quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Veneziano e 2014

Em meio a uma intensa agenda de contatos políticos e de viagens por todos o estado, o candidato a governador do PMDB, Veneziano Vital do Rego, me recebeu ontem em João Pessoa para uma conversa sobre a conjuntura e o futuro de sua candidatura. 

Conversa que foi interrompida diversas vezes, diga-se de passagem, para que o “cabeludo” retribuísse os cumprimentos de eleitores, já que estávamos em um local público no bairro de Intermares, em Cabedelo.  

Veneziano se mostrou entusiasmado com o estágio de sua campanha e a boa recepção que tem tido por onde passa Paraíba adentro. E não se furtou em responder nenhuma questão que lhe foi apresentada.

Sobre a candidatura

Para Veneziano, antes de discutir qualquer candidatura, é preciso evitar a “personalização” do debate político para sejam enfatizadas as reais diferenças entre os postulantes a qualquer cargo público. 

Segundo ele, há hoje uma nítida ausência do debate programático entre os pré-candidatos. 

O ex-prefeito campinense fez questão de lembrar que o PMDB foi até agora o único partido a debater os problemas da Paraíba nos ciclos de debates promovidos pela agremiação por todo o estado: 

“O ‘Pensando a Paraíba’ tem o objetivo de inverter a lógica que preside a definição das candidaturas, colocando em primeiro plano o debate com a população dos problemas e dos desafios da Paraíba e as possíveis soluções”. 

Para Veneziano Vital esse é um diferencial, uma amostra que procura sintonizar sua candidatura com os novos anseios da população por novas formas de fazer política.

O candidato do PMDB está convicto da necessidade da Paraíba ter finalmente um projeto de desenvolvimento. 

“É preciso pensar urgentemente as nossas potencialidades para desenvolve-las. E cito um exemplo. Para o semiárido, é essencial que sejam introduzidas novas políticas de convivência com a seca para evitar os desastres sociais e econômicos que resultam de sua ocorrência.” 

Veneziano destaca a necessidade urgente de romper com a divisão que a Paraíba vive hoje, estimulada pelo comportamento desagregador do governador. 

“Como é possível unir a Paraíba para atrair mais investimentos estruturantes desse jeito, com um novo conflito sendo criado a cada dia? A gestação de qualquer projeto de desenvolvimento tem que passar pelo diálogo, pela definição de objetivos comuns para todos os paraibanos, independente de sigla partidária. E é o governador quem tem de ser capaz de liderar, de unir, e não de desagregar.”

Sobre a Cássio

Veneziano não vê nenhum problema no lançamento da candidatura do Senador Cássio Cunha Lima, a não ser para o projeto de reeleição do governador Ricardo Coutinho. 

Com a candidatura de Cássio, Vital do Rego acredita que o mais provável será uma polarização entre PSDB e PMDB, com o governador lutando a todo custo para entrar na disputa do segundo turno. 

“Com um quadro assim, com quais lideranças importantes Ricardo conta realmente para apoiá-lo no interior do estado. Ora, o PMDB tem uma estrutura partidária consolidada, com lideranças espalhadas pela Paraíba.” 

Veneziano acredita que, quando Cunha Lima lançar sua candidatura, poucas lideranças que hoje apoiam o governador manterão esse apoio. “Diante desse quadro, o governador tem dois grandes problemas, hoje: João Pessoa e Campina Grande. Em João Pessoa, RC vai penar muito para chegar aos 35% dos votos. Em Campina, se chegar a 10% já terá sido uma grande vitória.”

A grande dificuldade para a candidatura de Cássio continua sendo de ordem jurídica. Veneziano acredita que o problema da inegebilidade continua a ameaçar as pretensões do tucano de ser candidato a governador. “Será uma aposta. 

Cássio pode sair candidato, mas sempre sob a ameaça de não ter o registro da candidatura homologado ou cassado antes da eleição.” 

O peemedebista acredita que, para ajudar a candidatura de Aécio, Cássio pode usar essa estratégia. 

Perguntado sobre a possibilidade de um acordo com o tucano caso ele não possa ser candidato, Veneziano acha difícil de acontecer, mas não afasta a hipótese em definitivo: 

“Desde que o PSDB venha para o campo da oposição e esteja disposto a discutir um novo projeto para a Paraíba eu não veria problemas. Mas, Cássio precisa antes dizer claramente que não deseja a continuidade do atual modelo”.

Sobre a relação com o PT


Veneziano Vital considera que as relações com o PT sempre foram de confiança. “Desde 2002 atuamos juntos na Paraíba. Realmente, nós tivemos problemas em 2012 em Campina e em João Pessoa, mas eu acredito que isso já está superado, pelo menos de nossa parte. Remoer os erros do passado não ajuda em nada quando temos desafios bem maiores a enfrentar”. 

Diante da reclamação de dirigentes petistas de que o PMDB tenta conseguir o apoio do PT paraibano “por cima”, sem dialogar com o partido no estado, Veneziano diz que tem mantido diálogos informais com dirigentes petistas e que nunca se furtou a conversar com o PT. 

“Eu mesmo já tentei marcar várias conversas, inclusive em Brasília, na presença de dirigentes nacionais do PT, mas nunca obtive retorno”. 

Quanto às definições “por cima”, Veneziano lembra que quem recorreu a isso no passado foi o próprio PT, em 2010. 

“Foi a Direção Nacional do PT que estabeleceu como condição a indicação do candidato a vice na chapa para apoiar a candidatura do ex-governador José Maranhão. Foi assim que Rodrigo Soares foi indicado. E o PT sabe disso.” 

Veneziano considera que o lançamento da candidatura de Nadja Palitot não representa uma ameaça para sua candidatura. 

“Não acho de todo ruim a existência de três e até quatro candidaturas. Nas circunstâncias atuais, pode ser até bom, desde que nos juntemos todos no segundo turno.” 

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