segunda-feira, 19 de maio de 2014

RC prescindirá do apoio dos grupos e lideranças locais?

Em Patos, cidade com 70 mil eleitores, o governador Ricardo Coutinho conta com apenas com o apoio do suplente de deputado, Monaci Marques. Isso será suficiente?
Estive em Patos no fim de semana, onde fui participar de uma discussão sobre os “ecos da ditadura” e rever grandes amigos. Na Capital do Sertão, aproveitei para sentir o clima político fora dos ares litorâneos e conversar com muita gente.

Lá, o quadro atual é muito semelhante ao do restante do estado. Segundo a avaliação de um atento observador da política local e estadual, o jornalista e comentarista político Genival Jr., a situação eleitoral dos principais candidatos ao governo permanece inalterada desde que as aferições começaram a incluir o nome do Senador Cássio Cunha Lima na disputa: o tucano lidera, seguido de RC, com Veneziano em terceiro.

A grande dúvida que permanece é se esse quadro se manterá quando chegar a hora da onça beber água, ou seja, quando a campanha começar de verdade e os exércitos de apoio forem pra rua.

Quando isso acontecer, será uma boa oportunidade para confirmar ou não a crença – isso talvez se configure mesmo como uma aposta – do governador Ricardo Coutinho, principalmente depois do rompimento da aliança com Cássio, de que haverá um descolamento de parte expressiva do eleitorado das lideranças e grupos políticos locais.

No caso de Patos, RC conta hoje apenas com o apoio do (suplente de) deputado estadual, Monaci Marques (PPS), que assumiu recentemente a titularidade do mandato.

Os dois principais grupos políticos da cidade liderados por Nabor Wanderley/Francisca Mota (PMDB) e Dinaldo Wanderley (PSDB), que disputam há mais de 20 anos a hegemonia em Patos, apoiam Veneziano e Cássio, respectivamente.

É lícito, então, perguntarmos se a situação atual permanecerá inalterada quando esses grupos colocarem suas estruturas na rua, conjugando as campanhas proporcionais e majoritárias.

Esse quadro também tende a se reproduzir nos principais centros políticos do estado (Campina, Guarabira, Sousa, Monteiro), onde, à exceção de Cajazeiras, RC não conta com um suporte eleitoral local de força e tradição.

É exatamente nisso – apoio de grupos e lideranças locais – que é apontado como a principal fragilidade do governador Ricardo Coutinho, que reside a força de Cássio e Veneziano.

No caso desse último, o suporte que darão PMDB e PT pode ser a chave para visualizar a via pela qual Veneziano Vital pretende percorrer para chegar ao segundo turno, alimentada pela polarização nacional que começa a se consolidar entre PSDB e PT.

Por que RC acena para o PMDB?

Como é por demais sabido, o governador não conta com o apoio das principais máquinas partidárias do estado e de suas lideranças. Em 2010, ninguém duvida que foi o deslocamento do cassismo – não apenas de Cássio Cunha Lima – em direção a RC que lhe deu a apertada vitória para o governo.

E não é por outro motivo que o governador lança publicamente impetuosas cantadas ao PMDB para obter o apoio do partido e retirar-lhe a candidatura própria.

RC procura desesperadamente uma ponte, seja para um acordo já no primeiro – para 
evitar o ato de desespero que será indicar Efraim Moraes para vice, – seja para o segundo turno, a depender do seu desempenho.

E, mais importante: retirar Veneziano da disputa, que é hoje não apenas a principal ameaça à sua candidatura em um possível segundo turno, mas também à de Cássio.

Mesmo que não surta o efeito desejado, a ação de RC tenta criar um sentimento no eleitorado de esvaziamento da candidatura de Veneziano Vital.

Por que Cássio acena para o PMDB?

O mesmo se pode dizer de Cássio Cunha Lima, mas em outra perspectiva. Cássio está numa situação muito mais confortável quando o assunto é presença no segundo turno, mas, nem de longe, ele pode se considerar vitorioso.

Por isso, a reação do Senador tucano à cantada de RC foi imediata ao conclamar a “unidade das oposições”. Ou seja, Cássio respondeu com um outro aceno para o PMDB.

Esse discurso tem quatro objetivos imediatos: afastar os peemedebistas de qualquer diálogo com RC, reforçar sua identidade política com a “oposição”, já que RC – e Veneziano – continuam insistindo no tardio “oposicionismo” cassista, e começar a construir uma “frente” contra RC, neutralizando os ataques de Veneziano a Cássio, e reforçar as tensões internas no PMDB, que ainda existem, quanto a uma aliança com Cássio já no primeiro turno.

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