terça-feira, 23 de julho de 2013

AGRA CANDIDATO?

Agra: O PEN “está isento dos deslizes éticos que se
verificam em outras legendas”
Há mais de um mês não se ouvia falar de Luciano Agra. Essa ausência deu a entender o anúncio da chapa Veneziano-Agra era apenas questão de tempo. Mas, ao que parece, as alterações no humor do eleitorado, provocado pelas grandes manifestações de junho, que colocaram em xeque os agentes da velha política e do tradicionalismo, podem também ter alterado a disposição de Luciano Agra, com injunções no rumo da disputa de 2014 aqui na Paraíba.

Foi o que ficou claro, depois de uma amistosa conversa que tive com o ex-prefeito Luciano Agra, que me recebeu em seu escritório político no final da manhã de ontem. Em seu ritmo compassado, de quem tem o cuidado necessário para evitar más interpretações, Agra não deixou uma só questão sem resposta. No final da conversa, ficou claro que o PEN vai entrar pra valer na disputa de 2014. E pensando grande.

“Um espaço político para as novas demandas da sociedade brasileira”

O ex-prefeito de João Pessoa parece antenado com a nova conjuntura política criada depois das manifestações que levaram milhares de pessoas às ruas do país. Agra fez questão de ressaltar que o PEN “está isento dos deslizes éticos que se verificam em outras legendas”. 

Além disso, ressaltou a necessidade de pensar na criação de espaços institucionais onde possam se manifestar as novas demandas da sociedade brasileira. Ou seja, Agra não parece alheio ao que se passou no Brasil nas últimas semanas e parece acreditar na manutenção desse espírito de contestação e desejo de mudança nas práticas políticas.

Além disso, Luciano Agra considera não ser mais possível pensar em qualquer projeto de desenvolvimento desconsiderando a questão ambiental, especialmente em um estado como a Paraíba, que tem hoje graves problemas como a escassez de água e a desertificação, problemas que, segundo ele, tendem a se agravar caso nenhuma providência seja tomada. “Vamos trabalhar na construção desse projeto daqui para frente”.

 “O PEN pretende ficar em pé de igualdade em relação às outras forças de oposição”

Uma das primeiras preocupações esboçadas por Luciano Agra foi com a consolidação do PEN, que ele pretende levar, ao lado do presidente da legenda, Ricardo Marcelo, a todos os municípios da Paraíba. 

Para tanto, o partido pretende dialogar com os agentes políticos de oposição, mas também com aqueles insatisfeitos com o atual modelo. “Só neste escritório, já recebi mais de 30 lideranças políticos e todas manifestaram uma boa receptividade ao projeto que pretendemos construir”.

Agra considera que existem hoje quatro forças que se articulam para a disputa de 2014: o grupo governista, que reúne o PSB e o PSDB, o PMDB, que pode ter o apoio do PR, o bloco PP-PT, que pode ter como candidata a deputada Daniela Ribeiro, ou o seu irmão, o ministro Aguinaldo Ribeiro, e o PEN, que atrairão os outros partidos para alianças. 

Agra considera que o PEN já é um partido de grande porte na Paraíba, onde conta com nove deputados na AL, a maior bancada, o que o torna uma força que pode almejar voos mais altos.

O lançamento de mais uma candidatura da oposição assegura o segundo turno

Luciano Agra acredita que a união dos partidos de oposição no 1º turno é uma estratégia temerária que pode leva-los à derrota. Com mais de uma candidatura, “com certeza, haverá segundo turno”. 

Com essa declaração, Agra não deixa dúvida que, pelo menos por enquanto, está afastada a hipótese de aliança com o PMDB de Veneziano Vital do Rego no primeiro turno e de sua participação numa chapa única da oposição. 

Para ele, a união dos partidos de oposição só deve acontecer no segundo turno, e esse deve ser um compromisso de todos os candidatos. Além de considerar um erro a estratégia de lançar apenas um candidato, Agra considera muito difícil acomodar todos os interesses envolvidos nesse processo. 

Um exemplo? “[José] Maranhão está vivo e quer ser candidato ao Senado”. Assim, como acomodar todos esses objetivos que se conflitam em uma única chapa?

Sobre o PT, Cássio e Estela

Luciano Agra tratou das relações com o PT e sobre a possibilidade, aventada por alguns, de ruptura no acordo entre Cássio e RC. Sobre o PT, Agra manifestou um claro desconforto com a pressão que fez o partido aqui na Paraíba para que “fosse candidato a governador de todo jeito”, e com restrição a possíveis aliados, condição que o deixava amarrado em termos de projeto político, associada a uma restrição de alianças que ele considerava não ser cabível. 

Perguntado se essa restrição era ao grupo cassista, Agra respondeu que era extensiva também ao PMDB.

Quando indagado sobre a possibilidade de ruptura da aliança entre o governador RC e o Senador CCL, Agra, com ironia, citou o dramaturgo romano Publio Terêncio: “Nada do que é humano me é estranho”, para logo emendar: “O PSDB está em processo de ocupação de espaços no governo”. Agra acha que o cassismo e ricardismo tendem a se entender cada vez mais daqui para frente.

Sobre declaração da secretária Estela Bezerra, que deixou em aberto a possibilidade de serem reatadas as relações políticas entre o grupo de Agra e o de RC, o ex-prefeito foi seco: “Trata-se de um reconhecimento tardio de nossa contribuição para viabilizar a gestão do atual governador quando este estava na Prefeitura”. 

E acrescentou: “Fomos nós que asseguramos a vitória do governador aqui em João Pessoa. Enquanto ele cuidava do interior, nós trabalhávamos por sua vitória na capital” 


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