quinta-feira, 28 de maio de 2009

PT, SER E NÃO SER II


“O PT é governo”. Eis o argumento dos “maranhistas” repetido quase como um mantra para defender não apenas o apoio ao governo, mas a aliança com o governador José Maranhão, do PMDB, em 2010. É verdade que esse grupo também tem repetido a cartilha de que “2010 se discute em 2010”, o que é uma obviedade tão inútil em temos práticos que só serve para que os seus autores fujam das incômodas perguntas dos jornalistas.

A estratégia do grupo maranhista tem tido como principal óbice o conhecido apetite por cargos dos deputados estaduais peemedebistas, que deixam a ver navios nos municípios do interior do estado os deputados do PT que não foram majoritários em 2006 (coitado de Jeová Campos, que não consegue indicar um diretor de hospital em Cajazeiras!), o que cria uma clara insatisfação nas “bases” e tem sido responsável pelo avanço da banda ricardista no PT do interior.

E esse fato também reverbera na atuação dos dois nomes indicados pelo PT e nomeados pelo governador José Maranhão, o professor da UFPB, Rodrigo Freire, amigo e colega de UFPB que dirige a PBTur, e a engenheira Giucélia Figueiredo, que é Secretária de Desenvolvimento Social. Aparentemente limitados pela falta de autonomia em gerir suas pastas, o PT governista tem assumido o “ônus” de defender o governo sem poder aplicar as políticas do PT. Isso não só ajudaria aos secretários do PT diferenciarem-se, em termos políticos e administrativos, do PMDB, e, em especial, dos maranhistas de carteirinha que infestam o governo nas principais pastas, tanto quanto de outras legendas, como o PSDB, à direita, ou do PSB, ao centro.

Ora, por razões lógicas, esses espaços administrativos deveriam ser hegemonizados pelo PT não só por razões políticas, mas também administrativas, já que tais atitudes têm impedido a montagem de equipes mais qualificadas para levar os projetos petistas à frente. Quando os petistas que defendem o governo não agem para alterar essa situação deixam a entender que existe uma dependência política em relação ao PMDB, além da ausência de senso estratégico tendo em vista os objetivos mais gerais do PT e que justificariam, em tese, a sua existência como partido.

Talvez isso ocorra em função das circunstâncias como José Maranhão assumiu o cargo e pelo escasso tempo que tem o governador para organizar o governo e sua base de apoio visando enfrentar a disputa de 2010. Entretanto, e talvez por isso mesmo, tratar os aliados de maneira que expresse respeito por tradição e por sua história, especialmente o PT, que é o partido do presidente Lula, fosse mais adequado e mais justo da parte do governador para com os que o defendem e desejam estender o seu apoio ao projeto de reeleição no interior do Partido dos Trabalhadores. Em grande medida, esse tratamento dado ao PT no governo Maranhão é resultado de uma política que tem impedido o partido de se colocar como alternativa real aos grupos tradicionais da política paraibana.

Considero que as conseqüências disso sejam três, pelo menos: 1) inviabiliza a formação de sólidas e representativas lideranças petistas, que expressem o interesse estratégico do partido na sua atuação, e não os interesses de minúsculos grupos que orbitam em torno dos poucos gabinetes; 2) uma nítida intervenção organizada dos grupos tradicionais dentro do PT, através dessas “lideranças; 3) o resultado de tudo isso é que a Paraíba, provavelmente, é o estado em que o PT menos avançou eleitoralmente no Nordeste, restando-lhe uma atuação marginal na política paraibana e à sombra dos interesses externos ao partido, seja do grupo Cunha Lima, entre 2000 e 2002, e, desde 2004, de José Maranhão e Ricardo Coutinho. Uma representação de apenas um deputado federal, dois estaduais e de pouquíssimos prefeitos diz muito pouco do peso que o PT adquiriu no Nordeste e a tendência é que o PT continue assim, vença quem vencer essa disputa dentro do PT.

A grande pergunta a ser feita às lideranças e filiados do PT é a seguinte: é esse o modelo de fazer política dos grupos tradicionais que o PT pretende perpetuar na Paraíba depois de 2010, ou o PT deve apresentar alternativas reais de gestão pública? O que o PT pretende apresentar à sociedade, em termos de modelo de desenvolvimento econômico e social e o coloque como alternativa real ao povo paraibano?

É sobre isso que trataremos amanhã.

Um comentário:

simone de oliveira beltrao disse...

Flavio
brilhante analise da situaçao hamletiana em que se encontra o PT da Paraiba: concordo com voce, o PT da Paraiba nunca se consolidou com projeto proprio e expulsou a unica liderança emergente!!
A situaçao esta' complicada!
abraços
Giuseppe Tosi