quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Sobre governadores, vereadores e o azar que eles dão ao Botafogo

Não foi só RC que pegou carona nas vitórias do Botafogo.
O azar foi também com ele
A ação do Vereador do PSB, Renato Martins, contra a decisão da CBF de transferir os jogos do Botafogo do Almeidão para Goianinha, no Rio Grande do Norte, tem dois interesses.

O primeiro e mais importante poderia ser o do próprio parlamentar em aparecer, pegar carona na boa relação que a torcida tem hoje com o time. Mas não é. Esse é o efeito secundário que todo caronista aproveita.

Renato Martins é instrumento do chefe, daquele que o elegeu para ser exatamente isso: o seu cão de guarda na Câmara de João Pessoa.

A ação judicial tenta evitar expor a todo grande problema gerado por um governo cujo calendário de obras não é o administrativo, mas o eleitoral.

E os casos do Almeidão, em João Pessoa, e do Amigão, em Campina, expõem de maneira inquestionável o desprezo do governador pelo interesse público e sua prioridade ao projeto pessoal de se reeleger.

Almeidão e Amigão em obras desde quando?

Se o governo de Ricardo Coutinho tinha planos de reformar esses estádios, porque não fez isso de maneira antecipada, preferindo esperar o ano da Copa (e, mais importante, da eleição) para anunciar a conclusão delas?

No caso de João Pessoa, a situação é mais grave porque, diferentemente do Treze, que tem estádio próprio para receber suas partidas nas competições nacionais de que participa, o Botafogo só tem o Almeidão.

E sem o Almeidão só resta ao time procurar o Rio Grande do Norte, já que na Paraíba o único estádio disponível para receber seus jogos fica em Patos, a 300 km de distância.

E a torcida do Belo não vai aceitar se submeter à suprema humilhação de ter que jogar no estádio do Treze. Ou vai?

É para isso que serve, antes de tudo, a ação impetrada pelo vereador Renato Martins, que deve torcer pelo Ceará ou pelo Fortaleza, cearense que é: impedir que a torcida do Botafogo responsabilize o governador, em razão dessa mesquinharia eleitoral, por conta de não poder estar em massa ao lado do time num dos melhores momentos de sua história.

RC nunca acreditou no Botafogo

O governador Ricardo Coutinho não esperava que fosse exatamente o Botafogo quem atrapalhasse seus planos.

Contando com mais um ano de insucesso do time no Campeonato Paraibano do ano passado – como aconteceu, aliás, em todos os anos em que foi prefeito de João Pessoa e governador da Paraíba, quando o Botafogo ficou 10 anos sem títulos estaduais, – RC  planejou fazer as reformas do Almeidão no segundo semestre de 2013, com o estádio livre de jogos e de torcida.

Quando o Belo venceu o campeonato e se classificou para a Série D, e foi avançando até ser campeão, as obras foram se tornando impraticáveis, já que, nos dias de hoje, torcida, tijolo e barras de ferro não são exatamente uma combinação adequada.

A situação foi tão absurda que todas – exatamente todas – as novas cadeiras da arquibancada sol do Almeidão já instaladas tiveram que ser arrancadas para permitir que a torcida ocupasse aquele espaço para assistir à final contra o Juventude.

Espaço, diga-se de passagem, que permaneceu interditado durante todos os jogos da Série D. Um imenso desperdício de dinheiro público.

Agora é a arquibancada sombra que está interditada para obras, sobrando para o torcedor o lado do sol (que continua sem cadeiras). Mas, o perigo está do lado de fora do estádio, que também está em obras – sobrando tijolo e barras de ferro para todo lado.

Foi esse perigo que levou a CBF a interditar o estádio, especialmente porque dois dos adversários do Botafogo na Copa do Nordeste (Sport e Náutico) estão a apenas 120 km de João Pessoa, e contam com torcidas apaixonadas tanto quanto é a do Belo. Os problemas gerados pela violenta torcida do Sport pode ter sido só um aperitivo.

RC dá azar ao Botafogo?

Quem já jogou futebol ou é um torcedor apaixonado sabe que a superstição é um traço marcante tanto de um quanto do outro.

E não é a toa, portanto, que existem tantos rituais antes de cada partida, do técnico, do massagista, do goleiro, do atacante e do torcedor. E tudo por um motivo: evitar ser atingido pelo azar.

Como eu já mencionei, o Botafogo passou dez anos sem ganhar um título estadual. Desde 2003, o time pessoense não sentia o gostinho de levantar o troféu de Campeão Paraibano.

E entre 1996 e 2003, o Botafogo foi três vezes campeão paraibano e quatro vice-campeão. E em 2004, o time quase consegue o acesso à série B, ficando em terceiro lugar na série C daquele ano. Enfim, o Botafogo estava por cima.

Pois bem. Bastou RC assumir a prefeitura de João Pessoa, em 2005, que o Botafogo entrou em desgraça. Nesse período, o Belo foi humilhado ano a ano, conseguindo apenas dois míseros vice-campeonatos (em 2006 e 2010).

Bastou a cadeira de prefeito ser assumida por outro político, que o Botafogo num mesmo ano não apenas conquistou o título de Campeão Paraibano como também tornou-se Campeão Brasileiro da Série D. Isso sem qualquer apoio do Governo do Estado.

Agora, veja se o futebol não é uma prática aberta ao azar. Foi exatamente quando o governador começou a tentar roubar o lugar que o Prefeito Luciano Cartaxo ocupava no coração da torcida botafoguense que o time iniciou uma onda de azar.

Depois do empate com o Sport realizado no Almeidão, o time pode perder quatro pontos por conta da escalação de dois jogadores ainda não regularizados. Se isso já estivesse valendo, o Botafogo teria hoje, três pontos negativos na classificação do seu grupo na Copa do Nordeste.

Não bastasse isso, o Almeidão foi interditado pela CBF e seus jogos transferidos para o Rio Grande do Norte. E, como se tudo isso fosse pouco, a ação do vereador ricardista Renato Martins na justiça pode levar a CBF a excluir o Botafogo da competição.

Enfim, torcedor do Botafogo, eu sou daqueles que não acreditam em bruxas, mas pelo menos uma certeza eu tenho: que elas existem, existem.


Pelo menos no futebol. 

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Hospital de Trauma: relato do caos

Impressionante relato no Facebook do tratamento recebido pelo irmão da jornalista Raquel Medeiros no Hospital de Traumas de João Pessoa. 

No domingo à tarde, depois de um acidente de moto, o irmão de Raquel dá entrada no HT com fratura exposta no braço.

Retrato do caos: com RC, o HT gasta mais atendendo menos da metade dos
pacientes que atendia antes. Essa é a competência ricardista. 
Ele também sangra pelo nariz.  24 horas depois, o rapaz é transferido sem cirurgia para o Htop (anexo do Trauma). 

Não há nem lenço nem papel higiênico para a higiene pessoal, do paciente e dos acompanhantes. 

Vejam que se trata de um hospital de traumas, que atende pacientes, em geral, com fraturas expostas!

 Até às 19 horas de ontem, 50 horas depois do acidente, a cirurgia do braço do paciente ainda não tinha sido feita. 

E pior. É descoberta a razão para o sangramento nasal: fratura no na face.

Leiam vocês próprios esse dramático relato, que certamente não é o único. Só que desta vez aconteceu com quem tem voz, e coragem para expor a verdadeira situação do Hospital de Traumas da Paraíba, que um dia foi um hospital de referência, e o caos em que vive a saúde pública do nosso estado.

Sábado - 26 de janeiro às 15:47

Após 24 horas do acidente de moto com meu irmão, a família está traumatizada pela falta de informação. Há pouco, às 14h30, soubemos da transferência para o Htop: sem cirurgia realizada da fratura no braço, com muitas dores e sem perspectiva para o atendimento real. O que percebo: funcionários camuflando a realidade e pensando que nós, parentes, somos alheios ao caos. Atendimento "humanizado" é isso. Governo da Paraíba de parabéns, amontoando gente como se fosse mercadoria em estoque.

Sábado - 26 de janeiro às 21:00

Boletim do Hospital de Trauma
14h30: Meu irmão acidentado por um carro na Av. Beira Rio. Entrada no Hospital.
1h30 da manhã: atendimento e permanência na Ala Vermelha (limbo)
10h - ainda na Ala Vermelha paciente espera cirurgia do braço
Família sem acesso e informações precisas.
14h: transferência para o Htop (anexo do Trauma)
Não há médico para avaliar o paciente
16h: paciente se contorce de dor e tem sangramento nasal. Não há, sequer, papel higiênico na enfermaria
18h: família leva Kit de higiene ao hospital (algodão, lenços de papel, lenços umedecidos, cotonetes). Hospital desmente a falta de material na enfermaria. Entro e comprovo a falta de cuidado com pacientes e acompanhantes.
20h: Médico? Só amanhã, segunda-feira. Rezar para não haver complicações.

Segunda - 27 de janeiro às 18:31

A Saúde humanizada do Estado da Paraíba

Paciente com fratura exposta espera 12h por atendimento no Hospital de Trauma. Dores, risco de infecção e desrespeito à vida.
Do lado de fora, família sem informação para não denunciar os abusos.
Este é o tratamento humanizado do GOVERNO DA PARAÍBA. O CAOS é o selo de "Acreditação" da Saúde paraibana.
Cirurgia? Sem previsão.

Segunda - 27 de janeiro às 19:30

Governo da Paraíba faz mal à Saúde

Mais de 50h após paciente dar entrada no Hospital de Trauma (vítima de acidente de moto) com fratura exposta no braço, é descoberta uma fratura na face. O sangramento nasal permanente sinalizou à família que algo estava errado e ignorando o "quadro normal" pediu, insistentemente, nova avaliação médica.

Não há como descrever o sentimento de impotência. O Hospital de Trauma simboliza a tragédia da saúde pública do Estado. A população quer respeito e compromisso com a vida.

PS: O Hospital de Trauma de João Pessoa quer receber o certificado de Acreditação. O selo, semelhante ao ISO e exclusivo das instituições de saúde, atesta a qualidade dos serviços prestados. Quem pode ACREDITAR e confiar neste tipo de atendimento? Propaganda enganosa do Governo da Paraíba.

Segunda - 27 de janeiro às 20:34

Boletim do Hospital de Trauma 
16h: paciente deixa o Htop e retorna ao Hospital de Trauma
18h: detectada fratura na face após 50 horas do acidente
19h: paciente com dor, espera cirurgia da face e da fratura exposta no braço no corredor, com outras dezenas de enfermos entregues à sorte.
Amanhã a família tem que "batalhar" vaga na enfermaria.
Durma com um descaso desta proporção.

Boa noite:
Ricardo Coutinho, governador da Paraíba
Waldson Dias de Souza, secretário de Saúde do Estado
Edvan Benevides, diretor técnico do Hospital de Trauma
Leide Neria, coordenadora da Urgência e Emergência do TRAUMA

Segunda - 27 de janeiro às 21:39

Rolezinho da Imprensa no Hospital de Trauma

O que parece ao Dr. Edvan Benevides, diretor técnico do Hospital de Trauma, abrir as portas da unidade para um rolezinho com a Imprensa? Fica o convite para todos os jornalistas paraibanos, o governador da Paraíba, Ricardo Coutinho, e o secretário de Saúde do Estado, Waldson Dias de Souza. Sintam-se em casa!

EM TEMPO
Fui informado agora há pouco que o paciente do Hospital de Trauma, Jaime Medeiros, continua sem atendimento cirúrgico (hoje é quarta). Segundo me informou um membro da família, como a fratura ficou muito tempo exposta, sem cirurgia, o risco de infecção agora é alto. Portanto, o rapaz terá de esperar pelo menos sete dias para sofrer o procedimento cirúrgico.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Os trabalhadores vão às compras: democratização do consumo e preconceito de classe


 Interessantíssima entrevista concedida à Rádio CBN por Renato Meirelles, diretor do Instituto Data Popular, instituto que tem se especializado em pesquisar os hábitos de consumo da chamada "nova classe média". Nessa entrevista, Meireles trata não apenas dos "rolezinhos", mas da reação da elite que frequenta os shoppings ao que ele chama de "democratização do consumo". 

Para ele, o ritmo de crescimento renda dos jovens mais pobres cresceu num ritmo maior do que os espaços de consumo.


Especialmente nos shoppings, esses jovens são discriminados pela roupa. Como eles acham que serão menos discriminados se estiverem bem vestidos,
compram mais roupas de marcas (originais). 

Renato Meireles, nesse ponto, cita que os hábitos de consumo se distinguem quando se trata de compra de produto falsificados. Segundo constatou as pesquisa do Data-Popular:

1. As classe A e B consomem mais produtos piratas do que a classe C;

2. 72% mulheres da classe A declararam que já compraram produtos piratas, enquanto 50% das mulheres da classe C declaram isso.

Isso acontece porque quem é de classe média acha que ninguém imaginará que, pela sua condição social, o produto que ele usa é falso - enquanto é bastante comum, acrescento eu, se imaginar que os produtos que os jovens da "nova classe média" usam é que são (vejam só!) falsificados.

Hoje, esse jovem tem oportunidade de trabalhar (por conta do aumento da empregabilidade) e de estudar (devido às novas oportunidades criadas pelo
aumento de vagas do Reuni, do Prouni e no ensino técnico e tecnológico. 

Por isso, esse jovens são responsáveis hoje por quase dobrar a renda familiar.
O jovem da "nova classe média" contribui com a renda familiar o equivalente a 97% do que contribui os pais.

Democratização do consumo

Essa ascensão social dos mais pobres tem incomodado a elite, que tem que conviver com pessoas de outra classe social. E não apenas nos shoppings.

Meireles cita uma frase que está se tornando bem conhecida: "esse aeroporto está virando uma rodoviária", que se refere à presença de pessoas pobres
- pelas roupas que vestem - que enchem os aeroportos, os aviões e os bolsos dos donos de companhias aéreas. 

A raiz do "caos aéreo" que a mídia tenta fazer crer que existe está nessa mudança. Eu mesmo já ouvi dentro de um avião o comentário jocoso de uma senhora que, sentada ao meu lado antes da partida do avião, disparou: "Agora, a gente tem que conviver com essas pessoas até dentro dos aviões". Eu respondi que elas também tinham esse direito, fechei os olhos e fingi dormir.

Segundo contatou outras pesquisas do Data-Popular:

55% da elite acha que deveria haver obrigatoriedade de versões diferenciadas de produtos para rico e para pobre;

50% da elite defende que apenas pessoas do mesmo nível social deveriam frequentar determinados ambientes;

17% da elite acha que pessoas mau vestidas deveriam ser impedidas de entrar em determinados lugares (isso apenas as que assumem abertamente esse pensamento);

26% acham que a presença do metrô aumenta a circulação de pessoas indesejáveis no bairro, o que ficou patente entre os moradores do bairro de Higienópolis, em São Paulo.

E 17% defendem que todo estabelecimento comercial deveria ter elevador para trabalhador e patrão separados.

Enfim, é bom essa galera ir se acostumando. O mais pobres já estão aí. E virão cada vez.

Escute a entrevista clicando abaixo.

domingo, 19 de janeiro de 2014

“Rolezinho” e apartheid social

Os "rolezinhos" contestam a existências desse mundos à parte
Quando jovens pobres da periferia de São Paulo resolveram marcar um encontro, via Facebook, em um dos shoppings da capital paulista, estava criado um movimento que tem muito a dizer sobre nossa sociedade.

Aqueles primeiros jovens que resolveram se reunir no Shopping Metrô Itaquera, na Zona Leste de São Paulo, no dia 8 dezembro, que sofrerem o constrangimento da vigília e das abordagens feitas pelos seguranças do estabelecimento sem que nada disso fosse justificado – eles não estavam roubando ou fazendo qualquer tipo de tumulto, – descortinaram para o mundo, ao provocar um necessário debate sobre o caso, uma realidade marcado cada vez pela segregação social.

O “rolezinho”, como o movimento ficou conhecido, também é capaz de mostrar o alto grau de espontaneidade da organização dos jovens, sem que para isso eles precisem de estruturas políticas tradicionais, como as entidades estudantis.

Hoje, movimentos se criam com a mesma força e rapidez com que desaparecem, para depois voltarem a se recriar, a partir de novas bandeiras.

Esse é um fenômeno cultural e político que ainda estamos longe de compreender o seu alcance e suas consequências, mas já temos amostras o suficiente para considerar que se trata de uma nova forma política de organização sem organização, ou seja, baseada na ausência das chamadas “vanguardas”, aquelas forças que antes tomavam a iniciativa e iniciavam mobilizações e mesmo revoluções.

No mundo acadêmico, esse fenômeno é a realização – com todos o senões que a questão merece – do que se chama de “morte do sujeito”, nesse caso, coletivo.

Esse caráter, em parte espontâneo, deixa sempre em aberto os caminhos que tais movimentos podem assumir, porque o papel anterior da liderança é substituído por formas mais horizontais e descentralizadas.

Indivíduo ou grupo?

Por que esses jovens optaram pela ida coletiva aos shoppings? Provavelmente, tanto pela presença dos seguranças a mando dos donos dos shoppings, que os vigiam e, não muito raro, os convidam a sair , ou pelo olhar reprovador e ameaçador daqueles que reagem ao ver seu espaço invadido.

Por serem os shopping centers templos do consumo, espaços demarcados destinados àqueles de renda mais alta, que vão lá para, além de consumir coisas, consumir o processo que leva ao consumo: a propaganda, as vitrines, a moda, e os desejos a se realizar.

Portanto, é um ambiente opressivo para quem não pertence aquele mundo e tem contato com ele apenas pela televisão ou quando está lá apenas a trabalho.
Esses jovens, claro, têm também desejos de consumo, sonhos de pertencimento a esse mundo, mas sabem que dificilmente os realizarão.

É essa “consciência coletiva”, como diria o sociólogo francês Émile Durkheim, que os oprime e os retêm fora dos shoppings.

Por isso, a maneira de enfrentar essa interdição psicológica é entrar nos shoppings em grupo, como forma de buscarem proteção mútua contra a carga opressora dos olhares e das desconfianças.

E assim, como um rastilho de pólvora detonado pela divulgação dos primeiros enfrentamentos dentro e fora dos shoppings paulistas, o movimento chamado de “rolezinho” começa a se espalhar pelo Brasil, inclusive aqui em João Pessoa.

Antes de mais nada, mesmo que não seja a intenção explícita desses jovens, que desejam mesmo é acessar e viver nesses ambientes de consumo, o “rolezinho” expressa o fosso social que ainda existe no Brasil e continuam a nos mostrar apartheid social que se materializa nos espaços dos shopping centers hoje, mas não só neles.

Essa mobilização, entretanto, tem gerado temores, ameaçado os jovens de classe média que se “divertiam” até agora sob a proteção desses espaços privados, mesmo sendo eles espaços abertos ao público.

Condomínios fechados e “micarandes”

Eu lembro que há algum tempo se desenvolve no Brasil essa tendência de ocupação de espaços exclusivos, segregados.

Os condomínios fechados são um exemplo disso. São eles espaços urbanos privatizados, cujo acesso é destinado apenas a quem lá vive, protegido por cercas elétricas e toda parafernália da segurança privada.

Existem condomínios autossuficientes, que já contam até com escolas, supermercados, farmácias, onde muitos jovens vivem isolados e alheios ao mundo e aos problemas do mundo.

A diversão desses jovens, muitas vezes, se resume a ir aos shoppings, nesse mundo virtual que é a extensão do Ipad e do smarthphone com os quais eles “interagem” com a sociedade “lá fora”.

Nesse território ideal, os pobres são mesmo uma ameaça a desfigurar esse universo organizado, limpo e cheiroso. Essa segregação não deixa de ser uma maneira de desresponsabilização das condições em que vive a pobreza.

Outro espaço de segregação, felizmente em desuso, pelo menos aqui em João Pessoa, são as “Micaretas”, esses carnavais fora de época em que os foliões brincam em blocos que separam seus componentes através de cordas e seguranças que garantem o isolamento dos jovens.

Mesmo em realizado em espaços públicos, nessas “Micaretas” brinca que tem dinheiro, quem pode pagar para entrar dentro das cordas.

Quem não tem dinheiro fica apenas olhando do lado de fora.

Veio à minha lembrança agora um diálogo que tive certa vez com uma jovem de classe média a respeito do bloco Muriçocas de Miramar.

Em meio a diversos comentários a respeito do carnaval, um em especial me chamou a atenção: “Eu não gosto do Muriçocas por que ele é muito ‘misturado’” A “mistura” referida, nesse caso, era social. Na rua, no espaço público todas as classe se encontram, se “misturam”, se integram, convergem num mesmo sentido de celebração e alegria.

Se refletirmos bem, os rolezinhos são uma reação a esses mundos à parte. Os seus participantes querem participar deles, mesmo não sendo bem-vindos.


O que nós temos a dizer para eles? 

Luciano Cartaxo sob fogo cruzado

Ataques da imprensa? Lula sabe como é.
O ano de 2014 começou com a novidade da mudança na Secretaria de Comunicação do governo Ricardo Coutinho. Mas, pelo visto, a mudança não foi apenas de nome. 

Não se pode afirmar com a certeza da verdade a existência de relações entre uma coisa e outra, mas pode não ser coincidência a mudança no tratamento, tanto no meio político e como na mídia, que vem recebendo o Prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo. 

Além das “crises” geradas por refregas públicas com vereadores “insatisfeitos” – Deus sabe as raiz dessas insatisfações, – o Prefeito petista tem de lidar com uma campanha poucas vezes vista na imprensa paraibana. 

Na João Pessoa de 2014, qualquer entulho em calçada, banheiro sujo, desrespeito à faixa de pedestre, lixo na Lagoa, tudo virou motivo para matérias e manchetes de capa de jornal, devidamente repercutidas em reportagens em programas de rádio, recheadas com “depoimentos” de cidadãos indignados pelas ruas da capital.

Aconteceu também com Veneziano

Eu lembro que a última vítima dessa estratégia foi o ex-prefeito de Campina Grande, Veneziano Vital do Rego. Depois da derrota de Tatiana Medeiros nas urnas, o “Cabeludo” viu sua gestão, até então com altos índices de aprovação, tornar-se um caos nas páginas de jornal e em programas de rádio. 

A administração de Veneziano era tão bem avaliada que a desconhecida candidata do PMDB apoiada por ele destronou a veterana Daniela Ribeiro e foi para o segundo turno com o tucano Romero Rodrigues, apoiado por Cássio Cunha Lima, mas essa campanha organizada nos últimos dias de gestão tentou desconstruir o prestígio e a imagem de bom administrador que o ex-prefeito de Campina construiu nos seus oito anos que passou na Prefeitura. 

E, ninguém desconhece esse fato e certamente por isso mesmo, o “Cabeludo” era o candidato a governador do PMDB e, à época, a única ameaça real ao projeto de reeleição de Ricardo Coutinho.

Por isso, Luciano Cartaxo não pode subestimar os ataques que sua administração recebe hoje. Aprovada por 73% dos pessoenses, segundo a última pesquisa de opinião, a administração petista não entrou na linha de tiro por acaso. 

Quanto maior for a aprovação de Cartaxo maior sua capacidade de influenciar o voto dos eleitores de João Pessoa, em 2014. 

Antes o maior reduto ricardista, João Pessoa deve ser fatiada entre as quatro fortes candidaturas que devem ser apresentadas ao governo, cada uma capaz de abiscoitar um naco desse eleitorado: Ricardo Coutinho, Nadja Palitot, Veneziano Vital e Cássio Cunha Lima tem tudo para repetir a disputa de 2012. 

E se isso acontecer, mesmo que RC vença, seu espólio terá sido anulado numa diferença insignificantes, e talvez insuficiente, para leva-lo ao segundo turno.

É isso que está em jogo.

Charliton Machado avalia a candidatura de Cássio

O presidente estadual do PT, Charliton Machado, tem a oportunidade de comandar o partido em seu melhor momento na política paraibana e com o desafio de expandir a influência petista para voos mais altos. 

Quem conhece o PT sabe que, para chegar a esse objetivo, Machado tem de se comportar com o cuidado e a habilidade de alguém que se move numa sala repleta de cristais. 

Seja internamente, na busca para dar o máximo de homogeneidade política à miríade de tendências que compõem o PT, seja externamente, para cultivar e manter os aliados que o partido tem nacionalmente, combinando os interesses de cada um com os do PT. 

Realmente, não é uma tarefa fácil. Machado, porém, tem conseguido dar conta do recado. Investido no cargo que ocupa hoje, ele tem se convertido no principal operador político do PT e do prefeito Luciano Cartaxo quando se trata de manter a calmaria que vive hoje o PT, hoje, e, também, em conversas com aliados e potenciais aliados que os petistas querem ter do lado em 2014.

Numa rápida conversa ontem, depois de um encontro casual na UFPB, Charliton Machado expôs algumas opiniões que valem a penas compartilhá-las aqui. 

Antes de mais nada, eu quis saber a respeito do assunto do momento, que é a candidatura do Senador Cássio Cunha Lima, que, no clima do momento, parece irreversível, e de como ela altera – e se altera – a estratégia petista. 

“Primeiro, é bom pontuar, disse ele, que isso mostra a fragilidade política e eleitoral em que se encontra o governador Ricardo Coutinho. Se o governador estivesse bem, não haveria espaço para Cássio que, se for mesmo candidato, será um candidato governista, só sem a máquina do governo”. 

Para Charlinton, não haverá como Cássio fugir da contradição de não apenas ter apoiado a eleição de Ricardo, ter participado do governo e, principalmente, ter se mantido em silêncio diante dos erros e das arbitrariedades cometidas pelo governador. 

“Qual foi mesmo a grande discordância manifestada publicamente por Cássio contra qualquer ação de Ricardo Coutinho. Então, ele não é apenas copartícipe, mas também é cumplice”, sentencia Machado, deixando claro que, com o PSDB, não há qualquer possibilidade de aliança.

Nadja é a nova política


A candidatura de Cunha Lima se aproveita desse sentimento oposicionista que é visível em todo o estado. Segundo o presidente do PT, 

“Trata-se de uma reação popular ao estilo autoritário e perseguidor de Ricardo Coutinho. O governador não dialoga com ninguém, e não é apenas com a Assembleia. Não há diálogo com os movimentos sociais, com os servidores.” 

Há mais que um sentimento de oposição, há um sentimento que busca novas formas de fazer política, uma reação à sucessão de governos ruins do PMDB, do PSDB e PSB que hoje querem se manter ou reassumir os destinos políticos da Paraíba. 

“A candidatura de Nadja pretende debater essas questões, representar esse sentimento de mudança no país e expressar na Paraíba um projeto que una desenvolvimento com cidadania”.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Veneziano e 2014

Em meio a uma intensa agenda de contatos políticos e de viagens por todos o estado, o candidato a governador do PMDB, Veneziano Vital do Rego, me recebeu ontem em João Pessoa para uma conversa sobre a conjuntura e o futuro de sua candidatura. 

Conversa que foi interrompida diversas vezes, diga-se de passagem, para que o “cabeludo” retribuísse os cumprimentos de eleitores, já que estávamos em um local público no bairro de Intermares, em Cabedelo.  

Veneziano se mostrou entusiasmado com o estágio de sua campanha e a boa recepção que tem tido por onde passa Paraíba adentro. E não se furtou em responder nenhuma questão que lhe foi apresentada.

Sobre a candidatura

Para Veneziano, antes de discutir qualquer candidatura, é preciso evitar a “personalização” do debate político para sejam enfatizadas as reais diferenças entre os postulantes a qualquer cargo público. 

Segundo ele, há hoje uma nítida ausência do debate programático entre os pré-candidatos. 

O ex-prefeito campinense fez questão de lembrar que o PMDB foi até agora o único partido a debater os problemas da Paraíba nos ciclos de debates promovidos pela agremiação por todo o estado: 

“O ‘Pensando a Paraíba’ tem o objetivo de inverter a lógica que preside a definição das candidaturas, colocando em primeiro plano o debate com a população dos problemas e dos desafios da Paraíba e as possíveis soluções”. 

Para Veneziano Vital esse é um diferencial, uma amostra que procura sintonizar sua candidatura com os novos anseios da população por novas formas de fazer política.

O candidato do PMDB está convicto da necessidade da Paraíba ter finalmente um projeto de desenvolvimento. 

“É preciso pensar urgentemente as nossas potencialidades para desenvolve-las. E cito um exemplo. Para o semiárido, é essencial que sejam introduzidas novas políticas de convivência com a seca para evitar os desastres sociais e econômicos que resultam de sua ocorrência.” 

Veneziano destaca a necessidade urgente de romper com a divisão que a Paraíba vive hoje, estimulada pelo comportamento desagregador do governador. 

“Como é possível unir a Paraíba para atrair mais investimentos estruturantes desse jeito, com um novo conflito sendo criado a cada dia? A gestação de qualquer projeto de desenvolvimento tem que passar pelo diálogo, pela definição de objetivos comuns para todos os paraibanos, independente de sigla partidária. E é o governador quem tem de ser capaz de liderar, de unir, e não de desagregar.”

Sobre a Cássio

Veneziano não vê nenhum problema no lançamento da candidatura do Senador Cássio Cunha Lima, a não ser para o projeto de reeleição do governador Ricardo Coutinho. 

Com a candidatura de Cássio, Vital do Rego acredita que o mais provável será uma polarização entre PSDB e PMDB, com o governador lutando a todo custo para entrar na disputa do segundo turno. 

“Com um quadro assim, com quais lideranças importantes Ricardo conta realmente para apoiá-lo no interior do estado. Ora, o PMDB tem uma estrutura partidária consolidada, com lideranças espalhadas pela Paraíba.” 

Veneziano acredita que, quando Cunha Lima lançar sua candidatura, poucas lideranças que hoje apoiam o governador manterão esse apoio. “Diante desse quadro, o governador tem dois grandes problemas, hoje: João Pessoa e Campina Grande. Em João Pessoa, RC vai penar muito para chegar aos 35% dos votos. Em Campina, se chegar a 10% já terá sido uma grande vitória.”

A grande dificuldade para a candidatura de Cássio continua sendo de ordem jurídica. Veneziano acredita que o problema da inegebilidade continua a ameaçar as pretensões do tucano de ser candidato a governador. “Será uma aposta. 

Cássio pode sair candidato, mas sempre sob a ameaça de não ter o registro da candidatura homologado ou cassado antes da eleição.” 

O peemedebista acredita que, para ajudar a candidatura de Aécio, Cássio pode usar essa estratégia. 

Perguntado sobre a possibilidade de um acordo com o tucano caso ele não possa ser candidato, Veneziano acha difícil de acontecer, mas não afasta a hipótese em definitivo: 

“Desde que o PSDB venha para o campo da oposição e esteja disposto a discutir um novo projeto para a Paraíba eu não veria problemas. Mas, Cássio precisa antes dizer claramente que não deseja a continuidade do atual modelo”.

Sobre a relação com o PT


Veneziano Vital considera que as relações com o PT sempre foram de confiança. “Desde 2002 atuamos juntos na Paraíba. Realmente, nós tivemos problemas em 2012 em Campina e em João Pessoa, mas eu acredito que isso já está superado, pelo menos de nossa parte. Remoer os erros do passado não ajuda em nada quando temos desafios bem maiores a enfrentar”. 

Diante da reclamação de dirigentes petistas de que o PMDB tenta conseguir o apoio do PT paraibano “por cima”, sem dialogar com o partido no estado, Veneziano diz que tem mantido diálogos informais com dirigentes petistas e que nunca se furtou a conversar com o PT. 

“Eu mesmo já tentei marcar várias conversas, inclusive em Brasília, na presença de dirigentes nacionais do PT, mas nunca obtive retorno”. 

Quanto às definições “por cima”, Veneziano lembra que quem recorreu a isso no passado foi o próprio PT, em 2010. 

“Foi a Direção Nacional do PT que estabeleceu como condição a indicação do candidato a vice na chapa para apoiar a candidatura do ex-governador José Maranhão. Foi assim que Rodrigo Soares foi indicado. E o PT sabe disso.” 

Veneziano considera que o lançamento da candidatura de Nadja Palitot não representa uma ameaça para sua candidatura. 

“Não acho de todo ruim a existência de três e até quatro candidaturas. Nas circunstâncias atuais, pode ser até bom, desde que nos juntemos todos no segundo turno.” 

Quando finalmente Cássio vai anunciar o golpe final?

Em política, todo mundo sabe, as alianças são fundamentais para conquistar o poder e governar. 

Em 2010, não foi segredo para ninguém o acordo de conveniências que determinou a junção de dois adversários políticos (Ricardo Coutinho e Cássio Cunha Lima), que então tinham um único objetivo comum: derrotar o PMDB de José Maranhão. 

As promessas de vantagens oferecidas a Coutinho não foram poucas: a conquista do governo e todo o poder que isso representa.

Pelo lado de Cássio, não se tratava apenas de vingança, mas de sobrevivência. Cunha Lima sabia que, caso o grupo liderado por José Maranhão se mantivesse unido, ele teria grandes chances de enfrentar na disputa para o Senado duas jovens lideranças em ascensão (Ricardo Coutinho e Veneziano Vital), que poderiam derrotá-lo e jogá-lo no ostracismo, mesmo que temporário. 

O futuro não era em nada alvissareiro para Cássio Cunha Lima depois de 2007: prestes a ser cassado, com o principal adversário político às portas do poder e na mira de duas lideranças da nova geração a ameaçar-lhe a vitoriosa trajetória, só lhe restava dividir a oposição atraindo quem ele poderia atrair: Ricardo Coutinho, cuja ambição removeria, como de fato removeu – qualquer possível veleidade política ou ideológica. 

Cássio jogou-lhe a irresistível isca e RC abocanhou-a com gosto.

A aliança de 2010 serviu mais aos objetivos de Cássio do que de RC

Todos sabiam, contudo – inclusive o próprio Ricardo, – que aquela era uma aliança sem futuro, que não resistiria a mais uma eleição. Cássio se serviu, e muito, dela: sem a aliança com RC em 2010 ele se elegeria Senador? 

Teria um palanque forte o bastante para confrontar e derrotar José Maranhão? Como ele enfrentaria, em caso de derrota, a hegemonia do PMDB, que seria avassaladora?

Por isso, a vitória de Coutinho serviu mais a estratégia de longo prazo de Cássio do que a de RC, que viu apenas as vantagens imediatas – e que vantagens! – de um acordo de conveniências. E isso pode ser observado pelos resultados: enquanto Cássio recuperou o prestígio com o discurso que o fazia parecer um Cristo pregado na cruz pela perseguição implacável do maranhismo, RC tinha que se justificar perante seu eleitorado. 

Menos de dois anos depois da vitória vieram os primeiros recados: ao mesmo tempo em que Cássio celebrava a reconquista de Campina, sua fortaleza, Coutinho chorava a humilhante derrota sofrida em João Pessoa. 

Enquanto Cássio saboreava à distância a doce vida do Senado, RC penava para cumprir os compromissos das armadilhas que Cunha Lima preparara para José Maranhão, mas que sobrara para ele. 

E RC, mais realista que o rei, pagou para ver e amealhou inimigos que ele nunca sonhara em ter nos distantes primeiros anos de atuação política. Hoje, Cássio é paparicado aonde chega, já RC... 

Enfim, Cássio jogou com brilhantismo e, sempre agregador, acabou se tornando sem muito esforço o oposto do que representava o estilo centralizador e desagregador de Ricardo Coutinho. 

E está mais do que na hora dele anunciar seu golpe final: a candidatura ao governo. Essa história de que vai consultar o partido tem o objetivo apenas de ganhar tempo e aumentar o suspense.

Mais respeito com o eleitorado, Cássio

Chegou a hora de Cássio deixar de brincar, levar a sério a Paraíba e parar de vez com essa brincadeira de esconde-esconde com o eleitor, onde uma hora ele aparece no governo, em outra na oposição. 

Não se discute aqui a legitimidade da candidatura do senador tucano, que pertence a outro partido distinto do PSB do governador, é uma liderança com luz (muita luz) própria e possui um projeto nacional com o qual tem o dever partidário de contribuir.  

A questão é outra, e vamos situá-la no seu devido lugar. É preciso que se estabeleçam limites éticos quando se trata de conveniências políticas. 

O senador não pode manipular as expectativas do eleitorado, como faz hoje, deixando em aberto uma questão que nem de longe pode ser considerada menor: a de que o eleitor ainda não sabe se Cássio é de situação ou de oposição. 

O governador, por seu lado, terá dificuldades de cobrar de Cunha Lima lealdade a seu projeto político já que, nesse ponto, o tucano segue rigorosamente o roteiro delineado por Eduardo Campos, o candidato a presidente do PSB, que por quase 11 anos se beneficiou do apoio de Lula e Dilma e, no finalzinho do governo, resolveu se jogar nos braços da oposição.

Se na final contra o Juventude foram apenas 20 mil torcedores, como
o Almeidão já recebeu mais de 44 mil um dia?
Diretoria do Botafogo não está nem aí para a situação econômica da torcida

Não está na hora da diretoria do Botafogo começar a retribuir à torcida o apoio dado ao time no ano passado? 

Até quando Nelson Lira e companhia vão fazer o torcedor de joguete, apostando que sua paixão vai impedir de enxergar o absurdo que é fazê-lo pagar mais, quando ele poderia economizar, especialmente nesse que promete ser um longo ano para o Botafogo. E que certamente custará alto para o bolso do torcedor. 

Essa história de só disponibilizar 500 ingressos do Vale-Legal, o programa eleitoral que permite o torcedor trocar notas-fiscais por ingresso, e apenas para os beneficiários do Bolsa Família, mostra bem que a diretoria do Belo não está nem aí para a situação econômica de sua torcida.


Se pelo menos houvesse transparência na gestão dos recursos obtidos, principalmente com a venda de ingressos. 

Ainda hoje eu espero pela resposta a respeito do destino dos mais de 10 mil torcedores – por baixo – que foram ao Almeidão e não foram computados na divulgação do publico e, claro, da renda. 

O estádio estava lotado e foram anunciados apenas 20 mil torcedores, quando a capacidade é de mais de 35 mil. 

Eu, que fui a todos os jogos da Série C e adoraria assistir a estreia do Botafogo no Nordestão, me recuso a pagar R$ 30,00 para ir ao Almeidão no próximo domingo. Se o Vale-Legal não estivesse em vigência, tudo bem.