sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Candidatura de Cássio impõe unidade PMDB-PT na Paraíba

Um dos argumentos mais utilizados por petistas de alta patente contra a coligação com o PMDB, apesar dos dois partidos estarem unidos no plano nacional, era o alto risco de uma eleição com apenas duas candidaturas, o que aumentava as chances de vitória de RC já no primeiro turno.

O lançamento da candidatura própria do partido ao governo do estado, tinha, portanto, uma justificativa estratégica, além de reafirmar o bordão inaugurado em 2012 (“protagonismo petista”), que o PT levou à vitória em João Pessoa.

Pois bem, o já previsível anúncio da candidatura do Senador Cássio Cunha Lima imporá uma redefinição das estratégias eleitorais para todos os partidos, inclusive e principalmente, para o PT.

Se já era discutível a possibilidade de uma terceira via na política paraibana, imagine agora uma quarta via, que é o espaço que sobrará para o PT diante das candidaturas de Ricardo Coutinho, Veneziano Vital e Cássio Cunha Lima.

Com o agravante de que a candidatura de Nadja Palitot ainda é só uma promessa, carecendo ainda de consistência eleitoral.

E, se considerarmos que 2014 é um o ano de Copa do Mundo no Brasil, que espremerá o tempo de campanha entre meados de julho a início de outubro, portanto, a pouco mais de dois meses, o desafio petista de empinar a candidatura de Nadja Palitot é inglório.

Ou alguém acha que o povo se preocupará com eleição antes que a Copa termine?

Eleição de Dilma é mesmo prioridade para o PT?

Num quadro com quatro candidaturas, duas de oposição e duas em apoio ao projeto nacional do PT, não é desconsiderável o risco de um segundo turno entre dois adversários de Dilma na Paraíba.

E, mesmo que o PT tenha alcançado um novo status político depois da conquista da prefeitura de João Pessoa, não parece provável que sua candidata encontre espaço para crescer e se mostrar viável.

Portanto, o quadro eleitoral da Paraíba é muito distinto de outros estados onde existe o confronto entre peemedebistas e petistas, como é o caso do Rio de Janeiro e Paraná, onde o PT tem candidaturas eleitoralmente viáveis na disputa. No caso do Rio, Lindberg Farias está à frente de Antônio Pezão, do PMDB.

No caso da Paraíba, manter uma candidatura que ainda não mostrou viabilidade apenas ajuda a acirrar desnecessariamente os ânimos de uma aliança nacional que anda em crise. E num momento-chave.

Além desse inconveniente atual, é preciso considerar a situação política que pode se gestar no futuro.

Em razão do fraco desempenho da candidata do PT, não vem a ser uma consideração despropositada afirmarmos que, hoje, temos três candidatos com chances de vitória na disputa estadual, e que disputarão as duas vagas no segundo turno.

Um desses candidatos, Ricardo Coutinho, está sentado na cadeira de onde conduz uma poderosa máquina administrativa e política do governo estadual, e que não pode ser subestimado.

O outro, o Senador Cássio Cunha Lima, tenta encarnar o papel do mais puro antiricardista, e é considerado, hoje, favorito à vitória, desde que antes consiga registrar sua candidatura.

O terceiro, mas não menos importante, é o ex-prefeito de Campina Grande, Veneziano Vital, que conta, além da máquina política e eleitoral do PMDB, o maior partido do estado, com a experiência administrativa de ter governado por oito anos a segunda maior cidade da Paraíba, além de um potencial discursivo que normalmente é uma arma poderosa em campanhas eleitorais.

Assim, numa disputa entre esses três candidatos, o risco de um segundo turno entre PSB e PSDB é altíssimo, o que representará um desastre político para o PT, que terá de optar, a depender de quem vá para o segundo turno com Dilma Rousseff, entre um desses dois adversários.

E qualquer um deles que vença representará um sério óbice para o projeto de o partido manter o controle da Prefeitura de João Pessoa em 2016.

Parece que chegou a hora do PT reavaliar sua estratégia e se inserir na disputa real que começa a se desenhar para 2014, na Paraíba e no Brasil. Nesse caso e nessa conjuntura, lançar candidatura própria pode ser a antítese do protagonismo que o PT exerce desde que conquistou o governo federal, em 2002.

É essa hegemonia que estará em jogo nas eleições presidenciais de 2014, com repercussões históricas na vida política do país e da América Latina.

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