sexta-feira, 28 de maio de 2010

O PT será a força decisiva na eleição para governador da Paraíba. Por isso, indicará o vice

Vou logo avisando que nessa postagem não tentaremos fazer previsões, mas apenas indicações políticas, especialmente de ordem eleitoral, cuja explicitação me fazem acreditar que o PT indicará o candidato a vice-governador na chapa de José Maranhão. Vamos a elas.

Num embate cujo adversário principal do governador José Maranhão tem origem na esquerda e vai tentar se apresentar com "novidade" política, em contraposição ao que Cássio Cunha Lima – vejam só! – tem chamado de "atraso", qual a melhor maneira do candidato à reeleição do PMDB se contrapor a esse discurso?

Excluindo o PT e com uma chapa onde os candidatos sejam, predominantemente, vinculados a grupos tradicionais da Paraíba, José Maranhão, com essa opção, estará apenas ajudando a corroborar o discurso ricardista. Mesmo que Coutinho esteja aliado não só, vamos chamar assim, ao tradicionalismo mais legítimo da política paraibana (as famílias Cunha Lima e Moraes), mas também ao conservadorismo que elas representam, o que são coisas distintas. (Em próxima postagem, vamos explorar essa distinção).

José Maranhão, com a ausência do PT na chapa, não poderá atacar Coutinho pela esquerda, perdendo a legitimidade que tem hoje o atual governador por conta da aliança com os partidos que compõem esse campo. Quem tem moral política para atacar as alianças de Ricardo Coutinho?

Por isso, não acredito que apenas o apoio dos partidos de esquerda a Maranhão, caso esse apoio se confirme mesmo com a ausência de um candidato de esquerda na chapa majoritária, seja suficiente para oferecer essa legitimidade ao discurso maranhista no futuro embate. E não estou afirmando aqui que o que vai nortear esse embate será o confronto "esquerda" e "direita". Esse confronto tentará ser estabelecido de maneira menos sutil, entre o "velho" e o "novo".

Por que Ricardo Coutinho pode hoje fazer esse discurso? Não apenas por conta de sua idade (com quase 50 anos. ele não é tão novo assim, não é mesmo?), mas pela "novidade política" com a qual ele tentará vincular sua candidatura. E esse não um dado artificial da realidade, por mais questionável que seja ele.

Mesmo que há quase 20 anos seja detentor de mandatos eletivos (vereador, deputado estadual e prefeito), o ex-prefeito de João Pessoa compõe a nova geração de políticos que ascenderam após a ditadura, e que incorporou as "inovações" discursivas de uma esquerda pós queda do Muro de Berlim: orçamento democrático, desenvolvimento local, apoio às minorias, etc., idéias que cabem tanto na cartilha dessa "nova esquerda" quanto na do Banco Mundial.

Algum repórter, para fazer um teste, poderia perguntar ao candidato do PSB o que ele, por exemplo, acha de reforma agrária e se ele pretende implementar algum projeto nesse âmbito que altere de maneira drástica a estrutura fundiária na Paraíba. Os Ribeiros, entre outros grupos que hoje o apóiam, certamente ficarão atentos à reposta do candidato.

Coutinho certamente tratará de questões cosméticas, como por exemplo, implantação de um "orçamento democrático", que, da maneira como foi implantado em João Pessoa, exclui mais de 95% das verbas orçamentárias do controle "participativo", bem como quase toda a população pessoense. Como eu já disse por aqui, o tal "orçamento democrático" é apenas uma maneira de envolver parte pequeníssima da população na definição das obras prioritárias para sua comunidade. Além de tudo, o vereador é quase que totalmente marginalizado nesse processo. Enquanto isso, o grosso das verbas fica sob o controle do prefeito.

Entretanto, como eu também já escrevi neste blog, não convém ao atual governador subestimar nem o candidato Ricardo Coutinho, cuja tenacidade o levou aonde ele se encontra hoje, nem muito menos esse espírito de mudança, que é observável cada vez mais, especialmente no Nordeste.

Na nossa região, são raros os candidatos hoje fora do arco de apoio lulista – excetuando-se talvez o Rio Grande do Norte – que estão A frente nas pesquisas e tem alguma chance de vencer a eleição para governador. Não foi por acaso, portanto, que Cássio Cunha Lima optou por uma aliança com Ricardo Coutinho. Ele não desejava ir para o isolamento que representaria a candidatura tucana de Cícero Lucena, o que colocaria em risco sua própria eleição para o Senado.

Porque, se o desconhecimento do que era ser de esquerda conduzia antes a um preconceito, especialmente entre os mais pobres, com o governo Lula ser de esquerda ganhou um novo componente, certamente fluído, mas não menos verdadeiro, que a vincula a preocupações com os mais pobres. Não foi à toa que José Serra se disse de esquerda. Certamente, essa declaração do candidato do PSDB não caiu do céu e deve ser ressonância de alguma pesquisa qualitativa de sua campanha. Esses candidatos não falam nada que não seja por orientação de manqueteiro.

Ricardo Coutinho cometeu vários erros até agora e o mais importante deles foi vincular sua eleição a uma aliança com o conservadorismo paraibano. Outro erro importante, decorrente desse primeiro, foi não ter dado a devida importância à aliança com o PT, tendo Coutinho contribuído, eu diria de maneira decisiva, pare derrotar Luís Couto, quando tornou público, ainda durante a campanha que elegeu a atual direção do PT, seus acordos com Efraim Moraes e Cássio Cunha Lima.

Enquanto Luis Couto afirmava que essa aliança não existia, Ricardo Coutinho dava mostras públicas de que ela era uma realidade. Coutinho, na sua pressa desesperada de fechar um acordo com o cassismo e o Dem, desprezava com isso o apoio do PT. Reconhecido o erro depois de derrotado na disputa interna petista, os esforços atuais do ricardismo são dirigidos hoje, e de maneira pública, para dividir o PT e tem o objetivo de pelo menos criar confusão no eleitorado ao afirmar que o partido está "dividido" e parte dele apóia o candidato do PSB. Logo Coutinho, que abandonou o PT há 7 anos depois de ter se servido do partido para alcançar seus objetivos, agora intenta fragilizar ainda mais seu ex-partido estimulando a sua divisão interna.

E ter o PT na chapa majoritária é tão importante para a candidatura de Ricardo Coutinho hoje que o próprio Efraim Moraes já declarou que abriria mão de sua candidatura ao Senado caso o PT aderisse à coligação ricardista. Os Ribeiros já afirmaram o mesmo.

Pois bem. Se José Maranhão resolver prescindir de ter o PT em sua chapa, ao fazer isso ele vai oferecer de bandeja ao adversário o reforço do discurso de que sua chapa é mais do que continuidade, é reprodução, sem tirar nem por, do tradicionalismo político paraibano.

Maranhão já cometeu o erro de permitir especulações a respeito da possibilidade do PT vir a ser excluído de sua chapa. Ninguém menos que o próprio sobrinho do governador já fez afirmações na prática contrárias à participação do PT na chapa majoritária, tendo recebido em seguida uma resposta zangada do Secretário do PT, Josenilton Feitosa, o que revela a tensão interna que vive o PT na atualidade. E não é para menos. Não bastassem os ataques dos adversários internos, a atual direção do PT tem de conviver ainda com os ataques de potenciais aliados externos.

O governador talvez não tenha percebido a real dimensão do trunfo eleitoral que representa o apoio do PT à sua reeleição. Fragilizar o PT apenas ajuda aos seus adversários. Não tê-lo na vice mais ainda, pois dilui o apoio do partido e reforça a dispersão do apoio que já existe à chapa oposicionista.

Já afirmei neste blog que José Maranhão deve, nesta eleição, deixar claro para o eleitor que sua candidatura aponta para o futuro, e o primeiro momento é, sem dúvida, na sua composição de sua chapa. Com um vice do PT, Maranhão deixará claro, entre outras coisas, que o partido é e será uma força importante nas definições a respeito do futuro do estado, seja em termos de um novo projeto de desenvolvimento, especialmente se Dilma Rousseff vencer a eleição presidencial, seja em termos do reforço do papel de suas lideranças na condução futura desse projeto.

José Maranhão não deve imaginar que basta a máquina do governo para viabilizar sua reeleição, o que tem lhe permitido reunir um amplo arco de apoios. Mas, é bom salientar, como já fiz aqui, que essa eleição pode ter uma característica diferente dos outros embates. 2010 envolverá um candidato com origem e discurso distintos dos candidatos que até hoje disputaram com chances de vitória as eleições na Paraíba, e numa conjuntura, diga-se de passagem, amplamente favorável a esse candidato não fosse as alianças que ele fez.

É esse o principal flanco aberto pelo candidato do PSB: suas alianças eleitorais que podem descaracterizar seu discurso. E quem tem legitimidade política para criticá-lo a não ser o PT como principal partido da esquerda paraibana e brasileira? Então, comparado com o que o PT representa, qual a relevância de um Wellington Roberto, ou mesmo Daniela Ribeiro?

Além de tudo isso, tem participação de Lula e Dilma Rousseff no palanque maranhista. Dilma até pode subir no palanque ao lado de Ricardo Coutinho – desde que negociada a não participação de candidatos da oposição, – afinal, ela é candidata de uma frente de partidos, entre eles o partido de Ricardo Coutinho, o PSB, que num grande gesto retirou a candidatura de Ciro Gomes em nome da continuidade do projeto de mudança comandado por Lula.

Entretanto, o mesmo não se pode dizer de Lula. O presidente, não sendo candidato, participará da campanha como cidadão e filiado ao PT, e como tal não se sentirá obrigado a subir no palanque de candidatos que não tenham o apoio do seu partido, especialmente se nele estiver o PSDB e o Dem. E, caso o PT esteja na chapa maranhista, Lula não poderá negar o apoio a José Maranhão, que o apoiou nas duas ocasiões em que ele se elegeu, além de ter dado importante apoio durante o seu governo. Sem o PT tudo isso fica muito mais difícil

Por isso, acredito que o PT indicará o vice. E acredito nisso porque, além de acreditar na força política que é o PT e no que ele representa, acredito na inteligência do governador.

EM TEMPO: A pesquisa do IBOPE divulgada nesta sexta à noite confirma a liderança de José Maranhão (48% a 36%) com 12% de diferença. O resultado merece uma comedida comemoração por parte dos maranhistas. Cautela seria o mais recomendável. A permanecer essa diferença até o início da campanha na TV, teremos um embate que promete muitas emoções, afinal uma diferença de 12% não é tão expressiva assim (vide o que aconteceu nas pequisas presidenciais). O dado que mais chamou a atenção foi a derrota de Ricardo Coutinho em seu terreiro, João Pessoa. A aliança "geopolítica" pelo jeito esqueceu de ser combinada com o eleitor. Pois, o único fato a explicar a dianteira maranhista na capital é, sem dúvida, a aliança de Ricardo Coutinho com o cassismo (e agora com Efraim Moraes). Como vínhamos afirmando até agora. Acredito que isso reforça ainda mais o argumento da postagem acima.

5 comentários:

VANIA MEDEIROS disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
crisvalter disse...

Caro professor
Sou leitor assíduo do seu blog. Parabén pelo estilo e a lucidez polítca. Seu trabalho melhora o jornalismo (articulismo) político da Paraíba. Tenho bebido nessa fonte para me atualizar e, é claro, conscientizar sobre o imbróglio político no qual a Paraíba submergiu.

Crisvalter Medeiros

Lucio Ricardo disse...

Na verdade a aliança feita por Ricardo, com o DEM e o PSDB lhe trouxe prejuízos. Mas, não tinha outra opção, pois quando Maranhão, assumiu o governo, o PT foi alçado na condição de governo e acho que seria muito difícil o PT romper com Maranhão e decidir o apoio a uma candidatura de oposição no caso Ricardo. O PC do B idem, então, uma aliança mais a esquerda estaria descartada.Restando assim o DEM e o PSDB, pois Ricardo e o PSB sozinho não teria nenhuma condição de chegar pelo menos na disputa, haja vista a força da caneta que é preponderante em um Estado como á Paraíba.Portanto, a aliança mais a esquerda foi inviabilizada porque Maranhão assumiu o governo por força judicial. Imaginemos, se o governador hoje fosse Cássio, ele teria um candidato que iria disputar com Ricardo e esse tendo o apoio, talvez do PMDB mais sem sombra de dúvidas da esquerda PT e PC do B.

Anônimo disse...

Falas sério!!!!????

Já que voçê diz que nunca "presenciou dobradas (de Rodrigo)com políticos fora do PT", e é bem provável que não pois, presenciar realmente é difícil, elas são feitas nos "subterrâneos da política" más que ele já fez isso muitas vezes pode ter certeza! Para seu conhecimento, acho que voçê até já sabe: 1 - Rodrigo é filho de um político que já foi filiado aos partidos das mais diversas vertentes conservaras e patrimonialista, na sua visão,PSDB e PFL-DEM, Dr. João,atual prefeito de Caaporã;
2 - Tem parentes que também já foram do DEM/PSDB etc, tios/tias, nas cidades de Cruz do Espirito Santo e no vále do Piancó;
3 - Nas eleições em que concorreu 2002 e 2006, inclusive, em 2006 com seu apoio,fez dobradas com políticos tipo Lúcia Braga, Adauto Pereira, etc...
4 - Respondeu a um processo na comissão de ética do PT, movido pelos hoje aliados,Feitosa, Anastácio e Giucélia.

Falas Sério!!!!????

Gilson disse...

A única importância do PT paraibano para Maranhão é tempo de rádio e TV.