terça-feira, 14 de janeiro de 2014

UFPB em mudança*

*Coluna publicada no Jornal da Paraíba de 14/01/2014

A professora Margareth Diniz está há um ano e dois meses à frente dos destinos da maior universidade paraibana, a UFPB. 

Também farmacêutica, assim como são o governador Ricardo Coutinho e o prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo, Margareth acabou com a hegemonia de 20 anos de um mesmo grupo de professores da UFPB e sucedeu o hoje Secretário de Planejamento da PMJP, Rômulo Polari. 

Ontem, a Reitora da UFPB entregou-me em mãos um resumo das ações do primeiro ano do seu reitorado que compartilho com os leitores do Jornal da Paraíba.

Posse sem transição

Só para lembrar, Margareth Diniz assumiu a Reitoria da UFPB sem nem um dia sequer de transição administrativa. 

Nomeada numa quinta (7 de novembro), Diniz tomou posse numa noite de sexta e assumiu o cargo na segunda-feira seguinte. 

Isso porque os opoentes da atual reitora na eleição se recusaram a reconhecer sua vitória, que só não aconteceu no primeiro turno por “milimétricos” 0,34%, e depois de duas urnas que lhe dariam a vitória terem sido anuladas. 

Diniz só tomou posse depois de uma longa disputa judicial, na qual venceu em todas as instâncias.

Apoio às investigações da PF e da CGU

Poucos dias depois de assumir o cargo, toda a UFPB ficou estarrecida ao tomar conhecimento de um desvio de cerca de R$ 2,4 milhões da Fundação José Américo de recursos destinados à compra de alimentos para o Restaurante Universitário da instituição. 

Resultado desses desvios, o TCU bloqueou o restante dos recursos que a FJA tinha disponíveis no Governo Federal. 

Por sorte, como eles ainda não tinham sido repassados, a reitora conseguiu, depois de audiência com o Ministro José Jorge, do TCU, a liberação de 10 milhões de reais. 

Sem a intenção de perder o precioso tempo de sua gestão com problemas geradas na gestão anterior, a Reitora da UFPB resolveu deixar a cargo da Controladoria Geral da União (CGU) e da Polícia Federal a investigação das possíveis irregularidades, dando amplo apoio a elas. 

No que lhe cabia, Margareth Diniz criou Comissões de Tomadas de Contas Especiais para apurar responsabilidades em processos licitatórios, tendo em vista a investigação de possíveis danos causados à universidade e, em caso de comprovação, o seu ressarcimento. 

No âmbito dessas ações, a reitora promoveu mudanças na Comissão de Controle de Interno da UFPB e na Procuradoria Jurídica da instituição. 

Além disso, deu seguimento a 57 inquéritos administrativos que estão hoje em pleno andamento.

Hospital Universitário

Quanto aos problemas verificados no Hospital Universitário Lauro Wanderley, Diniz lembra que as investigações começaram em 2010, quando ela não era Reitora, e que o HU é um órgão suplementar da Reitoria, portanto, ligado diretamente ao Gabinete do Reitor. 

Depois que assumiu o cargo, todo apoio foi dado à PF e à CGU e, mesmo antes de encerrar o mandato da Superintendência do HU envolvida nas investigações, a Reitora nomeou novos dirigentes para o hospital, isso depois que a UFPB aderiu à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares, uma estatal criada pelo Governo Federal a quem os HUs estarão vinculados através de contratos de gestão.

Ainda no caso do HU, Margareth Diniz ressalta que, por quase três anos, um aparelho de ressonância magnética, um tomógrafo, dois aparelhos de raios X e dois mamógrafos, todos de última geração, permaneceram encaixotados pelos corredores do Hospital sem serventia alguma aos seus usuários, num verdadeiro desprezo pelo dinheiro público e pela saúde da população mais pobres. 

Ao assumir o cargo, a Reitora tomou providências para coloca-los em funcionamento. Como nem os projetos da reforma dos espaços do HU haviam sido feitos, a atual administração da UFPB investiu mais de um milhão de reais para viabilizar a instalação desses aparelhos, que em breve estarão em servido à população.

Avanços já em 2013

Mesmo em meio às dificuldades desse primeiro ano de gestão, Margareth Diniz revela dados que permitem comemorar importantes avanços. 

Por exemplo: na Avaliação Institucional, que leva em conta os dados referentes à graduação, a UFPB subiu de uma nota 3 para um 4 (a nota máxima é 5). 

No ranking acadêmico elaborado anualmente pela Folha de São Paulo e que leva em conta os números da graduação, pós-graduação, extensão, inovação tecnológica e inserção no mercado, a UFPB ficou no 4º lugar entre as congêneres nordestinas, e na 24ª posição no Brasil. 

Na captação de recursos para infraestrutura de pesquisa, a UFPB ficou em 1º lugar no Nordeste e em 5º no Brasil. 

Vinte e quatro cursos de Pós-Graduação da UFPB subiram de conceito nas avaliações da CAPES e dez novos cursos Stricto-Sensu foram criados em 2013. 

Em projetos de extensão, a UFPB ficou em 1º lugar no Brasil na captação de recursos.

Margareth Diniz destaca algumas ações. A UFPB adquiriu mais cem mil e-books e investiu mais de um milhão de Reais na compra de livros impressos. 

Em 2013, a universidade contratou de 11 Músicos e um maestro para viabilizar o funcionamento da Orquestra Sinfônica da UFPB e mais de 30 eventos foram realizados na Sala de Concertos Radegundis Feitosa. 

A Reitora comemora mudanças importantes na gestão da UFPB. 

“No ano passado, fizemos novas licitações para empresas de limpeza e de vigilância, e vamos implantar em breve um sistema de monitoramento eletrônico que vai ajudar muito ao trabalho da segurança interna da UFPB. Inauguramos as instalações do CTDR e promovemos grandes melhorias no campus do Litoral Norte. Com o Programa Universidade Participativa, duplicamos o orçamento dos 16 Centros da UFPB”.

Uma mudança, em especial, a Reitora destaca que sintetiza as mudanças que a UFPB vive hoje: 

“Executamos 95% do orçamento de 2013! Isso é um recorde para a instituição. Algo que me entristecia muito era ver o grande volume de recursos que eram devolvidos ao Tesouro porque a administração não os executava. Nossa meta é chegar aos 100%. E vamos trabalhar para isso em 2014.”

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