segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Luciano Cartaxo: “Estamos no caminho certo”


Ontem, depois da assinatura da ordem de serviço para o início da construção de mais um Unidade de Pronto Atendimento (UPA), agora no bairro de Cruz das Armas, o Prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo, me recebeu para um bate-papo, nos moldes do que eu tive com Nonato Bandeira, o vice. “Acabei de chegar de Cruz das Armas. 

Essa é a segunda UPA que iniciamos a construção. A do Valentina pretendemos inaugurar em março e, até o fim do ano, devemos começar a do Geisel. E já conseguimos mais uma, que deve atender ao bairro dos Bancários”, disse um entusiasmado Prefeito ao me receber na porta do seu gabinete. 

Para não quebrar o entusiasmo do Prefeito, decidi não iniciar a conversa pelas questões políticas e mantivemos a conversa na área administrativa.  

As primeiras realizações

Além da construção das UPAS, Cartaxo fez questão de dar destaque às obras que estão em andamento, algumas, segundo ele, de largo alcance social. “Nós temos hoje 12 creches em construção. Municipalizamos todas as creches do estado que funcionavam dentro do município de João Pessoa.” 

O prefeito pessoense mencionou outra ação que ele considera de grande relevância: o passe-livre para os estudantes da Rede Municipal, uma reivindicação histórica do movimento estudantil. “Enquanto no resto do país os estudantes iam às ruas reivindicar o passe-livre, em João Pessoa isso já não era mais necessário.”

Comparações

Na área da mobilidade urbana, Cartaxo considera que o primeiro ano de sua gestão fez mais realizações do que nos oito anos em que Ricardo Coutinho governou a cidade e o estado. Nesse tempo, muita coisa poderia ter sido feita. 

“Veja o caso do Viaduto do Cristo. Ricardo nada fez para melhorar o transito daquele lugar, que estava virando um caos. Em menos de um ano, viabilizamos uma solução que acabou com aquele gargalo. Além disso, pavimentamos a orla, estamos duplicando a avenida que corta o bairro do Altiplano e investimos pesado em iluminação. A cidade já nota a diferença.”

Para Luciano Cartaxo, Ricardo Coutinho não governa olhando para o longo prazo, faltando as suas administrações uma visão estratégica. 

“Muita coisa deixou de ser feita sob o argumento de que a realização de obras impediam. Eu cito um exemplo: o FENART, que há três anos não acontece na Paraíba. Foi a economia com a não realização desse importante festival que o governo financiou a reforma do Espaço Cultural.” 

Uma outra característica que Cartaxo identifica no modo ricardista de governar é o esforço que ele faz de desvalorizar o passado, especialmente o que os governos anteriores fizeram. 

“E é bom não esquecer que as principais obras do governo atual se iniciaram em governos passados: pavimentação de estradas e Centro de Convenções são exemplos disso”. 

Um caso emblemático dessa postura foi o do Rodoshopping, de Caldas Brandão. 

“Sob o argumento de que estava oferecendo treinamento aos lojistas, o governador levou três anos para entregou a obra. Resultado, no dia que foi fazer isso, o pavimento cedeu, provavelmente por falta de uso.” 

Para o prefeito, o maior absurdo e uma amostra da falta de planejamento, é o que está acontecendo com o Campeonato Paraibano, que ficou ameaçado de não acontecer por conta da situação precária dos estádios de futebol administrados pelo governo do estado.

Inovação administrativa e diálogo

O desafio a atual administração pessoense, segundo o Prefeito, é manter o ritmo, dar continuidade às obras e primar pela inovação com o objetivo de imprimir uma marca própria. 

“Assim como aconteceu no plano federal, temos a clara consciência de que o PT não pode errar em João Pessoa. E eu avalio que estamos no caminho certo”, disse Cartaxo quando se referiu às expectativas sobre sua administração. 

Para o prefeito, a gestão tem muito de continuidade, mas é preciso inovar, introduzir novas práticas políticas e administrativas e novos projetos. 

“E isso só pode acontecer se nós soubermos onde queremos chegar. E nós sabemos.” 

Mas, para atingir esses objetivos, Cartaxo aposta no diálogo e na negociação. 

“Nós não somos os donos da verdade e nem temos a ilusão de que estamos imunes à crítica. Precisamos de parceiros, dentro e fora da administração. Quem quiser contribuir para aperfeiçoar a gestão terá sempre um canal aberto na Prefeitura.”

Trabalhar os valores da cidade

Luciano Cartaxo acredita que também é papel da administração municipal trabalhar para melhorar a autoestima dos cidadãos pessoenses. E para tanto é essencial potencializar o valores que compõe as nossas tradições como povo e como cidade. 

“Todos os eventos que promovemos tem esse objetivo. Tudo está articulado numa estratégia que envolve a divulgação da cultura, do nosso patrimônio histórico, artístico e cultural, onde também se insere a política de turismo. Um exemplo disso foi a criação da nossa Orquestra Sinfônica do Município e a realização do Festival Internacional de Música Clássica. Este último aconteceu no interior das igrejas que compõem o nosso patrimônio histórico”. 

Outra ação que o prefeito considera importante foi o apoio dado aos clubes de João Pessoa, em especial, ao Botafogo, pelo desempenho que teve no ano passado. No ano passado, o Botafogo completou 10 anos sem vencer um campeonato paraibano. 

Quando eu disse que era exatamente o período em que Ricardo Coutinho permaneceu na Prefeitura de João Pessoa, Cartaxo fez um ar de riso concordando.


O espaço acabou e não foi possível tratar de política. Amanhã eu volto à conversa com Luciano Cartaxo e sobre suas opiniões sobre 2014, blocão, Nadja Palitot, a relação com Luciano Agra e o rompimento com o vereador Raoni Mendes.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Administração da gestão e administração da política: Ricardo Coutinho e Luciano Cartaxo


Existem dois tipos de administração do poder público numa democracia: a primeira é a administração da gestão propriamente dita, que organiza e dá ritmo ao trabalho do governo; a segunda, é a administração da política, que dá suporte e estabilidade para que a primeira possa fluir com mais apoio e sem as pressões que geram instabilidade.
 Esse parece ser o desafio dos dois principais governantes da Paraíba, o Governador Ricardo Coutinho e o Prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo.
RC, a política do conflito e do confronto
No governo Ricardo Coutinho parece haver um descompasso entre esses dois setores do governo, o que tem produzido constrangimentos políticos desnecessários e obscurecido algumas ações do governo, na medida em que os conflitos sempre aparecem em primeiro plano. 
Vejam o caso da saúde. Ontem, escutei uma declaração do Secretário de Saúde do Estado, Waldson de Sousa, desqualificando o trabalho de fiscalização do Conselho Regional de Medicina (CRM), no caso em tela, na cidade de Patos. 
Ao apontar problemas reais do Hospital Regional de Patos, como o número excessivo de mortes em dos setores daquela unidade hospitalar, o Secretário reagiu afirmando que a motivação do CRM é “política”. 
Afirmações como essas em nada ajudam ao governo, especialmente a busca de soluções para os problemas apontados. Apenas põem mais lenha na fogueira, prologando desnecessariamente um debate em que só traz perdas para o governo. 
Não custaria nada para o Secretário receber as notificações do CRM, declarar que vai averiguar e tomar as providências cabíveis.
Fatos como esses, associado a dezenas de outros da mesma espécie, acontecidos em outros setores do governo, muitos envolvendo o próprio governador, ajudaram a estabelecer e a consolidar como uma das marcas do governo a falta de diálogo e a dificuldade de lidar com a crítica. 
O imbróglio envolvendo a aprovação da LOA é apenas mais um capítulo desse cansativo histórico de conflitos, que tem o Governador como um dos protagonistas principais. Parece que RC não consegue governar sem isso.
Os problemas de Cartaxo
No caso da Prefeitura de João Pessoa, o problema parece ser de outra natureza. Diferentemente de RC, Luciano Cartaxo tem um estilo mais apaziguador e negociador, o que se reflete na ação dos seus secretários. 
Vejam, por exemplo, o caso da Secretaria de Desenvolvimento Urbano, a Sedurb. Antes, a atuação da Sedurb era marcada por violentos confrontos entre Guarda Municipal e camelôs no centro da cidade. Hoje, não há mais registro deles, e isso se deve, inquestionavelmente, à ação do Secretário Assis Freire.
Para uma comparação mais direta, vejamos o caso de Adalberto Fulgêncio, Secretário de Saúde. Eu já escutei várias entrevistas de Fulgêncio a rádios de João Pessoa. Durante todas elas foi comum, como não poderia deixar de ser, a ocorrência de críticas e de reclamações feitas pelos próprios usuários. 
Ao invés de desqualificar a crítica e o crítico, Adalberto preferiu sempre assumir o compromisso de investigar o fato e, se fosse o caso, solucionar o problema. Não é incomum escutá-lo assumir determinadas deficiências. 
Isso em nada desmerece o seu trabalho. Muito pelo contrário, apenas reforça a imagem de um gestor que vê críticas com possibilidades de desenvolver seu trabalho, especialmente num setor ainda com deficiências como é a saúde pública.
Aliados e aliados
Como eu disse, o problema de Cartaxo é outro e o recente rompimento do Vereador do PDT, Raoni Mendes, expõe uma dificuldade que pode trazer instabilidade política e dificuldades futuras, especialmente se o Prefeito pretende se reeleger, como é mais do que natural. 
Raoni foi o Vereador mais votado na última eleição municipal. Como não é muito comum ver um parlamentar, seja de qual esfera for, romper com o governo, especialmente com um que ele ajudou a eleger, fica a dúvida se a situação foi bem administrada o suficiente para que esse desfecho fosse evitado. Dos dois lados.

O caso de Raoni Mendes tem outros traços que podem torna-lo ainda mais dramático. É que ele pertence ao grupo do ex-prefeito Luciano Agra, que, como todos sabem, teve um papel fundamental na eleição do outro Luciano, o Cartaxo. 
Recentemente, o petista demitiu dois secretários também ligados ao ex-prefeito. É difícil saber o que se passa nos meandros do poder, mas a dimensão pública dos atos nos permite o vislumbre aproximado da situação real, e uma interpretação dela. 
No caso, é impossível não inferir que os dois Lucianos não mantêm a mesma cordialidade e cumplicidade que os tornaram vitoriosos em 2012. 
O que não pode ser, nem de longe, uma situação a ser comemorada pelos petistas, já que, se é isso mesmo, Luciano Agra caminha também para o rompimento. E aliados, especialmente os estratégicos, não devem ser desprezados, especialmente quando se tem claro qual é o principal adversário. 
E, antes de mais nada e principalmente, não se deve dar ouvidos a aliados de ocasião, que desejam ocupar os espaços que sobrarem de um possível ruptura, como é o caso do vereador Fernando Milanez, do PMDB, que continua a fazer ataques a Luciano Agra, no velho estilo cristão-novo. 
O desafio político de Luciano Cartaxo não é criar uma maioria ampla e absoluta na Câmara, que será sempre artificial porque fundada apenas na ocupação de espaços. 
O verdadeiro desafio é eleger os aliados que verdadeiramente contam, agora e no futuro, e preservá-los. A boa administração da política do governo petista, aparentemente, depende disso. 
O resto vem com o tempo e competência administrativa.

NONATO BANDEIRA E 2014

Nonato: "O momento é de Cássio"
Não apenas para tratar do seu destino político, mas também me atualizar a respeito de suas avaliações a respeito do quadro político paraibano, que eu o procurei e fui recebido para uma conversa no final da manhã de ontem pelo do Vice-Prefeito de João Pessoa, Nonato Bandeira. 

O resultado, que renderia pelo menos umas três colunas, segue abaixo. Trata-se de numa síntese dos principais pontos de um diálogo que foi sempre franco e aberto, ocasião em que Nonato Bandeira mostrou a sagacidade que o tornou um dos maiores e mais reconhecidos estrategistas políticos da Paraíba.

Avaliação do quadro do político: Cássio

A conversa começou, como não poderia deixar de ser, por Cássio Cunha Lima. Para Nonato, a indefinição do Senador tucano tem deixado em compasso de espera todas as outras legendas, que esperam por essa definição para decidir sobre suas estratégias, inclusive, RC. 

E um dos motivos para essa paralisia que toma conta de todos os partidos é que, segundo o Vice-Prefeito pessoense, a eleição dependerá muito dessa bipolaridade que se desenha na Paraíba. 

Nonato lembrou uma das teses do historiador José Otávio de Arruda Mello, segundo a qual é a dissidência quem ganha eleição na Paraíba, que acaba por incorporar boa parte da oposição nas disputas na Paraíba. 

“Veja o que aconteceu em 2010 com Ricardo, que pertencia ao bloco maranhista. Agora, será a vez de Cássio ser essa dissidência. Com ela, ele quebra o bloco de sustentação ao governador e esvazia a oposição, que, até por isso mesmo, está fragmentada, hoje.” 

Além disso, a população, que continua a esperar pela decisão de Cássio, ainda não conseguiu identificar um nome para enfrentar Ricardo. E o mesmo pode acontecer nacionalmente. 

“Campos hoje é a dissidência, é o que Cássio pode vir a ser na Paraíba. O PT está preparado para enfrentar o PSDB, na velha confrontação ideológica que se reproduz desde 1994. Mas, e Campos, que tem a mesma origem na esquerda e sempre foi elogiado por Lula e Dilma? Essa candidatura pode mudar o destino das disputas eleitorais no Brasil.” 

“O momento é de Cássio”

Bandeira se mostrou convicto não apenas da viabilidade jurídica da candidatura de Cássio, mas, principalmente, política. 

Segundo ele, existem várias justificativas para a candidatura do Senador tucano. Primeiro, a vontade do eleitor, que nenhum político pode desconhecer ou deixar esse anseio sem resposta. “O momento é de Cássio. Se ele adiar, pode ser que tudo mude em 2018 e ele terá perdido essa oportunidade”. 

Além disso, existe a necessidade de fortalecer o palanque de Aécio Neves na Paraíba. “E nada melhor do a candidatura de Cássio. Da mesma maneira: uma coisa é o palanque de Aécio com Cássio candidato. Outra muito diferente é sem a candidatura de Cássio.” 

Mesmo revelando grande simpatia pelo apoio do PPS à candidatura de Cassio, Nonato diz que esse apoio não será automático, havendo a necessidade de estabelecer antes alguns condicionantes, como a composição da chapa. 

Instado a responder sobre o que poderia impedir o PPS de apoiar Cássio, Nonato mandou um recado: “Em hipótese alguma, apoiaremos uma chapa puro-sangue do PSDB”. Diante da pergunta a respeito de uma possível indicação do nome do ex-prefeito pessoense, Luciano Agra, Bandeira foi cauteloso: “Agra seria um nome forte, mas a indicação é do PEN”.

RC não pode ser subestimado

E como fica o governador Ricardo Coutinho se Cássio for mesmo candidato? Diante dessa pergunta, Bandeira foi enfático. 

RC é candidato do governo e não deve, em hipótese alguma, ser subestimado. “Ricardo tem a chave do cofre, que ele sabe usa muito bem. Quer um exemplo do quanto ele está disposto a abrir essa caixa de bondade? Hoje, até veículo já sai emplacado e com habilitação!” disse, fazendo menção ao programa “Habilitação Social”, que isenta do pagamento de taxas do Detran condutores de veículos de baixo poder aquisitivo. 

“Teremos um Papai Noel fora de época. E bem mais magro,” disse com ironia. Apesar de reconhecer que RC tem problemas na gestão política do governo, especialmente nas composições políticas, o que tem trazido problemas em vários setores, Bandeira ressaltou uma das marcas que ele conhece tão bem do atual governador: a obstinação.

Reaproximação com RC


Sobre a conversa que teve recentemente com o presidente estadual do PSB, Edvaldo Rosas, Nonato Bandeira disse que a conversa versou sobre a possibilidade de reprodução na Paraíba da aliança nacional que deve acontecer entre PPS e PSB. 

Segundo Nonato, não houve um convite formal para que as antigas relações políticas fossem reatadas, e revelou que desde abril de 2012, quando anunciou a saída do governo estadual, não troca uma palavra sequer com RC. 

Perguntado sobre a possibilidade de reaproximação, Bandeira não confirmou nem negou de maneira peremptória: “É uma decisão que pertence ao partido.” Esse movimento de reaproximação Nonato considera ser manifestação da fragilidade política de RC, hoje. 

Ao mostrar-se ser incapaz de administrar possíveis diferenças, Ricardo foi perdendo aliados, inclusive aqueles que o acompanhavam desde o início de sua carreira política.

Diferentemente de 2008, quando RC disputou uma reeleição, o hoje governador não tem o controle de sua própria sucessão. “Quando Prefeito, Ricardo dividiu o poder e, por isso, foi capaz de não apenas manter os aliados, mas incorporar outros, como foi o caso do PT,” disse Nonato, rememorando os tempos em que ajudava na condução política de Coutinho. “Ricardo está mais frágil não apenas internamente, mas externamente. 

Ele perdeu as eleições municipais em grandes centros urbanos, com destaque para João Pessoa. “Por isso, talvez de maneira tardia, ele tenta hoje recompor o que perdeu,” arrematou

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Joaquim Barbosa está acima da lei? (*)

Não são poucos os críticos da postura de Joaquim Barbosa à frente do Supremo Tribunal Federal (STF). 

Duas dessas vozes são a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil e a AMB (Associação dos Magistrados do Brasil). 

Se Barbosa agiu sem a mínima preocupação de preservar a ordem jurídica e direitos que são inalienáveis a qualquer cidadão durante o julgamento do chamado “Mensalão” (o do PT), depois dele é que as ilegalidades cometidas pelo nosso justiceiro de toga ficaram por demais explícitas.

Holofotes combinam com Justiça?

A começar pela transferência dos presos para cumprirem pena em Brasília, quando tinham direito de permanecer em seus estados de origem, já que a decisão do pleno do STF foi pelo regime semiaberto, permitindo aos réus pleitear um trabalho ou mesmo voltar a estudar durante o dia. 

A intenção de Barbosa resultou numa desnecessária e previsível superexposição dos presos, cuja transferência para a Capital Federal foi acompanhada, em pleno feriado de 15 de novembro, ao vivo por todas as TVs, num périplo que começou em São Paulo, passou por Belo Horizonte e terminou em Brasília. 

Os presos ainda passaram pelo constrangimento de estarem presos em Brasília, mas sem ter onde ficar, já que Joaquim Barbosa só expediu as Cartas de Sentença 48 horas depois de decretadas as prisões, em mais um claro desrespeito, segundo alguns juristas, à Lei de Execuções Penais. Alguns insinuam que foi incapacidade mesmo.

Diante desses fatos, um numeroso grupo de juristas, entre eles, Celso Bandeira de Mello e Dalmo Dallari, lançou manifesto protestando contra Joaquim Barbosa. 

Em um dos trechos, os signatários do manifesto não deixam dúvidas a respeito das reais motivações do Presidente do STF: “Não faz sentido transferir para o regime fechado, no presídio da Papuda, réus que deveriam iniciar o cumprimento das penas já no semiaberto em seus estados de origem. Só o desejo pelo espetáculo justifica.”

Em seguida, veio o caso do afastamento do juiz de execuções penais de Brasília, Ademar Vasconcelos, pelo simples fato de Barbosa não aprovar a atuação juiz no caso. 

O fato provocou um protesto formal da Associação dos Magistrados do Brasil (AMB), que pediu que o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) investigue a atitude considerada ilegal do presidente do Supremo, já que o juiz não cometeu nenhuma irregularidade. “Um juiz pode ser afastado do cargo somente após o devido processo legal, e dentro de algumas condições”, declarou o presidente da AMB, João Ricardo dos Santos Costa.

Há quase dois meses desde que foram encarcerados em Brasília, os presos do “Mensalão” (o do PT) continuam a esperar que Joaquim Barbosa finalmente atenda a decisão do STF e determine o cumprimento das penas em regime semiaberto. 

Todos os que têm esse direito continuam a passar o dia inteiro na prisão e longe do local de suas residências. E a única justificativa para dar suporte jurídico a isso é a vontade de Joaquim Barbosa. E ninguém faz nada. 

Espero que no futuro o Brasil não lamente esses dias em que sua Justiça deixou de ser aspiração de equidade para ser manifestação de desejos incontidos de vingança ou mesmo joguete eleitoral nas mãos de um certo juiz.

Assassinato de jornalistas no mundo

Enquanto o jornalismo é maltratado pela constância com que muitos e conhecidos nomes do seu meio mantem relações quase que carnais com o poder – na Paraíba, muitos deles sequer se dão ao trabalho de dissimular essa relação, – ou é escolhido por muitos estudantes pelo “glamour” que a profissão desperta, em muitos lugares do mundo trata-se de uma atividade de alto risco.

Segundo estudo elaborado pelo International Press Institute (IPI), foram assassinados 117 profissionais da imprensa no ano passado, o que tornou 2013 o mais violento para a profissão desde 1997, quando esse tipo de levantamento começou a ser feito. 

Esses números são diferentes dos obtidos pela ONG Repórteres Sem Fronteiras, que contabiliza 75 assassinatos para no ano passado, mas ainda assim, é um número alto. 

Desses, cinco foram assassinados no Brasil no exercício da profissão no ano passado, o que representou uma diminuição em relação ao ano anterior, quando tivemos 12 jornalistas mortos.

LOA: desinforma, RC, desinforma...

Deveria haver uma proibição clara para impedir que governadores (ou prefeitos, ou presidentes) usem a autoridade do cargo que ocupam para desinformar o povo que ele representa. 

Ontem, o governador Ricardo Coutinho continuou a bater na tecla de que pode não pagar os salários dos servidores caso a LOA (Lei Orçamentária Anual) não seja aprovada a toque de caixa pelo legislativo estadual, como quer porque quer Sua Excelência. 

Depois da nota emitida ontem pela Assembleia Legislativa, caiu em definitivo a máscara do governo, restando apenas as faces da desinformação deliberada. 

A pá de cal veio na forma das seguintes palavras, que citam ipsi litteris o artigo 68 da Lei de Diretrizes Orçamentarias (LDO): "Se o Projeto de Lei Orçamentária Anual não for encaminhado para sanção até 31 de dezembro de 2013, a programação nele constante poderá ser executada até o limite mensal de um doze avos do total de cada dotação, na forma da proposta remetida ao Legislativo, até que seja sancionada e promulgada a respectiva Lei Orçamentária".

Resta ao governador mudar de assunto e deixar a Assembleia trabalhar. Deixa a Assembleia trabalhar, Mago!

(*) Coluna publicada no Jornal da Paraíba de terça (08/01/2013)

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

UFC: o espetáculo da violência*

No vídeo acima, veja os "limites" do MMA. 
Continua a pergunta: onde foi parar nossa humanidade?


Na madrugada do último domingo, parte do Brasil que ficou acordada para assistir à “luta do ano” entre o brasileiro Anderson Silva e o americano Chris Weidman, acabou por se defrontar com uma cena chocante que, se foi inesperada, foi apenas por que tratou-se de um acidente: a tíbia de Silva dobrou-se em “L” depois de um violento chute que pretendia derrubar o lutador que empunhava as luvas do outro lado.

Logo assim que acordei na manhã de domingo, comecei a escrever um despretensioso texto comentando em breves palavras o caráter desumanizado que eu identifico sempre que assisto as lutas do UFC. 

Ao publicá-lo no blog pessoal que mantenho na internet e depois no Facebook, surpreendi-me com a repercussão imediata que o texto teve, dividindo opiniões e mostrando o incômodo para os seguidores daquelas lutas que causaram as críticas ali esboçadas. 

Em defesa da modalidade, muitos reagiram com ataques por escrito também violentos, o que é uma mostra, senão de todos, pois tenho grandes amigos que são admiradores da luta, do perfil de uma parcela significativa que sente prazer em acompanhar aqueles espetáculos de violência. 

Ao longo da semana, meu blog teve mais de 110 mil acessos e quase 200 comentários foram lá postados até a última sexta-feira! 

A coluna de hoje volta ao assunto num esforço de aprofundamento, ainda que limitado pelo espaço disponível.

O que é o esporte?

A violência extrema que eu identifico no MMA (Mixed Martial Arts ou Artes Maciais Mistas, em bom português), o distancia inquestionavelmente do que historicamente as sociedades sempre entenderam por “esporte”, a partir daquela relação intrínseca que essa atividade tão bem promove: a sanidade do corpo e da mente através da competição saudável, do esforço físico que condiciona os músculos, desenvolve habilidades, aperfeiçoa a beleza plástica dos movimentos e potencializa a rapidez de sua execução.

E a prática do esporte, mesmo sendo atividade física, não estava relacionado a trabalho ou a qualquer fim instrumental que envolvesse alguma coisa que não fosse a saúde física e o desenvolvimento dos músculos. 

Enfim, o esporte sempre foi visto desde a Grécia Antiga como culto à saúde corporal, que os gregos acabaram por transformar em “Educação Física” e que, hoje, infelizmente, começa a perder importância nas escolas. 

Esporte, para os gregos, não era mero culto ao corpo, mas a busca do equilíbrio nas atividades do cotidiano que envolviam o pensar e o agir. 

Elas valorizavam os cidadãos de tal maneira que Homero, numa das passagens da Odisseia, usou o esporte para distinguir Ulisses não apenas pela sagacidade, mas também pela força e habilidade.

São também criação dos Gregos as Olimpíadas, como sabe qualquer estudante, um evento que se propunha a integrar os Helenos através dos esportes, mesmo em tempos de guerra. 

Era o momento em que as diferenças entre eles davam lugar a disputas que nada tinham a ver com a guerra, a violência e a morte, mas eram manifestação plena de civilidade.

Esporte e modernidade

Quando as Olimpíadas foram trazidas diretamente para a modernidade pelo barão Pierre de Coubertin, o ideal olímpico ("O importante não é vencer, mas competir com dignidade"), que valorizava a participação acima da vitória, se defrontou imediatamente com uma ética avassaladora que transforma e dá a tudo um valor. 

Aristocrata, Cobertin desejava que valores menos utilitários envolvessem e dominassem o esporte. 

Tanto que ele proibiu que atletas profissionais participassem dos Jogos Olímpicos, e assim foi mantido até que o esporte, transformado em profissão, foi, nas décadas finais do século passado, finalmente capturado pelas empresas de material esportivo e pelas TVs.

Não soa estranho para muita gente que cervejarias promovam eventos esportivos, como já promoveram antes os fabricantes de cigarros. 

Ou que as TV moldem, e algumas vezes determinem, as regras de alguns esportes para que se encaixem melhor em suas programações. Ou que atletas recebam salários milionários. 

O sucesso de um esporte está relacionado à capacidade dele de arregimentar expectadores. São eles que promovem o esporte e arregimentam patrocínio. 

E a atenção do consumidor-telespectador que incansavelmente os promotores desses eventos perseguem em transmissões cada vez mais apuradas e cheias de detalhes.

MMA, a violência como espetáculo

Essa digressão teve por objetivo localizar o MMA no debate ético sobre o esporte na atualidade e, por isso e nesse aspecto, não diferenciá-lo de outras modalidades. 

Nesse ponto, o MMA, como esporte profissional, foi tão engolfado pelo mercado quanto qualquer outro esporte. 

O problema está em outro lugar: na violência associada ao esporte, na insanidade que leva atletas, em sua busca incansável pela vitória, pelo reconhecimento e por dinheiro, a chegar ao extremo de quebrar o braço de seu oponente para que ele, finalmente, reconheça sua derrota. 

Ou a que lutadores, resistindo em aceitar a derrota, continuem a lutar, mesmo que um imenso hematoma, que toma conta de quase toda sua testa e quase o impede de enxergar, não canse de mostrar que aquele lutador está incapacitado momentaneamente para a luta.

Mas, mesmo assim, os juízes permitem que o massacre continue. E sabem por quê? Porque o espetáculo tem de continuar. 

Telespectadores sedentos de sangue e dor querem continuar testando os limites daqueles homens ensanguentados, saber até onde eles aguentam. 

Uma das situações mais insanas é quando alguns lutadores, tendo desferido um golpe certeiro e, mesmo tendo nocauteado seu oponente, continuam a golpeá-lo na cabeça para não perder a oportunidade da vitória. 

Os apreciadores chamam isso de “finalização”, e pode continuar até que o juiz perceba que o oponente caído está inconsciente. 

Não. O problema não está apenas nos lutadores. 

Está do outro lado, na assistência presencial e naquela que fica sentada nos sofás das salas e nos bares em frente à TV. 

É ela que permite toda essa brutalidade, pois sem sua anuência esse show de imagens, cuja brutalidade é produzida incansavelmente e a cada luta, não seria possível - os ossos quebrados, os hematomas gigantescos, o sangue em abundância que se produz a cada sessão de lutas. 

A imagem da perna de Anderson Silva quebrando, mostrada em detalhes numa supercâmara lenta, por si só produziu em mim um profundo desconforto, mas para o público do UFC, acostumado a imagens fortes, e talvez já insensível pela repetição, aquilo foi mais uma entre tantas outras. 

Em que momento ele finalmente vai se perguntar se são humanos aqueles que lutam e se destroem mutuamente na sua frente? 

(*) Coluna publicada no Jornal da Paraíba de domingo (05/01/2013)

domingo, 5 de janeiro de 2014

LOA diz muito sobre as prioridades de RC

A manobra que fez o Governo Ricardo Coutinho para retirar recursos da Defensoria Pública da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) pode se transformar num imenso tiro no pé.

No total, foram mais de 15 milhões subtraídos para financiar o trabalho de advogados do Estado cuja função é defender na Justiça os mais pobres.

Diante desse fato, os Defensores Públicos recorreram ao Supremo Tribunal Federal, que julgou inconstitucional essa ação e impôs uma severa derrota ao governo, que esperava um tratamento do STF semelhante ao que Ricardo Coutinho tem da Justiça paraibana.

O governo teve de refazer a LOA e submetê-la novamente à Assembleia, que, por sua vez, decidiu analisa-la não como quer o governo – a toque de caixa, – mas como exigem suas prerrogativas de poder autônomo.

Especialmente, porque não foi o poder legislativo o responsável por essa situação, mas o próprio governo, que pode ficar sem orçamento aprovado por pelo menos 15 dias.

Terrorismo orquestrado dirigido ao servidor

Ontem, o governo estadual colocou em andamento uma campanha para forçar a Assembleia a aprovar a LOA sem a necessária atenção a possíveis mudanças introduzidas, que podem alterar a proposta original já debatida.

Provavelmente, o receio do governo é não prolongar o debate sobre as polêmicas reduções orçamentárias já verificadas na proposta anterior, especialmente porque esse é um ano de eleição.

Com grande alarde, a mídia governista divulgou a informação, oriunda do governo, de que a não aprovação da LOA antes do dia 15 de janeiro pode resultar no não pagamento dos salários do mês de janeiro dos servidores estaduais.

Essa é uma falsa informação, que não se baseia na legislação nem em fatos pregressos, mas apenas nas intenções políticas do governo. Para dar suporte a essa afirmativa, eu dei uma pesquisada básica na internet e encontrei um elucidativo texto publicado pelo reconhecido sitio jurídico Jus Navigandi.

O texto, de autoria de Ronaldo Quintanilha da Silva, afirma que não há restrição que impeça os governos não apenas de pagar servidores, mas também de dar continuidade ao pagamento de despesas de serviços públicos considerados essenciais ao bom funcionamento do serviço público.

O que a Constituição veda de maneira explícita é o início de programas ou projetos que não foram incluídos na Lei Orçamentária Anual, ou seja, projetos que não estão ainda em andamento.

Tanto que a Lei Orçamentária Anual do Governo Federal de 2013 só foi aprovada em abril do ano passado, e nem por isso qualquer servidor federal deixou de receber um centavo sequer. Nem qualquer obra ou serviço público foram interrompidos.

Governo, Orçamento e prioridades

Uma frase bastante usual que pode definir bem os defeitos e qualidades de qualquer administração pública é: “Governar é eleger prioridades”.

Quando submetemos qualquer governo ao escrutínio de suas prioridades vemos emergir sua face mais verdadeira, para além daquela que aparece na propaganda e nas obras de concreto. Na LOA de 2014, o governador optou não apenas por reduzir os recursos da Defensoria.

Antes de mais esse imbróglio com a Assembleia, o Deputado Estadual Carlos Batinga (PSL) já havia denunciado que, além da redução dos recursos da Defensoria, também diminuíram aqueles destinados ao financiamento da Segurança Pública (18,5%), da Habitação (35,7%), Saneamento Básico (14,5%), Cultura (38%) e Gestão Ambiental (16%). Enquanto isso, os já altos gastos com Comunicação engordarão em 58% no ano eleitoral de 2014!

Esses são inconvenientes políticos, além dos administrativos, que o governo quer evitar serem expostos na retomada do debate público sobre suas prioridades orçamentárias.

E a Assembleia não pode se dobrar nem à vontade do governo nem às pressões da imprensa governista, e se eximir de cumprir suas obrigações constitucionais. Trata-se de sua afirmação como poder autônomo.

Eleições, ah, as eleições...!

O que a proximidade de uma eleição não faz... O ex-zagueiro do time do Botafogo, Mario Larramendi, divulgou a intenção de leiloar a medalha de campeão que recebeu pela conquista da Série D do Campeonato Brasileiro de 2013.

Isso para financiar uma cirurgia que ele será obrigado a fazer para extrair um nódulo no fêmur. A cirurgia custaria R$ 30 mil reais. Mário foi autor de dois gols decisivos na campanha do Botafogo – um, no finalzinho do jogo contra o Central de Caruaru, que salvou o Belo de uma prematura desclassificação, e outro na final contra o Juventude.

Tenho plena certeza que a torcida do Botafogo ajudaria o jogador de bom grado, como já se mobilizava para fazer.

Mas, não foi preciso. Ontem, o duro coração do Governador Ricardo Coutinho foi tocado por uma súbita e rara emoção que o fez “autorizar” que a cirurgia fosse realizada no Hospital de Trauma de João Pessoa.

Eu não sabia que ele podia fazer isso, já que se trata de um Hospital Público, mesmo que terceirizado. Mas, a notícia é muito boa para Mário e sua família.

Espera-se que, depois dela, os paraibanos menos famosos do que o ex-zagueiro botafoguense tenha o mesmo direito, já que cirurgias como a que foi anunciada se tornaram inexequíveis no Trauma quando não tem a urgência que a sua direção cobra dos pacientes que por lá aportam.

Segundo o pessoal do “Trauminha”, este administrado pela Prefeitura de João Pessoa, o “Tramão” só recebe pacientes vitimados com fraturas graves que precisam de intervenção imediata.


De qualquer maneira, com essa notícia muitos paraibanos tiram uma dúvida que já os atormentava: o governador parece que tem mesmo um coração.

Ricardo Coutinho e os perigos da “Cozetização”

Um neologismo foi criado em 2009 para definir o futuro do então Prefeito de João Pessoa, Ricardo Coutinho, em caso de uma aliança com Cássio Cunha Lima: “cozetização”. O termo era uma referência pouco sutil àqueles que, em ascensão política, preferiram romper com seus aliados tradicionais para se aninhar nos braços de antigos adversários.

Cozete, ascensão e queda

Cozete Barbosa foi uma das mais destacadas líderes
da oposição campinense. Foi.
Esse foi o caso da ex-prefeita de Campina Grande, Cozete Barbosa. Já na primeira eleição de que participou como candidata a Vereadora, em 1992, Cozete foi a terceira mais bem votada da cidade. 

Entretanto, Barbosa só conseguiria vaga no parlamento municipal na eleição seguinte, em 1996, quando o PT finalmente conseguiu atingir o quociente eleitoral para ser representado na Câmara de Vereadores campinense. 

Naquela eleição, a então petista foi a vice-campeã de votos, só perdendo para o atual Vice-Governador da Paraíba, Rômulo Gouveia, e por uma diferença de 158 votos ou 0,9%.

Com o prestígio em alta, na eleição seguinte, a de 1998, Cozete Barbosa foi lançada pelo PT ao Senado, quando obteve 19,75% dos votos, ficando na terceira posição, atrás de Ney Suassuna e Tarcísio Burity. 

Entretanto, o resultado mais importante foi o obtido em Campina Grande, quando a candidata petista a mais votada com 42,54% dos votos dos campinenses! 

Cozete começava a incomodar a hegemonia do cassismo na cidade.
A ascensão de Cozete Barbosa foi interrompida aí. 

Na eleição seguinte, Cássio Cunha Lima, rompido desde 1998 com José Maranhão no PMDB, inicia uma aproximação com o PT, num namoro que prometia casamento quando chegasse a hora de Cássio abandonar o barco peemedebista. 

Os petistas acreditaram nas promessas, entre elas, a de apoio a Lula em 2002 e, especial, na mais palpável de todas: assumir os destinos de Campina Grande quando Cássio, reeleito, renunciasse ao mandato para se candidatar ao Governo da Paraíba na eleição seguinte. 

Foi assim que Cozete Barbosa, cuja trajetória até então fora marcada pela oposição aos Cunha Lima em Campina Grande, deixou de lado as promessas do futuro, preferiu o atalho que lhe foi oferecido para conquistar a Prefeitura campinense e aceitou ser vice na chapa do candidato à reeleição de Cássio Cunha Lima.

O final dessa história todo mundo conhece. Cássio preferiu as largas asas dos tucanos em 2002, deixando o PT a ver navios, e Cozete Barbosa se viu numa saia-justa. 

Já no primeiro teste de fogo como prefeita petista, ela decidiu votar para governador no tucano contra a orientação partidária, esperando (em vão) pela retribuição cassista à sua reeleição. 

Cássio optou por Rômulo Gouveia e Cozete Barbosa amargou um terceiro lugar na disputa para Prefeitura de Campina Grande. 

Cozete dançou com Cássio...
Antes, num último e fatal ato de desforra, a petista resolveu apoiar Veneziano Vital no segundo turno da eleição campinense, e acabou decidindo a eleição (a diferença final não chegou aos 800 votos) em favor do candidato do PMDB, que herdou – vejam só! – a liderança da oposição que fora um dia de Cozete Barbosa. 

Hoje, a ex-prefeita campinense vive no completo isolamento e ostracismo político.

Modo RC de governar em questão

Ricardo Coutinho corre o mesmo risco? Tudo dependerá do resultado da disputa que se aproxima. 

2014 será uma eleição que, entre outras coisas, decidirá se o atual Governador da Paraíba, Ricardo Coutinho, terá renovada a chance de continuar governando a Paraíba, ou se perecerá numa derrota que pode leva-lo a abreviar sua fulgurante carreira política. 

Em caso de vitória, o modo ricardista de governar receberá mais do que o aval, a legitimidade do povo, dando mais uma vez razão ao senhor já cinquentão que habita hoje a Granja Santana. 

O modo RC de governar – e tudo que isso implica para aliados e adversários – será, então, aprofundado.

Em caso de derrota, o futuro não se mostrará tão cheio de promessas para RC como acredita ele, mesmo que sem a dureza quase espartana dos primeiro anos quando ingressou na política. 

Para acabar nos braços de Veneziano.
Especialmente, depois dos últimos doze em que governou João Pessoa e a Paraíba. E, como a reafirmar a conhecida frase de Karl Marx segundo a qual a história só se repete duas vezes, “a primeira vez como tragédia, a segunda como farsa”, Ricardo Coutinho tem grandes chances de seguir o destino de Cozete Barbosa, também como ele, ex-petista.

A solidão de RC no poder

Em caso de derrota, quais dos atuais auxiliares mais próximos de RC continuarão a segui-lo quando a solidão, agora da falta de poder, se apresentar com toda a sua força? 
Do antigo “Coletivo”, dos dedicados militantes da causa pessoal de RC dos primeiros e difíceis anos, poucos ou quase nenhum restaram para lembrar que o governador é, hoje, resultado da soma de todos aqueles esforços. 

Derval Golzio, Luciano Agra, Roseana Meira, Alexandre Urquiza, Nonato Bandeira, entre outros, foram sendo tratados com adversários até não restar-lhes outra alternativa a não ser o rompimento. 

Foi assim que, no auge do seu poder, RC perdeu não apenas as antigas companhias. Muito por conta delas – e isso certamente importou mais para RC – Coutinho perdeu João Pessoa para o PT, num eloquente recado dado pelo povo sobre o comportamento de Coutinho no governo.

A beligerância foi a marca principal da gestão política da administração Ricardo Coutinho. 

E os aliados que o governador mantem, hoje, são, em grande parte, aliados do governo. 
Eles se manterão assim até quando a expectativa de poder for maior do que o desconforto do governismo. 

Desapareceu a militância das paixões que só a esperança desperta. Estas deram lugar à frieza de um governador que se acredita portador de um projeto de poder que é só dele. 

Ninguém é bom o bastante para reivindicar compartilhá-lo.


Por isso, soa estranho RC falar hoje em lealdade e cobrá-la, por exemplo, de Cássio Cunha Lima, que nunca se sentiu representado nas ações de governo e criticou muitas delas. 

E, paradoxalmente, RC continua a depender de Cássio. Sem o apoio deste, sobrarão mais dúvidas do que certezas a respeito do destino do atual governador, que deve ter arrepios ao pensar no rompimento com o senador tucano. 

E no estrago que ele provocará. É nessas horas que o fantasma de Cozete Barbosa deve aparecer para assombrá-lo.