segunda-feira, 9 de abril de 2012

Um "projeto", duas visões: as decisões de Nonato Banderia e Luciano Agra

RC: entre dois projeto
A manutenção candidatura do agora ex-Secretário de Comunicação da Paraíba, Nonato Bandeira, continua sendo o grande enigma da eleição municipal de João Pessoa.

Reafirmada após a entrega do cargo na quinta-feira passada e da entrevista coletiva concedida hoje, a candidatura de Bandeira terá pela frente o duro desafio de se tornar viável e, portanto, de ser alternativa real para o bloco comandado por Ricardo Coutinho.

E viabilidade é algo que parece ser a grande dúvida que se apresenta para a pretensão do pré-candidato do PPS, ou seja, se Bandeira converterá em intenção de voto o apoio político que ele parece ter de partidos da base governista e setores da imprensa pessoense.

Tanto que o jornalista Luiz Torres fez questão de salientar essas dúvidas que muitos nutrem em relação à candidatura de Nonato Bandeira. Segundo Torres, o que para muitos seria um ato de loucura – abandonar a condição de super-secretário do governo para aventurar-se numa disputa onde são mínimas as chances de vitória – foi tratado como um ato de abnegação e dedicação ao “projeto”.

Coincidentemente, é também em nome da preservação desse projeto que Luciano Agra mostra constantes atos de altruísmo político. Segundo ele, todos devem estar subordinados a ele. Só que, nesse caso, Bandeira aparentemente faz o caminho inverso.

Enquanto Luciano Agra abre mão de sua postulação em nome de um “projeto” (de poder), Nonato mantém sua candidatura também justificando a mesma coisa. É um desprendimento raro de se ver nos dias de hoje e, certamente, digno de nota.

Pode-se dizer que são visões diferentes sobre a mesma questão. Se for isso mesmo, está explicado por quê Agra e Bandeira são de partidos diferentes, mesmo compondo o mesmo grupo político. Mas, mesmo aqui, o que é a desgraça do atual prefeito – ser do PSB, o partido controlado pelo governador, – vem a ser a salvação de Bandeira.

Enquanto este finca o pé, abandona o governo para ser candidato e aparentemente peita o governador, Agra mostra resignação, mesmo desejando ser candidato. A questão é saber porque Agra não é tão bom para o bem do “projeto” quanto Estelizabel Bezerra parece ser.  

Será que essas atitudes aparentemente desconexas podem explicar uma outra coisa? Ou seja, o motivo pelo qual Luciano Agra foi o ungido à condição de vice de Ricardo Coutinho em 2008, que era uma maneira de ser prefeito de João Pessoa sem ter voto, e porque Nonato Bandeira foi preterido. Imagine se ao invés de Agra, o prefeito hoje fosse Bandeira, e RC desejasse uma outra candidatura? O “altruísmo” de Bandeira seria colocado à prova.

Em tempo: Apenas para registro: em termos práticos, a manutenção da candidatura de Nonato Bandeira assegura pelo menos que dois partidos não engrossem o caldo da oposição na eleição de João Pessoa: o próprio PPS e o PTB. Se Nonato não fosse candidato, abriria espaço, no mínimo, para a candidatura do oposicionista deputado estadual Jandhuy Carneiro, ou, piora ainda, que o PPS apoiasse Cícero Lucena numa articulação nacional entre o partido de Roberto Freyre e PSDB. No caso do PTB, que abriga o vereador oposicionista Tavinho Santos, a candidatura de Nonato Bandeira é o caminho menos traumático para que Armando Abílio, mais conhecido como “Mãe Diná”, transite para os braços do ricardismo sem dá muito na vista. Se isso for pouco, a candidatura de Bandeira ajuda na realização do segundo turno e na ampliação dos apoios a Estelizabel Bezerra, o verdadeiro “projeto” do ricardismo na eleição de 2012 em João Pessoa.

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