terça-feira, 15 de julho de 2014

Os BRICS podem ser o grande acontecimento geopolítico do século XXI

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O que aconteceu hoje em Fortaleza tem uma relevância futura imensurável para o Brasil na sua relação com os EUA e a Europa, a quem sempre abanamos o rabo em busca de aprovação e consentimento para tudo que fazíamos.

Desde Lula, o Brasil apostou nos BRICS, apostou em relações econômicas com o Hemisfério Sul, com a América Latina e com a África, estabelecendo laços econômicos e políticos que ampliaram a influência brasileira no mundo.

Hoje, demos um grande passo para consolidar essa aliança estratégica entre quatro potências emergentes. Primeiro, criamos o Banco dos BRICS, com uma capital inicial de 100 bilhões de dólares, cujo principal destino é apoiar as economias dos países membros das intempéries do mercado financeiro e dos seus ataques especulativos.

Parte desses recursos será destinada ao financiamento de investimentos em infraestrutura (INFRAESTRUTURA), o que mostra o novo perfil dessa aliança estratégica voltada para o apoio à superação dos gargalos e limitações de cada economia - uma dica: pesquisem para ver o que financia o Banco Mundial em países como o nosso e as exigências que ele faz para conceder esses empréstimos.

A aliança se estende para o comércio entre os membros, quando nas importações serão pagas em moeda do país comprador, o que é uma revolução em termos de padrão monetário, de conversibilidade de moedas, uma experiência que, pelo menos nas transações entre os BRICS, representará o início do fim da dependência em relação ao dólar e ao Euro.  Nunca é demais lembrar que o PIB somado dos BRICS ultrapassa os 20 trilhões de dólares. E a projeção é de que, daqui a 15 anos, das sete maiores economias do mundo, quatro pertencerão ao bloco -China (1º), Índia (3º), Brasil (4º) e Rússia (6º).  

E é bom lembrar que os BRICS são muito mais que um arranjo comercial entre economias de peso similar. Os cinco países que hoje compõem os BRICS representam mais do que a força demográfica, e de mercado interno, portanto, que chegam sozinhos a quase 3 bilhões de pessoas, o que representa mais de 40% de toda a população mundial.

Os BRICS são também uma força militar. Dos cinco membros, três dispõem de bombas nucleares - uma das tristes exceções é o Brasil, em razão da subserviente assinatura de FHC no tratado de não proliferação de armas atômicas. Mas, especialmente China e Rússia, além de contrabalançarem a força militar dos EUA, representam a possibilidade de parcerias estratégicas em transferência de tecnologia na área militar, algo que já está em andamento com a aquisição de caças da Suécia.

Os BRICS dispõem de imensas reservas minerais e de energia em seus amplos territórios. Dos sete maiores países em extensão territorial, quatros (Rússia, China, Brasil e Índia) pertencem ao bloco, e podem estabelecer relações de complementariedade.

Enfim, os BRICS podem ser o grande acontecimento geopolítico do século XXI.


PS. E o PT da Paraíba está preocupado com isso? Pelo jeito, continua perdido dentro do imenso umbigo de Luciano Cartaxo.

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