terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Resultado do PED fortalece candidatura de Luciano Cartaxo a vice

Além de decidir quem seria o Presidente e qual seria a composição do Diretório Regional que comandará as negociações a respeito de qual candidato a governador o Partido dos Trabalhadores paraibano apoiará em 2010, os filiados do PT foram às urnas para decidir se o partido lançaria um Senador ou um Vice-Governador numa das chapas majoritárias que devem se forma para concorrer ao Palácio da Redenção no próximo ano.

Deste modo, abertas as urnas e declarada a vitória da aliança liderada por Rodrigo Soares, Luciano Cartaxo viu consolidada sua posição no cargo que ocupa, pois senta agora na cadeira de Vice-Governador respaldado por uma sólida vitória do agrupamento de forças que lhe deu sustentação desde o início do governo, situação que seria enfraquecida e ameaçada caso o vitorioso tivesse sido o deputado federal Luiz Couto.

Além disso, mais do que fortalecer, o resultado do PED consolidou a provável indicação de Luciano Cartaxo como candidato a vice na chapa do PMDB de José Maranhão. Mesmo que seja clara hoje a opção do governador em ter como companheiro de chapa o prefeito de Campina Grande, Veneziano Vital, não por qualquer tipo de veto ou restrição ao nome de Cartaxo, mas por razões estritamente eleitorais por conta de uma disputa que pode vir ser renhida no próximo ano.

E ter o nome de uma jovem liderança em ascensão, como Veneziano Vital, pode ser sem dúvida um trunfo importante para a disputa que se avizinha. Veneziano é um contraponto respeitável ao prefeito de João Pessoa, Ricardo Coutinho, tem forte apelo político, especialmente entre os jovens, além de ser ele prefeito de uma cidade que, nos dois pleitos anteriores, foi decisiva ao oferecer, numa acirrada disputa, uma diferença de tal monta em favor de Cássio Cunha Lima que não foi possível ser superada no restante da Paraíba. Em função desse último aspecto, Veneziano conta ainda, em seu currículo, com o quase mitológico feito de ter derrotado os Cunha Lima, por duas vezes, na Rainha da Borborema, por 20 anos uma fortaleza inexpugnável.

Mas, nem sempre é possível ter tudo, especialmente em política. E provavelmente José Maranhão tenha que fazer uma opção entre indicar um nome como Veneziano Vital para reforçar sua candidatura em Campina Grande, ou o de Luciano Cartaxo para representar o PT na chapa majoritária e manter com isso um lustre político significativo para neutralizar, deslocar para a direita e lá isolar a atual candidatura de Ricardo Coutinho, um candidato certamente mais à esquerda que José Maranhão, mas com companhias que negariam contundentemente essa posição.

Entretanto, vendo os sinais de hoje, pode ser que Veneziano Vital nem esteja à disposição, pois ele não parece hoje muito disposto a entrar nessa disputa. Não na condição de vice. Principalmente se for para confrontar o PT que, a rigor, só tem a vice para reivindicar. Isso porque, como é por demais óbvio, o PT não conta com um nome suficientemente forte e competitivo para compor uma das vagas para o Senado, a não ser o nome do deputado federal Luiz Couto. Entretanto, Couto está completamente afastado como opção para compor a chapa majoritária com o PMDB devido ao seu comportamento durante o PED, de freqüentes ataques proferidos contra o governador José Maranhão, o governo do qual o PT faz parte e até aos próprios companheiros que até muito recentemente foram importantes aliados seus.

Um parêntese: Nunca compreendi bem essa postura um tanto kamikaze de Luiz Couto, que apostou todas as fichas numa aliança em favor de Ricardo Coutinho. É bom lembar que, por conta das disputas internas até 2003, tornou-se o atual prefeito de João Pessoa um desafeto pessoal, além de agressivo adversário do grupo de Couto - a Articulação - no interior do PT. Não bastasse isso, como já dissemos aqui inúmeras vezes, Coutinho caminhou e caminha, na Paraíba, na direção inversa à política nacional do PT, buscando aliança com o DEM e o PSDB (a aliança com este último continua a depender da tenacidade, até agora a toda prova, do senador Cícero Lucena). Com sua postura durante o PED, Luiz Couto também apostou, principalmente, o projeto de eleger um senador pela Paraíba, projeto que não era só dele, mas de todo o PT paraibano e do próprio Lula, que se empenha hoje ostensivamente para eleger a maior bancada possível para o PT no Senado, a casa parlamentar que mais lhe causou problemas durante o seu governo por conta da pequena maioria que lá dispõe. E em nome de quê e de quem Luiz Couto jogou todas as suas fichas? Um dia, quem sabe, nós saberemos uma resposta que explique comportamento tão irracional. Para hoje, basta dizer que a política cobra sempre muito alto quando se comete erros desse tipo.

Assim, não tendo nomes para o Senado, a não ser que seja para ir ao sacrifício em nome da unidade e da vitória do bloco maranhista, coisa que dificilmente o PT local e nacional estaria disposto a fazer, restaria ao partido a vaga de vice. Esse filme nós já vimos em 2006. Ali, o PT fincou o pé na indicação do candidato a vice-governador, vaga que acabou caindo no colo de Luciano Cartaxo, provavelmente por ser ele à época o nome petista com menos restrição no bloco de partidos que apoiava a candidatura de José Maranhão. Essa desenvoltura Luciano inquestionavelmente preserva, agregando agora uma boa relação interna por conta de uma postura leal nas disputas que se estabeleceram no interior do PT após a posse do novo governo no início de 2009.

E José Maranhão sabe que é bom não mexer no que está quieto, para evitar que o PT se torne um enxame de abelhas. A razão disso é que o partido se encontra muito bem acomodado nas circunstâncias de hoje, sem projetos conflitantes entre suas principais lideranças. É claro, por exemplo, que o deputado estadual Jeová Campos, que tem um acordo prévio de apoio à postulação de Cartaxo, gostaria de ver afastado da disputa para a Câmara Federal, a qual ele também concorrerá, para concorrer à vice na chapa de José Maranhão, o deputado estadual e presidente eleito do PT, Rodrigo Soares, agora mais do que nunca um fortíssimo candidato a deputado federal.

Mas, nem isso pode ser considerado um conflito de projetos, pois os dois mais fortes candidatos a deputado federal do PT atuam em colégios eleitorais distintos, não sendo nenhuma surpresa se os dois conseguiram se eleger: Campos consolida sua liderança em todo o Sertão, sendo quase a única referência do PT nessa importante região do estado, e Soares avança por todo o Litoral e Brejo com a solidez de uma política de alianças internas que pode beneficiá-lo como candidato único do grupo que Soares liderou nessas regiões, aliada à sua reconhecida capacidade de articulação externa e bom trânsito com setores da Igreja. Ambos contarão com a condição, o que nunca aconteceu antes e é sempre um dado importantíssima nessas disputas, de serem deputados governistas. Luiz Couto, que só cultivou adversários, tem que se cuidar se o seu projeto for mesmo, como tudo indica, o de retornar à Câmara Federal.

Por outro lado, também não existe antagonismo de projetos com outras duas forças mais à esquerda mais importantes que compuseram a aliança pró-Rodrigo Soares no PED. Frei Anastácio deve ser candidato a deputado estadual, provavelmente com apoio de Gilcélia Figueiredo, Secretária de Desenvolvimento Humano, não havendo nenhum candidato mais forte a deputado federal desse agrupamento. Não será surpresa se a aliança no PED, em muitas regiões da Paraíba, se estender para as eleições parlamentares em 2010.

Um outro elemento a fortalecer a posição de Luciano Cartaxo é sua condição de atual vice-governador, aspecto que nem de longe é menos importante. Se sua atuação no cargo estivesse fragilizando sua posição e a do partido no governo, seria mais do que justificado seu remanejamento. Mas, não é o que acontece. Muito pelo contrário, Cartaxo parece ser muito bem utilizado para transitar na defesa dos projetos do Governo do Estado entre os ministérios comandados por petistas. E, especialmente se a decisão do PT for mesmo a de manter a vice, a substituição de Cartaxo acabaria por representar uma desautorização pública do seu trabalho político e uma quebra do acordo tácito realizado na composição que deu a vitória a Rodrigo Soares no PED. É sempre bom ter o partido de Lula como aliado em 2010.

Portanto, a posição de Luciano Cartaxo, se não pode ser considerada totalmente confortável, ela tende a ser o ponto de um tenso equilíbrio no qual repousa hoje a unidade do bloco petista vitorioso no PED, unidade construída a duras penas. A sua ruptura pode por tudo a perder, não sendo aconselhável a ninguém, nem dentro nem fora do PT, fazer movimentos que possam gerar desconfianças. A não ser se o desejo for ver naufragar a aliança PT-PMDB em 2010.

Um comentário:

Jose Bezerra disse...

Fortalece... menos na visão do próprio PMDB. Bejamin mostrou bem.
Quem acredita no PMDB é o Luciano e chaga até a ter uma postura um pouco "baixa cabeça". Maranhão é um obstinado na busca de seus objetivos, sejam eles bons ou não. Quer ser candidato pela quarta, após duas derrotas e governar pela terceira-quarta vez. Fora que ele conseguiu tirar Cássio do governo e os cunha lima do partido, lembram.
Depois disso tudo algúem acredita que o PMDB de Maranhão quer se aproximar de Ricardo por "humildade", não quer colocar Venezino como vice por "respeito" ao pleito do aliado PT, está aberto a Cícero porque não recusa apoios.