sexta-feira, 27 de abril de 2012

PSB em frangalhos: unidade só acontece em torno de Agra

Política é mesmo imprevisível. Quem diria que, há um ano atrás, o PSB não apenas enfrentaria imensas dificuldades  para manter a prefeitura da capital, como suas principais lideranças, o governador Ricardo Coutinho e o prefeito Luciano Agra, estariam em vias de um racha que pode coloca-los definitivamente em palanques opostos e dividir o hoje mirrado espólio eleitoral do esquema governista em João Pessoa?

Depois da expressiva vitória conquistada na cidade em 2010 e da vitória para o governo, a eleição de 2012 para prefeito da capital parecia um passeio com RC no controle das duas principais máquinas administrativas do estado.

Mesmo com as fragilidades que Luciano Agra apresenta como candidato, era inimaginável que, de favorito, o PSB passasse à condição de coadjuvante na eleição pessoense.

Como explicar um racha dessas proporções? Em primeiro lugar, é necessário levar em conta o desgaste do governador e do seu governo, o que diminui drasticamente sua influência eleitoral ao ponto de permitir o questionamento de sua liderança, até então intocada.

É a fragilidade atual de RC que lhe abriu o flanco para a contestação política de sua liderança. Essa fragilidade – momentânea? – fez com que os até então dóceis e obedientes “companheiros” colocassem as unhas de fora e revelassem o acúmulo de insatisfações decorrentes da ultracentralização ricadista nas questões administrativas e partidárias.

Contando possivelmente a ambiguidade e a insegurança de Luciano Agra, cujos vai-e-vem mostram o quanto ele é sujeito a pressões – na frente de RC ele se submete e jura lealdade ao “projeto”, encorajado pelos aliados mais próximos ou com projetos conflitantes com o de RC, Agra volta ao “volta Agra,” – o governador excluiu o prefeito do projeto eleitoral ao indicar Estelizabel Bezerra.

Com isso, RC mexeu no vespeiro dos diversos projetos que ansiavam por abrir asas: o do próprio Agra, de Nonato Bandeira e de Bira, todos encorajados a alçar novos voos na política disputando a prefeitura da Capital depois de 2010.

Os três se uniram em torno de Agra, sendo que o único que não depende de RC para ser candidato é Bandeira, no PPS. E o que tudo indica, o projeto só sai unido se for em torno de Luciano Agra, só para quem, imagino, Nonato Bandeira retira sua candidatura, num acordo que pressupõe apoio ao candidato do PPS caso não Agra não convença RC.

Portanto, nisso reside a viabilidade da candidatura da situação na capital: a disposição de RC de aceitar o “volta Agra” como um projeto que tem base nas insatisfações a respeito de como o governador lida com os diversos projetos individuais no “coletivo”. Isso sé se dará se RC reconhecer que, fragilizado politicamente, ele não consegue emplacar Estela Izabel com seu esquema dividido. Ou seja, a única chance de RC não perder na capital é manter-se unido a Agra e, com isso, manter unidas na eleição as máquinas da prefeitura e do governo estadual.

Do contrário, vai ser um passeio da oposição.

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