segunda-feira, 19 de março de 2012

Razões para a vitória da candidatura própria e o próximo desafio do PT

Cartaxo: ser ou não ser antiricardista?
Não foi exatamente uma surpresa a vitória da tese da candidatura própria no PT na eleição de ontem. Quem conversava com os filiados individualmente – não aqueles diretamente ligados aos grupos envolvidos nesse embate – percebia uma nítida disposição de lançar novamente o PT com cara própria nos embates eleitorais.

A dúvida que persistia era qual a influência que as máquinas estadual e municipal iriam exercer na mobilização dos filiados petistas. Mas, num partido como o PT, isso só não basta. Era preciso discurso para justificar a tese da aliança com o PSB, uma aliança em o partido sempre foi força periférica tanto no município quanto no estado.

E nesse ponto, RC não ajudou em nada aos aliados petistas. Ele foi incapaz mesmo de acenar com a vaga de vice-prefeito para o partido, o que era uma maneira de dizer: o tratamento que será dado ao PT será condizente com o tamanho e a importância do partido.

E esse ponto, aliado ao desgaste de RC num partido fortemente influenciado pelo funcionalismo público, foram uma combinação perfeita para que a vitória da candidatura própria, até meados do ano passado considerada improvável, se realizasse de uma maneira inquestionável (55% a 45% dos votos válidos).

E o que afirmamos logo acima pode ser observado nos resultados de bairros de classe média em que a tradição da militância petista sempre foi mais forte, como foi o caso dos Bancários onde a candidatura própria obteve um expressivo resultado. O grupo de Luiz Couto foi empurrado para os bairros mais periféricos, mas mesmo em Mandacaru, reduto dos “coutistas”, a tese da candidatura própria foi bem votada.

E sem considerar o alto índice de abstenção, provavelmente influenciada de desmotivação causada por uma luta interna sem fim do PT paraibano. Esse eleitor provavelmente tenderia a votar pela candidatura própria.

Enfim, o PT se credencia para uma disputa que se mostra cada vez mais aberta e que terá um caráter cada vez mais plebiscitário. O PT que venceu tira parte considerável de sua força no antiricardismo de seus dirigentes e de sua base. Muitos dos que saíram de suas casas no domingo para votar fizeram isso para evitar que prosperasse a aliança com o PSB. E se Luciano Cartaxo subestimar esse “espírito” mostrando uma postura dúbia pode ter sua candidatura engolida pela disposição cada vez mais beligerante de parte do eleitorado pessoense.

Outro desafio do PT para manter suas chances de vitória reside na capacidade de união de suas lideranças, o que determinados acontecimentos verificados ontem mostram que isso é uma quimera cada vez mais distante.

Sem essa unidade, ou pelo menos sem o fogo amigo, a candidatura de Luciano Cartaxo tem suas chances de vitória fortemente reduzidas. E isso é uma tarefa que só a direção nacional do partido, quem sabe até mesmo com a intervenção direta do próprio Lula, pode ser superado. Enfim, o PT depende apenas de suas próprias forças para tornar sua candidatura competitiva.

Na próxima postagem, continuarei explorando o veio aberto com a decisão do PT de lançar candidatura própria. Quem ganha e quem perde com a decisão e, principalmente, a dúvida que ainda mantenho: até que ponto Luiz Couto, o único candidato que pode enfrentar Luciano Cartaxo com chances de vitória numa prévia, está disposto a evitar que a derrota de ontem não seja definitiva.

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