segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Cenários de 2014: o PT entra no jogo e indicará nome do "Blocão" para o governo

O PT da Paraíba pensa grande e, como dizia antes, vai à luta

A semana que passou foi de muitas definições dentro do Partido dos Trabalhadores da Paraíba.

Depois de intensas e variadas conversas, que envolveram até mesmo a participação de Lula, as principais lideranças petistas chegaram a conclusão de que o chamado “Blocão” precisa urgentemente definir um nome para ser lançado ao governo.

O agrupamento de partidos que, por enquanto, inclui o PT, o PP e o PSC, corre o risco de se esvaziar na medida em que permanece a indefinição sobre se terá ou não um candidato a governador.

Por isso, o PT resolveu não mais esperar pela definição do Ministro e Deputado Federal Aguinaldo Ribeiro, que a cada aceno de uma possível candidatura ao governo é desmentido pelo próprio pai, Enivaldo Ribeiro, que reafirma a intenção do filho de se reeleger deputado federal no próximo ano.

Nem de Leonardo Gadelha, também Deputado Federal, cujo potencial como candidato a governador é indiscutível, mas que também está limitado pela decisão familiar de manter a cadeira que detém na Câmara dos Deputados.

A rigor, todos defendem que o “blocão” lance candidato, mas ninguém se dispõe a disponibilizar seu nome para enfrentar a batalha. Com isso, a depender da estratégia, perdem – ou ganham – tempo.

Por isso, cansado de esperar pela definição dos aliados, o PT resolveu se mover para tornar esse objetivo possível.

Espaços vazio a ocupar: João Pessoa

Há inquestionáveis espaços vazios a serem ocupados e que, seja em razão do discurso, da contrapropaganda da mídia governista, ou da distância temporal da campanha, o candidato do PMDB, Veneziano Vital, ainda não conseguiu ocupar.

Primeiro, o espaço vazio deixado pela liderança de Ricardo Coutinho em João Pessoa.

Os passos dados por RC desde 2009, quando anunciou a disposição de aliar-se ao PSDB de Cássio Cunha Lima a ao Dem de Efraim Moraes, deixaram órfãos um percentual expressivo do eleitorado pessoense que via no atual governador um novo modelo de político e de fazer política.

Eleito governador mobilizando em grande medida o largo sentimento antimaranhista, RC promoveu um fratura com seu passado e com o eleitor que foi o principal responsável por sua ascensão política.

RC se mostrou incapaz de dialogar, seja com os servidores, seja com a Assembleia, seja com os movimentos sociais de quem era, até chegar ao governo, um aliado inconteste.

Tanto que na eleição seguinte, Coutinho enfrentou uma pesada rejeição, associada à implementação de práticas administrativas de seu governo que o afastaram ainda mais de sua trajetória pregressa, e viu sua candidata naufragar na onda anti-ricardista tão bem mobilizada por Luciano Cartaxo e Luciano Agra em 2012.

"Protagonismo" em ação: eleições de Luciano, Charlinton e Lucélio deram asas ao PT 
Ou seja, o PT e Luciano Agra conseguiram ocupar na Capital o espaço que era monopólio de RC desde a morte de Antônio Mariz, em 1995. Esses dois têm perfis e histórias semelhantes a de RC, falam e representam um certo tipo de eleitorado que cresce a cada eleição, e não apenas em João Pessoa, e que quer se ver representado nas disputas eleitorais paraibanas.

O receio no embate que se avizinha é se, sem um candidato pessoense e que não tenha o perfil adequado, RC possa recuperar o terreno perdido e, sem opção à altura, o eleitor pessoense seja compelido a reeleger o atual governador.

O anti-ricardismo

Uma outra faixa do eleitorado que anda órfã é a do eleitor antiricardista, aquele que vota em qualquer um candidato menos no atual governador.

Esse eleitor é o que atualmente engorda, por mais paradoxal que pareça, os altos índices de intenção de voto do tucano Cássio Cunha Lima, tanto em João Pessoa quanto em Campina Grande.  

Esse eleitor tem origem, principalmente, no funcionalismo público estadual.

Não é maioria, mas na eleição de 2014 tende a assumir a condição de militante da causa anti-RC, e deve representar um expressivo exército não remunerado que atuará em cada espaço do debate eleitoral, seja no trabalho, seja no cotidiano.

Uma “militância” que impulsionou RC em 2010 em cada roda de conversa que se criava.

O problema, por exemplo, do PMDB é que ele não tem encontrado meios, ou criado fatos políticos, para falar a esse eleitor, que hoje vê em Cássio Cunha Lima o instrumento mais eficaz para derrotar RC.

O PT tem meios tanto para polarizar com o atual governador – coisa que o Prefeito Luciano Cartaxo, por exemplo e ao seu estilo, tem protagonizado – quanto para aglutinar forças em torno de si.

Ajudado, claro, tanto pelo espaço que detém em João Pessoa como pela força de uma candidatura nacional empurrada pela força do governo federal. E o “blocão”, com boas possibilidades de ainda ser engordado pelo PPS, PTB e PCdoB, é o exemplo mais cabal disso.

Um programa de desenvolvimento para a Paraíba

O PT vai tentar um movimento para ocupar o espaço de principal força de oposição no estado o que deve implicar, por mais que muitos desprezem esse debate, uma contraposição consistente e inovadora em termos programáticos.

O governo Ricardo Coutinho se esvai sem que ele tenha deixado claro qual sua estratégia de desenvolvimento, se é que algum dia ele tenha elaborado uma. RC é o exemplo cabal do desprezo pelo debate de ideias e pelo pragmatismo mais desedeologizado.

Mais ainda: em muitos aspectos, RC regrediu, a exemplo do plano de terceirizar os hospitais públicos do estado, o que representou para muitos uma surpresa, especialmente se considerarmos a origem de sindicalista da área da Saúde Pública do atual governador. Para quem sempre defendeu o SUS...

Vejam os conflitos com o MST, cujas raízes vão além das dificuldades de diálogo com o movimento, e se relaciona com uma opção conservadora de desenvolvimento rural.

Para o semiárido, o governo RC se encerrará sem ter contribuído em nada para o avanço de políticas de convivência com a seca.

Enfim, esses exemplos mostram a falta de consistência programática do atual governador e representam um flanco aberto para uma candidatura que seja capaz de protagonizar um debate que vá além da velha dicotomia política e eleitoral do estado.

O povo quer novidade e está aberto a ela. E o PT é, inquestionavelmente, um partido que tem legitimidade para propor e liderar esse debate.

De olho em 2018

Observada a partir da conjuntura desse final de ano, a estratégia do PT de lançar candidato para a eleição do próximo ano leva em conta três movimentos:

1) a eleição presidencial, prioridade máxima em 2014;

2) derrotar Ricardo Coutinho, principalmente depois do lançamento da candidatura de Eduardo Campos;

3) projetar o partido para 2016 e 2018, eleições irremediavelmente interligadas num projeto de poder que tem como horizonte final a conquista do governo paraibano.

Quem não levar em conta esses três movimentos para o PT não será capaz de vislumbrar o que orienta o partido hoje e o que estará em jogo em 2014.

Por isso, Veneziano Vital não deve contar com o apoio do PT. Não até que seja testada a viabilidade política e eleitoral da estratégia atual.

O PMDB deve, por isso, construir sua própria estratégia sem levar em conta o apoio e a participação do PT em uma chapa comum no primeiro turno, o que deve aumentar a pressão no interior do partido de Veneziano Vital.

Só depois da indicação de Vital do Rego Filho para o Ministério da Integração Nacional, se isso vier acontecer mesmo, ficará mais claro o nível da relação política entre o PT e o PMDB.

Mas, o lançamento de uma candidatura do PT pode não ser de todo ruim para Veneziano Vital, caso ele consiga ir para o segundo turno contra RC. Nesse caso, uma estará formada uma “frente única” contra Coutinho e isso pode ser um pesadelo para quem disputa uma reeleição.

Por isso, RC também estará de olho. O lançamento de uma candidatura do PT, mesmo que não logre êxito, aumenta muito as chances de a eleição ir para o segundo turno, especialmente com as perdas que o atual governador sofrerá em João Pessoa.


Mas, a candidatura de RC será objeto de análise em futuro breve. Por ora, a grande novidade é a entrada do PT no jogo eleitoral, que está apenas começando. 

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