segunda-feira, 18 de outubro de 2010

O DILEMA DO PRISIONEIRO: COMO RICARDO PRETENDE MUDAR COM A BASE PARLAMENTAR DO DEM E DO PSDB?

Ricardo Coutinho não cansa de falar em "governo da mudança", aproveitando-se do desgaste natural de José Maranhão num ambiente de grande renovação que se estabeleceu no Nordeste. Fala agora "republicanizar" o Estado, o que deve significar o estabelecimento de um novo conteúdo (impessoal) às relações entre o governo, seus servidores e a sociedade.

Na Assembléia, o quadro não é muito alvissareiro para que a Paraíba seja de vez uma "república".


A força de Ricardo Coutinho dentro de sua coligação (PSB-PSDB-DEM) foi tão limitada que ele sequer conseguiu eleger um único deputado estadual – Urquiza, o seu chefe de gabinete desde os tempos imemoriais da vereança, conseguiu menos de 15 mil votos e pontuou uma sexta suplência. Para federal, Edvaldo Rosas conseguiu uma segunda suplência com 33 mil votos (35 mil votos atrás do primeiro suplente, Major Fábio).


Assim, é mais do que improvável que Ricardo Coutinho consiga "republicanizar" o Governo da Paraíba com o apoio político que, se eleito, deverá ter, especialmente na Assembléia. Como eu disse, Coutinho não conseguiu eleger um deputado sequer que possa ser considerado um "ricardista".
Vejam com que Ricardo contará na Câmara para "republicanizar" a Paraíba (clique nas imagens para ampliar)

Agora os deputados que farão parte da bancada do futuro governo Ricardo Coutinho, em caso de eleição.

E observem que estão incluídos entre os estaduais "ricardistas" João Gonçalves e Ricardo Marcelo, que apoiaram José Maranhão no primeiro turno. Ou seja, Coutinho é hoje minoritário na Assembléia e, caso eleito, terá que "ralar" para conseguir maioria na Assembléia. Como ele conseguirá isso? Acertou que respondeu "republicanizando" o Estado! Todos os deputados aderentes farão isso pela causa "republicana" e renunciarão à indicação de parentes e aderentes.

Cássio Cunha Lima e Efraim Moraes, num rasgo de emocionante altruísmo e desinteresse, deixarão Ricardo Coutinho montar o seu governo "republicano". Evitarão colocar a faca no pescoço do Mago e nada reivindicarão. Deixarão bondosamente que o republicano governador fique livre para evitar a Cunhalimização do novo governo.

Ricardo é prisioneiro dessa base política, cuja ação é tão dependente do Estado quanto morcegos dependem de sangue para viver. Quando chegar a hora de montar o governo, diante de um governador sem base parlamentar sólida – mais ainda, sem aliados históricos entre eles, – não restará outra alternativa, para que Coutinho governe, que não reproduzir os velhos esquemas, loteando o governo e fazendo da administração pública um extensão dos negócios e interesses familiares.

Em tempo 1: Ontem, em Guarabira, num comício de Ricardo Coutinho, Cássio Cunha Lima discursou efusivamente a favor de José Serra e foi ovacionado pelos cabos eleitorais. Luiz Couto, ao defender Dilma, levou uma sonora vaia. O candidato do PSB permaneceu impassível, "neutro", depois de ter pedido votos para Marina Silva no primeiro turno em João Pessoa.

Enfim, Ricardo, como se previa, foi "engolido" pelos tucanos e demos. Já faz parte da turma. E faz jogo duplo: diz que vota em Dilma, mas no palanque faz campanha para Serra.

Cássio falando em Guarabira. Você vê alguma bandeira de Dilma? E de Serra?

4 comentários:

Derval Golzio disse...

Fantástico Flávio. Mais que isso, estava escrito que isso ocorreria e que na primeira pancada Ricardo abandonaria o discurso de voto em Dilma. O que importa é o local, como se ele não tivesse qualquer vínculo com a questão nacional.

Derval Golzio disse...
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Christiano Almeida disse...

Com seu egocentrismo, Ricardo 'quase coração de leão' -Marcus Odilon - acha que governar um Estado dá-se do mesmo modo a um Ente municipal. Ledo engano. São premissas diferentes. Neste jogo de gato e rato (Cássio e Ricardo) "dançamos" nós. O Povo paraibano. E com a turma de cima... Ou melhor, mais acima... Brincadeira! Pauleira pura.

José disse...

Elegendo José Maranhão, pelo menos apontaremos para o futuro com o PT na vice. Em 2014, um ciclo político se fechará definitivamente e uma nova geração verdadeiramente interessada em mudar a Paraíba assumirá o governo.

Realmente, é melhor lotear o estado e o judiciário com Maranhão. Até 2014. Se o PMDB dos Vital e Maranhão deixarem - hipotese sem sucesso.