segunda-feira, 1 de novembro de 2010

DILMA VENCEU O ÓDIO, O PRECONCEITO, A MENTIRA E A “NOVA DIREITA” BRASILEIRA.

Que ninguém tenha um só lampejo de dúvida do tamanho da vitória de Dilma Rousseff. E dos adversários que, mais uma vez, foram derrotados ontem. Dilma venceu a "santa aliança" direitista que se fez em torno de José Serra e que reuniu não apenas a velha direita, representada pelo DEM, mas o PSDB, agora travestindo as vestes da direita pós-moderna, "Tea Party", cuja inspiração são os métodos usados para tentar impedir a eleição de Barack Obama e continua a fazer um oposição ao mandato do "primeiro" Presidente negro dos EUA.

Uma direita eletrônica, organizada, que usa especialmente a internet para, de forma fragmentária, ou seja, propagar o medo, a mentira e a desesperança não ao conjunto dos eleitores, mas aos segmentos dele. Tenta reforçar os preconceitos já existentes e estimula que os latentes se venham à tona. É uma nova forma de obscurantismo que expressa o grau de despolitização do debate político atual na sociedade. Para vencê-lo, só o debate político, só o tratamento claro das diferenças que dividem os adversários e seus projetos.

Ontem, soubemos também medir o tamanho da liderança de Lula. Foi ele o grande vitorioso, seja porque levou à vitória uma candidata até bem pouco tempo era desconhecida para a amplíssima maioria do povo brasileiro, tendo começado sua campanha com mirrados 3% e a encerrado ontem com 56%, montada numa montanha de 55.752.092 votos. Nada mal para quem nunca participou de uma eleição.

Mais do que transferir seu prestígio e seus votos (quem disse que não se transfere votos no Brasil?), Lula soube antecipar, e com razão, o debate que se prenunciaria durante a campanha e conduziria o Brasil para uma inevitável polarização de projetos. E a estratégia de Lula, que conseguiu afastar Ciro Gomes da disputa, não deu inteiramente certo por conta de Marina Silva, que cumpriu, e muito bem, o papel de linha auxiliar dessa nova direita, e levou a disputa para o segundo turno.

Mas, deixa Marina com seus sonhos em paz, por enquanto. Ela voltará, em 2014, agora para ajudar Aécio Neves. No final das contas, assim como aconteceu em 2006, o segundo turno serviu tanto para demarcar com clareza as diferenças de projeto, como para mostrar a horrenda face da nova direita, cheia de ódio e preconceitos. Foi o insosso embate entre "gerentes", essa criação conservadora da marketagem, que permitiu o crescimento de Marina (e de Ricardo, aqui na Paraíba). Quando as reais diferenças entre os candidatos não ficam claras para o eleitor, tudo vira a mesma coisa. Quer campo mais fértil para o conservadorismo?

Provavelmente, a política no Brasil nunca mais será a mesma daqui em diante. O confronto que tomou conta de toda a América Latina chegou ao Brasil e tende a se aprofundar nos próximos anos. E não adiantará fugir dele que já foi provocado e continuará sendo estimulado pela nova direita durante a campanha. Senão, Dilma não governará. Especialmente, porque o governo de Dilma precisará enfrentar os gargalos na economia.

Mas, pensemos nisso no futuro próximo. Por hora, temos é que comemorar!

PS. Quanto eu tiver ânimo e disposição, eu comento aqui o resultado da eleição na Paraíba, ou seja, a ressurreição do cassismo e o fim do ciclo político do maranhismo.

3 comentários:

Ronilson Paz disse...

Excelente análise da eleição presidencial. Impecável. Apenas complementando com relação à Marina Silva, comparo a sua candidatura com a de Heloisa Helena em 2006, que permitiu a volta de Collor ao Senado e também provocou um segundo turno.

Ronilson Paz disse...

Excelente análise da eleição presidencial. Impecável. Apenas complementando com relação à Marina Silva, comparo a sua candidatura com a de Heloisa Helena em 2006, que permitiu a volta de Collor ao Senado e também provocou um segundo turno.

Anônimo disse...

Aqueles que votaram na Marina, vislumbrando uma legenda hígida, uma figura imaculada, pragmatismo verde, erraram de endereço. Dentro do sistema capitalista não cabe o discurso e nem as práticas do Partido Verde. Aqui, acolá e alhures. Os incautos que buscaram um candidatura sem "manchas políticas" certamente não se deram conta que esta "segunda via" nada mais era que uma candidatura voltada a tirar votos de Dilma/Lula. Dúvidas? Pago o jantar se entre Marina e Serra este não vencesse de goleada aquela! Um erro cometido no primeiro turno e aos meses que antecederam a largada para o processo foi o "desprezo" dado aos partidos políticos, principalmente os de esquerda e mais acintosamente ao PT. Na reta final coube aos partidos de esquerda, a sua militância, cabalar votos, mostrar sua força, sua energia. Enfrentou o inimigo tete a tete, não se escondendo atras do brasão da República. Menosprezar o partido tendo como pano de fundo os possíveis erros advindos de antigos companheiros para que aquele não manchasse/respingasse na Candidatura posta, é uma faca de dois gumes. Acreditar que só a força do Presidente Lula é o bastante para tanto é desconhecer a força da militância. E isso pesou!