quarta-feira, 19 de agosto de 2015

FHC lança isca para atrair o PMDB e manter crise

Postagem de FHC

Na última segunda, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso publicou em sua página no Facebook uma enigmática postagem.

Entre outras coisas, FHC defendeu que o governo petista “é ilegítimo” e sem “base moral” para continuar governando, contaminado que está pelas “falcatruas do lulopetismo” e pelos “malfeitos de seu patrono” – quem será? – restando a presidenta o “gesto de grandeza da renúncia”.

Ainda na tarde de segunda, eu publiquei um breve comentário também no Facebook:

“FHC pede a renúncia de Dilma depois de afirmar que ela é uma mulher 'honrada'. Anotem aí: FHC quer agora inviabilizar a recomposição de Dilma com o PMDB acenando para Michel Temer. Essa recomposição pode dar estabilidade política ao país e criar as condições para uma recuperação econômica. E com uma possível candidatura de Lula, em aliança com o PMDB e com um programa mais liberalizante e, portanto, mais palatável para os bancos e o empresariado interno e externo, pode representar uma grave ameaça ao projeto do tucanato paulista.

É bom não esquecer que o PSDB de Aécio Neves abandonou a proposta de impeachment depois que Temer disse que o Brasil precisava de alguém para uni-lo. Foi um recado e tanto. Enfim, o que FHC deseja é evitar que se refaça a aliança PT-PMDB.

Mais uma vez e cada vez mais o PT e Dilma dependem do velho PMDB de guerra.”

Essa postagem foi motivada pela divulgação de um experimentado jornalista, como o blogueiro Rodrigo Viana, do Escrevinhador, também publicada na tarde de segunda, para quem a manifestação de FHC tratava-se de “um duplo recado: para Aécio Neves, em primeiro lugar; mas também para a direita que está nas ruas.”

Pois bem. Um dos porta-vozes do tucanato na grande imprensa, o colunista dO Globo, da Globo News e da CBN, Merval Pereira, tratou dessa questão em sua coluna de hoje e revelou os meandros do mistério.

Sob o título “FH organiza o PSDB”, Merval diz que com a “clareada” do texto de FHC o PSDB não apenas se unificou a “favor da saída da presidente Dilma”, como não mais reivindica para si “o protagonismo para uma eventual ação de impeachment” e “garante respaldo político ao sucessor caso o impeachment seja aprovado”, ou seja, a Michel Temer.

Ele lembra um fato óbvio que impedia que PSDB e PMDB compartilhassem a mesma estratégia era nada mais nada menos que Aécio Neves, cujo projeto só tinha viabilidade se toda a chapa fosse impugnada pelo TSE, com a ascensão de Eduardo Cunha a presidência e a convocação de uma nova eleição, dois gravíssimos inconvenientes, segundo Merval.

Ao que parece, FHC sentiu o alcance da conciliação que representa a Agenda Brasil, especialmente no meio empresarial, e a reunificação da base parlamentar do governo em torno do PMDB.

Essa estratégia deixa clara que, mesmo ao custo de ser chamado de irresponsável, a estratégia de FHC deixa claro que não interessa ao PSDB a instabilidade política e econômica. E mais ainda do quanto ele teme a volta de Lula.


Enfim, FHC lançou a isca e Merval Pereira tenta torna-la apetitosa. Resta saber se Michel Temer pretende abocanhá-la.

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