quinta-feira, 29 de julho de 2010

Diante da vantagem de Maranhão, só resta agora o guia eleitoral para Ricardo Coutinho. Mas, ele tem discurso para reverte o quadro?‏

Na pesquisa Consult divulgada ontem pelo Jornal Correio, José Maranhão ampliou a vantagem que tinha sobre Ricardo Coutinho de 10 para 17 pontos percentuais. Trata-se de uma vantagem que, há pouco mais de 15 dias para o início do guia eleitoral, será difícil ser revertida.

Agora, só resta a Coutinho esperar pelo seu início do guia, especialmente o da TV, para tentar iniciar uma reação, porque as ações até agora empreendidas, em parte pela desvantagem que leva um candidato de oposição pela escassez midiática, não surtiram o efeito esperado sobre o eleitorado.

Especialmente aquele que antes poderia ser considerado o potencial eleitor de Ricardo Coutinho, que vive nas grandes cidades e que anda com uma pulga atrás da orelha por conta das novas e aparentemente contraditórias companhias do ex-prefeito de João Pessoa: Cássio Cunha Lima e Efraim Moraes.

Entretanto, a grande questão é se o candidato do PSB tem discurso para reverte o quadro e não apenas voltar a seduzir seu antigo eleitorado, mas ampliá-lo. Ricardo Coutinho, ao que parece, já abandonou o discurso do "novo" como carro-chefe de sua campanha, e por razões óbvias: ele fará campanha ao lado de dois dos mais tradicionais grupos políticos da Paraíba, herdeiros do pior estilo de governar – patrimonialista e de quase nenhuma sensibilidade social, - e, por isso mesmo, expressão mais legítima do que há de mais conservador na Paraíba.

Entretanto, o slogan do candidato, Um grande salto, fundamenta-se numa realidade palpável da Paraíba, e as estatísticas, especialmente se observadas comparativamente, estão aí para reforçar o discurso do candidato oposicionista. E Coutinho vai tentar demonizar os governos Maranhão, culpabilizando-os por todas as mazelas econômicas e sociais que ostenta hoje a Paraíba.

É nesse ponto onde reside a grande interrogação quando começar o debate eleitoral na TV: como José Maranhão enfrentará esse debate e que o impacto ele terá sobre o eleitorado? Como eu já disse por aqui, se minhas expectativas estiverem corretas, pela primeira vez numa campanha eleitoral a Paraíba se defrontará com ela mesma.

O colorido exuberante do marketing eleitoral poderá ser confrontado no contra-ponto em preto e branco de uma realidade triste e desoladora para a maior parte da população, manuseada por um craque em "construir realidades", que é Duda Mendonça.

E preparem-se. A imagem carrancuda que Ricardo Coutinho aparenta ter na foto oficial de campanha é para combinar não apenas com seu estilo pessoal, mas para dar credibilidade ao que ele tem a dizer sobre a Paraíba, que será dito sem sorrisos, com imagens e uma sonoridade de cortar o coração.

Quem teve a pachorra de ler o programa (alguém liga para isso?) do candidato do PSB na internet (clique aqui para baixá-lo) pode chegar a mesma conclusão que eu: Coutinho se prepara para trilhar esse caminho, o que, acredito, será bom para o debate político porque livra-o da superficialidade, como diria um antagonista meu no campo da história regional, imagético-discursiva em que o marketing prendeu a política nos últimos anos.

Primeiro, porque se trata de um poderoso discurso; segundo, porque é o único que resta ao candidato dos demo-tucanos. E sendo o único, é mais do que provável que ela vá fundo nesse discurso. Pode ser que a incoerência das alianças que fez Ricardo Coutinho seja suficiente para "desconstruí-lo", já que suas alianças o desautorizam em parte a creditar na conta do adversário a responsabilidade única por ela. Pode ser que não lhe renda os votos que Coutinho espera ter.

Mas pode ser também que tenhamos um confronto baseado num intenso debate programático e que não haja outra alternativa ao PMDB a não ser entrar nele. Se isso acontecer, a grande dúvida passa a ser: José Maranhão tem um programa à altura para enfrentar esse debate?

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