quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Resultado da eleição em Campina define futuro da aliança Cássio-Ricardo

Até quando veremos esses sorrisos amarelos?
Em dificuldades políticas, mas sem alternativa, Cunha Lima está entre a cruz e a espada. Apoio decisivo na eleição de RC, em 2010, o ex-governador mantem-se equidistante das polêmicas que envolvem decisões do atual governo.

Cunha Lima prefere o silêncio, justificado pelas dificuldades de saúde do pai, quando a única posição cabível seria a crítica; ou uma uma postura apaziguadora, quando importantes aliados seus, como a reitora da UEPB, Marlene Alves, estão em rota de coalizão com o governador.

Cunha Lima, enfim, voltou a se sentir como um reles mortal, depois que os meses no limbo da indefinição sobre seu futuro político por conta da lei do Ficha Limpa permitiu-lhe a pose de São Sebastião martirizado pelas flechas da justiça e dos adversários políticos.

De posse do mandato de Senador, Cássio poderia exercitar de vez em quando a independência que uma posição dessa relevância lhe confere para se posicionar sobre temas de grande importância para a Paraíba. Ao contrário, Cunha Lima faz-se de morto, desejando ardentemente ser temporariamente esquecido, especialmente por seus aliados mais desamparados, pelo menos até o fim de 2012.

Sem ter onde acomodar a imensa corte que o cerca, a não ser no governo estadual, Cunha Lima é hoje, na realidade, um prisioneiro da aliança com Ricardo Coutinho, mesmo que isso lhe custe um imenso desgaste político, que pode crescer tanto quanto diminua a popularidade de RC. Além da acomodação de quadros, Cunha Lima não pode prescindir do peso da máquina do governo estadual na eleição campinense.

Como Cunha Lima parece não estar acostumado a enfrentar disputas eleitorais apenas com suas próprias forças, mesmo na cidade onde tem imensa e inquestionável liderança, ele tende a engolir em seco as dificuldades políticas causadas pela aliança e o apoio que mantém ao atual governador, especialmente do seu grupo na Assembleia Legislativa, principal suporte parlamentar do governo RC. E o motivo é o caráter estratégico que se reveste a eleição de Campina Grande para o futuro do projeto cassista.

Uma possível vitória do candidato apoiado pelo ex-governador alterará substancialmente a relação de forças no campo da aliança Cássio-RC. Com a prefeitura na mão, Cunha Lima não dependerá tanto de RC e terá mais “liberdade” para assumir posicionamentos políticos mais convenientes do ponto de vista político, especialmente porque a partir daí estará em pauta as composições visando a reeleição de RC. Ou seja, fortalecido Cássio, é provável que RC comece a compartilhar mais as decisões administrativas.

Caso derrotado, Cunha Lima tanto pode aumentar sua dependência política em relação a RC, como, paradoxalmente, pode leva-lo rompê-la, pois a manutenção dela se constituirá num fardo político pesado demais a ser carregado até 2014.

Nesse caso, passa a ser factível um novo movimento cassista: agora em direção a Veneziano Vital, justificado em nome dos interesses maiores de Campina Grande.

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