terça-feira, 26 de novembro de 2013

Cenários de 2014: a candidatura de Cassio

Cássio acena para a oposição. Ou será para o governo?
A opinião “geral” da política paraibana atualmente é considerar a aliança entre Ricardo Coutinho e Cássio Cunha Lima como um fato consumado, desde que o senador tucano ofereceu sua presença “simbólica” na festa de aniversário do Governador.

Alguns – os de sempre – suspiraram aliviados e soltaram foguetões, temendo um racha que os obrigaria a optar antes do tempo por um dos lados; outros começaram a perder a ilusão, que cultivam há quase três anos, de ver o racha Cássio-RC finalmente anunciado.

A verdade é que tudo continua como dantes no quartel de Abrantes. Cássio Cunha Lima continua senhor do seu próprio tempo e todos os interessados em ver finalmente um desfecho para essa novela, movida a boatos e interpretações diversas sobre qualquer detalhe no comportamento do tucano em relação ao governador, vão ter de esperar mais um pouco.

Quem tem o poder de decidir o destino de uma eleição – e de um governador – não pode ter pressa.

Com essa postagem, inauguramos uma série de artigos com os quais pretendemos analisar os cenários possíveis para as próximas eleições na Paraíba. Comecemos com a candidatura de Cássio Cunha Lima

Um candidato nas mãos da Justiça

Em recente participação no programa comandado pelo jornalista Luiz Torres, o Conexão Direta, da TV Arapuã, fui impelido a responder com um sim ou não se acreditava que Cássio seria candidato. Fui obrigado a responder “depende”, para em seguida completar:  “se ela (a candidatura cassista) for viável juridicamente, Cássio será candidato”.

Como eu expliquei ao empresário João Gregório assim que o programa terminou, que riu de minha posição murista, não se tratava de me colocar entre uma as duas torcidas paraibanas – porque não seria nada mais do que isso, – mas de saber se o senador pode ou não ser candidato.

Porque, se puder, amigo – como diria o governador, – nada impedirá de Cássio entrar nessa disputa, e ele não seria inteligente se não o fizesse.

O governismo-oposicionista de Cássio

Cássio-RC: eles brigam,mas...

Por vários motivos. Um deles, é que Cássio pode arriscar porque é Senador e não perderia o mandato em caso de derrota. 

Um outro, é que ele atenderia à necessidade da direção nacional do PSDB de lançar candidatos a governador fortes nos estados para fortalecer o palanque do presidenciável do partido, Aécio Neves, de quem Cunha Lima é amigo do peito.

Poderosos argumentos  políticos não faltam para justificar a candidatura cassista. Talvez o principal deles seja essa posição de “queridinho” da Paraíba que o ex-governador tem hoje, namorado até pela oposição, que quase o paparica na esperança de um rompimento que se anuncia desde a posse do atual governador.

Desde o início, Cássio demostrou saber como ninguém manusear a dubiedade de suas palavras e de suas ações quando o assunto era RC. Ele nunca foi por inteiro nem governo nem oposição, mas foi tratado como tal por ambos os lados.

E, paradoxalmente, Cássio acabou se tornando uma espécie de tábua de salvação tanto para o eleitor anti-ricardista quanto para os governistas, dentro e fora do governo. Com Cássio, RC aumenta muito suas expectativas de vitória, o que é fator decisivo para a conquista de apoios.

Sem Cássio, RC corre o risco de ser abandonado e minguar no isolamento político diante da possibilidade da derrota iminente, o que é reforçado a cada dia por conta da capacidade desagregadora que demonstrou o governador ao longo dos três últimos anos, que imaginava que a receita com a qual ele governou João Pessoa era a mesma com que ele governa a Paraíba hoje. Eu tenho dúvidas se ele já descobriu que o buraco é mais embaixo.

Sem o apoio de Cássio, seria imprevisível o destino de RC no governo e provavelmente a ajuda de Cássio foi decisiva em vários momentos, não apenas na Assembleia – a mudança repentina dos votos de conselheiros familiares nomeados por Cássio, durante o julgamento das contas de RC no TCE, por exemplo, deve ser um dos capítulos mais eletrizantes dessa história, que certamente nada tem de republicana.

Mesmo assim, e apesar dos nomes que nomeou nos primeiro, segundo e terceiro escalões, Cássio, como bom tucano que é, nunca foi um defensor enfático das ações do atual governador, nem tampouco as criticou publicamente. Fez oposição através de interlocutores, mandando recados que a imprensa julgou sempre autorizados a falar em seu nome.  

Quando lhe interessava, e o momento provavelmente exigia, Cunha Lima fez criticas veladas através do Twitter ou em entrevistas, que sempre causaram rebuliços na seara governista, mas nunca tiveram desdobramentos políticos mais concretos, a não ser os que não podem ser revelados. E, nesse caso, nada mais concreto que a manutenção dos cargos no governo por parte dos aliados cassistas para demonstrar de que lado Cássio permanecia.

Enfim, o que se pode dizer com um certo grau de certeza, é que a relação Cássio-RC foi e continua sendo uma relação tensa, entre duas figuras de estilos – para o bem e para o mau – muito diferentes, mas que continuam a guardar em comum pelo menos duas coisas: os adversários e o compartilhamento do poder.

A aventura cassista?

E é com essa tensão, devidamente alimentada por todos esses anos, que Cássio pretende tanto legitimar uma possível candidatura, quanto valorizar-se pesadamente, numa conta que se revelará altíssima, se e quando o senador decidir pela manutenção da aliança.

Na primeira hipótese, a indefinição jurídica pode se transformar numa aventura a decisão de ser candidato, o que pode deixar seu destino nas mãos da justiça eleitoral, agonia que o senador viveu em 2010.

Ali, ele jogou todas as fichas e foi salvo quando Dilma Rousseff nomeou  Luiz Fux para o STF. Uma derrota jurídica em 2014 pode ter um custo político muito alto, já que Cássio é o único nome competitivo que tem o PSDB na Paraíba. Excluído da disputa depois de lançada a candidatura (de oposição), qual o alcance do prejuízo pessoal, familiar e de grupo?

Por isso, como Cássio nunca se prestou a aventuras, mais do que uma certeza política (coisa que acho que ele já tem), ele precisa de um certeza jurídica, o que ele só terá depois que iniciar o julgamento do registro de sua candidatura, isso depois das convenções partidárias, em meados do próximo ano.

E se ela acontecer, terá o condão de mudar os rumos da sucessão estadual, quando Cássio deve assumir a condição de favorito, não de imbatível, como ficou demonstrado em 2002 e 2006, quando o atual Senador em pessoa quase perde para Roberto Paulino e José Maranhão. 

Além disso, Cássio candidato terá o inconveniente de responder durante a campanha porque apoiou o atual governador e seu governo por três anos e só no final decidiu romper para se lançar candidato de oposição. Uma aposta na frivolidade do eleitor, sem dúvida.

Mas, antes o ex-governador deve resolver o que quer da vida. E todos continuarão a especular sobre uma decisão que se dará considerando apenas um critério: a conveniência de Cássio Cunha Lima.

Por isso, se alguém ainda espera uma resposta para a pergunta sobre se ele é ou não candidato, eu continuo respondendo: depende.


Depois eu volto para tratar do “Blocão”.

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