terça-feira, 23 de julho de 2013

Uma história de sacrifícios e vitórias

Existem histórias que merecem ser contadas. E mais de uma vez. Especialmente aquelas que são exemplos de luta e superação, de sacrifício e recompensa. Hoje, conto a história de um amigo que, como boa parte dos jovens brasileiros sem expectativas de emprego e de uma vida digna, saem do seu país numa aventura em busca de oportunidades.

Durante anos, nos acostumamos a ouvir as histórias desses jovens, e muitas delas terminavam sem um final feliz. Não é esse o caso. Em 1996, do alto dos seus 22 anos, Anderson Medeiros, resolveu reconstruir sua vida nos Estados Unidos. Aquele moço que mal saíra da adolescência saía em busca do “sonho americano”.

Trabalho e família

Anderson chegou aos Estados Unidos e, como fazem todos os latinos que por lá aportam, foi ocupar o espaço que a eles está reservado: primeiro, entregou panfletos nas ruas de Miami, depois começou a cortar a grama dos bem cuidados jardins americanos, para enveredar pela jardinagem e, por fim, acabou na churrascaria O Porcão, que levou para os Estados Unidos o “rodízio”, essa experiência brasileira, por aqui muito apreciada, de comer carne até se empanturrar.

Nessa vida de trabalho, ainda em Miami, Anderson arranjou tempo para construir família. Lá, conheceu Viviane Barreto, com quem casou e que seria sua companheira para o resto da vida.

Numa tentativa de retorno, os dois voltam para o Brasil. Foi aqui que Viviane engravidou de Pietra e depois de Enzo. Era 2001 e o Brasil vivia na crise. Novamente sem expectativas, os dois resolvem voltar para os Estados Unidos, deixando os filhos aos cuidados dos avós, numa dolorosa separação.

Para complicar a situação, Viviane, com a autorização de permanência vencida, é impedida de entrar nos EUA e obrigada a retornar ao Brasil. Alguns meses depois, Viviane volta para reencontrar o marido, agora através da perigosa fronteira que separa o norte do México do sul dos Estados Unidos, onde, ao invés da felicidade, muitos encontram a morte.

De João Pessoa para o mundo

Foi em Miami que nosso brasileiro aprendeu a lidar com a carne, com os cortes brasileiros, mas também com a maneira, também muito diversa, de como os americanos preparam um belo churrasco. Quem acha que eles só assam hambúrguer em churrasqueira está muito enganado.

Esse aprendizado não renderia apenas mais um novo trabalho, mas um metiê, um ofício que acompanharia esse paraibano lutador pelo resto da vida, num itinerário que o levou de Miami para a Carolina do Norte, onde outros empresários brasileiros, esses de Goiás, resolveram expandir seus negócios abrindo mais uma churrascaria.

Da Carolina do Norte, Anderson foi para a Europa levando seu conhecimento, exportando nossa tecnologia da churrascaria-rodízio: ele tinha virado um “consultor e administrador de churrascarias”, cujo trabalho era conceber e produzir projetos, acompanha-los desde a construção e os primeiros passos desses empreendimentos até que eles ganhassem vida própria.

Nesse trabalho, Anderson percorreu boa parte da Europa, abrindo churrascarias. Primeiro, aportou na Holanda, depois na Itália, e, mais a leste, foi para a Eslováquia.

O recomeço no Brasil: a churrascaria no Bessa
Depois, retornando ao Ocidente europeu, foi para Londres mostrar como os brasileiros preparam carne. De Londres, foi para Viena ajudar a abrir aquela que seria a última churrascaria, dentro e fora do Brasil, que não fosse a sua própria.

Na Europa, puderam levar os filhos, mas dificuldades de adaptação forçaram nova separação. Foi isso que os fez decidir definitivamente pela volta ao Brasil.

De volta ao Brasil. E com sua própria churrascaria

Com a Europa em crise e o Brasil cheio de oportunidades, Anderson e Viviane resolvem voltar para reunir novamente a família e aqui abrir uma pequena churrascaria no Bessa Shopping, que logo fez um sucesso estrondoso.

Menos de um ano depois, o negócio se expandiu e eles já estão em Tambaú, numa churrascaria que apenas começa a ter a forma da que Anderson e Viviane um dia planejaram para chamar de sua. E não duvidem. Eles vão conseguir.
O Rancho da Picanha, hoje, em Tambaú (Rua Antônio Lira, 153 - Próximo a Zarinha). Não fique só
na vontade. Vá conhecer as carnes que lá são preparadas. E aproveite para conhecer os donos.

A Comissão da Verdade e as Ligas Camponesas

O professor da UFCG, Hermano Nepomuceno, encaminha à coluna carta em que trata dos desafios da Comissão da Verdade da Paraíba.

A Comissão Estadual da Verdade promoveu Audiência Pública sobre as Ligas Camponesas em Sapé. O quadro da violenta repressão  àquele movimento social se apresentou com precisão e emoção nos depoimentos. As respostas dos depoentes à inquirição do professor Fábio Freitas, sobre a prática de tortura contra os ativistas das Ligas, levantam os indícios para a responsabilização.

Ofélia Amorim foi peremptória: o maior torturador dos camponeses na região de Sapé foi o Major PM Luís de Barros; responsável também por várias detenções de Pedro Inácio, segundo sua Filha Neide Araújo. Ele, juntamente com João Alfredo, após o golpe de 64, estavam presos no quartel do 15º RI. Mas foram soltos à noite por decisão do Major Cordeiro, do Exército. Ambos são considerados desaparecidos políticos.


A verdade histórica e o resgate da cidadania de Pedro Inácio de Araújo (Pedro Fazendeiro) e de João Alfredo Dias (Nêgo Fuba), passa necessariamente: 1) pela localização dos seus restos mortais; 2) pela identificação dos autores do sequestro, assassinato, mutilação e ocultação dos cadáveres, tanto os agentes públicos policiais e militares que executaram a operação, como os particulares que se beneficiaram politicamente. A Paraíba conhece a matriz política e social responsável pelos assassinatos do líder camponês João Pedro Teixeira, do prefeito José Silveira e da sindicalista Margarida Alves. 

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