terça-feira, 28 de abril de 2015

CÁSSIO NO CURTO E MÉDIO PRAZOS

Tem se tornado frequentes as reuniões da bancada federal paraibana com o Executivo estadual com o objetivo de debater questões prementes do Estado, o que deve ser visto como um bom sinal de maturidade política de ambos os lados, tanto do governo quanto da oposição. 

Tanto no plano regional, quando governadores nordestinos fazem o mesmo, o que é facilitado pela proximidade política entre os mesmos, quanto no estadual, é possível vislumbrar algo que vá além das costumeiras disputas que, em geral, desprezam o interesse público.

Em tempos não muito distantes, o então governador Cássio Cunha Lima acusou seus opositores peemedebistas de pressionarem o presidente Lula para que ele não visitasse a Paraíba. 

Ontem, foi o próprio Cássio a não ir à reunião da bancada federal convocada pelo governador, que também não contou com a presença de um outro Cunha Lima, o Deputado Federal Pedro. 

Pai e filho foram representados pelo ex-deputado Ruy Carneiro. O Senador tucano justificou a ausência colocando a culpa na agenda, mencionando um périplo de atividades pelo interior do estado que fez por todo o fim de semana, e no convite tardio para uma reunião que ocorreria na manhã da segunda. Uma desculpa tão amarela quanto papo de tucano. 

Para uma entrevista a uma emissora de rádio concedida logo após o meio-dia da mesma segunda, entretanto, o tucano estava a postos. É aquela história: prioridades são prioridades. 

O senador tucano perdeu uma grande oportunidade de aparecer na foto ao lado do adversário e de demonstrar que as divergências políticas não o impedem de se 
envolver em projetos comuns para o estado.

E mais ainda: de apresentar um projeto que não seja apenas para enfrentar questões urgentes, como os problemas ocasionados pela terrível seca que vive o Semiárido paraibano. 

Por que não discutir um grande pacto político pelo desenvolvimento da Paraíba que comporte um horizonte de pelo menos 20 anos em obras estruturantes para o desenvolvimento econômico e social da Paraíba? 

Como a preocupação do momento é a seca, que tal pensarmos num sistema que integre através de adutoras todas as bacias hidrográficas e grandes reservatórios para distribuir melhor a nossa água e não perdermos tanto com a evaporação? 

Que tal discutirmos projetos de mobilidade urbana que incluam, desde já, o início da construção de um metrô em João Pessoa e Campina Grande, ou vamos esperar que essas cidades se inviabilizem no caos provocado pelo transito para que, como sempre, ganhe a urgência do curto prazo? 

E tantas outas questões que exigem uma visão de longo prazo. Essas devem ser prioridades porque, em primeiro lugar, pouco se pensa nelas, e porque são mais factíveis de promoverem o consenso político. 

Obras que envolvam vários governos e vários mandatos parlamentares. Talvez seja exigir demais para que políticos como Cássio pensem num horizonte tão distante quando o máximo que conseguem, em termos de futuro, é pensar na próxima eleição.

Cássio e a próxima eleição

Na entrevista que concedeu ontem à Radio Arapuã, ao ser perguntado sobre as possíveis candidaturas do PSDB em João Pessoa, o primeiro nome que Cássio Cunha Lima citou foi o do ex-senador Cícero Lucena, que já anunciou o fim de sua carreira política. 

No ano passado, Cícero declarou que a chapa do PSDB ao governo fora composta à sua revelia sem que o seu meu nome fosse apresentado aos convencionais tucanos. 

Um erro, como se viu depois. De salto alto, Cássio preteriu Lucena em nome de Wilson Santiago, que acabou em terceiro lugar na disputa, desempenho que ajudou a puxar para baixo o restante da chapa majoritária. Cícero seria mais competitivo e fortaleceria Cássio em João Pessoa. 

Saboreando o “cálice da vingança”, Cícero acabou assistindo de camarote a derrota do antigo aliado. Não se viu ou ouviu em nenhum momento Cícero Lucena pedir voto para Cássio, como fez, por exemplo, para Aécio Neves. 

Enquanto isso, familiares de Lucena aderiram à candidatura de Ricardo Coutinho.  
A resposta cassista só corrobora que o PSDB não tem nomes para disputar a Prefeitura de João Pessoa e trabalha com três alternativas: torce para que Manoel Jr. consiga emplacar sua candidatura no PMDB; que Manoel Jr. saia do PMDB para ser candidato pelo PSDB; e, por fim, que o PSDB mantenha o apoio que dá hoje ao prefeito do PT, situação que criaria um imenso desconforto político para o líder do PSDB no Senado e homem de confiança de Aécio Neves. 

Como a situação em Campina Grande não parece ser alvissareira, o futuro eleitoral não parece muito luminoso para o tucano. Talvez isso explique o seu empenho quase desesperado em afastar Dilma Rousseff da Presidência.

CPI do Empreender: Cartaxo não deu aval

Fonte muito próxima a Luciano Cartaxo revelou – e permitiu que fosse aqui publicada sob a condição de anonimato – informação de que ficaram fortemente arranhadas as relações entre o prefeito pessoense e o deputado estadual Anísio Maia. 

A razão foi a assinatura do parlamentar petista à proposta de criação da “CPI do Empreender” na Assembleia Legislativa, de autoria do deputado tucano Dinaldo Wanderley Filho. 

Segunda a fonte, Anísio criou um desnecessário problema político para Cartaxo na já tensa relação do prefeito com o governador Ricardo Coutinho. 

A atitude de Maia deu margem à intepretação de que ela poderia ter sido feita por orientação do prefeito, o que deixou Cartaxo numa saia justa por não poder desautorizar publicamente o correligionário. 

Segundo a mesma fonte, a ordem na prefeitura é trabalhar para que Cartaxo não dependa de qualquer aliança para se reeleger e qualquer ruptura da aliança entre PT e PSB em João Pessoa, se houver, deverá partir dos socialistas.

Coluna publicada no Jornal da Paraíba de 28/04/1967

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