, mas, principalmente, daria à chapa uma conformação predominantemente conservadora. Essa chapa, pode-se dizer, teria uma grande resistência de um eleitor típico de esquerda e centro-esquerda, que se tornaria mais suscetível à influência do discurso ricardista, ou mesmo, claro que com menor intensidade, do candidato do PSOL. Eu tenho insistindo: é um erro subestimar a virada à esquerda que o eleitorado nordestino deu depois que Lula assumiu o governo. E esse dado, acredito eu, não é conjuntural, ele expressa a urbanização da sociedade nordestina.

O que o PMDB ganharia em termos de força individual, que é importante para eleger candidatos a cargos proporcionais, perderia em apelo político e vínculos com o eleitorado dos grandes centros. Abriria o flanco para ser derrotado no âmbito do discurso, reforçando a imagem conservadora que a campanha ricardista pretende associar ao maranhismo. O apoio do PT e da esquerda, com participação na chapa, será um contraponto necessário a essa estratégia discursiva. Com a moral que só a esquerda tem para criticar as alianças de Ricardo Coutinho com o conservadorismo anti-Lula e de direita na Paraíba.

Portanto, se resta ao PT, com a recusa de Luis Couto, a candidatura a vice-governador, é imprescindível debater nomes. Nesse caso, restam dois: o do próprio Rodrigo Soares, que, como presidente do PT, reforçaria os vínculos Lula e a candidatura de Dilma Rousseff na Paraíba, bem como emprestaria um ar jovial à chapa maranhista; o outro seria o do deputado estadual Jeová Campos, um nome fortemente vinculado ao Sertão e ao debate sobre um novo projeto de desenvolvimento para a Paraíba. Dois nomes fortes e com projeção estadual, capacitados a permitir que o PT alce novos vôos na Paraíba.

Cabe a José Maranhão acabar com essa lengalenga da vice. Quem quer que seja o nome indicado do PT, só aceitará se tiver a garantias de que será aceito para não correr o risco de expor seu nome à fritura pública a que foi submetido Luciano Cartaxo.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Os profissionais


Eu ia escrever aqui sobre a Carta Aberta aos Paraibanos, que o Senador Cícero Lucena, do PSDB, leu ontem – a mando de Cássio Cunha Lima – na tribuna do Senado. Mas, eu só vou acrescentar o que se segue para depois lermos aqui o magistral texto que Rubens Nóbrega escreveu e transformou em sua coluna de hoje no Correio da Paraíba.

A referida carta caberia muito bem na sessão de obituário político dos jornais, se existisse. Quando a li foi impossível não lembrar Crônica de uma morte anunciada, de Gabriel Garcia Marques. É como se a carta compusesse, ao invés do primeiro, como acontece na obra-prima do escritor colombiano, o que seria o último capítulo de uma narrativa fúnebre e trágica. Ontem, quando renunciava, Cícero Lucena anunciava também a sua morte política. Resignado, ele se afasta, “levando nas mãos o cacho de suas entranhas”.

Até na hora de morrer politicamente, Cícero Lucena foi incapaz de rebelar-se. A carta é um libelo à resignação, e nem os bois ele foi capaz de nominar. Nas hostes da tucanagem paraibana, traição não tem nome, e deve ser engolida em seco. Com a serenidade daqueles que conseguem sempre impor suas vontades, Cássio Cunha Lima, por outro lado, ainda tripudiou chamando as palavras de seu companheiro de partido de “serenas e sensatas”, como se ele nada tivesse a ver com elas, o que foi uma outra maneira de dizer: ponha-se no seu lugar!

Confesso que o único sentimento que me despertou esse discurso foi o de pena.

Abaixo, Rubens Nóbrega, no auge da forma.

OS PROFISSIONAIS

O senador Cícero Lucena não precisava mesmo citar o nome de Cássio Cunha Lima na sua ‘Carta aberta aos paraibanos’, lida ontem da tribuna do Senado, para mostrar quem lhe inviabilizou legítima candidatura ao Governo do Estado.

Usando os próprios termos da carta-renúncia, dá pra ver que o senador descreveu com exatidão o quanto ‘profissionais’ como Cássio e os cassistas têm amizade e lealdade na conta de ‘valores descartáveis’ e que política não é para ‘amadores’ como Cícero e os ciceristas.

Eis porque na hora do vamos ver, no momento em que os amadores esperavam reciprocidade, os profissionais não deram à mínima “para toda uma trajetória política” pautada “pela correção e lealdade”, por renúncias e “desprendimento pessoal em favor da causa”.

A propósito, a que causa o senhor se refere, senador?

Seria por acaso a causa do patrimonialismo mais desbragado que a Paraíba já viu uma oligarquia praticar no governo? Ou a causa da instrumentalização mais escrachada do poder público em favor dos interesses particulares, credenciais mais notórias e notadas do grupo a que o senhor serviu com tanto fervor para, no final, levar esse monumental pé nos descarnados glúteos de Vossa Excelência?

Vamos a outro ponto de sua carta. O senhor pergunta: “Teria cometido erro ao confiar na sinceridade de propósito de alguns amigos e correligionários? Ou quando acatei tão determinada orientação para trabalhar e viabilizar uma candidatura?”.

Olha, senador, em se tratando de “alguns amigos e correligionários” seus, pode ter certeza de que a sinceridade se ofende por se ver associada a esses caras.

Quanto à “orientação” para trabalhar e viabilizar candidatura, lembro muito bem que ela foi dada no final do ano passado, pelo Doutor Cássio, ao senhor e ao senador Efraim Morais. Não foi?
Pois bem, o senhor saiu por aí, visitando as ‘bases’, assuntando correligionários, arrematando galeto em quermesse, carregando andor em procissão e até arriscando a vida em pouso forçado de helicóptero no meio das brenhas.

Enquanto isso... Enquanto isso, o Doutor Efraim, que já devia estar de combinação com o outro lá, tirava o time antes mesmo de entrar em campo e caia nos braços do Mago. Refiro-me ao ex Ricardo Coutinho, lógico.

Desde ali, vendo que tudo não passava de armação, conversa fiada do seu mui amigo Cássio, o senhor deveria ter ido à luta com mais gosto, com mais garra, falando grosso como presidente do partido, botando ordem no ninho, repelindo com vigor todas as tucanagens cassistas.

Aposto como os ciceristas origem esperavam algo assim, um gesto de atitude, uma disposição de brigar por sua vez, que já foi uma vez e o senhor deixou passar em favor do mesmo Cássio que agora lhe puxa o tapete pela segunda ou terceira vez.

Mas, não. Em vez disso, o senhor bateu em retirada, encolheu-se, desapareceu do mapa, foi viajar pelo exterior, tratar de seus empreendimentos, talvez, e deixou a conspiração cassista correr frouxa. Deu no que deu.

Aprendeu?
Pelo visto, sim. Tiro pelas frases de efeito de sua Carta, ao dimensionar o conceito que rege os atos e a postura de gente como o seu grande líder. Como é mesmo, senador? Quer dizer que com os profissionais o negócio é “amigos, amigos, política à parte? Lealdade, lealdade, política à parte? Correção, correção, política à parte?”.

Só não achei proporcional (dizer justo seria uma injustiça para com a justiça) o senhor ter dedicado apenas um paragrafozinho ao ex Ricardo Coutinho. Se entendi bem, foi na parte em que o senhor disse assim:

- Será erro grave questionar o que há por trás das aparências? Ou esta “opção” que se apresenta agora não é a mesma que até recentemente era governo, convenientemente situação, e hoje, pela mesma conveniência, se apresenta como oposição?

Com todo respeito, senador, creio que o seu redator cometeu um erro. Não cabe mais usar ‘aparências’ para se referir às posições políticas do ex-prefeito da Capital. O Doutor Ricardo é hoje uma grande e transparente certeza do que ele teria sido o tempo todo e tolos como eu só vieram perceber depois.

Por fim, mas não por último, felicito Vossa Excelência por ter, prudentemente, desrecomendado o voto em um ou outro candidato que sobrou no páreo verdadeiro da sucessão estadual do ano da graça de 2010.

De fato, ficaria muito feio anunciar apoio a qualquer um deles, principalmente José Maranhão (PMDB). Aí é que os cassistas iriam mesmo dizer que o senhor virou laranja do governador, que estava conluiado desde o início com o ‘inimigo’.

Mais duas coisinhas antes do ponto final. Não deixa de ser uma distinção o convite para que o senhor participe da campanha de José Serra à Presidência da República. E Vossa Excelência tem mais é quer dar tudo de si, feito jogador de futebol, pela candidatura do ex-governador paulista.
Já pensou se o homem ganha? O senhor certamente seria homem forte no novo governo tucano e poderia dar uma volta por cima daquelas, de roda gigante, passando por cima de tudo isso que estão lhe fazendo passar atualmente.

Só tem um pro: não deve acontecer. Como diria o saudoso Marcelo Rocha, ser presidente da República não está no horóscopo do Doutor Serra.

Pra encerrar, confesso que achei infeliz a escolha do verso de Quintana que abre a ‘Carta aos paraibanos’. Esse negócio de que “viver é acalentar sonhos” é papo de conformado , senador. Na minha ótica, na minha lógica, viver é realizar sonhos.