segunda-feira, 23 de abril de 2012

PT faz opção por aliança conservadora na Paraíba


Frei Anastácio e Enivaldo Ribeiro: símbolos da nova aliança do PT-PP
O PT da Paraíba não toma jeito mesmo. Aqui, o partido de Lula chafurda na lama do pragmatismo e da desorientação política, incapaz de dar forma a um projeto de poder que tenha consistência e se mostre confiável ao eleitorado. 

Depois da escolha de um candidato a prefeito de João Pessoa que não tem a mínima identidade com a política, a história e a trajetória do partido ("O que pensa esse rapaz?", diria o filósofo Paulo Arantes), agora vem a decisão do PT de Campina Grande de apoiar Daniela Ribeiro, do malufista PP.

Quem acha que isso é apenas uma troca de apoios, desconsidera o perfil à direita que tem Luciano Cartaxo. Com Durval Ferreira, estará formado um par mais que perfeito!

Alguns dirão: “Mas o PP faz parte da base de apoio do governo Lula!”. Correto, mas o PP tem uma posição marginal num governo que se diz de centro-esquerda, além de ser ele um dos esteios do conservadorismo que impediu e impede o governo Lula, e agora Dilma, de avançarem. Façam um levantamento em quantas cidades importantes o PT apoiará o PP no país inteiro. E o motivo é político. 

Recentemente, vi muitos petistas-lucianistas criticarem o parecer emitido pelo então deputado federal do PCdoB e atual Ministro dos Esportes, Aldo Rebelo, a respeito do novo Código Florestal, qualificando-o de estar em consonância com os interesses da “bancada ruralista”, a bancada dos latifundiários e do agronegócio.

Pois bem. Dos 38 deputados federais que tem o PP na Câmara dos Deputados, nada menos que 29 pertencem a essa bancada (para conferir a veracidade da informação, clique aqui). Se não bastasse isso, Daniela Ribeiro, a nova musa do PT campinense, é neta de nada mais nada menos que Agnaldo Veloso Borges, que foi uma liderança proeminente do “Grupo da Várzea”, que aglutinou latifundiários da Zona da Mata e Brejo durante a ditadura. 

Para quem não se lembra, o Grupo da Várzea é responsabilizado pelos assassinatos de João Pedro Teixeira e Margarida Maria Alves, apenas para citar os casos mais famosos.

Agora me digam: é possível a um eleitor comum enxergar alguma lógica nas decisões de um partido que, por quase oito anos, participa de um governo e depois lança ou apoia um candidato/a de “oposição”? 

Em João Pessoa, o PT apoiou e participou do governo Ricardo Coutinho/Luciano Agra, indicou secretários, deu sustentação no parlamento, e agora lança um candidato de oposição, que já foi nada menos que líder do governo na Câmara de Vereadores. 

Em Campina, o PT faz a mesma coisa, com a agravante de aliar-se ao conservadorismo político no estado, numa composição que promete espalhar-se por toda a Paraíba.

A decisão tomada pelo PT ontem em Campina é uma demonstração da falta de consistência da esquerda paraibana, que aposta no pragmatismo de uma aliança com a direita para tentar vencer eleições. 

As lideranças do PT da Paraíba não fazem jus à tradição que o PT fundou no Brasil, nem muito menos aos esforços de Lula e Dilma Rousseff para conquistarem mais soberania e independência ao Brasil, mesmo com a resistência de conservadores da estirpe dos Ribeiro, em Campina Grande.

Eu pensei que o PT tinha chegado ao fundo do poço. Mas estava enganado.

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