quinta-feira, 6 de novembro de 2014

PT reduz votação e perde espaço em 2014, mas ainda tem o futuro pela frente

Quem tinha expectativas de que o Partido dos Trabalhadores aumentasse seus peso politico e eleitoral nas eleições 2014 em razão da conquista da Prefeitura da maior cidade o estado, a capital João Pessoa, certamente decepcionou-se. Ou surpreendeu-se
Em 2014, o PT reduziu sua votação nas eleições proporcionais (Assembleia e Câmara dos Deputados), e nas eleições majoritárias seu candidato a Senador foi derrotado por outra candidato que até o final de junho sequer era candidato, e contava com uma estrutura de campanha infinitamente inferior.
Além disso, a presidente do PT à reeleição, Dilma Rousseff , também diminuiu sua votação em relação a 2010 tanto no estado, mas especialmente, vejam só, naquela que é a única capital nordestina governada por um petista.
A derrota em números
Para a Assembleia Legislativa, o PT reduziu sua votação em quase 11%. Dos 136.920 votos obtidos em 2010 (incluídos os de legenda), os candidatos a deputados estaduais petistas viram sua cair para 111.510 agora em 2014.
O resultado disso foi uma redução na bancada de três para apenas dois deputados numa assembleia de 36 deputados, ou seja, o PT tem pouco mais de 5% do parlamento estadual paraibano.
Para a Câmara dos Deputados, apesar de mantido a única representação que tinha, a do deputado Luiz Couto, o PT viu sua votação cair em quase 60 mil votos, de 174.384 para 132.973.

O próprio Luiz Couto perdeu mais de 25 mil votos entre uma eleição e outra. De 95.555, em 2010, para 69.922, uma perda de quase 25%!

E é bom lembrar que Couto era quase um candidato único de todas as forças internas do PT – seus principais adversários eram recém filiados ao partido, Bira Pereira e Odon Bezerra, – e seguramente contou com o apoio do governador Ricardo Coutinho pelos anos de fidelidade ao seu projeto de poder.

Senado: petista é derrotado

Quanto ao Senado, Lucélio Cartaxo, irmão do prefeito pessoense Luciano Cartaxo, foi derrotado por José Maranhão, do PMDB, que lançou-se candidato no dia da Convenção do partido, a pouco mais de três meses da eleição. Detalhe: Maranhão, até então o favorito nas pesquisas para o Senado, apoiaria a candidatura de Lucélio em troca do apoio do PT ao candidato a governador do PMDB.

Sem alternativa por conta da ruptura unilateral do PT da aliança que estava acordada, o PMDB lançou José Maranhão, que acabou ocupou os espaço que seria de Cartaxo no enfrentamento de candidatos  frágeis eleitoralmente para vencerem disputas majoritárias, até então Rômulo Gouveia e Wilson Santiago.

Não há qualquer dúvida que teria sido muito mais fácil derrotar Rômulo Gouveia e Wilson Santiago nessa disputa.

E como Gouveia não foi candidato, substituído que foi por Lucélio, fica a dúvida de como seria seu desempenho, mas é quase certo de que não seria muito superior ao que alcançou Santiago, cuja fragilidade se mostrou por inteiro durante a campanha.

Um dos motivos para a vitória de Maranhão tem a ver com o maior conhecimento do peemedebista em meio ao eleitorado por ter sido ele três vezes governador, senador e várias vezes deputado federal, além de ter participado das duas últimas disputas para o governo.

Tão importante quanto o recall maranhista, entretanto, foi o fato de ter sido ele o desaguadouro tanto das insatisfações dos aliados de Santiago como de sua condição de ex-governador que foi a referência durante um bom tempo para parte expressiva do eleitorado.

Sem buscar pontos de atrito, Maranhão, ao contrário,  como eu disse antes da eleição, foi tratado como uma verdadeira “noiva” da eleição, tanto por RC como por Cássio, o que permitiu agregar votos de todos os palanques.

Isso poderia ter também acontecido com Lucélio, já que todos esses que deixaram o palanque de Wilson Santiago compõem a base de apoio da presidente Dilma no Congresso.

Por outro lado, como o PT esperava, Cartaxo não conseguiu reproduzir no palanque de RC o bom desempenho do “socialista”, especialmente nas grandes cidades.

Nas 10 maiores, Lucélio venceu Maranhão em quatro (João Pessoa, Bayeux, Santa Rita – esta por uma diferença de apenas 1572 votos, – e Sousa, enquanto Maranhão venceu Lucélio em seis municípios (Cabedelo, Guarabira, Sapé, Campina Grande, Patos e Cajazeiras).

A diferença de votos que o petista colocou nessas dez cidades sobre o peemedebista (31.454 votos), toda foi resultado da votação obtida na capital que lhe rendeu uma diferença de 79.970, diferença que foi facilmente tirada no restante do estado tanto quanto a disputa se encaminhava para os municípios menores.

Se João Pessoa for excluída, Maranhão venceria nessas 10 maiores cidades por quase 50 mil votos!

Ou seja, Lucélio Cartaxo perdeu as eleições onde um candidato com suas características no Nordeste normalmente ganharia, enfrentando adversários que o eleitorado rejeitou nessas eleições. Especialmente se contasse com o apoio do PMDB e de José Maranhão.

Venceu em João Pessoa com o apoio das duas poderosas máquinas administrativas juntas, com uma estrutura de campanha que chamou a atenção pela visibilidade apresentada, enquanto quase não se via campanha do seu principal adversário nas ruas.

As famosas jovens que seguram bandeiras nas ruas para candidatos foram novamente substituídas por escassos baldes de cimento como apoio para as de Maranhão.

E mesmo na capital Lucélio não conseguiu repetir o desempenho que RC obteve para o governo no primeiro turno: 50,3%, enquanto Coutinho chegou a 56%, o que significam 51 mil votos de diferença entre um e outro.

Só em Campina Grande Maranhão obteve 54.061 mil votos, quase 29 mil de frente. E em Patos, 18 mil só de diferença!

Considerando apenas os resultados eleitorais, vê-se que a aliança do PT com o governador reeleito Ricardo Coutinho, como eu já analisei anteriormente, foi fundamental e decisiva para a vitória do “socialista”, mas para o PT representou uma regressão em relação aos resultados obtidos pelo partido até 2010.

Dilma teve seu oitavo pior desempenho no Nordeste em João Pessoa

Acima, o mapa eleitoral para presidente das capitais nordestinas 
Para completar o quadro que mostra uma regressão em termos eleitorais do PT no estado, é só observarmos o desempenho de Dilma Rousseff em João Pessoa, a única capital administrada pelo partido no Nordeste.

Das nove capitais, Dilma só teve um desempenho pior em Maceió. Em João Pessoa, Dilma perdeu em toda orla, ou seja, nos bairros mais ricos da cidade, fato que também se reproduziu em Maceió. Nos bairros do centro e nas regiões mais periféricas da capital, Dilma se aproxima do desempenho obtido no restante do estado (64%).

O mesmo não aconteceu com o governador Ricardo Coutinho, que teve um desempenho mais homogêneo em todas as regiões da Capital, superior a 55%.

O futuro do PT na Paraíba

O resultado eleitoral de 2014 do PT no estado deve acender o sinal de alerta para a direção partidária, especialmente para o grupo mais próximo do Prefeito Luciano Cartaxo.

Avaliação de resultados eleitoral é voto em urna. É ele quem separa um desempenho vitorioso de um desempenho frágil. E é preciso analisar a evolução de cada força política.

Em 2014, diferente de todas as eleições anteriores, o PT tinha sob seu controle a Prefeitura da João Pessoa, a maior cidade do estado. No mínimo, se esperava um crescimento eleitoral do partido, mas o que se viu foi uma regressão.

Ou seja, parece haver equívocos tanto quanto no projeto político do partido quanto no perfil da administração pessoense.

Esse vai-e-vem em relação aos aliados, por exemplo, parece demonstrar essa confusão. De aliado preferencial até 2010, o PMDB passou a ser tratado como adversário; Luciano Agra, que recebia pesadas críticas do PT, tornou-se um aliado decisivo em 2012; e Ricardo Coutinho, a quem o PT fez oposição tenazmente por mais de três anos e meio, de repente se torna aliado na eleição seguinte.

Tudo isso não deixa claro qual é mesmo a do PT. Alterações tão abruptas de rumo podem ser perigosas, especialmente em um quadro claramente de mudança no perfil do eleitorado.

Quanto à administração petista em João Pessoa, a confusão é geral e reflete a confusão que acontece na política de alianças do PT no estado. Aqui, até mesmo o PSDB participa de cargos estratégicos da administração municipal, numa acomodação cujo custo político põe em risco o tal “modo petista de governar”, marca que o PT implementou em suas administrações e que o distingue dos outros partidos.

O campo está aberto, entretanto, para a reeleição de Luciano Cartaxo, cujo favoritismo só pode ser colocado em risco pelos erros na condução política do PT e da administração pessoense.

Com o rol de obras e ações que já existem e que começarão a aparecer no próximo ano não me parece que haja, por enquanto, qualquer candidatura a ameaçar o projeto de reeleição do atual prefeito.

E a “administração da política” cartaxista parece ser o maior gargalo que ele enfrenta. Caso ele resolva esses entraves, o caminho estará livre para a conquista de mais um mandato em João Pessoa sem que sejam necessárias alianças que comprometam ou restrinjam projetos futuros.

Se é que o PT os tem.

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