domingo, 31 de outubro de 2010

MARANHÃO CRESCEU NA RETA FINAL. A QUESTÃO AGORA É SABER SE FOI UM CRESCIMENTO TARDIO OU SE FOI NA HORA CERTA.

No domingo em que se realizou o primeiro turno, escrevi uma mensagem em resposta ao amigo e colega, Derval Golzio, que se encontra na Espanha e me pedia informações sobre a eleição na Paraíba. Escrevi-lhe brevemente que acreditava ainda na vitória de José Maranhão, mas que, se ainda houvesse mais uma semana de campanha, Ricardo Coutinho viraria o jogo.

Virou, mas não venceu, e o jogo foi para prorrogação. Empurrado pela euforia da surpreendente virada no primeiro turno, Coutinho continuou recolhendo os votos do impulso provocado pela reação dos últimos 15 dias de campanha antes de 3 de outubro e, diante da expectativa de poder gerada, chegou a amealhar uma vantagem de 12 pontos, segundo a primeira pesquisa do IBOPE realizada há 15 dias. Infelizmente, outras pesquisas não foram feitas para contrapormos os resultados aferidos por esse instituto que se notabilizou por erros históricos.

Maranhão se recuperou do golpe e reorganizou suas forças. Assumiu a ofensiva. Colocou o bloco na rua, jogando fora o salto alto. Dividiu a responsabilidade de sua vitória ou de sua derrota com lideranças do PMDB e de outros partidos aliados. No primeiro turno, o salto alto e as campanhas proporcionais tomaram conta das ações, e a campanha de José Maranhão foi praticamente abandonada.

E todos, claro, tiveram a exata medida, do desastre político que seria uma derrota para os planos de curto, médio e longo prazo, a começar pelo Prefeito de Campina Grande, Veneziano Vital. Todos perderiam. E todos foram a campo para colocar, a serviço da eleição de José Maranhão, a formidável estrutura do PMDB e fazer campanha como eles sabem fazer, conquistando voto a voto, casa a casa.

No campo mais geral da disputa, Maranhão propôs a "PEC-300" aos policiais, um nicho eleitoral de mais 60 mil votos, tendo em vista a votação do Major Fábio. Esses votos, em razão do acirramento tradicional que divide a Paraíba, foram certamente decisivos para a vitória de Coutinho no primeiro turno. Rubens Nóbrega, em sua coluna de hoje, calcula um eleitorado de 45 mil (as famílias de policiais militares, civis, bombeiros e agente penitenciários).

Digamos que Maranhão consiga reverter 15 mil votos desse contingente. São 15 mil votos que serão abstraídos do espólio ricardista e acrescidos ao maranhista, perfazendo 30 mil votos. Considerado estaticamente os resultados do primeiro turno, só com essa manobra Maranhão tiraria a diferença do primeiro turno (8 mil) e ainda abriria 20 mil votos de frente. Um deslocamento formidável de eleitores que pode ter sido decisivo, inclusive, para definir o resultado das duas últimas eleições em favor de Cassio Cunha Lima.

Entrou também em cena o Caboclo Girassol ricardista, que, por mais que Coutinho tenha tentando passar a imagem de que foi coroinha na infância e é hoje um ardoroso cristão (ele falou sempre "cristão" e não católico, faltando apenas rezar um pai-nosso no guia eleitoral. Mesmo assim, ele tende a perder votos no meio evangélico.

Noutra frente, Maranhão azeitou-se nos debates, onde foi formando um estilo próprio, mais à vontade, e dominando aos poucos e nos seus limites o desempenho frente às câmeras, até vencer de maneira expressiva o último debate. Esse acontecimento pode ter sido decisivo no meio de certo de tipo de eleitor que torcia o nariz para Maranhão mas, principalmente, entre os eleitores indecisos.

E, por fim, veio o escândalo da Fazenda Cuiá, que pôs abaixo e em definitivo a aura de honestidade ricardista.

Hoje, é visível o avanço maranhista, inclusive e principalmente no principal reduto ricardista, que é João Pessoa. No primeiro turno, Coutinho abriu uma diferença de 75 mil votos, que correspondeu a quase 21% (59,5% a 38,6%). Considerando ser correta a hipótese de crescimento maranhista na capital, e que o candidato do PMDB tenha avançado sobre, digamos, 10 mil eleitores que sufragaram o nome do candidato do cassismo no primeiro turno (mais ou menos 5% deles), então, teríamos uma redução da diferença para 55 mil votos, caindo no total em 20 mil. Se o mesmo acontecer em Campina, Patos, Sousa e Cajazeiras, e Maranhão mantiver a mesma proporção de votos nas pequenas cidades, seria anulado o efeito dos apoios de Prefeitos conquistados por Ricardo Coutinho após o primeiro turno, reconduzindo então a disputa para o acirramento final, e mantendo a tradição dos últimos confrontos eleitorais na Paraíba

Ou seja, Maranhão reagiu. Se não foi uma reação tardia, pode ter sido no momento certo, quando fica difícil para o adversário organizar uma contra-ofensiva. Com a divulgação da última pesquisa do IBOPE, a história do primeiro turno pode se repetir, agora com a inversão de papéis. É bom lembrar que, no primeiro turno, o IBOPE apontou vitória de Maranhão por 5 pontos percentuais e Ricardo vendeu.

Em 2006, apontara também a vitória de Cássio já no primeiro, e a de Maranhão no segundo. E os resultados não se confirmaram. Ou seja, se essa tradição do IBOPE for seguida, Coutinho pode começar a se preocupar. Excluindo os erros do IBOPE, o mais importante a constatar é a tendência. Enquanto Ricardo perde votos na reta final, Maranhão avança e chega no dia da eleição com o seu ânimo e o de seus apoiadores em alta.

Vamos ver.

Um comentário:

Anônimo disse...

Creio que tens obrigação moral de escrever uma coluna acerca do resultado das eleições!! Deixando o fanatismo latente pelo maranhismo de lado!!