domingo, 22 de abril de 2012

Cassismo revigorado: RC e Cássio chegraram a um acordo?



A mudança no secretariado promovida pelo governador Ricardo Coutinho na semana passada, seguida de fatos que a sucederam, são um sintoma claro de que o ex-governador e atual senador Cássio Cunha Lima passa a ter uma influência no governo estadual proporcional à importância que teve na eleição de 2010. Cunha Lima já indicara nomes de importantes secretários, mas a maioria situada na equipe técnica, ou seja, secretários de pouca capacidade de ação política.

Com a indicação de Harrinson Targino para a Educação, por exemplo, uma Secretaria que sozinha concentra ¼ do orçamento estadual, o governador Ricardo Coutinho atende tanto ao apetite cassista para ter mais espaço no governo, quanto a busca de uma solução negociada para o conflito com a UEPB, que lhe tem produzido um sério desgaste em Campina Grande. 

É certo que Targino, nem muito menos Cássio, não aceitariam tal incumbência para dar seguimento a uma pendenga que só cria desgaste para o governo. Com um cassista na secretaria, Cunha Lima assume para si a não apenas a responsabilidade de superar o impasse, mas também o compartilhamento de um possível desgaste. Cássio aceitou tanto compartilhar o governo quanto os problemas de ser governo.

Tanto que o que se viu em seguida ao anuncio foi um Cássio Cunha Lima em plena vitalidade retórica, saindo do autoexílio em que se encontrava desde o início de 2011. Cássio falou muito na semana passada. Deu entrevistas, polemizou e entrou no debate sobre a a lei da autonomia da UEPB com a autoridade de ter sido o seu criador. E a favor da posição governo. 

Numa dessas entrevistas, discordou, sem esquecer das amabilidades com que sempre trata os aliados políticos, de ninguém mais que a reitora Marlene Alves, pivô do confronto que opôs a comunidade da UEPB e o governo RC. Disse que, mantida a interpretação da UEPB, chegará um tempo que a universidade terá para si 100% do orçamento. Cássio deu a senha e um acordo deve ser produzido em breve sobre a questão.

Essa é uma mudança importante que certamente terá reflexos no futuro das disputas políticas no estado. Acena antes de tudo para a consolidação da aliança de Cunha Lima com RC, que até então parecia estremecida por conta da forte concentração político-administrativa nas mãos do governador. 

Se for isso mesmo, temos uma injunção óbvia como consequência: RC será o candidato de Cássio em 2014, numa aliança eleitoral que começa desde já. O Calcanhar de Aquiles cassista (Campina Grande) vai ser protegido para evitar tanto a derrota do PSDB quanto a vitória do principal adversário do projeto de reeleição do governador. 

A eleição de Campina era uma equação política de difícil resolução para RC: uma vitória cassista em Campina, sem o apoio do governador, aumentaria em demasia a autonomia de Cássio; uma derrota, por outro lado, significaria aumentar o peso da oposição no xadrez eleitoral do estado. Com o ex-governador tucano inelegível, mas ainda influente o bastante, um Ricardo Coutinho encalacrado numa crise que impede o governo de produzir frutos políticos, a alternativa que restou ao governador foi compartilhar a administração com Cunha Lima. 

O próximo desafio a ser enfrentado por Cássio é ajudar no impasse em que se encontra a base parlamentar governista na Assembleia Legislativa, acuada pela dificuldade de defender medidas impopulares, especialmente as que atingem o funcionalismo. 

Cássio terá que “domar” o estilo bonarpatista de Ricardo Coutinho – esse será um capítulo da história política paraibana que merecerá estudos, – que, sem força política própria e agindo no puro voluntarismo, acaba governando de crise em crise. Mas essa talvez seja uma questão de sobrevivência para RC. 

Se Cássio veio para ficar, resta o governador se adaptar. E acho que ele está cada vez mais propenso a isso. Portanto, é lícito também supor que RC é cada vez menos RC.

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