sábado, 28 de janeiro de 2012

RC deve oferecer vaga de vice em João Pessoa ao PT

Luís Couto precisa de Ricardo. E vice-versa.
Tenho escutado algumas opiniões de que a insistência do PPS em manter a candidatura de Nonato Bandeira seria uma encenação para, na verdade, forçar sua indicação para a vice e fechando a chapa com dois ricardistas, como aconteceu em 2008.

Não acredito na plausibilidade dessa tese porque ela é conspiratória demais para o meu o gosto. Tudo bem que RC parece tomado uma espécie de megalomania política depois de sua heróica vitória em 2010, mas, convenhamos, o governador ainda não perdeu o senso da realidade.

Primeiro, RC deve reconhecer hoje que não está com essa bola toda para fechar uma chapa com dois membros de seu agrupamento político. 


A mudança do candidato em pleno ano de eleição mostra bem o reconhecimento das grandes dificuldades que ele terá para manter o controle da prefeitura de João Pessoa, dificuldade em parte gerada pelo início cheio de conflitos e mudanças de rumos que seu governo provocou no plano estadual.

Além disso, RC precisa manter o máximo possível a unidade de sua base de apoio, especialmente porque deve enfrentar dois candidatos que, por enquanto, mantém boas expectativas de vitória e de poder.

Se essas expectativas forem mantidas, RC vai ter que “adular” mais seus aliados. Não é por outro motivo, a não ser vender mais caro o apoio mais à frente, que partidos dessa base encenam hoje o lançamento de candidaturas próprias.

Damião Feliciano, por exemplo, “libera” o PDT para debater essa possibilidade; Armando Abílio (epa!) aproveita o lançamento da candidatura de Nonato Bandeira para estabelecer mais do que laços, uma sólida ponte por onde pretende fazer o caminho de volta para o território ricardista e deixar
na mão o vereador oposicionista Tavinho Santos.

Até o PPB, do indefectível governista Durval Ferreira, ensaia uma aliança com o PT, para certamente abandoná-la depois que o partido de Lula rejeitar o apoio a Daniela Ribeiro em Campina.

Enfim, as dificuldade atuais de RC encorajam os aliados a desembainharem a faca e aponta-la para o pescoço do governador. Nada que uma boa conversa não resolva – Sargento Dênis, do PV, que assinou manifesto de apoio ao defenestrado Luciano Agra, que o diga.

Enfim, todos buscam mais espaços, coisa que RC tem de sobra para oferecer tendo o governo do estado e a Prefeitura nas mãos. E é essa a linguagem que a maioria dos partidos na Paraíba quer finalmente ouvir sair da boca do governador. 2112 vai ser uma festa! 

E que ninguém subestime o poder de atração dos cargos que podem estar à disposição de potenciais aliados. Como dizia ACM, o poder é “afrodisíaco”. 


É só lembrar, por exemplo, a coligação de 14 partidos que a frágil candidatura do hoje deputado federal, Ruy Carneiro, a prefeito de João Pessoa em 2004, candidatura que contava com o apoio, como conta hoje Estelizabel Bezerra, do então governador (Cássio Cunha Lima) e do então prefeito (Cícero Lucena). Carneiro montou uma aliança em seu apoio, que incluía PSDB, PFL (hoje Dem), PDT, PTB, PL (hoje PR), PP, PV, PSL, PRP, PTN, PTdoB, PRTB, PRONA, e PTC.

Não é surpresa, mas vale o registro quase folclórico, que na lista acima, à exceção do PSDB, todos os outros devem apoiar a candidata de RC em 2012 e, em caso de eleição de um candidato de oposição, seja quem for, em menos de três meses estarão todos eles nos braços do eleito. É esse o jogo que todos dominam perfeitamente, especialmente Maranhão, Lucena e Coutinho.

O PT de RC

 
Entretanto, o único partido que não será seduzido apenas com a oferta de cargos será o PT – partido que, aliás, já conta com uma infinidade deles na Prefeitura, em posição periférica, é verdade.

Envolvido numa disputa interna para lançar candidato ou apoiar Estelizabel Bezerra, Luís Couto e seus aliados dentro do PT precisam mais do que um discurso de apoio à continuidade da administração do PSB, aliado nacional histórico.

Não dá para Luís Couto confrontar a proposta de candidatura própria, que tem a simpatia da ampla maioria dos filiados petistas, com uma simples definição de apoio. O PT precisa de mais, para neutralizar o discurso da volta do"protagonismo petista" na Paraíba.

Não é só por isso. A favor da candidatura própria existe um poderoso grupo que pode confrontar de igual para igual a influência de Luís Couto e das máquinas estadual e municipal, especialmente porque conta com a simpatia da direção nacional do PT. 

Eduardo Campos, governador de Pernambuco: aliança com PT ou PSDB em 2014?
Desconfiada com os movimentos de Eduardo Campos, governador de Pernambuco, e do PSB, partido que tem alianças com o PSDB além do que o pragmatismo político recomenda, a direção nacional do PT não vê com simpatias o crescimento do PSB, especialmente no Nordeste, tradicional reduto lulista.

É esse fato que oferece, por enquanto, força interna ao grupo liderado pelo ex-deputado estadual e atual presidente do PT na Paraíba, Rodrigo Soares. E isso só será definitivamente resolvido até o fim de 2013. Mas, isso é assunto para depois. Por enquanto, mantenhamos o foco na eleição para Prefeitura de João Pessoa. 


Como RC precisa do apoio do PT ainda no primeiro turno – primeiro para eliminar a candidatura do seu ex-líder na Câmara de Vereadores, Luciano Cartaxo, e, segundo, para obter o apoio simbólico do PT e contar com o tempo de TV do partido ,–  o governador precisa ajudar Luís Couto nessa disputa interna, e não atrapalhar, como aconteceu em 2009, quando, desesperado pelo apoio de Cassio, colocou em segundo plano a disputa interna no PT.

Para tanto, se quiser mesmo contar de maneira séria com o apoio do partido de Lula, RC vai ter que abrir mais espaço para o PT na chapa, na atual e na futura administração. Diante dessa realidade, Luís Couto terá um discurso para fazer vencer a tese de apoio à aliança como PSB, além do apoio da máquina administrativa da prefeitura e do governo do estado.

Sem isso, dificilmente RC contará com o apoio do PT. Pelo contrário, terá um candidato do partido ávido por derrota-lo em João Pessoa.

Mais ainda. Acredito que a intenção atual de RC é estreitar os laços com o PT já de olho em 2014, quando espera ter o partido também em sua chapa, provavelmente com Luiz Couto candidato ao Senado, e em apoio à reeleição de Dilma Rousseff. E, anotem aí, terá se Eduardo Campos figurar na vice na chapa de reeleição da presidente.

Essa travessia começa agora. Por isso, RC deve oferecer a vaga de vice ao PT. E tem que ser logo. Março, quando o PT decide sua posição, já está aí.

Um comentário:

Professor Tim disse...

Blog do Professor Tim
Capital cujo nome relembra principal protagonista da Revolução de 30, João Pessoa pode unir dois importantes partidos da esquerda tradicional (PSB e PT), em torno da chapa Ricardo Coutinho e deputado federal Luiz Couto -ativista dos direitos humanos e da Igreja Católica popular e libertadora.
Saudações,
Blog do Professor Tim ou timraimundo.blogspot.com