segunda-feira, 6 de abril de 2015

O embate silencioso entre RC e Luciano Cartaxo em João Pessoa

Ricardo Coutinho e Luciano Cartaxo: foi bom enquanto durou?
O oposicionismo do PSB da Capital é latente, a tensão dos socialistas com o PT e a administração de João Pessoa crescente, mas ninguém espere um rompimento da aliança entre Ricardo Coutinho e Luciano Cartaxo, celebrada em junho do ano passado, para breve. 
Há questões de ordem local e nacional em jogo que serão medidas no seu devido tempo para que uma resolução definitiva seja posta em prática.
A popularidade de Cartaxo
Um ponto decisivo será a avaliação não apenas do governo, mas do desempenho pessoal do prefeito pessoense daqui a alguns meses.
Pouco mais de dois anos depois do seu início, a administração petista ainda não conseguiu definir uma cara, uma prioridade ou algo que a distinga de outras administrações.
Mesmo sem projetos inovadores, a PMJP tem muitas iniciativas que, caso se efetivem com sucesso, renderão um bom portfólio a ser apresentado nos debates eleitorais do próximo ano.
As creches, as UPAs, o programa de habitação que pretende entregar 13.000 casas até o fim da administração cartaxista, mesmo sendo iniciativas do Governo Federal, são obras executadas pela PMJP.
A revitalização do Parque Sólon de Lucena é outra obra importante em andamento, que dará não apenas uma nova cara, mas um novo uso ao principal cartão postal da cidade.
Ou seja, quem acredita que as dificuldades pelas quais passa a administração petista hoje inviabilizam o projeto de reeleição de Luciano Cartaxo é preciso esperar um pouco mais.
Pessoalmente, acredito que o prefeito pessoense tem condições de reverter essas expectativas atuais de derrota, mas para isso precisa evitar novos erros políticos que se tornaram comuns nesse curto período de pouco mais de dois anos de administração.
Em grande medida, isso significa que ele deve se esforçar por agregar à imagem de sua administração, e à sua própria imagem como político e administrador, através de ações e discursos, um sentido transformador, de ruptura com antigas práticas políticas, campo em que o governador Ricardo Coutinho ocupa atualmente sem rivais à altura.
RC é o “reformador”. Cartaxo é o quê?
Caso Cartaxo chegue ao final do ano com a popularidade em alta, a iniciativa política fica com ele, que pode dar as cartas e mexer as peças ao sabor das suas conveniências políticas. Do contrário, dependerá cada vez mais dos aliados.
Ricardo Coutinho espera e age
RC na linha de frente na defesa de Dilma no NE
No campo administrativo, um dos erros mais evidentes da PMJP foi deixar que os principais projetos de mobilidade urbana caíssem nas mãos do governo estadual, sem, no entanto, tomar suas próprias iniciativas.
A construção de dois grandes viadutos, além de uma grande perimetral que ligará a BR 101 a vários bairros e a orla pessoense, projetos que visam desobstruir três imensos gargalos hoje do trânsito da Capital – os acessos a Cruz das Armas, a Mangabeira e ao Geisel, – darão uma imensa visibilidade à administração estadual em João Pessoa.
As escolhas de RC foram cirúrgicas. Mangabeira é o maior bairro pessoense. O Geisel não tem o mesmo tamanho, mas a localização do viaduto, na BR, permitirá que a vida dos condutores que trafegam naquele trajeto nos horários de pico se torne menos desconfortável. O mesmo em relação a quem vem de Recife.
Quando essas três obras estiverem prontas, o que deve acontecer bem antes de outubro de 2016, RC terá dado três grandes contribuições à melhoria da qualidade de vida da cidade.
Além disso, outras iniciativas como as melhorias no Almeidão, no Ronaldão e no Dede, agora Vila Olímpica, entre outras obras, agregam imenso valor ao portfólio ricardista na Capital, além do que ele já dispunha quando foi Prefeito de João Pessoa.
Enfim, RC trabalha para ser um grande eleitor em 2016 na Capital, situação que difere muito da enfrentada por ele em 2012, quando o desgaste dos primeiros meses de governo, sem ter tido ainda a oportunidade de apresentar os resultados de sua administração, praticamente inviabilizaram sua pretensão de recuperar o controle da administração pessoense.
Ricardo Coutinho X Luciano Cartaxo
Como tem feito desde que assumiu a PMJP, em 2005, RC prioriza a administração para só depois deixar claro seus planos e objetivos políticos.
Não que ele deixe de fazer política. Pelo contrário, faz o tempo todo, escolhendo seus adversários, especialmente aqueles que rendam acréscimos para a imagem que o eleitorado aprecia de político corajoso e republicano.
Administrou João Pessoa por quatro anos em minoria na Câmara, dose que repetiu no Governo do Estado.
Duas apostas de alto risco, mas que deram grandes resultados, porque RC passou a mensagem que queria para o eleitorado: a de que não se submetia aos interesses de um parlamento marcado por práticas deploráveis, como a troca de favores – de vários tipos – em troca de apoio político.
A briga de RC com o parlamento não era um mero jogo de cena ou manifestação autoritária. Havia nela uma mensagem subliminar que apontava para a ideia de uma nova cultura política a amparar as relações entre Governo e Assembleia.
E um antídoto, largamente utilizado durante a campanha, contra o adversário Cássio Cunha Lima, que romperia a aliança para incorporar o anti-RC, incluindo aí, e principalmente, esses aliados que RC combateu.
Cássio vestiu o figurino com perfeição e foi derrotado nele vestido, por mais que tenha tentado se livrar dele durante a campanha, sem sucesso.
RC parece ter sido o único político capaz de entender os novos humores e o novo perfil do eleitorado.
Cartaxo faz o contrário. Governa quase sem oposição na Câmara de Vereadores, mas o resultado disso é uma imagem de quem se acomoda a interesses nem sempre republicanos, sem enfrenta-los.
Transforma sua base política na Câmara numa “Arca de Noé” disforme, sem identidade, pelas sua heterogeneidade política e ideológica.
Cartaxo age como se não levasse em conta os apelos por uma nova política, sem transmitir para esse eleitorado, cada vez mais representativo, através de ações e discursos, seu compromisso com essa mudança.
Até o PSDB, inimigo mortal do PT no plano nacional, não apenas apoia a administração do petista, como dela participa controlando a política de comunicação do governo – sintomaticamente, os melhores produtos dela são produzidos pelo próprio prefeito quando concede entrevistas em rádios sobre sua administração.
Num outro traço distintivo, ao contrário de Cartaxo, RC faz a defesa de Dilma Rousseff e compra a briga com o eleitorado antipetista e com a mídia nacional que dia e noite faz oposição ao Governo Federal.
Com isso, ocupa o espaço vazio na política regional deixado depois da morte de Eduardo Campos e do fim do mandato de Jacques Wagner, e fala para o público interno, o eleitorado de esquerda de quem se afastou depois de 2010.
Esse ponto RC também levará em conta para um rompimento com Luciano Cartaxo, apesar de não ser decisivo para suas pretensões nacionais futuras.
Cássio e Cartaxo: paqueras 
Por enquanto, RC arma o cerco sobre Luciano Cartaxo, que não parece saber como sair dele, mostrando grande desconforto e, às vezes, desorientação política.
É certo que, não sendo petista, há mais conforto de RC nesse embate, cuja parcela do eleitorado que rejeita nacionalmente o governo Dilma é ainda expressiva, especialmente em um ambiente de crise política e econômica.
Cartaxo parece temer a contaminação do seu governo e a sua própria com a crise nacional.
E nesse ponto reside, talvez, um esforço do prefeito para se desvencilhar do incômodo que representa a questão nacional com dois acenos ao conservadorismo por parte do petista.
Um, é a manutenção da aliança com o PSDB, uma jabuticaba bem paraibana, e as paqueras cada vez mais explícitas com o cassismo.
Notem que o antipetismo de Cássio afina quando ele retorna à Paraíba, restringindo-se a atacar o PT nacional.
Outra, é a nova postura do prefeito quando o assunto é relação com movimentos sociais.
Ameaça aos professores em greve: aceno de Cartaxo ao conservadorismo?
Do propalado diálogo, Cartaxo rompe com esse discurso que, ao que parece, servia apenas para contrapor-se à época ao governo RC, e incorpora o da ameaça de corte de ponto e de demissão de hoje contra professores – logo quem!  em greve. 
Essa nova atitude pode ser lida, observando o contexto político mais geral, como um aceno ao conservadorismo? É certo que sim, o que mostra a falta de consistência da estratégia cartaxista.
 Os nomes de RC

Em próxima postagem, analiso os potenciais candidatos de RC à Prefeitura de João Pessoa.

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