quarta-feira, 20 de outubro de 2010

DILMA E LULA, NÃO ABANDONEM JOSÉ MARANHÃO. RICARDO ESTÁ COM SERRA!

Candidaturas de Serra e Ricardo estão casadas. Só falta assinar o papel

O segundo turno das eleições na Paraíba tem servido, entre outras coisas, para demarcar com precisão o campo político de cada candidato a governador na correlação de forças nacional. Ricardo Coutinho está cada vez mais nos braços da direita, do cassismo, de tucanos e demos que organizam uma sórdida campanha que se origina no submundo da política. José Maranhão continua com Dilma e Lula, e pode se dizer abandonado na hora mais importante da disputa.

Tudo bem que, do ponto de vista estratégico, é necessário concentrar esforços nos grandes centros. Mas Dilma e Lula estiveram na semana passado no Piauí, que tem 2.263.834 eleitores, enquanto a Paraíba abriga 2.738.313, ou seja, quase 500.000 eleitores a mais.

No Piauí, o candidato que mereceu o prestígio da presença de Dilma e Lula e que une todos os setores que, nacionalmente, apóiam a continuidade do projeto liderado pelo PT, é Wilson Nunes Martins, do PSB.

Martins uniu num só palanque, como acontece em todo o Nordeste, à exceção da Paraíba, a base de apoio ao governo Lula, inclusive o PMDB, para enfrentar no primeiro e segundo turnos o candidato demo-tucano Silvio Mendes, do PSDB.

Logo após o primeiro turno, numa entrevista que concedi ao lado do cientista político Ítalo Fittipaldi, também professor da UFPB, disse que achava improvável a vinda de Dilma e Lula à Paraíba no segundo turno para apoiar José Maranhão, em razão do fortalecimento do PSB, especialmente no Nordeste, depois das reeeleições de Eduardo Gomes, em Pernambuco, e Cid Gomes, no Ceará, e da presença de Ciro Gomes na coordenação de campanha nacional da campanha de Dilma. São eles que pressionam para que Dilma e Lula abandonem José Maranhão no meio do caminho.

Essa atitude apenas fragiliza a candidatura de Dilma na Paraíba. Porque José Maranhão reage e evita pedir votos para Dilma, como fez ostensivamente no primeiro turno.

Enquanto Ricardo Coutinho permite que seu palanque seja dominado por apoiadores de José Serra, como Cássio Cunha Lima e o arquinimigo de Lula, Efraim Moraes – aliás, não poderia ser diferente, já que Coutinho está cercado de lideranças do PSDB e do DEM e depende delas para seu projeto eleitoral e dependerá mais ainda para governar, caso eleito.

Assim, não é apenas um ato questionável abandonar um aliado de 8 anos em benefício de outro que sequer cita o nome da candidata de Lula em sua campanha. Isso é também um grave erro político.

Por quê? Porque os eleitores ricardistas, em sua amplíssima maioria, são também eleitores de José Serra (vejam o que aconteceu em Campina Grande, quando Dilma ficou em terceiro lugar e Ricardo Coutinho – ao lado de Cássio Cunha Lima e Efraim Moraes – saiu consagrado das urnas na cidade).

Aqui em João Pessoa, Coutinho e o PSB deram uma forcinha à Marina Silva, fazendo boca-de-urna para a candidata "verde" (ou laranja) e ajudando a viabilizar o segundo turno, portanto, ajudando indiretamente ao candidato tucano José Serra.

Por isso, a constatação torna-se inevitável. Com origem na esquerda, Ricardo Coutinho moveu-se com rapidez para a direita. Começou com uma aliança espúria com o PSDB e o DEM, partidos que hoje formam a fina-flor do reacionarismo brasileiro.

Tentam a todo custo impedir a continuidade da obra iniciada por Lula na base da sordidez, misturando política e religião, incentivando preconceitos, usando a mentira e a calhordice como arma eleitoral.

Que ninguém duvide: em meio a essa guerra, o espólio que o PSDB disputa está ligado ao Pré-Sal e à maneira como serão distribuídos os recursos obtidos com a extração do petróleo. Pretendem privatizar as imensas jazidas que pertencem ao Brasil e ao seu povo.

É a forma de apropriação e distribuição dessa riqueza que está em jogo hoje no segundo turno presidencial. Mas, não só isso.

Quando formos às urnas em 31 de outubro estaremos decidindo a continuidade de um novo projeto de desenvolvimento, que reúne amplas forças sociais e políticas, à exceção do grande empresariado, do agro-negócio, dos tucanos e demos.

Vamos escolher se desejamos a consolidação e aprofundamento desse modelo, ou se veremos retornar à hegemonia tucana e tudo que ela representou para a economia nacional e para o povo brasileiro.

Portanto, quem vota em Dilma não vota em Ricardo Coutinho. Como ele ajudará ao futuro governo Dilma no congresso? Pedindo apoio a Efraim Filho? Ruy Carneiro? Romero Rodrigues? Cássio Cunha Lima?

Ricardo está comprometido até a medula com o PSDB e Dem. Aceitar seu jogo-duplo (ele diz – ainda diz? – que vota em Dilma, e na campanha deixa o apoio a Serra correr solto) é aceitar como legítimo o oportunismo eleitoral de quem certamente não vê diferenças entre Lula e o PSDB.

Não permita que essa farsa prospere. Existe muita coisa em jogo para crermos nos indivíduos. A pior coisa da política é acreditar no messianismo, nos super-políticos que prescindem dos partidos e dos apoios. Eles não existem, são uma farsa que, por vezes, viram tragédia, como foi Collor de Mello. E Collor era o "novo", a "mudança". Serra agora é a "competência", o "republicanismo" contra a república sindicalista de Lula. Ricardo Coutinho quer juntar os dois em sua personalidade messiânica e individualista.

Nosso desafio é apostar no futuro. José Maranhão e o PMDB dão suporte a esse projeto, do qual a Paraíba inevitavelmente faz parte. Por isso, um apelo a Lula e Dilma: precisamos dos seus apoios para derrotar o candidato do DEM e dos tucanos. A Paraíba os espera ansiosa e de braços abertos.

4 comentários:

Consultora Educacional disse...

Gosto muito dos artigos de ótima qualidade do seu Blog. Quando for possível dá uma passadinha para ver nosso Curso de Informática Online. Melissa.

Derval Golzio disse...

Brilhante, Flávio. Disse tudo em texto curto e profundo.

Leopoldo disse...

Quem disse que a candidatura de Ricardo está casada com a de Serra? meu Deus, um fato isolado, de uma decisão individual do eleitor, não leva a este tipo de interpretação. Ja vi carros de Zé com Serra. E aí, ta casada também?

Jose disse...

Tentam a todo custo impedir a continuidade da obra iniciada por Lula na base da sordidez, misturando política e religião, incentivando preconceitos, usando a mentira e a calhordice como arma eleitoral.

Pensei que estive falando das práticas de Zé Maranhão com suas estátuas...

As dificuldades que Ricardo terá serão parecidas com as de Dilma, junto a Collor, Sarney, Temer, Barbalho e outros.

E ainda bem que Wilson Nunes Martins conseguiu fazer essa grande união com o PT e PCdoB, pois na PB muitos impediram.