terça-feira, 26 de outubro de 2010

PMDB NACIONAL, LEIA-SE MICHEL TEMER E CIA., DEVE ENTRAR EM CAMPO PARA TRAZER LULA À PARAÍBA

Que ninguém subestime a eventual presença de Lula no comício final de José Maranhão. Ela pode definir uma eleição que se encaminha para um acirramento cuja diferença será próxima da que tivemos no primeiro turno. Para um lado ou para o outro.

Maranhão, ao que parece, conseguiu re-mobilizar a poderosa estrutura do PMDB e as lideranças aliadas. Ao invés de desânimo, o que se vê é uma disputa encarniçada pelos votos por parte dos maranhistas. Estive em Patos e o que se diz por lá que, para o prefeito Nabor Wanderley, é uma questão de honra vencer a eleição na Capital do Sertão.

O mesmo empenho é visível em Veneziano Vital. Ele sabe, e o eleitorado que o elegeu prefeito e quer vê-lo governador deve ter consciência disso, que a vitória de Ricardo Coutinho tornará esse projeto muito mais difícil em 2014.

Além disso, Maranhão tem conseguido avançar sobre o eleitorado de Ricardo Coutinho em João Pessoa. Por exemplo, tem tido algum efeito a campanha que alguns segmentos religiosos tem feito ao associar Coutinho a práticas satânicas. Não que eu concorde com isso, pois incute preconceitos religiosos que Dilma Rousseff foi vítima nessa campanha, especialmente contra a Umbanda.

Vou arriscar uma entrada nesse terreno pantanoso ao revelar de público que considero haver verossimilhança no caso do tal "Caboclo Girassol" e na associação de imagens da campanha do ex-prefeito com as da entidade religiosa. Até hoje, eu não havia entendido direito a escolha do girassol como a marca ricardista. Mao Tsé Tung? Diante das semelhanças sou mais propenso a acreditar na força da superstição, bastante comum no meio político. Serra, por exemplo, costuma consultar-se com astrólogos.

Além disso, não esqueçamos da tradição da miscigenação cultural e religiosa que é a marca do nosso povo. Quantas vezes eu mesmo não fui levado quando criança para ser "rezado" por minha mãe, uma católica com algum fervor? Renegar isso e ficar se benzendo a todo instante e recitando ao fim de cada frase um "graças a Deus" pode soar cínico, especialmente para os que conhecem o candidato do PSB mais de perto. O fato é que um segmento, não sei se expressivo, começa a olhar o candidato do PSB com os olhos da desconfiança. E isso pode resultar na perda de alguns votos preciosos.

Outro tento marcado pelo candidato do PMDB foi a proposta de aumento para os policiais, um segmento até então avesso a José Maranhão e que foi a base quase que exclusiva dos 68 mil votos conquistados pelo deputado federal Major Fábio. E a proposta deixou Coutinho num mato-sem-cachorro: se a proposta for aprovada, Maranhão colherá os frutos eleitorais da iniciativa; se não, Ricardo será responsabilizado pela não aprovação. E a atitude dos deputados ricardistas na assembléia não deixam margem para dúvida: os policiais só conquistarão a PEC-300 na Paraíba com a eleição de José Maranhão.

Além disso, a presença de José Maranhão nos debates fez desmoronar o mito do seu "despreparo" o que, convenhamos, sempre foi uma piada por se tratar de um político com a experiência que o ex-governador tem. Nesse campo, não existe mais o argumento para não se votar no candidato do PMDB e do presidente Lula na Paraíba, como eu escutei de muitas bocas. Pelo contrário. Em alguns debates, Ricardo Coutinho pareceu acuado.

Enfim, o resultado do segundo turno promete novas e intensas emoções. E é exatamente por isso que se reveste de caráter estratégico a vinda de Lula à Paraíba. Se o PSB usa o prestígio de Eduardo Campos e dos irmãos Cid e Ciro Gomes, Maranhão tem ao seu lado o peso do PMDB em todo o país e de sua base de governadores e parlamentares na Câmara e no Senado. Quantos deputados e senadores elegeu o PSB na última eleição?

A chantagem ("Se Dilma ou Lula forem à Paraíba eu lavo as mãos em Pernambuco") não pode prevalecer. Os partidos tem seus candidatos, e o do PT na Paraíba chama-se José Maranhão. E o adversário está do outro lado da trincheira, junto com os inimigos de Dilma e Lula.

Não é apenas uma questão política. É uma questão de justiça.

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