sexta-feira, 21 de junho de 2013

Quem é contra a política é a favor de quê? O movimento dos estudantes tem partido, só que eles não sabem

Os protestos que começaram na semana passada e se alastraram por todo o país finalmente ganham uma cara, mesmo com todo o esforço de suas lideranças para mostrar feições “apartidárias” e “apolíticas”: as feições de um direitismo de membros que se mostram capazes de dirigir a massa e não se envergonham de se afirmarem contra a política e, em alguns casos, a defender mesmo um golpe contra as instituições democráticas do país.

Nas manifestações de ontem, o que se viu foram demonstrações de puro autoritarismo que lembraram os fascistas dos anos 1920 e 1930, que atacavam nas ruas qualquer grupo que tivesse qualquer ligação com a esquerda, especialmente comunistas. Antes da grande manifestação de ontem em João Pessoa, eu presenciei in loco o momento em que genuínas lideranças do movimento estudantil e popular, como as do PSTU, foram acossadas e obrigadas a arriar suas bandeiras simplesmente porque desejavam expressar o apoio do partido à luta dos estudantes.

Em São Paulo, como mostraram diversos relatos de jornalistas, como o de Luiz Carlos Azenha (clique aqui), militantes da CUT e do PT sofreram violentos ataques até que foram obrigados a se dispersarem no meio da multidão.

Na minha participação de ontem no Correio Debate, cujo programa foi todo dedicado às manifestações estudantis, tive a oportunidade de tratar dessa questão e ressaltar que, qualquer solução fora da política para a situação como a que estamos vivenciando hoje, não pode ser outra que não o autoritarismo, como aconteceu em 1964. Quando a política é festejada como uma mal a ser combatido, só nos restam a desesperança e a solução autoritária. Não adianta bradar contra os partidos, é preciso compromissá-los com proposta, projetos, ideias. Ou seja, a política não é o problema, é a solução.

E se o PT, ao contrário do PSTU, abandonou as lutas históricas que marcaram sua trajetória como partido, lutas que lhe conferiram legitimidade para que finalmente conquistasse o direito de governar todos os brasileiros, o esforço de retorno a essas lutas deve ser saudado como uma autocrítica – talvez forçada pelas circunstâncias, é verdade. O que se deve cobrar do PT – e de sua base social, incluída a Central dirigida por ele, a CUT – é o compromisso com as bandeiras das mudanças estruturais no Brasil. E que esse compromisso se expresse nas ações do governo federal.

Mantido, mesmo assim, esse preconceito, é legítimo que a CUT, a UNE – e eu recomendo o mesmo ao PSTU – e todas as forças compromissadas com as bandeiras difusas que não são defendidas com muita clareza nas manifestações estudantis, comecem a construir suas próprias manifestações para dar algum sentido POLÍTICO a esse movimento, antes que ele se esgote em si mesmo ou seja apreendido pelo conservadorismo para legitimar suas ideias de sociedade e de política.

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