segunda-feira, 10 de junho de 2013

Agra no PEN (I)

Para Governador, Vice ou Senador, Agra é um poderoso nome
da oposição. RC que se cuide
A filiação do ex-prefeito de João Pessoa, Luciano Agra, ao Partido Ecológico Nacional (PEN), que na Paraíba é dirigido pelo Presidente da Assembleia Legislativa, Ricardo Marcelo, compõe o segundo passo da trajetória de Agra rumo à disputa de 2014 como grande protagonista.

O primeiro passo ele já deu, quando, impedido no PSB de disputar sua reeleição, rompeu com o governador Ricardo Coutinho, apoiou a candidatura de Luciano Cartaxo, do PT, a Prefeitura de João Pessoa, no ano passado, e foi o grande vitorioso daquelas eleições. Uma surpresa para quem, até bem pouco tempo, era um desconhecido técnico em planejamento urbano e, por essas qualidades, foi indicado na chapa de reeleição do então prefeito da capital paraibana, Ricardo Coutinho.

Ao assumir a prefeitura com a renúncia de RC, em 2010, Agra não apenas se tornou conhecido, como viu seu crescer seu prestígio político, de tal maneira que a percepção de que o aprendiz havia superado o mestre ganhou notoriedade, e o então prefeito adquiriu asas para voar voos próprios. A provável conjunção de ciúmes, egocentrismo e o medo que Agra deixasse a sombra de RC e gestasse a sua própria para abrigar, no PSB, os muitos carentes de uma convivência mais afetuosa e menos subalterna, fez o atual governador cometer o desatino de pedir, e ver exibida numa bandeja de prata, a cabeça do até então fiel escudeiro.

Daí em diante, Agra foi outro Agra. Rebelou-se contra quem parecia oprimi-lo psicologicamente – ele chegou a declarar depois do racha com RC que estava, antes de tudo, aliviado por não ter mais que conviver com Coutinho – e foi para a luta com a principal e mais eficaz arma política: a de ser um administrador bem avaliado e um político confiável. Talvez porque Agra não encarne o modelo do que o povo entende como político.

Agra mostra uma aparente ingenuidade e fala lenta e compassadamente, usa roupas brancas, informais, com seu indefectível chapéu panamá, que faz parece-lo uma figura fora do lugar, mas o povo parece adorar. Não foi por outro motivo que, quem ousou combate-lo, tomou de volta uma rebordosa em 2012. Foi o que Ricardo Coutinho fez, crente na sua infalibilidade política e descrente nos dados de sua impopularidade.

E os dois rivalizaram pela imprensa em papéis opostos: Agra era o Cristo pregado na cruz pelas ordens de Ricardo Coutinho, que cumpriu com perfeição o papel de Pilatos. E quanto mais eles se atracavam verbalmente, mais Agra e seu candidato, Luciano Cartaxo, tomavam conta da oposição a RC. No final, a candidata do governador abocanhou 20% do eleitorado pessoense, enquanto os candidatos da oposição juntos somaram 80%, com Cartaxo na liderança folgada. Agra não apenas havia vencido, como esmagara seu antigo líder no fora o seu único e mais importante reduto.

Por isso, Agra será o grande nome da eleição em João Pessoa. Para governador, para vice ou para o Senado, a eleição passa por ele na Capital e a oposição ganha um nome tanto com prestígio eleitoral como com capacidade de agregar os insatisfeitos com o governador e sua gestão. 

Luciano Agra entrou no jogo definitivamente. RC que se cuide.

Ausência do PT


A ausência de representantes do PT no ato de filiação de Luciano Agra ao PEN, não pode ser lido apenas como uma demonstração de incômodo, mas uma absoluta falta de respeito e generosidade política com quem foi o principal responsável e artífice da vitória de Luciano Cartaxo, vitória que deu ao partido a condição de protagonista que suas lideranças diziam tanto perseguir.

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