quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Derval Golzio: Frases de ontem, delícias de hoje

O professor, amigo e colega da UFPB Derval Golzio me enviou um apanhado de diálogos trocados pela imprensa entre o prefeito de João Pessoa e candidato a governador com o apoio do PSDB e do DEM (alguns preferem "Demos"), Ricardo Coutinho, e o deputado federal, candidato a senador e a presidente do PT, Luiz Couto. Eu quero mesmo ver se vinga esse paradoxal palanque. As frases abaixo não são exatamente as juras de fidelidade que ambos protagonizam atualmente, muito pelo contrário. Perguntei a Derval se ele me autorizava a publicar neste blog o texto e ele fez isso. Diz que ainda tem mais. Deve ter mesmo porque a citada relação política teve capítulos que assombraram os leitores de jornal e ouvintes de rádio pela forma pouco amistosa como ocorreu. Vamos ver se Derval resiste mesmo ao bolor dos jornais velhos e nos brinda com novos capítulos. Vai ser muito divertido.

Por enquanto, fiquemos com o texto que Derval nos brinda hoje.

FRASES DE ONTEM, DELÍCIAS DE HOJE


A ausência de dados novos sobre o processo eleitoral do próximo ano provoca uma sensação de calmaria para os meios de comunicação e para os leitores contumazes das páginas dedicadas aos assuntos que envolvem partidos políticos e seus integrantes. Passado o período da janela para filiação partidária (bastante parecida com a mudança de clubes por jogadores que passam a adotar a nova equipe como a paixão de sempre) não resta muito a fazer senão folhear jornais de anos passados para ler o que os políticos diziam de si e de outros.

Diversão pura ler as declarações dos personagens da política estadual que povoam as páginas dos diários, sites e portais locais em momentos não muito distantes. Vale lembrar os impropérios, denúncias, críticas e até passagens pelas delegacias de polícia. É o caso de amor e ódio que envolve o deputado federal Luis Couto (PT) e o prefeito Ricardo Coutinho (então petista e hoje dono do PSB paraibano). Hilário:

1) “Eu não agredi Ricardo. Ele está mentindo. Apenas tomei um panfleto que ele estava distribuindo”

Luis Couto contesta Ricardo Coutinho, que havia prestado queixa contra Couto por agredi-lo fisicamente com um soco no rosto (Helder Moura, em 06/06/2000, pag 05)

2) “Quem pariu a candidatura de Couto deve parir também seu vice.”

Resposta de Ricardo Coutinho à provocação de que indicaria o candidato a vice de Luiz Couto, após ser preterido como candidato a prefeito de João Pessoa pelo grupo comandado pelo atual presidente do Sebrae/PB, Júlio Rafael (“Judas Rafael”), em 21/06/2000, pag 03.

3) “Só apoio uma candidatura nestas eleições que seja, verdadeiramente, de oposição ao prefeito Cícero Lucena. Este grupo que controla o PT, o grupo de Luiz Couto, nunca fez oposição ao PMDB do R (grupo Cunha Lima da qual o prefeito Cícero Lucena faz parte).”

Declaração do então deputado Ricardo Coutinho (PT) à jornalista Learth, em 2000, (pág 05 do Correio da Paraíba).

O leitor não precisa se esforçar nem tampouco retroceder muito nas páginas bolorentas dos jornais envelhecidos. Basta voltar às vésperas das últimas eleições para vislumbrar pérolas como as proferidas pela então vereadora Paula Frassinete (PSB) dirigidas ao deputado Ruy Carneiro e ao Governador Cássio Cunha Lima: “Quem tem um histórico de violência toda a Paraíba sabe. E o deputado Ruy Carneiro também sabe, pois ele integra o grupo violento que tentou matar Burity, que ameaça e intimida os adversários em Campina Grande e promove arruaça nas plenárias populares da Prefeitura de João Pessoa usando o Cabo Sóstenes, que é lotado no Gabinete Militar do governador”.

Se não tiverem problemas com o mofo e poeira dos arquivos de jornais, essa é uma leitura obrigatória e prazerosa. Muitos leitores devem ter alguma máscara protetora guardada numa gaveta (remanescente dos receios da gripe suína). Um bom motivo para usá-la.

Derval Golzio
Prof. Departamento de Mídias Digitais/UFPB

Um comentário:

olhosdonorte disse...

Se não tiver problemas com mofo mesmo, pode pegar jornais mais velhos, lá pelos idos de 1990, 1995, 1998. Assim a seletividade pode ser reduzida....