quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Cenários de 2014: "Blocão" precisa de candidato para se viabilizar

Há muito se escuta falar na Paraíba numa alternativa à tradicional polarização eleitoral entre grupos políticos que, a rigor, é tão velha quanto a própria República – alguns dirão que isso remonta ao Império – no estado, mas pouco se efetivou em termo práticos, a não ser pelas iniciativas fracassadas do PT que, do início da década de 1980 até o início do ano 2000, lançou candidatos que não se viabilizaram eleitoralmente.

Na eleição de 1990, o então governador Tarcísio Burity rompeu com o PMDB e lançou um candidato, João Agripino Maia Filho, que sucumbiu diante da polarização real que dominou as disputas daquele ano entre Ronaldo Cunha Lima e Wilson Braga.

Desde então, nenhuma candidatura fora dos blocos que tradicionalmente aglutinaram os principais grupos políticos do estado se viabilizou.

Em 2010, quando se imaginava que, finalmente, havia amadurecido a oportunidade da construção de um bloco alternativo de forças políticas e sociais no estado, articulado durante as administrações de Ricardo Coutinho na Prefeitura de João Pessoa, eis que o ex-petista abandona a ideia de uma terceira via e resolve manter a velha polarização aliando-se ao cassismo para disputar as eleições e tornar-se Governador da Paraíba. 

Espaços vazios

A vitória em 2010, entretanto, custou a RC a perda da liderança desse bloco de forças alternativas.

E, como em política não há espaço vazio, não custou muito que para ele fosse ocupado pelo PT, em aliança com o PP e PSC, que disputou e venceu com Luciano Cartaxo as eleições para a Prefeitura de João Pessoa.

Ao lado do ex-prefeito Luciano Agra, Luciano Cartaxo encarnou com competência não apenas o sentimento antiricardista, mas soube falar a esse eleitorado desejoso da prometida mudança política que, um dia, ele enxergou em RC.

Foi assim que Cartaxo se viabilizou com alternativa às forças tradicionais, inclusive o PSB do governador, e se elegeu Prefeito da maior cidade do estado. 

Fato que demonstrou que existe um imenso espaço a ser ocupado de um eleitorado que continua órfão de lideranças que saibam cativá-lo.

Por isso, engana-se quem acha que foi apenas o apoio de Cássio Cunha Lima quem “deu” a vitória a Ricardo Coutinho em 2010.

Essa vitória foi resultado de uma combinação de fatores, mas talvez o mais relevante deles tenha sido o desgaste da liderança de José Maranhão, num fenômeno que também se verificou em outros estados no Nordeste, e voltou a se repetir em 2012 na capital.

Quem tiver o cuidado de olhar não apenas para a imagem, mas para a origem social da maioria dos governadores nordestinos, hoje, terá uma ideia aproximada de um fenômeno eleitoral cujas bases se assentam nas mudanças sociais que o Nordeste, em especial, viveu nas últimas décadas, fenômeno que foi acelerado depois da ascensão do “lulismo”.

Os resultados de 2010 e 2012 podem ser lidos de várias maneiras, mas eu prefiro achar que se tratou de uma reação do eleitorado paraibano, especialmente em João Pessoa, mas não só nela, a essa enfadonha disputa, que se repetia a cada eleição, entre grupos políticos que teimaram em não se renovar.

Falta ainda ao “blocão” um candidato


Por isso, se o PT e os partidos aliados conseguiram com êxito ocupar esse espaço vazio deixado em João Pessoa pelo esvaziamento da liderança de RC, ainda não é possível vislumbrar um movimento semelhante para as eleições do próximo ano.

Mesmo mantendo a unidade, os partidos que se aglutinam no chamado “blocão” (PT, PP e PSC) carecem ainda do cimento que dá liga a qualquer projeto eleitoral, que é ter um candidato.

Sem contar com a possibilidade da candidatura de sua maior estrela, o prefeito Luciano Cartaxo, que apenas inicia sua gestão à frente da PMJP, o “blocão” patina sem oferecer um nome sequer para a montagem da chapa majoritária, e vê a velha polarização se consolidar a cada dia.

O que não aconteceu, diga-se de passagem, única e exclusivamente por conta da dúvida a respeito da candidatura de Cássio Cunha Lima.

Os outros possíveis nomes do bloco (o Ministro Aguinaldo Ribeiro e o Deputado Federal Leonardo Gadelha) parecem já ter feito a opção por suas reeleições, restando o nome da Deputada Estadual Daniela Ribeiro, que não se mostrou ainda capaz de despertar interesse no eleitorado.

Ou seja, ou o “blocão” oferece um nome com peso eleitoral suficiente para disputar o governo ou não será levado a sério em 2014, justificando o lançamento de uma candidatura apenas para facilitar que a eleição vá para o segundo turno, o que, convenhamos, é muito pouco para um bloco de partidos que conta hoje com um Ministro e o Prefeito da maior cidade da Paraíba.

A sombra do PMDB


A indefinição é tanta que até mesmo o PT, o maior entusiasta dessa articulação, parece já observar com desconfiança sua viabilidade.

Tendo como prioridades a reeleição de Dilma Rousseff e a de um dos seus quadros para a vaga do Senado, passou o tempo em que o PT entrava nessas disputas apenas para marcar posição.

Especialmente depois da conquista da PMJP, que projetou o partido para voos mais altos no estado. Por isso, tende a desestimular disputas de ordem paroquial, como a que opõe hoje Aguinaldo Ribeiro e Veneziano Vital.

Exatamente porque, sendo o PMDB um aliado nacional e único partido que até agora declarou apoio à reeleição de Rousseff, ou o “blocão” se viabiliza eleitoralmente ou não haverá justificativa para evitar o apoio a Veneziano Vital no primeiro turno.

Enfim, o “blocão” precisa de uma definição urgente, oferecendo a candidatura de Aguinaldo Ribeiro ou a de Leonardo Gadelha.


Sem isso, o “blocão” tende a não se viabilizar como alternativa real em 2014. Esperar por 2018 talvez acabe sendo mesmo a melhor opção.

Em seguida, trataremos da candidatura de Veneziano Vital.

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