quarta-feira, 17 de julho de 2013

Senado: o cavalo selado

Os principais candidatos, hoje, ao Senado. Eles representam
o sentimento das ruas de renovação política?
Coluna de quarta (17/07), Jornal da Paraíba

No próximo ano, os eleitores irão às urnas para, entre outras coisas, eleger um candidato para a única vaga disponível para o Senado. A escassez de grandes lideranças políticas na Paraíba deixa essa disputa, desde já, em aberto. Candidatos, por enquanto, só os situacionistas: o atual Senador, Cícero Lucena, que já declarou que se submeterá à decisão do PSDB, caso o partido decida pelo apoio ao atual governador, e o maleável Vice-Governador Rômulo Gouveia, que saiu do PSDB para ter um partido para chamar de “seu”, o PSD.

Cícero e Rômulo

Os dois, como se sabe, não são lá essas coisas, eleitoralmente falando. Cícero Lucena será perseguido eternamente pelo processo da “Confraria” e pelas horas que passou hospedado na sede da Polícia Federal, em João Pessoa, por conta de irregularidades constatadas em sua administração na Prefeitura Municipal de João Pessoa. Candidato a prefeito na última eleição, Lucena conseguiu 20% dos votos no primeiro turno e 31% no segundo. O eleito, Luciano Cartaxo, conquistou quase 70% dos votos. Foi um passeio.

Já Rômulo Gouveia, o Vice-Governador, é mais conhecido mais pela simpatia do que pela consistência de suas ideias. Nas duas vezes em que foi candidato a Prefeito de Campina Grande, foi derrotado por Veneziano Vital do Rego, mesmo contando com o apoio de Cássio Cunha Lima naquela que fora, até então, sua fortaleza inexpugnável. E nas duas ocasiões, Cássio estava sentado na cadeira de governador, o que dá contornos vexatórios às duas derrotas. Gouveia, caso consiga viabilizar sua candidatura, ainda tem um problema político: caso eleito, uma única cidade do estado, Campina Grande, contará com todas as três vagas paraibanas no Senado, já que os outros dois senadores que continuarão no Congresso, Cássio Cunha Lima e Vital do Rego Filho, são campinenses, conformando um grave desequilíbrio, exatamente na casa que representa o poder federativo.

Wilson e Aguinaldo

Por isso, não faltam candidatos ao Senado pelos partidos de oposição. Ontem, a deputada estadual do PP, Daniela Ribeiro, em entrevista concedida à repórter da CBN, Larissa Pereira, anunciou a disposição de Wilson Santiago, que saiu do PMDB para o PTB, de ser candidato ao Senado no bloco formado pelo PP-PT-PTB. Disse também que o nome do ministro Aguinaldo Ribeiro, seu irmão, também estava disponível para compor a chapa majoritária. A declaração de Daniela Ribeiro já reflete a preocupação com o movimento do PMDB de aproximação com Luciano Agra e com o PT, o que, caso se consolide, tornará uma miragem a ideia de uma terceira via na Paraíba.

Lucélio Cartaxo

Um dos nomes que ganharam mais evidência no interior do PT, e é hoje bastante lembrado para compor qualquer chapa majoritária, é o de Lucélio Cartaxo, irmão gêmeo do Prefeito de João Pessoa. Lucélio ocupa atualmente o cargo de Superintende da CBTU e é mais conhecido por ter uma aparência quase idêntica a do irmão, Luciano. Mas, assim como o Prefeito, Lucélio, claro, carrega um atributo muito valorizado hoje nos políticos: a juventude, fato que ajudou muito na vitória do outro Cartaxo na eleição para prefeito de João Pessoa.

Lucélio Cartaxo, que ensaia hoje uma candidatura a deputado federal, talvez não tenha percebido o vácuo eleitoral que representará, em 2014, a ausência de candidatos que sejam capazes de preencher essa imensa sensação de rejeição a tudo que lembre a velha política, que esperneia a todo custo para se manter viva. Cícero Lucena, Rômulo Gouveia, Wilson Santiago, Aguinaldo Ribeiro, potenciais candidatos ao Senado, são reminiscências desse passado que o povo furioso nas ruas quis, e continua querendo, superar. E esse fenômeno será mais claramente verificado nas disputas majoritárias, já que o povo, erroneamente, continua a dar mais importância a estas do que às eleições parlamentares.

Assim, se for mesmo mantida a redução da bancada federal, uma disputa majoritária, que deve ser polarizada entre os candidatos que representarão as principais coligações, o Senado por até ser que seja um objetivo mais fácil de ser alcançado do que uma eleição para a Câmara, especialmente para uma candidatura que se mostre capaz de representar esse desejo de mudança na política, que já se manifestou em 2010, atropelando José Maranhão, e que em 2013, como dissemos, se manifestou furiosamente nas ruas.

Casa onde morou João Pessoa está abandonada

O leitor Adriano Marinhou encaminhou mensagem à coluna chamando atenção para uma triste realidade. Adriano, no caminho do trabalho, passa todos os dias em frente à casa que um dia abrigou o ex-Presidente João Pessoa, na Pedro I, ao lado da Praça da Independência. Observando o imóvel, duas coisas chamaram sua atenção: “1) A cada dia que passa, o imóvel parece mais abandonado. Tem até um pé de não sei que planta crescendo perto do teto!!! 2) Não escuto nem leio ninguém falar nada sobre isso.” Ele lembra que foram iniciadas reformas no governo Cássio, que RC não cuidou de concluir. “Lamentavelmente, se providências não forem tomadas acho que um dia iremos ver a ruína completa do local,” conclui ele desesperançoso.

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