A Universidade Federal da Paraíba realiza eleições diretas para Reitor desde 1984. Nesses 28 anos, foram sete eleições, todas realizadas de forma transparente e democrática, ocasiões em que a Comunidade Universitária expressou livre e majoritariamente sua escolha pelo candidato e pelo projeto que considerou o mais adequado para a UFPB.
Uma particularidade também marcou essas eleições: em todas elas, todas,
as urnas para cada um dos três segmentos (estudantes, professores e
técnico-administrativos) foram distribuídas por local de estudo e trabalho, ou
seja, em cada centro ou órgão suplementar da UFPB três urnas foram instaladas
para recolher o voto da Comunidade Universitária.
O critério que prevaleceu nessas eleições foi o de facilitar
o acesso ao voto para que a UFPB realizasse eleições cada vez mais
participativas.
Entretanto, nas eleições
que se realizarão no próximo dia 16 de maio, inexplicavelmente, a Comissão Eleitoral que coordena o processo atual, pretende mudar essa
sistemática e concentrar as urnas em
um único local, na Central de Aulas da UFPB, o que exigirá que estudantes,
professores e técnico-administrativos tenham de se deslocar, em alguns casos
por longas distâncias, para exercerem seu direito ao voto.
O eleitorado mais
prejudicado, em especial, será o da comunidade do Centro de Ciências da Saúde (CCS)
e do Hospital Universitário (um acaso?). Em relação a este último, a maioria
dos servidores terá de abandonar seus
plantões para votar, o que, obviamente, impedirá o voto desses eleitores. Algo injustificável e inaceitável.
Essa foi uma decisão que nunca foi tratada com devida
transparência pela Comissão Eleitoral e, até o momento do seu anúncio, foi marcada
por flagrantes contradições nas suas justificativas.
A primeira informação sobre essa questão por parte dos representantes
da Comissão Eleitoral dava conta de que, segundo o TRE, não haveria tempo hábil para disponibilizar as urnas eletrônicas,
isso há dois meses da eleição.
Quando restava um mês para o pleito, as chapas foram informadas de um novo prazo determinado pelo TRE, agora
de 45 dias, o que inviabilizava o uso das urnas eletrônicas e forçava a
realização da eleição com urnas de lona.
Agora, no dia 4 de maio, portanto, a 12 dias da eleição,
somos surpreendidos mais uma vez com uma nova informação: o TRE disponibilizaria as urnas, mas só se forem instaladas todas em um
único local.
Nunca é demais lembrar que todas as eleições realizadas na
UFPB até hoje, seja para Reitor, seja para o DCE, ADUF e SINTESP, foram realizadas
com urnas distribuídas pelos Centros.
A última eleição, na qual foi eleito o
atual reitor, foi realizada com urnas eletrônicas distribuídas da forma
tradicional, e tudo funcionou perfeitamente – Rômulo Polari era considerado
favorito – e sem contratempos e a falta de transparência por parte da Comissão
Eleitoral que marcam a atual campanha.
Nesse ponto, uma pergunta se impõe: qual o motivo para justificar uma
mudança tão abrupta, que não apenas quebrará uma tradição na forma de organizar
eleições na UFPB, dificultará o voto, afastará eleitores e criará um caos num
único espaço para o qual irá se dirigir uma comunidade de 30 mil pessoas?
A função da Comissão Eleitoral é fazer cumprir o
regimento da eleição, que diz expressamente que as urnas deverão ser distribuídas
de maneira descentralizada, “em função do respectivo número de votantes e da dispersão geográfica” (veja abaixo os artigos do regimento eleitoral que tratam dessa questão).
Agindo de
maneira distinta, ela não apenas estará prejudicando a comunidade universitária
da UFPB quanto ao direito ao voto, mas poderá interferir no resultado eleitoral.







