quinta-feira, 11 de junho de 2009

Cassio, Maranhão e o TCM

Enviei os comentários abaixo para o Jornalista Rubens Nóbrega, que gentilmente os publicou em sua coluna diária no Correio da Paraíba. A coluna de Rubens é o mais expressivo exemplo que temos na Paraíba de um jornalismo independente em sem rabo preso com governos e governantes. Rubens agiu assim durante todo o governo Cassio e, no início do governo Maranhão, já dá mostras de que não mudará de postura. E só isso justificaria, por si só, a leitura de sua coluna. Além de tudo, o magnífico texto com que Rubens brinda os seus leitores diariamente faz dessa coluna o espaço mais qualificado do jornalismo paraibano. Abaixo, os comentários publicados no Correio da última terça.

Rubens,
Dois breves comentários - influenciados pela sua coluna de hoje - a respeito de ações que deixam claro o quanto Maranhão e Cássio são diferentes e, ao mesmo tempo, tão parecidos:

1. Por conta da limitação de tempo de um governo que se inicia pela metade e, reconheçamos, pelas dificuldades impostas pela redução na arrecadação devido à redução do consumo proporcionada pela crise econômica, o programa de ações do atual governo – ou seja, aquilo que será mostrado na campanha como realizações do candidato à reeleição – tende a ficar restrito a conclusão de parte das obras identificadas na Caravana da Reconstrução como abandonadas. Com isso, o governador tentará mostrar aos eleitores que, primeiro, Cássio não concluiu as obras deixadas pelo antecessor, sendo um político mesquinho e pouco atento ao interesse público, e, segundo, que Maranhão, diferentemente de Cássio, faz o oposto, concluindo-as, independente de qual governo iniciou-as, mesmo sendo o governo de um Cunha Lima. Será essa a grande diferença entre os dois?

2. O completo silêncio do atual governador e de sua base de apoio na Assembléia em relação à proposta de criação do Tribunal de Contas dos Municípios, pode revelar mais do que uma mudança de posição que diz muito do que é a política na Paraíba, hoje. A intenção de Cássio, que Maranhão denunciou com firmeza, era criar uma estrutura bem remunerada (e vitalícia) para acomodar e comprometer de forma perene aliados políticos, o que motivou uma grande reação por parte da imprensa e da chamada “opinião pública” – na qual, vou logo dizendo, eu não me incluo – e que acabou forçando o ex-governador a recuar, mesmo tendo maioria na Assembléia. Agora, Maranhão parece não resistir à tentação (afinal, os aliados também são muitos...) e aparentemente se movimenta para ressuscitar o TCM. Isso seria uma recaída em direção às chamadas práticas oligárquicas? Nesse caso, convém ao governador ter cuidado: ele não deve apostar que, mesmo diante de um quadro de apatia, estejamos vivendo o que Celso Furtado chamou de “atrofia da vida política”, aspecto que Furtado observou no Nordeste dos anos 1950-1960, exatamente pelo predomínio dessas “práticas oligárquicas”.

Maranhão pode revelar com essa atitude de tentar recriar o TCM mais do que falta de coerência política, portanto. Ele pode demonstrar também que é muito pouco diferente do ex-governador Cássio Cunha Lima.

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