quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

As chances de Estelizabel


O anúncio de Estelizabel Bezerra como candidata à sucessão do prefeito de João Pessoa, Luciano Agra, traz promove grandes alterações na disputa eleitoral desse ano. A primeira delas, é no perfil da candidata.

Diferentemente de Agra, Estelizabel é mais eloquente e mesmo sem ser uma “brastemp”, está há anos-luz do sucedido por ela. Dessa maneira, seja na campanha de TV seja nos debates, teremos uma candidata com muito mais potencial para defender a administração iniciada pelo governador Ricardo Coutinho. Agra era pouco objetivo e normalmente se perdia nos labirintos da insegurança e da frágil memória quando falava de sua própria administração. Sequer dominava os dados dela.

Nesse aspecto, Bezerra, que é a atual Secretária de Planejamento, não terá dificuldades em mostrar os dados, que certamente domina, de uma administração cuja aprovação supera os 60%, isso, sem entrar no mérito delas, em meio a todo tipo de denúncia a que foi submetida no último ano.

Boa avaliação que a própria imprensa de oposição deve ter ajudado a elevar mais ainda quando fez coro com um esforço de vitimização do prefeito Luciano Agra em sua relação com Ricardo Coutinho. O prefeito foi descrito como uma vítima do “coletivo”, como ingênuo “técnico” que se afogou na ambição de RC, como se Agra fosse um ogro. É bom lembrar que não fosse sua dedicação a Coutinho, o atual prefeito continuaria sendo um bom técnico da prefeitura, e nada mais. O homem virou prefeito pelo desejo de RC. Dessa pendenga, Agra sairá com a imagem recauchutada e com mais condições de ajudar sua companheira de partido. E tão fiel ao PSB e a RC quanto antes.  

Um segundo aspecto do perfil da nova candidata é ser ela mulher – e tão “técnica” quanto Agra e Dilma Rousseff, aspecto que encanta setores da classe média e mesmo de boa parte da imprensa. Ser mulher confere um charme e uma doçura que não combinava com a imagem de Luciano Agra, que não consegui imprimir emoção em suas declarações. Diante de um quadro em que os principais candidatos de oposição são homens, ser mulher pode ser uma atributo que pode ser notado pelo eleitor.

Um terceiro aspecto é que, mesmo atuando nos meandros da administração municipal há quase oito anos, Estelizabel Bezerra não pode ser considerada um quadro tradicional da política pessoense, como são Maranhão, Lucena e Cartaxo, todos com passagens por administrações, à exceção do candidato petista, que tem contra si o fato de ter sido nada mais nada menos que o líder na Câmara de Vereadores da primeira administração ricardista, tendo sido Vice-Governador e hoje deputado estadual. Enfim, esse será certamente um aspecto que será explorado pela campanha do PSB. Se terá um efeito decisivo, como teve em 2010, será uma outra história.

Por fim, Estelizabel Bezerra será a candidata de duas poderosas máquinas administrativas, a da prefeitura de João Pessoa e a do Governo do Estado. A eleição de 2010 demonstrou que isso por si só não basta, mas tem um peso inquestionável na hora de fazer campanha e arrebanhar apoios. E é algo que tanto José Maranhão quanto Cícero Lucena sabem o peso que tem numa disputa.

Vencido o óbice das limitações do candidato, Ricardo Coutinho e o PSB vão partir com toda força para o segundo estágio de sua estratégia: fazer Estlizabel Bezerra uma candidata conhecida e, se possível, levá-la pelo menos ao mesmo desempenho nas pesquisas a que chegou Luciano Agra, empatado que estava com José Maranhão e Cícero Lucena.

Na próxima postagem, analisarei os problemas e as possíveis dificuldades que enfrentará a candidata do PSB nessa disputa e que podem deixar esse jogo aberto e cheios de possibilidades até a apuração do último voto. Em seguida, falarei sobre as candidaturas de Cícero Lucena e José Maranhão. Depois eu volto.

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