segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Eleição Presidencial: diferença menor de 2014 se deveu a votação tucana em SP


Duas ideias a imprensa vai martelar nos próximos dias para diminuir a importância da vitória de Dilma e do PT e tentar manter o clima de conflito que marca a política brasileira desde 2011, quando a atual presidente assumiu o governo e a grande imprensa assumiu definitivamente a liderança da oposição no Brasil.

O primeiro é de que o Brasil saiu dividido dessa eleição. Depois, que o Nordeste deu a vitória a Dilma.

O Brasil saiu mesmo dividido? Em termos de votação é o que aparente ser, já que uma diferença em termos percentuais de apenas 3,3% (51,6% a 48,3%), a menor diferença desde 1989, quando Lula enfrentou Collor no segundo turno, parece mostrar isso.

Mas, ao olharmos o mapa da eleição nos deparamos com alguns elementos que precisam ser interpretados. Aécio venceu em redutos tradicionais e mais conservadores do país, onde, aliás, o PSDB vence desde 2006 com alguma folga.

No Sul, em Santa Catarina e no Paraná, onde Aécio obteve 64,6% e 61% dos votos. No Rio Grande do Sul, Aécio venceu, mas com uma diferença menor (53,5% a 46,5%), ajudado talvez pelo desempenho de Tasso Genro, governador do PT e candidato à reeleição derrotado. Serra também venceu nesses estados em 2010. Até aí, nenhuma novidade.

No Centro Oeste, a mesma coisa. Nessa região, Aécio venceu com percentuais abaixo dos 60% (Goiás, 57,1%, Mato Grosso, 54,7 e Mato Grosso do Sul, 56,3%). A exceção foi Brasília, onde o tucano obteve 61,9%. A vitória de Aécio também não configura novidade, já que esses são estados em que o PSDB tradicionalmente vence em eleições presidenciais.

O que pode ser considerado um ponto fora da curva considerando eleições anteriores foi São Paulo. Em 2010, José Serra venceu Dilma por uma diferença de 10 pontos percentuais (55% a 45%) no estado, mesmo sendo um paulista o candidato tucano.

Em 2014, a diferença chegou a quase 30 pontos percentuais (64,3% a 35,7%), estabelecendo uma diferença em votos absolutos de 6,8 milhões de votos (15,3 milhões para Aécio contra 8.4 milhões para Dilma).



O estado de São Paulo representou sozinho 30% de toda a votação de Aécio Neves em 2014. Dos 51 milhões de votos obtidos pelo tucano, 15.3 milhões vieram dos paulistas! Ou seja, temos aqui um evidente desequilíbrio que foi decisivo para tornar o resultado da eleição mais apertado do que em eleições anteriores.

Os motivos deverão ser analisados ao longo dos próximos dias, mas parece evidente que a classe média paulista parece ter dado o tom da disputa eleitoral mais do que em outros estados.

O Nordeste decidiu a eleição em favor de Dilma?

Desde 2006 – antes disso, apenas nas capitais, – o Nordeste dá expressivas votações aos candidatos a presidente do PT.

Em 2014, não foi diferente. As variações foram pequenas comparando 2010 e 2014 (em Pernambuco, Dilma obteve agora 70,2% dos votos, enquanto que em 2010 ela chegou aos 75%, mas ainda assim uma vitória arrasadora). Ou seja, mais uma vez não temos grandes novidades no resultado do Nordeste.

Em termos absolutos, Dilma obteve na região 20,2 milhões de votos, o que representa 37% de toda a votação da petista. Uma votação muita semelhante a que ela obteve no Sudeste, a região mais desenvolvida do país.

Lá, Dilma conquistou 19.867.894, ou 36,5% dos votos que obteve em todo o país. Ou seja, Dilma teve no Sudeste 0,5% dos votos obtidos no Nordeste, constatação que ajuda a quebrar o mito de que “o Nordeste elegeu Dilma”.

Enfim, a votação de Aécio em São Paulo foi o principal fator de desequilíbrio que aproximou a votação tucana da petista em todo o país e tornou a eleição de 2014 a mais acirrada desde 1989.


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