sexta-feira, 14 de junho de 2013

AGRA NO PEN (II)

Agra estará na chapa da oposição. Resta saber em que lugar
Na última vez em que abordei a decisão do ex-prefeito Luciano Agra de se filiar ao PEN e as consequências desse ato, finalizei o texto com uma constatação: “Agra entrou definitivamente no jogo”. O jogo a que me refiro, claro, são as eleições de 2014, quando os paraibanos irão às urnas, entre outras coisas, para eleger um novo governador e um novo senador.

Portanto, Luciano Agra tem três alternativas à sua disposição, já que, pela estatura política que adquiriu depois de derrotar o governador Ricardo Coutinho em João Pessoa, pode escolher entre uma das vagas disponíveis na formação da chapa da oposição que ora se constrói: governador, vice-governador ou senador.

Para governador,  Agra, que era um dos possíveis candidatos quando o ano começou, não demonstrou fôlego para levar à frente esse projeto, e um dos motivos foi a ausência de uma base partidária que desse lhe desse suporte.

O PT perdeu um forte candidato ao governo

O PT paraibano, no seu costumeiro hegemonismo e na recente e risível mania de grandeza, associado a uma forte dose de autismo político de suas lideranças, fez questão de não oferecer a necessária segurança para o ex-prefeito de João Pessoa levar à frente esse projeto.

O argumento – também risível – de que essa pretensão não pode ser assegurada a ninguém num partido como o PT, se desmoraliza por cima, logo no mais alto escalão da República. A Presidenta Dilma Rousseff pertenceu, até 2001, ao PDT. Nesse ano, ainda durante o governo Olívio Dutra, a quem serviu como Secretária Estadual de Minas e Energia, filiou-se ao PT e mante-se como uma desconhecida filiada até torna-se Ministra da Casa Civil.

E foi Lula, com sua perspicácia política, que enxergou em Dilma as qualidades de candidata com consistência capaz de levar seu projeto à frente. Consistência que pode ser lida como fidelidade a um modelo desenvolvimentista, iniciado por Lula, e que Dilma procurar aprofundar em seu governo.

Pois bem. Dilma foi a carta retirada do colete de Lula em 2009 que o PT, com ou sem sal, teve de engolir. E Dilma não tinha nem de longe a liderança interna de José Dirceu, nem a notoriedade de Marta Suplicy, ou mesmo a trajetória de Tarso Genro. Dilma tinha o que ela precisava: o apoio do presidente Lula, que trabalhou para quebrar resistência e unir o PT em torno de si. E foi assim que uma desconhecida não apenas foi a candidata petista como elegeu-se a primeira mulher presidenta do Brasil.

Foi esse apoio das lideranças petistas paraibanas que faltou a Luciano Agra que não lhe deu a segurança de que o PT era uma alternativa partidária confiável. Sem isso, e com a experiência traumática recente de traição, Agra partiu para o PEN, e o PT perdeu não apenas um grande quadro, mas uma boa – e talvez a única – liderança capaz de disputar em condições de vitória o Governo da Paraíba em 2014.

Candidato a vice de Veneziano: é bom para o cabeludo, mas, é bom também para Agra?

Veneziano e Agra: o que será bom para os dois?
A pergunta acima é um ótimo critério para definir-se uma aliança. Tem que ser bom para os dois lados que pretendem se aliar. No caso de Veneziano Vital do Rego, que depende fortemente de um candidato que neutralize o peso da força do pessoense Ricardo Coutinho na capital, Luciano Agra é o candidato a embalar os sonhos mais reluzentes do cabeludo peemedebista quando ele sonha com o Palácio da Redenção.

Agra foi um prefeito bem avaliado de João Pessoa e vítima do algoz – alguns adoram chama-lo de “ditador” – Ricardo Coutinho, que o impediu de pelo menos tentar o apoio do povo pessoense para seguir administrando a capital. Ou seja, Agra carrega em uma só candidatura, duas qualidades que provavelmente serão muito bem apreciadas pelo eleitorado pessoense em 2014: além de bom administrador, ele é o mais bem acabado produto do sentimento antiricardista, algo que a sagacidade de Nonato Bandeira foi capaz de construir – sagacidade que o PT, “se achando”, dispensa sem cerimônia.

Enfim, a candidatura de Luciano Agra é perfeita para o projeto de Vital do Rego. A questão é saber se Agra tem tanto a ganhar quanto Veneziano. Ser vice-governador tem lá sua relevância, mas o problema é o futuro. Eleito, Veneziano terá um horizonte de oito anos para trabalhar, e Agra, que já não é nenhum menino, não tem tanto tempo disponível para esperar nem manter seu prestígio.

Agra precisa aproveitar a onda que se formou quando ele provocou o tsunami que levou o castelo de areia que RC construía em João Pessoa. Mas, como toda onda, o tsunami pode ir perdendo força e desaparecer quando chega à praia. Exemplos disso não faltam na política paraibana. RC é um desses que aproveitou bem a onda depois de 2008. Já o ex-governador Roberto Paulino, que quase derrotou Cássio Cunha Lima, em 2002, viu aquela onda desfigurar-se até quase desaparecer.

Será no equilíbrio entre o que é bom para o projeto de Veneziano Vital do Rego é bom para Agra que a composição dos sonhos do PMDB se realizará. Por que, como eu disse, Agra tem alternativas.

Senado: o cavalo selado

Para candidatos com o perfil de Luciano Agra, nenhum quadro tão favorável se apresentou até hoje nas eleições para o Senado como o que começa a se desenhar para 2014. Não teremos na disputa, por exemplo, nenhuma grande liderança estadual de prestígio inquestionável, a exemplo do próprio Veneziano e Cássio Cunha Lima, nomes com estatura capaz de mobilizar pelo seu prestígio a paixão do eleitorado.

Além disso, não temos um governador candidato à reeleição que se apresente com uma força eleitoral capaz de impulsionar qualquer candidatura do bloco governista – e se for o ex anti-ricardista Cícero Lucena, então... – como aconteceu em 1998, quando José Maranhão praticamente deu a vitória a Ney Suassuna.

Some-se a isso o fato de que a oposição tem se mostrado capaz de agregar lideranças e importantes partidos, o que traz consigo o charme irresistível da expectativa de vitória e poder. Um quadro assim deve despertar uma atração também irresistível em políticos capazes de “ler” a realidade para saberem ousar.
Cássio não tem nada contra Agra;
muito pelo contrário

E um candidato como Agra tem outros predicados, além dos já citados, que lhe acrescentam força eleitoral: além de ser pessoense e campinense ao mesmo tempo, Agra tem livre transito entre os cassistas, e com o próprio Cássio – o que ficou patente com a ida de Ruy Carneiro, presidente do PSDB, ao ato de filiação do ex-prefeito de João Pessoa ao PEN, que fez questão de registrar que estava lá a pedido do senador tucano. RC deve ter estremecido quando soube da notícia. Isso no mínimo assegura que ninguém, à exceção do governador, trabalhará com afinco para derrota-lo.

Enfim, como eu disse, Agra tem diante de si as alternativas que são oferecidas a um candidato a governador com prestígio, e que desistiu da disputa e, por isso, pode escolher qual lugar na chapa vai ficar.


A questão é saber o que ele pretende para além de 2014. 

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