sexta-feira, 7 de junho de 2013

A candidatura de Rômulo Gouveia para o Senado: a Paraíba é só Campina?

Vital do Rego Filho e Cássio são dois dos três senadores da Paraíba.
E Rômulo Gouveia quer ser o terceiro
O Vice-Governador, Rômulo Gouveia, anunciou essa semana sua candidatura ao Senado. Se a aliança Cássio-Ricardo Coutinho se confirmar, como tudo indica, Gouveia deve compor a única vaga para o Senado na chapa majoritária governista. A vaga de vice deve ser indicação do ex-governador Cássio Cunha Lima.

A candidatura de Rômulo Gouveia ao Senado trás evidentes implicações políticas e eleitorais, tanto no arranjo interno do bloco cassista quanto na disputa eleitoral em si.

A primeira e mais direta implicação é o alijamento da possibilidade do atual Senador, Cícero Lucena, concorrer à reeleição. Mas, essa é uma questão que merece um tratamento especial e não cabe debate-la agora.

Concentremo-nos na segunda implicação, que tem a ver com a geopolítica da Paraíba. Como todos sabem, Rômulo Gouveia é de Campina Grande que, além de eleger 1/3 da bancada de Deputados Federais da Paraíba (Aguinaldo Ribeiro, Romero Rodrigues, Damião Feliciano, Nilda Gondim), tem entre os seus cidadãos dois dos três senadores paraibanos (Vital do Rego Filho e Cássio Cunha Lima), ou 2/3 da representação do estado no Senado.

Pois bem. Caso Rômulo Gouveia dispute essa vaga e logre êxito, a consequência mais direta da escolha da maioria dos paraibanos será dar a Campina o controle absoluto de todas as vagas que a Paraíba detém no Senado a uma única cidade.

Em termos práticos, essa situação pode ter como consequência eleitoral para Gouveia uma grande facilidade para pedir votos na bairrista Campina, mas isso pode lhe render claros constrangimentos no resto do estado.

Não se trata aqui de combater bairrismo com bairrismo. Isso, além de ser um atraso político, não surte muito efeito, especialmente em cidades como João Pessoa. A questão diz respeito a representatividade do eleitorado no poder.

Afinal, nós vivemos numa democracia representativa, e a eleição de Rômulo Gouveia criaria uma situação de completo desequilíbrio representacional com outras cidades e regiões da Paraíba.

Isso terá relevância no meio do eleitorado paraibano no próximo ano? O mais provável é que sim, pois a Paraíba jamais viveu algo semelhante em toda sua história.

Campina sempre produziu grandes quadros e lideranças políticas, mas sua hegemonia nunca chegou ao ponto de ocupar todas as vagas no Senado. O resto da Paraíba, e mesmo parte de Campina, pode optar para que essa situação não se efetive.

Especialmente para a oposição, esse é mais um elemento a reforçar o seu discurso, não contra Campina, pois, em qualquer situação, ela manterá sua representação no Senado, que já é ampla, mas em favor de uma representação politica e espacialmente mais equilibrada e mais democrática, e que expresse de maneira mais clara o que é a Paraíba. Nós também somos Campina, mas não somos Campina.

Outro consequência do anúncio da decisão do vice-governador é que ela começa a acelerar as definições e o quadro político começa a se afunilar e ganhar contornos mais nítidos para 2014. 

Além de Gouveia, Luciano Agra já fez sua opção e tudo leva a crer que o ex-prefeito de João Pessoa deve ser peça-chave no projeto de unir a oposição já no primeiro turno.

Caso isso aconteça mesmo, restará compor a chapa para enfrentar uma catalizadora polarização com os candidatos da situação, polarização que tem marcado as eleições na Paraíba, à exceção de 1998, desde 1982.

Uma das grandes dúvidas que ainda persistem tem relação com o PT. Até quando o partido de Lula vai manter-se imobilizado. Vai esperar que todos os espaços sejam ocupados ou rumará para ocupar o espaço que lhe é devido.

No caso do Senado, tem um cavalo selado que começa a se preparar para a corrida. Resta saber quem será mais hábil e mais rápido para ocupar sua sela. 

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