terça-feira, 14 de janeiro de 2014

UFPB em mudança*

*Coluna publicada no Jornal da Paraíba de 14/01/2014

A professora Margareth Diniz está há um ano e dois meses à frente dos destinos da maior universidade paraibana, a UFPB. 

Também farmacêutica, assim como são o governador Ricardo Coutinho e o prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo, Margareth acabou com a hegemonia de 20 anos de um mesmo grupo de professores da UFPB e sucedeu o hoje Secretário de Planejamento da PMJP, Rômulo Polari. 

Ontem, a Reitora da UFPB entregou-me em mãos um resumo das ações do primeiro ano do seu reitorado que compartilho com os leitores do Jornal da Paraíba.

Posse sem transição

Só para lembrar, Margareth Diniz assumiu a Reitoria da UFPB sem nem um dia sequer de transição administrativa. 

Nomeada numa quinta (7 de novembro), Diniz tomou posse numa noite de sexta e assumiu o cargo na segunda-feira seguinte. 

Isso porque os opoentes da atual reitora na eleição se recusaram a reconhecer sua vitória, que só não aconteceu no primeiro turno por “milimétricos” 0,34%, e depois de duas urnas que lhe dariam a vitória terem sido anuladas. 

Diniz só tomou posse depois de uma longa disputa judicial, na qual venceu em todas as instâncias.

Apoio às investigações da PF e da CGU

Poucos dias depois de assumir o cargo, toda a UFPB ficou estarrecida ao tomar conhecimento de um desvio de cerca de R$ 2,4 milhões da Fundação José Américo de recursos destinados à compra de alimentos para o Restaurante Universitário da instituição. 

Resultado desses desvios, o TCU bloqueou o restante dos recursos que a FJA tinha disponíveis no Governo Federal. 

Por sorte, como eles ainda não tinham sido repassados, a reitora conseguiu, depois de audiência com o Ministro José Jorge, do TCU, a liberação de 10 milhões de reais. 

Sem a intenção de perder o precioso tempo de sua gestão com problemas geradas na gestão anterior, a Reitora da UFPB resolveu deixar a cargo da Controladoria Geral da União (CGU) e da Polícia Federal a investigação das possíveis irregularidades, dando amplo apoio a elas. 

No que lhe cabia, Margareth Diniz criou Comissões de Tomadas de Contas Especiais para apurar responsabilidades em processos licitatórios, tendo em vista a investigação de possíveis danos causados à universidade e, em caso de comprovação, o seu ressarcimento. 

No âmbito dessas ações, a reitora promoveu mudanças na Comissão de Controle de Interno da UFPB e na Procuradoria Jurídica da instituição. 

Além disso, deu seguimento a 57 inquéritos administrativos que estão hoje em pleno andamento.

Hospital Universitário

Quanto aos problemas verificados no Hospital Universitário Lauro Wanderley, Diniz lembra que as investigações começaram em 2010, quando ela não era Reitora, e que o HU é um órgão suplementar da Reitoria, portanto, ligado diretamente ao Gabinete do Reitor. 

Depois que assumiu o cargo, todo apoio foi dado à PF e à CGU e, mesmo antes de encerrar o mandato da Superintendência do HU envolvida nas investigações, a Reitora nomeou novos dirigentes para o hospital, isso depois que a UFPB aderiu à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares, uma estatal criada pelo Governo Federal a quem os HUs estarão vinculados através de contratos de gestão.

Ainda no caso do HU, Margareth Diniz ressalta que, por quase três anos, um aparelho de ressonância magnética, um tomógrafo, dois aparelhos de raios X e dois mamógrafos, todos de última geração, permaneceram encaixotados pelos corredores do Hospital sem serventia alguma aos seus usuários, num verdadeiro desprezo pelo dinheiro público e pela saúde da população mais pobres. 

Ao assumir o cargo, a Reitora tomou providências para coloca-los em funcionamento. Como nem os projetos da reforma dos espaços do HU haviam sido feitos, a atual administração da UFPB investiu mais de um milhão de reais para viabilizar a instalação desses aparelhos, que em breve estarão em servido à população.

Avanços já em 2013

Mesmo em meio às dificuldades desse primeiro ano de gestão, Margareth Diniz revela dados que permitem comemorar importantes avanços. 

Por exemplo: na Avaliação Institucional, que leva em conta os dados referentes à graduação, a UFPB subiu de uma nota 3 para um 4 (a nota máxima é 5). 

No ranking acadêmico elaborado anualmente pela Folha de São Paulo e que leva em conta os números da graduação, pós-graduação, extensão, inovação tecnológica e inserção no mercado, a UFPB ficou no 4º lugar entre as congêneres nordestinas, e na 24ª posição no Brasil. 

Na captação de recursos para infraestrutura de pesquisa, a UFPB ficou em 1º lugar no Nordeste e em 5º no Brasil. 

Vinte e quatro cursos de Pós-Graduação da UFPB subiram de conceito nas avaliações da CAPES e dez novos cursos Stricto-Sensu foram criados em 2013. 

Em projetos de extensão, a UFPB ficou em 1º lugar no Brasil na captação de recursos.

Margareth Diniz destaca algumas ações. A UFPB adquiriu mais cem mil e-books e investiu mais de um milhão de Reais na compra de livros impressos. 

Em 2013, a universidade contratou de 11 Músicos e um maestro para viabilizar o funcionamento da Orquestra Sinfônica da UFPB e mais de 30 eventos foram realizados na Sala de Concertos Radegundis Feitosa. 

A Reitora comemora mudanças importantes na gestão da UFPB. 

“No ano passado, fizemos novas licitações para empresas de limpeza e de vigilância, e vamos implantar em breve um sistema de monitoramento eletrônico que vai ajudar muito ao trabalho da segurança interna da UFPB. Inauguramos as instalações do CTDR e promovemos grandes melhorias no campus do Litoral Norte. Com o Programa Universidade Participativa, duplicamos o orçamento dos 16 Centros da UFPB”.

Uma mudança, em especial, a Reitora destaca que sintetiza as mudanças que a UFPB vive hoje: 

“Executamos 95% do orçamento de 2013! Isso é um recorde para a instituição. Algo que me entristecia muito era ver o grande volume de recursos que eram devolvidos ao Tesouro porque a administração não os executava. Nossa meta é chegar aos 100%. E vamos trabalhar para isso em 2014.”

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

O espaço de Eduardo Campos

Eduardo Campos troca o apoio de Lula e Dilma...
Todo candidato precisa além de discurso, precisa de aliados. Quando o Governador de Pernambuco, Eduardo Campos, tomou a decisão de romper com Lula e lançar sua candidatura à Presidência da República, ele já sabia que o espaço que lhe restaria não seria o que hoje é ocupado pelo PT. 

Ou seja, Campos sempre soube que não teria condições de disputar a base política e social que dá suporte à hegemonia petista no governo federal. E um exemplo disso foi o não que Campos recebeu do PCdoB, o mais fiel e tradicional aliado que o socialista tem em Pernambuco. 

Se nem o PCdoB apoia Eduardo Campos, que quem ele pode contar como aliado?

Daí sua movimentação à direita que faz hoje o governador de Pernambuco. 

Não foi por acaso que o PPS, dominado pelo serrista Roberto Freire, que atua em Pernambuco, mas é deputado federal por São Paulo, foi parar no colo de Campos. 

Freire, que nutre um ódio quase visceral ao PT, esperou o quanto pode pela filiação de José Serra ao PPS para lança-lo novamente ao Planalto. Como Serra permaneceu no PSDB, restou a Freire duas opções: voltar para os braços dos tucanos ou experimentar o aconchego nordestino de seu conterrâneo.

... pelo da direita, que ele sempre combateu.
Aproximação com o PSDB

O PPS é um exemplo do que restou de espaço para Eduardo Campos disputar. E a incursões do pernambucano são ainda mais à direita. 

Ele já foi recebido, por exemplo, pelo catarinense Jorge Bornhausen, um expoente do conservadorismo brasileiro, o por Ronaldo Caiado, ruralista e fundador da UDR (União Democrática Ruralista), que surgiu para impedir a reforma agrária na última Constituinte. 

Nesse deslocamento à direita, Campos busca uma aproximação também com o PSDB, no que tem tido absoluta reciprocidade, já que ambos os partidos tem como estratégia ter o apoio um do outro no segundo turno, já que é mais do que improvável que os dois tenham mais votos que Dilma Rousseff no primeiro. 

Estratégia que conta com a discordância de Marina Silva, que sempre buscou se constituir como uma alternativa tanto ao PT quanto ao PSDB. 

Mas, a ex-petista não leva em conta, ou leva e faz-se de desentendida, que o buraco é mais embaixo. Campos deseja ser uma alternativa ao PSDB no meio conservador no qual os tucanos sempre passearam livres, leves e soltos.

É a agenda do PSDB, ou seja, são as ideias tucanas que Eduardo Campos deseja subscrever. 

Por exemplo. Campos tem advogado a necessidade de o governo realizar “um duro ajuste fiscal”, palavras que devem soar como música nos ouvidos de banqueiros e do mercado. 

Duro ajuste fiscal significa aperto principalmente nos gastos públicos, que são a mola propulsora do crescimento brasileiro nesses anos de crise internacional. 

A isso Campos tem chamado de “choque de responsabilidade”, mas tem gente que chama mesmo é de compromisso com os mais ricos. 

Campos também é contra o reajuste automático do salário mínimo, que é baseado na soma da inflação mais o crescimento do PIB dos dois anos anteriores, e que tem permitido ganhos reais e pode de compra aos assalariados.

Enfim, Eduardo Campos não rompeu com Lula e o PT. Ele mudou definitivamente de lado.

PT vai para cima de Campos

Quem não leu a nota que o PT nacional publicou em seu perfil no Facebook é bom dar uma olhada. 

A começar pelo título (“A balada de Eduardo Campos”), que é uma menção quase direta, tanto ao estilo de vida do Governador de Pernambuco quanto ao aventureirismo de um político que coloca em primeiro lugar seus interesses pessoais à frente dos do país. 

Mais ou menos na linha de Ciro Gomes que, depois de anunciada a candidatura de Eduardo Campos, tratou-o como "um zero completo, um oportunista puro e simples”.

A palavra mais branda com que Campos foi tratado pelo PT foi “tolo”, por ter ele se deixado estimular “pelos cães de guarda da mídia” até o ponto de “vender a alma à oposição”. 

Para o PT, o socialista não tem “projeto”, não tem “conteúdo” e perdeu também a “compostura política”, traços que faria o avô, Miguel Arraes, morrer de desgosto caso ele não tivesse morrido antes.

Campos renegou o apoio que teve de Lula

A nota é enfática ao lembrar o grande apoio dado por Lula ao atual Governador de Pernambuco, fato inquestionavelmente decisivo para o sucesso de sua administração. 

O PT faz questão de lembrar as obras estratégicas que tanto Lula quanto Dilma Rousseff dirigiram para Pernambuco, entre elas: a Refinaria Abreu e Lima, as obras da transposição do Rio São Francisco, a Transnordestina, o Estaleiro Atlântico Sul, afora  as sete escolas técnicas federais, os cinco campi da Universidade Federal Rural espalhados pelo interior. 

Além dessas obras, o PT lembra que os recursos provenientes Pronasci (Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania), que, segundo a nota, contribuíram “para a diminuição da criminalidade no estado, por muito tempo um dos mais violentos do país” e mais os 30 bilhões de reais do Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC, investidos em Pernambuco.


O texto se encerra com uma lacônica sentença a respeito do caráter fugaz de Eduardo Campos: “Quem achava que conhecia o governador do PSB, ao que tudo indica, ainda vai ter muito o que lamentar.” 

Enfim, a nota do PT é apenas uma amostra de como Eduardo Campos será tratado durante a campanha presidencial que se avizinha. 

E a linha é mostra-lo como um traidor, cuja inspiração pode ter sido o mestre da literatura ocidental, Miguel de Cervantes, segundo quem “ainda que a traição agrade, o traidor é sempre odiado.”

Luciano Cartaxo e 2014

Lula voltará à Paraíba em 2014 para pedir votos para o PT
Ontem, abordamos aqui a conversa que tivemos com o Prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo. Como a pauta das questões administrativas se prolongou muito e tomou todo o espaço da coluna, deixei para hoje as questões políticas. Vamos a elas.

Nadja Palitot e o “blocão”

Para Cartaxo, a questão que dominará os debates das eleições de 2014 será novamente a da renovação política e nesse ponto a candidata lançada pelo PT ao governo, Nadja Palitot, sai em vantagem em relação aos candidatos lançados. 

Para o prefeito, o debate não será apenas entre os candidatos, mas entre as ideias, os projetos de governo e, principalmente, das novas formas de fazer política. 

“O povo rejeitou o tradicionalismo, mas rejeita também a centralização e a falta de diálogo que prevalece hoje no governo estadual. Se o ‘novo’ prometido é isso aí...”

O principal desafio para ele será conservar e ampliar a política de alianças, o que significa manter unido o “blocão” (PT, PP e PSC) e ampliá-lo com a incorporação de novos partidos, como o PEN e o PTB. 

Questionado sobre se isso acontecerá antes da definição a respeito da candidatura do Senador Cássio Cunha Lima, Luciano considerou que acha improvável, porque cada partido vai esperar o quanto puder para decidir no melhor momento. “Mas, vamos manter o diálogo.”

Quanto ao lançamento da candidatura de Leonardo Gadelha ao governo, o Prefeito de João Pessoa não vê problemas. Para ele, é melhor ter duas candidaturas do que não ter nenhuma. 

“Antes, o ‘blocão’ era criticado por alguns porque não tinha nenhum candidato. Hoje, criticam porque tem dois. Vá entender”. 

Para ele, foi importante o PT tomar a iniciativa diante do vácuo que representava esse forte agrupamento de partidos, com grandes lideranças estaduais e o maior tempo de televisão, não ter ainda um candidato. 

Para Cartaxo, essa é a nova cara que o PT adquiriu, é o “protagonismo” em ação.

Cássio, Veneziano e Lula no palanque do PT
Sobre a possibilidade de uma aliança com dois dos possíveis candidatos, Cássio Cunha Lima e Veneziano Vital, Cartaxo não deixou dúvidas a respeito da posição do PT. 

Sobre Cássio, há restrições de várias ordens à candidatura do senador tucano. A principal delas está relacionada à eleição presidencial, já que PT e PSDB terão candidatos próprios à presidência, e isso é um imenso dificultador. 

Sem falar no antagonismo histórico entre as duas legendas. Cartaxo lembrou que não basta a vontade das lideranças petistas para definir com quem o PT deve ou não se aliar. 

E, além de existir uma orientação nacional contrária a alianças com o PSDB nos estados, não existe nem disposição das lideranças nem muito menos da militância para uma aliança com os tucanos na Paraíba.

Quanto a Veneziano Vital, Cartaxo adverte que qualquer conversa tem que passar pela executiva estadual do partido na Paraíba, não adiantando, qualquer articulação “por cima” do PMDB. 

“Se Veneziano quer dialogar com o PT tem que procurá-lo aqui na Paraíba.” 

Cartaxo deixou nítido que as feridas abertas durante as eleições de 2012, em Campina Grande, ainda não foram totalmente saradas. 

“Aquela experiência foi péssima para todo o mundo e o melhor para o PMDB é não tentar repeti-la em 2014. O PT decidirá a partir dos seus objetivos eleitorais, e não dos objetivos dos outros”.

Cartaxo revelou ainda que Lula virá à Paraíba fazer campanha e subirá exclusivamente no palanque do PT. “Lula não será candidato e, portanto, estará livre para fortalecer o PT nas próximas eleições. 

Dilma, não. A presidenta será candidata de uma coligação e por isso deve ir a todos os palanques que a apoiarem aqui na Paraíba.”

Sobre a relação com Luciano Agra

Questionado a respeito de como anda a relação política com o ex-prefeito de João Pessoa, Luciano Agra, Cartaxo foi enfático em dizer que não existe nenhum tipo de estremecimento. 

“Há diálogo com Agra e ele tem participado da avaliação da administração. Agora, o dia-a-dia do governo é uma atribuição minha, é minha responsabilidade. Os erros cometidos serão cobrados a mim”. 

Cartaxo enfatizou que toda administração tem uma dinâmica própria e todos os secretários são avaliados permanentemente. “E se eu avaliar que é preciso mudar, seja quem for, eu farei isso, ainda que não sejam decisões fáceis”. 

Ele citou como exemplo mudança na Secretaria de Comunicação. “Foi muito difícil para mim. Marcos Alves é uma pessoa que eu prezo muito. Felizmente, isso foi feito sem muitos traumas”.

Ainda a respeito de Agra, Cartaxo fez questão de lembrar que, se dependesse dele, o ex-prefeito estaria filiado ao PT. 

“A Direção Nacional fez o convite e nós aqui na Paraíba insistimos muito para que ele se filiasse. Agra consultou seu grupo e resolveu entrar no PEN.” 

Questionado sobre as motivações, o prefeito considera que o fator que mais pesou tenha sido a possibilidade de uma composição de Agra com Cássio, o que seria inviável em caso de filiação ao PT. 

“Mesmo assim, a nossa disposição é manter a aliança.”

Sobre Raoni Mendes


Luciano Cartaxo considera que o motivo alegado pelo Vereador do PDT, Raoni Mendes, para o rompimento com a base aliada do Prefeito na Câmara é pequeno demais para justificar uma atitude de rompimento. 

“Veja, eu passei 12 anos na Câmara de Vereadores. Durante esse período eu tive projetos vetados ou proposituras de minha autoria alteradas. Isso faz parte do dia-a-dia do legislativo.” 

Cartaxo lembra que partiu da Procuradoria do Município a mudança na lei, já que era inconstitucional. Questionado sobre quais as reais motivações de Raoni Mendes, Cartaxo respondeu que só o tempo dirá. 

“Não sei se ele vai se incorporar à base ricardista na Câmara. Se isso acontecer, ele estará negando tudo o que ele disse durante a campanha de 2012.” 

Luciano Cartaxo: “Estamos no caminho certo”


Ontem, depois da assinatura da ordem de serviço para o início da construção de mais um Unidade de Pronto Atendimento (UPA), agora no bairro de Cruz das Armas, o Prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo, me recebeu para um bate-papo, nos moldes do que eu tive com Nonato Bandeira, o vice. “Acabei de chegar de Cruz das Armas. 

Essa é a segunda UPA que iniciamos a construção. A do Valentina pretendemos inaugurar em março e, até o fim do ano, devemos começar a do Geisel. E já conseguimos mais uma, que deve atender ao bairro dos Bancários”, disse um entusiasmado Prefeito ao me receber na porta do seu gabinete. 

Para não quebrar o entusiasmo do Prefeito, decidi não iniciar a conversa pelas questões políticas e mantivemos a conversa na área administrativa.  

As primeiras realizações

Além da construção das UPAS, Cartaxo fez questão de dar destaque às obras que estão em andamento, algumas, segundo ele, de largo alcance social. “Nós temos hoje 12 creches em construção. Municipalizamos todas as creches do estado que funcionavam dentro do município de João Pessoa.” 

O prefeito pessoense mencionou outra ação que ele considera de grande relevância: o passe-livre para os estudantes da Rede Municipal, uma reivindicação histórica do movimento estudantil. “Enquanto no resto do país os estudantes iam às ruas reivindicar o passe-livre, em João Pessoa isso já não era mais necessário.”

Comparações

Na área da mobilidade urbana, Cartaxo considera que o primeiro ano de sua gestão fez mais realizações do que nos oito anos em que Ricardo Coutinho governou a cidade e o estado. Nesse tempo, muita coisa poderia ter sido feita. 

“Veja o caso do Viaduto do Cristo. Ricardo nada fez para melhorar o transito daquele lugar, que estava virando um caos. Em menos de um ano, viabilizamos uma solução que acabou com aquele gargalo. Além disso, pavimentamos a orla, estamos duplicando a avenida que corta o bairro do Altiplano e investimos pesado em iluminação. A cidade já nota a diferença.”

Para Luciano Cartaxo, Ricardo Coutinho não governa olhando para o longo prazo, faltando as suas administrações uma visão estratégica. 

“Muita coisa deixou de ser feita sob o argumento de que a realização de obras impediam. Eu cito um exemplo: o FENART, que há três anos não acontece na Paraíba. Foi a economia com a não realização desse importante festival que o governo financiou a reforma do Espaço Cultural.” 

Uma outra característica que Cartaxo identifica no modo ricardista de governar é o esforço que ele faz de desvalorizar o passado, especialmente o que os governos anteriores fizeram. 

“E é bom não esquecer que as principais obras do governo atual se iniciaram em governos passados: pavimentação de estradas e Centro de Convenções são exemplos disso”. 

Um caso emblemático dessa postura foi o do Rodoshopping, de Caldas Brandão. 

“Sob o argumento de que estava oferecendo treinamento aos lojistas, o governador levou três anos para entregou a obra. Resultado, no dia que foi fazer isso, o pavimento cedeu, provavelmente por falta de uso.” 

Para o prefeito, o maior absurdo e uma amostra da falta de planejamento, é o que está acontecendo com o Campeonato Paraibano, que ficou ameaçado de não acontecer por conta da situação precária dos estádios de futebol administrados pelo governo do estado.

Inovação administrativa e diálogo

O desafio a atual administração pessoense, segundo o Prefeito, é manter o ritmo, dar continuidade às obras e primar pela inovação com o objetivo de imprimir uma marca própria. 

“Assim como aconteceu no plano federal, temos a clara consciência de que o PT não pode errar em João Pessoa. E eu avalio que estamos no caminho certo”, disse Cartaxo quando se referiu às expectativas sobre sua administração. 

Para o prefeito, a gestão tem muito de continuidade, mas é preciso inovar, introduzir novas práticas políticas e administrativas e novos projetos. 

“E isso só pode acontecer se nós soubermos onde queremos chegar. E nós sabemos.” 

Mas, para atingir esses objetivos, Cartaxo aposta no diálogo e na negociação. 

“Nós não somos os donos da verdade e nem temos a ilusão de que estamos imunes à crítica. Precisamos de parceiros, dentro e fora da administração. Quem quiser contribuir para aperfeiçoar a gestão terá sempre um canal aberto na Prefeitura.”

Trabalhar os valores da cidade

Luciano Cartaxo acredita que também é papel da administração municipal trabalhar para melhorar a autoestima dos cidadãos pessoenses. E para tanto é essencial potencializar o valores que compõe as nossas tradições como povo e como cidade. 

“Todos os eventos que promovemos tem esse objetivo. Tudo está articulado numa estratégia que envolve a divulgação da cultura, do nosso patrimônio histórico, artístico e cultural, onde também se insere a política de turismo. Um exemplo disso foi a criação da nossa Orquestra Sinfônica do Município e a realização do Festival Internacional de Música Clássica. Este último aconteceu no interior das igrejas que compõem o nosso patrimônio histórico”. 

Outra ação que o prefeito considera importante foi o apoio dado aos clubes de João Pessoa, em especial, ao Botafogo, pelo desempenho que teve no ano passado. No ano passado, o Botafogo completou 10 anos sem vencer um campeonato paraibano. 

Quando eu disse que era exatamente o período em que Ricardo Coutinho permaneceu na Prefeitura de João Pessoa, Cartaxo fez um ar de riso concordando.


O espaço acabou e não foi possível tratar de política. Amanhã eu volto à conversa com Luciano Cartaxo e sobre suas opiniões sobre 2014, blocão, Nadja Palitot, a relação com Luciano Agra e o rompimento com o vereador Raoni Mendes.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Administração da gestão e administração da política: Ricardo Coutinho e Luciano Cartaxo


Existem dois tipos de administração do poder público numa democracia: a primeira é a administração da gestão propriamente dita, que organiza e dá ritmo ao trabalho do governo; a segunda, é a administração da política, que dá suporte e estabilidade para que a primeira possa fluir com mais apoio e sem as pressões que geram instabilidade.
 Esse parece ser o desafio dos dois principais governantes da Paraíba, o Governador Ricardo Coutinho e o Prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo.
RC, a política do conflito e do confronto
No governo Ricardo Coutinho parece haver um descompasso entre esses dois setores do governo, o que tem produzido constrangimentos políticos desnecessários e obscurecido algumas ações do governo, na medida em que os conflitos sempre aparecem em primeiro plano. 
Vejam o caso da saúde. Ontem, escutei uma declaração do Secretário de Saúde do Estado, Waldson de Sousa, desqualificando o trabalho de fiscalização do Conselho Regional de Medicina (CRM), no caso em tela, na cidade de Patos. 
Ao apontar problemas reais do Hospital Regional de Patos, como o número excessivo de mortes em dos setores daquela unidade hospitalar, o Secretário reagiu afirmando que a motivação do CRM é “política”. 
Afirmações como essas em nada ajudam ao governo, especialmente a busca de soluções para os problemas apontados. Apenas põem mais lenha na fogueira, prologando desnecessariamente um debate em que só traz perdas para o governo. 
Não custaria nada para o Secretário receber as notificações do CRM, declarar que vai averiguar e tomar as providências cabíveis.
Fatos como esses, associado a dezenas de outros da mesma espécie, acontecidos em outros setores do governo, muitos envolvendo o próprio governador, ajudaram a estabelecer e a consolidar como uma das marcas do governo a falta de diálogo e a dificuldade de lidar com a crítica. 
O imbróglio envolvendo a aprovação da LOA é apenas mais um capítulo desse cansativo histórico de conflitos, que tem o Governador como um dos protagonistas principais. Parece que RC não consegue governar sem isso.
Os problemas de Cartaxo
No caso da Prefeitura de João Pessoa, o problema parece ser de outra natureza. Diferentemente de RC, Luciano Cartaxo tem um estilo mais apaziguador e negociador, o que se reflete na ação dos seus secretários. 
Vejam, por exemplo, o caso da Secretaria de Desenvolvimento Urbano, a Sedurb. Antes, a atuação da Sedurb era marcada por violentos confrontos entre Guarda Municipal e camelôs no centro da cidade. Hoje, não há mais registro deles, e isso se deve, inquestionavelmente, à ação do Secretário Assis Freire.
Para uma comparação mais direta, vejamos o caso de Adalberto Fulgêncio, Secretário de Saúde. Eu já escutei várias entrevistas de Fulgêncio a rádios de João Pessoa. Durante todas elas foi comum, como não poderia deixar de ser, a ocorrência de críticas e de reclamações feitas pelos próprios usuários. 
Ao invés de desqualificar a crítica e o crítico, Adalberto preferiu sempre assumir o compromisso de investigar o fato e, se fosse o caso, solucionar o problema. Não é incomum escutá-lo assumir determinadas deficiências. 
Isso em nada desmerece o seu trabalho. Muito pelo contrário, apenas reforça a imagem de um gestor que vê críticas com possibilidades de desenvolver seu trabalho, especialmente num setor ainda com deficiências como é a saúde pública.
Aliados e aliados
Como eu disse, o problema de Cartaxo é outro e o recente rompimento do Vereador do PDT, Raoni Mendes, expõe uma dificuldade que pode trazer instabilidade política e dificuldades futuras, especialmente se o Prefeito pretende se reeleger, como é mais do que natural. 
Raoni foi o Vereador mais votado na última eleição municipal. Como não é muito comum ver um parlamentar, seja de qual esfera for, romper com o governo, especialmente com um que ele ajudou a eleger, fica a dúvida se a situação foi bem administrada o suficiente para que esse desfecho fosse evitado. Dos dois lados.

O caso de Raoni Mendes tem outros traços que podem torna-lo ainda mais dramático. É que ele pertence ao grupo do ex-prefeito Luciano Agra, que, como todos sabem, teve um papel fundamental na eleição do outro Luciano, o Cartaxo. 
Recentemente, o petista demitiu dois secretários também ligados ao ex-prefeito. É difícil saber o que se passa nos meandros do poder, mas a dimensão pública dos atos nos permite o vislumbre aproximado da situação real, e uma interpretação dela. 
No caso, é impossível não inferir que os dois Lucianos não mantêm a mesma cordialidade e cumplicidade que os tornaram vitoriosos em 2012. 
O que não pode ser, nem de longe, uma situação a ser comemorada pelos petistas, já que, se é isso mesmo, Luciano Agra caminha também para o rompimento. E aliados, especialmente os estratégicos, não devem ser desprezados, especialmente quando se tem claro qual é o principal adversário. 
E, antes de mais nada e principalmente, não se deve dar ouvidos a aliados de ocasião, que desejam ocupar os espaços que sobrarem de um possível ruptura, como é o caso do vereador Fernando Milanez, do PMDB, que continua a fazer ataques a Luciano Agra, no velho estilo cristão-novo. 
O desafio político de Luciano Cartaxo não é criar uma maioria ampla e absoluta na Câmara, que será sempre artificial porque fundada apenas na ocupação de espaços. 
O verdadeiro desafio é eleger os aliados que verdadeiramente contam, agora e no futuro, e preservá-los. A boa administração da política do governo petista, aparentemente, depende disso. 
O resto vem com o tempo e competência administrativa.

NONATO BANDEIRA E 2014

Nonato: "O momento é de Cássio"
Não apenas para tratar do seu destino político, mas também me atualizar a respeito de suas avaliações a respeito do quadro político paraibano, que eu o procurei e fui recebido para uma conversa no final da manhã de ontem pelo do Vice-Prefeito de João Pessoa, Nonato Bandeira. 

O resultado, que renderia pelo menos umas três colunas, segue abaixo. Trata-se de numa síntese dos principais pontos de um diálogo que foi sempre franco e aberto, ocasião em que Nonato Bandeira mostrou a sagacidade que o tornou um dos maiores e mais reconhecidos estrategistas políticos da Paraíba.

Avaliação do quadro do político: Cássio

A conversa começou, como não poderia deixar de ser, por Cássio Cunha Lima. Para Nonato, a indefinição do Senador tucano tem deixado em compasso de espera todas as outras legendas, que esperam por essa definição para decidir sobre suas estratégias, inclusive, RC. 

E um dos motivos para essa paralisia que toma conta de todos os partidos é que, segundo o Vice-Prefeito pessoense, a eleição dependerá muito dessa bipolaridade que se desenha na Paraíba. 

Nonato lembrou uma das teses do historiador José Otávio de Arruda Mello, segundo a qual é a dissidência quem ganha eleição na Paraíba, que acaba por incorporar boa parte da oposição nas disputas na Paraíba. 

“Veja o que aconteceu em 2010 com Ricardo, que pertencia ao bloco maranhista. Agora, será a vez de Cássio ser essa dissidência. Com ela, ele quebra o bloco de sustentação ao governador e esvazia a oposição, que, até por isso mesmo, está fragmentada, hoje.” 

Além disso, a população, que continua a esperar pela decisão de Cássio, ainda não conseguiu identificar um nome para enfrentar Ricardo. E o mesmo pode acontecer nacionalmente. 

“Campos hoje é a dissidência, é o que Cássio pode vir a ser na Paraíba. O PT está preparado para enfrentar o PSDB, na velha confrontação ideológica que se reproduz desde 1994. Mas, e Campos, que tem a mesma origem na esquerda e sempre foi elogiado por Lula e Dilma? Essa candidatura pode mudar o destino das disputas eleitorais no Brasil.” 

“O momento é de Cássio”

Bandeira se mostrou convicto não apenas da viabilidade jurídica da candidatura de Cássio, mas, principalmente, política. 

Segundo ele, existem várias justificativas para a candidatura do Senador tucano. Primeiro, a vontade do eleitor, que nenhum político pode desconhecer ou deixar esse anseio sem resposta. “O momento é de Cássio. Se ele adiar, pode ser que tudo mude em 2018 e ele terá perdido essa oportunidade”. 

Além disso, existe a necessidade de fortalecer o palanque de Aécio Neves na Paraíba. “E nada melhor do a candidatura de Cássio. Da mesma maneira: uma coisa é o palanque de Aécio com Cássio candidato. Outra muito diferente é sem a candidatura de Cássio.” 

Mesmo revelando grande simpatia pelo apoio do PPS à candidatura de Cassio, Nonato diz que esse apoio não será automático, havendo a necessidade de estabelecer antes alguns condicionantes, como a composição da chapa. 

Instado a responder sobre o que poderia impedir o PPS de apoiar Cássio, Nonato mandou um recado: “Em hipótese alguma, apoiaremos uma chapa puro-sangue do PSDB”. Diante da pergunta a respeito de uma possível indicação do nome do ex-prefeito pessoense, Luciano Agra, Bandeira foi cauteloso: “Agra seria um nome forte, mas a indicação é do PEN”.

RC não pode ser subestimado

E como fica o governador Ricardo Coutinho se Cássio for mesmo candidato? Diante dessa pergunta, Bandeira foi enfático. 

RC é candidato do governo e não deve, em hipótese alguma, ser subestimado. “Ricardo tem a chave do cofre, que ele sabe usa muito bem. Quer um exemplo do quanto ele está disposto a abrir essa caixa de bondade? Hoje, até veículo já sai emplacado e com habilitação!” disse, fazendo menção ao programa “Habilitação Social”, que isenta do pagamento de taxas do Detran condutores de veículos de baixo poder aquisitivo. 

“Teremos um Papai Noel fora de época. E bem mais magro,” disse com ironia. Apesar de reconhecer que RC tem problemas na gestão política do governo, especialmente nas composições políticas, o que tem trazido problemas em vários setores, Bandeira ressaltou uma das marcas que ele conhece tão bem do atual governador: a obstinação.

Reaproximação com RC


Sobre a conversa que teve recentemente com o presidente estadual do PSB, Edvaldo Rosas, Nonato Bandeira disse que a conversa versou sobre a possibilidade de reprodução na Paraíba da aliança nacional que deve acontecer entre PPS e PSB. 

Segundo Nonato, não houve um convite formal para que as antigas relações políticas fossem reatadas, e revelou que desde abril de 2012, quando anunciou a saída do governo estadual, não troca uma palavra sequer com RC. 

Perguntado sobre a possibilidade de reaproximação, Bandeira não confirmou nem negou de maneira peremptória: “É uma decisão que pertence ao partido.” Esse movimento de reaproximação Nonato considera ser manifestação da fragilidade política de RC, hoje. 

Ao mostrar-se ser incapaz de administrar possíveis diferenças, Ricardo foi perdendo aliados, inclusive aqueles que o acompanhavam desde o início de sua carreira política.

Diferentemente de 2008, quando RC disputou uma reeleição, o hoje governador não tem o controle de sua própria sucessão. “Quando Prefeito, Ricardo dividiu o poder e, por isso, foi capaz de não apenas manter os aliados, mas incorporar outros, como foi o caso do PT,” disse Nonato, rememorando os tempos em que ajudava na condução política de Coutinho. “Ricardo está mais frágil não apenas internamente, mas externamente. 

Ele perdeu as eleições municipais em grandes centros urbanos, com destaque para João Pessoa. “Por isso, talvez de maneira tardia, ele tenta hoje recompor o que perdeu,” arrematou